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O Turista na Armadilha

Rugendas e revistas
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Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ
1/4/2009 · 204 · 29
 

Degradação do patrimônio imaterial no Brasil


A prostituição emocional

"... Esta (tribo)... caracterizava- se principalmente pelo fato de seus integrantes não recorrerem a palavras para se comunicarem, mas a sons musicais. Além disso, seu vocabulário estava repleto de denominações para o mal, em todas suas gradações. Destas, a mais apreciada era a “principiada num som grave e atingindo a quinta superior”, que designaria a palavra ‘inimigo’."

(Makunaima e Macunaíma. Entre a natureza e a história'- Daniel Faria/Unicamp)



Mário de Andrade naquele divertido – e sarcástico - diálogo intelectual que gostava de estabelecer entre arte e cultura, inventou certa vez este falso grupo étnico indígena aí de cima (que teria sido encontrado por ele nas margens de um rio amazônico, durante uma viagem etnológica real) inventando uma série de hábitos e costumes assaz exóticos - como seria de se esperar de um grupo indígena desconhecido - entre os quais uma língua esquisita baseada, exclusivamente em três fonemas ou frequências musicais. Os arredios figuraças eram os índios 'Dó-Mi-Sol'.

A história está aí, para quem quiser ler no sensacional livro 'O Turista Aprendiz'.


Hilário ainda hoje, não é mesmo? Mas que graça a gente acharia se isto tivesse sido escrito para parecer um fato, ou seja, se o esperto Mário estivesse tentando mesmo, macunaimicamente nos convencer de que aquela tribo era real, verdade verdadeira, sem tirar nem por?

Vocês podem achar uma 'cascata' inacreditável (e nem vou recriminá-los por isto), mas juro que vi uma vez na TV (no Discovery Channel, acho, não me lembro quando) uma história bem parecida com esta, só que verídica, descrevendo uma tribo de curiosíssimos hábitos, que havia sido descoberta por um antropólogo gringo na polinésia (ou num outro cantão desses aí, nas imensidões do oceano pacífico).

Publicada nos anais acadêmicos na época e atestada a 'autenticidade' da descoberta, anos depois um repórter ou outro antropólogo (tem sempre um chato de galochas nestas histórias) resolveu verificar as quantas andava o processo evolutivo daquela curiosa tribo. E qual não foi a sua surpresa quando descobriu que a tal tribo... jamais existira.

No duro. Era tudo pura ficção 'científica'. Os membros da tribo fajuta não passavam de atores nativos, pobres cara de paus aculturados, arregimentados a dedo e treinados pelo antropólogo, que inventou-lhes uma selvageria fashion, criando hábitos ancestrais falsos, um figurino falso, uma cosmogonia falsa, tudo igualzinho ao que o nosso Mário fizera no seu conto inventando os 'Dó-Mi-Sol' (que eram, logicamente, puro sarro.)

Pobre Mário! Lido talvez, quem sabe (só que às avessas) pelo gringo 'um-sete-um', nem crédito para a sua original criação recebeu. Antropofagy é isto aí, gente boa!

Porque eu conto esta história? É fácil: É que esta moda... resignificativa e pós moderna a mais não poder, ao que parece, está pegando no Brasil.

Falando sério: Comenta-se a boca pequena (eu mesmo, a boca grande, vivo cantando esta pedra por aqui) que um insidioso fenômeno cultural já devia estar chamando a atenção de especialistas, antropólogos pelo Brasil a fora.

Trata-se do controvertido e agudo processo que pode, grosso modo, ser conhecido como resignificação de conteúdos – e da forma, da estética enfim - de manifestações culturais tradicionais brasileiras, infelizmente com fins nem sempre confessáveis.

Você já se ligou nisto? Não sabe bem o que significa? Resignifique-se então

É mais ou menos assim: As coisas são o que são, mas podem, dependendo do ponto de vista, significar outra coisa, ter outro sentido com o tempo. De novas e alentadas conclusões que sugerem novos olhares, emergem formas modernas de se abordar uma mesma coisa. Novos tempos, novas modas, novos significados enfim. Tudo muito bonito, mas dando aquela pinta mucho loca de 'caô caô'.

(Não sabe ainda o que é um 'caô'? Depois explico)

O perigo, contudo pode morar na seguinte constatação: Tudo é sempre muito relativo (se o papo for Cultura então nem se fala). É preciso que existam regras morais, parâmetros éticos bem definidos, ordem para que não vire tudo, em suma, uma casa-da- mãe-joana.

Sabem como é: No Brasil o inimigo sempre mora ao lado.


Vandalismo politicamente correto pode?
Patrimônio cultural deliberadamente degradado: Um conceito


"... Há uma espécie de sensação fincada da insuficiência, da sarapintação, que me estraga todo o europeu cinzento e bem arranjadinho que ainda tenho dentro de mim. Por enquanto, o que mais me parece é que tanto a natureza como a vida destes lugares foram feitos muito às pressas, com excesso de castro-alves".

( Mário de Andrade no diário: "18 de maio" )



É cada vez mais perceptível por aqui a promoção de ações e intervenções, pretensamente solidárias junto a comunidades que praticam - ou podem vir a praticar – manifestações 'folclóricas' com perfil característico (mesmo falso) que possa ser identificado como 'manifestação cultural tradicional', passível de justificar a formulação de projetos de tombamento, difusão e/ou preservação.

Além destas samaritanas finalidades há também, é claro, aquela que é a mais cínica de todas as justificativas para descolar um patrocínio, um qualquer: A chamada espetacularização da cultura tradicional (ou seja, a praga da carnavalização interesseira)

No dizer escorregadio desta gente espetacularização é a... 'resignificação' de uma manifestação de cultura popular com finalidades artísticas e, supostamente meritórias já que se enquadram como uma luva, no âmbito destes 'trocentos' programas de inclusão social, voltados para os nossos milhares de pobres diabos adolescentes.

- "Inclusão social! Capacitação profissional!" _ enchem a boca para dizer.

No português claro, inclusão social 'para inglês ver', por intermédio de alguma arte provisória e imediatista qualquer (como batucar samba-funk em latas velhas, por exemplo, função que ao que se sabe, nunca deu camisa e futuro a ninguém).

Este fenômeno - ainda carente de uma melhor definição - tem ocorrido, notadamente no âmbito de manifestações de inspiração africana, supostamente relacionadas ao conceito ainda um tanto mítico das sobrevivências etnológicas, eventualmente portadas por, não menos supostos, 'quilombos remanescentes', comunidades com algum resquício de herança cultural ancestral perceptível (curiosamente nunca inserem neste conceito as nossas imensas favelas).

É a partir desta tese da espetacularização benfazeja, portanto que foram formuladas mal embasadas reinterpretações de uma cultura afro-brasileira difusa, rasamente explicitadas em teses de mestrado, tornando-se uma seara bastante atraente para certa classe de 'aventureiros', muito mais por ser exótica e vulnerável a estas resignificações capciosas do que, propriamente por sua eventual relevância etnológica.

Estes verdadeiros predadores da cultura, motivados que são por uma vasta gama de interesses (a maioria, infelizmente relacionados aos recentes canais de patrocínio institucional abertos, na área da cultura e do turismo histórico-cultural no país) no âmbito das manifestações junto as quais se imiscuem, vão imprimindo - por ignorância sim, porém, muitas vezes de forma deliberada - estéticas e conteúdos descolados das tradições originais, que se diluíram com o tempo ou por conta de diversos vetores (entre o quais racismo e a exclusão social são o mais recorrentes).

O certo é que impacto das investidas destes 'aventureiros' sobre a cultura tradicional brasileira tem sido formidável.

Numa época em que se fala, insistentemente de tombamento e preservação do patrimônio imaterial, a questão assume proporções de drama cultural nacional eminente, tanto que a gravidade da situação pode sugerir que órgãos como o Iphan (que, ao que parece, não se deu conta ainda do fenômeno) e o MinC tenham que estabelecer, muito em breve, mecanismos de detecção e controle deste fenômeno, inaugurando estratégias que, na falta de nome mais adequado, chamarei aqui de 'Restauração do patrimônio cultural imaterial deliberadamente degradado' .


Patrimônio Turístico Cultural
Conceito e preconceito

(Antes que me esqueça: 'Caô' é uma evocação ao orixá Xangô do panteão do Candomblé _'Caô'! Caô! Cabecile!' – Tudo indica que, de tanto ser usada, para as mais banais finalidades, a palavra vulgarizou-se, perdendo, vamos dizer assim, a 'força'. Sábio como sempre o povo deu a palavra uma...'resignificação', passando a usá-la para definir, mentira, conversa fiada, qualquer coisa dita da boca para fora)

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Turismo como se sabe é um conceito ligado, obviamente à territorialidade, a um lugar específico para o qual os habitantes acharam por bem passar a atrair visitantes, motivados por alguma razão de natureza às vezes emocional (como amor por sua cidade) ou mesmo pragmática, como por exemplo, gerar recursos para melhorar a vida da coletividade, através da utilização de algo especial que o lugar tem, algo que atraindo interesse dos de fora, dos estrangeiros (que são chamados, vulgarmente, no caso, de 'turistas') possa ser explorado em benefício daquela coletividade.

Esta finalidade de utilidade pública está associada, portanto à existência deste certo 'algo mais' que os habitantes presumem possa gerar algum valor intrínseco ao ser visto e usufruído, algum atributo que está relacionado, como vimos - e de forma imperativa inclusive - a uma qualidade especial qualquer que o lugar, a cidade, o país ou o vilarejo tem, pode voltar a ter (ou mesmo nunca ter tido e passar a ter).

Assim, o conceito Turismo prescinde sempre de uma razão, de um adjetivo, algo sugestivo ou atrativo, um chamariz, um elemento motivador, que traga os turistas para a intimidade de uma comunidade e justifique o desejo deles de estarem ali e não em outro lugar qualquer.

As possibilidades são inúmeras desde as inconvenientes como o chamado Turismo Sexual, por exemplo (armadilha na qual algumas cidades do Brasil como o Rio de Janeiro e Recife, por exemplo, já estiveram, infelizmente, associadas), até as mais simpáticas como Agro Turismo (o lugar tem uma pecuária de alto nível e promove rodeios e feiras), o Eco Turismo (o lugar tem uma flora exuberante e recursos naturais belíssimos) e muitas outras motivações...turísticas, como se pode deduzir.

(Neste particular chamamos, fortemente a atenção para o fato de que a expressão 'prostituição', pode ser atribuída também, de forma genérica é claro, a qualquer aviltamento ou banalização desta motivação turística original, seja ela qual for.)

É fundamental, portanto que, ao propor que um lugar se abra ao Turismo, à visitação de estranhos, os habitantes tenham muita clareza daquilo que querem mostrar, expor à visitação não só do aspecto do impacto que esta exposição trará para a sua vida cotidiana, como também de que modo este 'chamariz' ou fato turístico, poderá ser mantido íntegro, patrimônio social que, efetivamente passou a ser (bem comum a ser preservado).

O grau de apreço com que uma comunidade trata a integridade deste 'algo mais' que a localidade tem - e que ela elegeu como sendo um fator turístico em si - é, pois, proporcional ao nível de degradação que fator turístico sofrerá quando desprezado ou exposto ao desleixo e ao descaso.

Um exemplo claro disto (embora nem sempre óbvio) é a necessidade de se manter limpo um rio que deságua numa cachoeira exuberante. Se houver qualquer descuido da comunidade (usando um exemplo bem corriqueiro) diante de uma ameaça de poluição deste rio mais cedo ou mais tarde os turistas abandonarão o balneário e o valor do que era um patrimônio eco-turístico inestimável, se esvairá.

Preservar, conservar e manter o patrimônio de uma coletividade íntegro e perene, mobilizar a consciência turística de uma coletividade é, pois, sinal de inteligência comunitária, condição essencial para merecermos o nome de indivíduos civilizados.

Tocar neste assunto quando o bem a ser preservado é de natureza imaterial como manifestações culturais tradicionais (algo intangível), por exemplo, é um assunto complexo, mas, considerando-se que, por sua vez, a julgar pelos exemplos acima citados, o conceito preservação não é tão complicado assim, podemos continuar a exemplificar sem dificuldade usando simples analogias.

Neste sentido, outro exemplo prático para se entender melhor a questão é quando este bem cultural, passível de ser utilizado com finalidade turística, é o patrimônio arquitetônico do lugar (algo tangível, portanto).

Prédios e edificações antigas, construídas em estilos que representam tendências de uma época, de um estágio tecnológico, de um modo de vida: edificações que, afora o seu significado estético, formal, representam também um espaço memorável, onde ocorreram fatos e incidentes emblemáticos, relacionados à história do local, ou onde certos aspectos da cultura da região ou do país, do mesmo modo ocorreram são, pois, bens culturais por excelência.

Conscientes destas particularidades como lidar então com este patrimônio histórico arquitetônico?

Em primeiro lugar é preciso identificá-lo, atestar a legitimidade de sua condição histórica, mediante uma avaliação técnica criteriosa. É por meio deste reconhecimento, desta comprovação de sua autenticidade atestada por evidências técnicas irrefutáveis, que se poderá 'tombá-lo', inventariá-lo ou reconhecê-lo, oficialmente como um bem histórico evidente, patrimônio público por suposto, bem coletivo a ser conservado.

É a partir deste reconhecimento público formal que surge então a obrigatoriedade, também pública, de restaurá-lo quando degradado pelo tempo - ou mesmo pelo vandalismo de alguns- e mantê-lo preservado, íntegro, função geralmente assumida, como precípua, por alguma instituição pública, vocacionada para tal (como é o caso do Iphan, pelo menos neste aspecto).


Radiografando o patrimônio imaterial
(O intangível não é invisível)


"... E esta pré-noção invencível, mas invencível, de que o Brasil, em vez de se utilizar da África e da Índia que teve em si, desperdiçou-as, enfeitando com elas apenas a sua fisionomia, suas epidermes, sambas, maracatus, trajes, cores, vocabulários, quitutes... E deixou-se ficar, por dentro, justamente naquilo que, pelo clima, pela raça, alimentação, tudo, não poderá nunca ser, mas macaquear, a Europa."

( Mário de Andrade no diário: "18 de maio )


Por este viés de nossa avaliação algumas conclusões preliminares podem ser entabuladas. A primeira delas – a mais evidente e dramática – é que a maioria dos grupos de cultura tradicional do Brasil estão completamente desarticulados entre si e vivem à mercê das investidas de aventureiros de vários tipos, bem ou mal intencionados e, em sua maior parte, totalmente deseducados, aculturados, apartados dos significados e sentidos mais profundos da cultura tradicional de seu próprio país.

As razões desta desarticulação dos grupos de cultura tradicional, da fragilidade de suas relações com a sociedade em geral, estão ligadas, é claro, às históricas e caquéticas idiossincrasias do sistema social excludente do Brasil que alija para a periferia da sociedade tudo que diz respeito ao chamado povo, principalmente as suas oportunidades de acesso à educação.

Como se vê até mesmo a preservação do patrimônio cultural e emocional deste tal de povo é reiteradamente desprezado, subestimado do mesmo modo como são omitidas e desconstruídas, até mesmo as referências de seu passado histórico (bem entendido o passado histórico real do país, enquanto instância, evidentemente associada à nossa cultura, de maneira geral).

Fica do mesmo modo evidente de que há, além da óbvia e recorrente contradição sócio econômica entre pobres e ricos, um imenso fosso ético se alargando no bojo destas relações entre elite e povo ('agentes externos' e população local, no caso) já que as mais iníquas investidas rumo à vocação turístico cultural de certas regiões, vista como oportunidade de ganhos financeiros para indivíduos e instituições estranhas às comunidades, segundo a maioria dos relatos disponíveis, costuma ser perpetrada sem nenhuma espécie de pudor etnológico.

Aparentemente intencionada em alijar e excluir e, num segundo momento (por um mero imperativo político estratégico, talvez) usar, instrumentalizar a cultura dos grupos de cultura tradicional local, estas ações quase sempre são realizadas, portanto sem nenhum cuidado com os riscos que esta utilização irresponsável traria para a sobrevivência das manifestações aviltadas, após uma longa exposição a esta desmedida corrupção de seus valores gerais mais essenciais, sua tradicionalidade enfim.

Fica ainda no mesmo sentido atestado que há problemas terríveis também no que diz respeito à formação educacional de nossa juventude 'incluída' quando se percebe que na vanguarda desta elite predatória (turistas 'ao contrário', por se assim dizer), intermediando a ação dos 'organizadores' responsáveis por estas ações, estão jovens formados em universidades, muitas vezes em ciências sociais, antropologia, etc. matérias fundamentais nesta questão (inclusive em seu estrito sentido ético) jovens 'bem' formados estes que usam os supostos conhecimentos auferidos em sua formação para perpetrar este tipo de ação anti-cultural esperta, oportunista, fazendo-nos refletir, desolados que diabos estamos fazendo com a nossa sociedade 'letrada'.

É bastante difícil avaliar por isto mesmo, o grau de degeneração provocado por iniciativas culturais, pretensamente positivas. O cerne da questão é que o impacto de ações como esta costuma ser muito mais nocivo no campo da ética, porque acaba corrompendo as comunidades no âmago de seus valores morais mais caros.

Degeneração pura e simples, no sentido da banalização de um atributo emocional intrínseco a cultura das pessoas; deturpação da representação simbólica de toda uma maneira de ver e viver a vida que, pode ruir – e efetivamente rui - totalmente quando se depara com a constatação de que se pode trocar por alguns trocados a exibição de uns poucos dotes artísticos ancestrais (da mesma forma que se pode trocar um benefício mensal de um programa de 'renda mínima' por um voto).

Degeneração ética como morte da tradição, como extinção do patrimônio cultural imaterial que se esgarça e se vulgariza.

(Tradição e ética não enche barriga, diz-se hoje por aí).

Assim, com a insistência do aliciamento dos 'aventureiros', como a esmola viciando o cidadão, a exibição dos dotes 'exóticos' passa a se dar mesmo quando alguém, considerando os dotes originais ou tradicionais feios e desinteressantes (segundo as ocultas intenções de espetacularização do evento), alicia para alterar, para subverter, para fingir uma falsa tradicionalidade, que melhor apeteça ao turista-freguês (também de algum modo lesado porque é levado a considerar cultura tradicional o que foi descaradamente maquiado, forjado).

Em meio a este descompasso moral, que mal haveria em mudar um passinho aqui, uma saia acolá, cantar uma canção pretensamente folclórica, composta por sabe-se lá quem, corrompendo-se, prostituindo-se? Algum incômodo, alguma sensação vaga de ridículo haveria, algum mal estar sim, mas, e daí se isto é coisa que dá e passa?

Quem há de saber o rumo que estas coisas poderão tomar ou no que elas podem resultar no futuro? Pois não é assim mesmo, aviltando-se e corrompendo-se por força de um meio hostil que as coisas todas do mundo se extinguem?

A questão nuclear de tudo isto é que, se o conceito Turismo Cultural encerra a exibição (seja lá com que finalidade for) de certos atributos do patrimônio imaterial real de uma comunidade, o que ocorre, em certo prazo se estes valores forem corrompidos, aviltados acima do suportável?

Mesmo que, materialmente ainda lhes restem traços, vestígios de sua forma original, simbolicamente nada mais restará de memorável, digno de ser exibido.

Tarde demais quando o que vendemos foi a nossa própria alma, pode ser a lição.

Ou mesmo, lembrando o ditado mais comum de todas as guerras: Não queime as suas pontes (os vínculos emocionais com o seu passado) senão você não terá como recuar quando isto for a única sorte possível, questão de vida ou de morte.



"... Nos orgulhamos de ser o único grande (grande?) país tropical.... Isso é o nosso defeito, a nossa impotência. Devíamos pensar, sentir como indianos, chins, gente de Benin, de Java... Talvez então pudéssemos criar cultura e civilização próprias. Pelo menos seríamos mais nós, tenho certeza. "


(Mário de Andrade no diário: "18 de maio)

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(Ah...Já ia me esquecendo: Vocês sabiam que a palavra 'Tombar' vem de 'registrar nos livros da Torre do Tombo', antiga sede do arquivo Nacional português em Lisboa? Pois é. Aculturados somos ou nos... resignificamos?)

Spírito Santo
Março 2009

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Ilhandarilha

Cara, vc me tirou uma dúvida de séculos: a origem da palavra Tombar! Jura que vem dai? E pensar que toda a nossa história colonial está tombada lá!

Esse seu papo é muito interessante. Mas também merece um cuidado enorme. Ressignificar é ótimo (e inevitável), mas pode ser também a morte de uma determinada tradição. Como vc apontou no texto, existem muitas falsas tradições por ai. Mas, se a gente for ver por outro ângulo, as tradições também são passíveis de mudanças: uma sainha diferente aqui, um passinho novo ali, um verso a mais... e isso não as torna exatamente falsas (o Ticumbi de Itaúnas está ai pra provar isso). É preciso muito cuidado para separar o joio do trigo.

A cultura é dinâmica, está inserida no mundo, e sofre influências dele cotidianamente. Batucar samba funk em latas está mais para pós-modernidade que para ressignificação da tradição. Mas, tocar congo com pandeiro pode ser uma inovação positiva na tradição.

O que degrada o patrimônio imaterial não são exatamente essas mudanças que ocorrem pq as pessoas mudam, as gerações vêm, o contexto muda. Acho que ela ocorre (a degradação) quando grupos externos a ela tentam passar a corda e fantasia-la de falsa baiana.

Isso vem ocorrendo aqui com o congo. tem muita banda de congo "tradicional" fundada ontem, com as bençãos dos patrocinadores e fantasiadas de projeto social. Enquanto isso as bandas realmente tradicionais sofrem da falta de incentivo, da minimização da sua importância enquanto manifestação cultural e de outras mazelas.

Ilhandarilha · Vitória, ES 28/3/2009 21:57
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Ilhandarilha

Continuado o papo que foi sem conclusão...

E mesmo essas tradições fundadas ontem não são necessariamente negativas. Mostrar às crianças uma tradição quase falecida (ou defunta mesmo) e reconstruir com elas essa manifestação pode ser fantástico. O ressurgir de uma tradição, feito fênix, é uma coisa bonita de se ver.

Ilhandarilha · Vitória, ES 28/3/2009 22:01
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Spírito Santo

Ilha,

Pois é isto mesmo e já está dito no texto mesmo nesta parte:
"...uma qualidade especial qualquer que o lugar, a cidade, o país ou o vilarejo tem, pode voltar a ter (ou mesmo nunca ter tido e passar a ter).".
Tradição, é claro é um processo com certa lógica, uma coisa viva que assumiu uma personalidade que a caracteriza (que lhe dá um caráter) mas não está, de modo algum, desviada do rumo da modernidade. Aliás, se a gente for pensar bem, só aquilo que nasce, profundamente, genuinamente da tradição é que se transforma, veraddeiramento em moderno (falo isto pensando na influência decisiva que a exposição da tradicionalíssima arte negro-africana na Paris pós-colonial exerceu sobre os trabalhos de Picasso e Modigliani)
A questão toda que coloco fica melhor entendida no contexto da ética e da moral (quem é sujeito? Quem faz estas mudanças? Qula é o sentido delas, as motivações e os interesses que as alimentam?) tudo num contexto ideológico e sócio cultural, portanto.
A linha entre tradição e modernidade não é tênue não porque, na verdade ela nem existe, é tudo muito relativo. O que é moderno para uns é antigo e 'tradicional' para outros. Tradicional para mim é aquilo que está assentado num fio condutor, numa origem, num princípio, num meio e num fim (uma finalidade). Haveria um melhor sentido para modernidade do que, em certo tempo, vinda de um anseio antigo uma coisa, enfim, servir a um propósito?

O que ocorre é que, como aqui no Brasil esta coisa de ética e moral andam frouxas como que, estas ambiguidades todas do tema, estão dando margem a que os 'aventureiros' lancem mão de suas 'tradições inventadas'.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 29/3/2009 09:29
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Spírito Santo

...Só não fechamos mesmo é com este conceito: "...batucar samba funk em latas está mais para pós-modernidade que para ressignificação da tradição".
Talvez por ser bem a é a minha praia, eu posso afirmar que não é bem isto. O 'Stomp' faz isto (pós-modernidade) música -principalmente - usando com utensílios banais e diversos como instrumentos (e não como latas velhas apenas). Não dá para comparar, é arte meticulosamente realizada, com rigor e (é claro) um pézinho em algumas tradições muito antigas que não dá para se inventar mais nada nesta praia secular que é a 'música do mundo'.
O 'batucadores de latas velhas' aos quais me referi são outra coisa. Primeiro porque não passam de garotos miseráveis, expostos ali, numa precária favela qualeuer, sem camisa, sem nada, induzidos a fazer uma música provisória, vincada pelo imediatismo e baseada apenas na habilidade rítmica, previamente portada pela garotada, logo, não acrescentam coisíssima alguma ao saber cultural deles, nada se aprofunda. Senão nada se aprofunda (do ponto de vista artístico) este exercício meramente recreativo não chega a virar, exatamente arte e, neste sentido é para os garotos, um 'dar com os burros n'água' só. É claro que uns ganham (quando ganham) alguns trocados nos shows que este tipo de grupo faz, as vezes até na Europa, mas são trocados mesmo, ninharia. Estes garotos logo crescem e são substituídos por outros e o fato de terem tocados música banal em latas velhas não lhes serviu de nada. Não estudaram, não se preparam para sobreviver ao destino líquido e certo que terão: Subemprego, marginalidade, etc., etc.
Alguns terão sorte, claro (e o programa 'Criança Esperança' vive mostrando estas exceções, vendendo-as como se fosse regra).
este papo aqui, contudo não está baseado em acasos fortuitos.
Os projetos que aliciam setes garotos, no entanto faturam uma grana sim e são uma máquina de carear dinheiro da miséria, que vendem á quilo.
Conheço bem este miserável mercado de carne fresca
Não que tocar violino, por si só, vá salvar um garoto (acho que ele precisa de escola, antes de tudo), mas já é alguma coisa, uma ferramenta para a vida, contudo. Melhor que uma lata velha, que não passa mesmo de lixo.

Por aí.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 29/3/2009 13:00
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graça grauna

graça grauna · Recife, PE 1/4/2009 07:08
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Spírito Santo

Ufa!Esta foi publicada por pouco!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 1/4/2009 07:54
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Higor Assis

Colaboração de folego amigo. Quando vi a foto pensei em outro tema, porém lendo atentei que não era o que eu esperava. Gostei de tudo e penso quase igual. Poderia dar nomes as lebres o que acha ?

Eu acredito que uma delas seria a acadêmia. Quando estudamos na faculdade somos indiscrinadamente obrigados a ler sempre os mesmos autores, mesmo livros, que por sinal tratam da mesma coisa e mesmo lado da moeda.

Isso tudo vai influênciando o futuro antropólogo, historiador, jornalísta e professor a caracterizar um pensamento 'pré-frabricado' e é ai que continuamos na mesma. Isso vem de anos de acadêmia. Melhor isso vem por buraco mais abaixo ainda, quando nossas crianças vem sendo maquiadas pela sua verdade dos livros didáticos. Como combater isso ? Não sei!

A luz de tudo isso é quando começamos a duvidar (sem ser por força da acadêmia) e é ai que conseguimos, por nossa própria vontade - infelizmente não são todos -, para chegar em algo próximo do que pode ser factual.

Abraços...

Higor Assis · São Paulo, SP 1/4/2009 12:03
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Daniel Sinis

o assunto é interessante ..
mas li só a metade ..
texto longo cansa ..
ao menoa a mim ..
mas o assunto é importante ..
não banalizemos ..
nem resignifiquemos ..
o q deve estar em seu lugar ..
preservemos o legítimo ..
valor cultural ..
abraços ..
. . .

Daniel Sinis · Angra dos Reis, RJ 1/4/2009 12:27
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azuirfilho

Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ)
O Turista na Armadilha

Um Trabalho extrasordinãrio em meio a tantos trabalhos de alto nível, que você tem feito e que constituem elementos para esclarecerem e motivarem, os que buscam estes conhecimentos realizadores que nos levam a felicidade e a ter mais amor por nossa terra e nossa gente.
Grande contribuição, muito merecimento.
Tem de se sentir feliz por isso e agradecer essa luz.
Tem de se sentir motivado sempre.
Parabéns.
Abração Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 1/4/2009 12:30
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Spírito Santo

Higor,

Gratas palavras. Quanto a dar nome às lebres, elas são tantas que não compensaria (aliás, voc~e mesmo observou o caráter sistêmico do probleam). Gosatei também do comentário sobre a imagem, que tomei como um crítica construtiva (a imagem não poderia dar outra impressão sobre o texto)

Daniel

Do memso modo agradeço. O comentário e a observação sobre a extensão do texto. Já recebi este tipo de observação outras vezes, mas percebi que existem muitos leitores na Internet interessados em textos com esta dimensão. Como não se pode agradar a todos...

Azuir,

O mais legal, além do seu simpático comentário, foi tê-lo por aqui, comentando (o lado bom de ter que fazer uma pesada campanha de votos para conseguir publicar esta matéria)

Abs a todos

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 1/4/2009 13:51
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wancisco franco

E o pior, caro mestre, é que a maioria de nós olha tal re/significação meio que de través, resigni/ficadamente (se permite-me o trocadilho); ou seja, mantemo-nos resignados (ficados na mesma) ante as ações aventureiras que pululam sob a ineficácia da política cultural oficial (se é que ela existe).
Desiludidos com a política Política, voltamo-nos pro próprio umbigo, e acabamos por nos afastar e/ou nos omitir do processo como artistas, potenciais agitadores culturais e mesmo simples cidadãos.
De qualquer forma, seu valoroso artigo traz-nos de fato luzes para que reflitamos e redimensionemos nossas tímidas ações.
Bravo, por suas provocantes considerações!
Deixo meu abraço e votos, ainda que tardios.

wancisco franco · São Paulo, SP 1/4/2009 13:52
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victorvapf

Faço minhas as palavras do Azuir, parabens.

abraços(ja votei)

victorvapf · Belo Horizonte, MG 1/4/2009 13:52
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Spírito Santo

Valeu Wancisco!
Valeu Victor!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 1/4/2009 13:54
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capileh charbel

opa, me comoveu seu pedido Caro Espirito, mas valeu a pena. abração.

capileh charbel · São Paulo, SP 1/4/2009 20:51
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Spírito Santo

capileh,

Comoção também é cultura, ora pois!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 1/4/2009 21:24
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Zéduardo Calegari Paulino

Nossa, aprendi muito.

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 2/4/2009 15:41
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Adroaldo Bauer

Ressignificar tomou o lugar no sociologuês usual "do serve pra tudo" daquele termo antigo, a "dialética", que restara meio maldits, mas logo volta, porque o mundo é redondo, dá voltas, não significando que retorne ao mesmo lugar.
Na dialética, se supera o estágio anterior no confronto entre tese e antítese... parecia.
Na ressignificação, pendendo do ponto de vista, é-se capaz de ir-se a lugar algum por tempo nenhum ou... não.
Depende... vale o que vier e faça o autor o que quiser.
Invente o mundo a cada nova descoberta e dele descreia... parafraseando um Gil de '68, mas ressignificado (digo e me rio)
Penso num escocês vendo aterrado o mundo botar gelo, água de côco (acentuo pra não pensarem noutra coisa), cubinhos de suco qualquer em um uísque envelhecido 12 anos em legítimos e honestos barris de carvalho.
Ele fica apoplético, irado, estupidificado... estragam a bebida que o cara como que cultivou e dizem... esse é dos bons.
Penso num alambiqueiro daquelas boas lá do nordeste, ou do sul, mesmo, ali de São Francisco, ou de Santo Antônio da Patrulha e o cara vendo gente estranha pegando a pinga dele e pondo gelo picado, limão, açúcar.
Explica pro alambiqueiro e pro escocês que estão ressignificando as bebidas que caprichosamente fizeram.
Cachaça e uísque cedem envergonhadas seus espaços criativos e culturais (não entre alcoólicos anônimos) para onderróquis e capirinhas, caipiroscas até (aqui estragam a vodca... diria um russo mais roxo que beterraba).
Posé, Spírito.
Tem dias que até a noite é assim, delirantemente pensada.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 2/4/2009 16:43
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Spírito Santo

Pois mano Adro. Pois é.
Só não pesquei bem esta tal de 'caipirosca'. É uma muié caipira enrolada? Ou uma rosca de vestido de chitão? Se bebe? Dá onda?
Me responda. Pode ser amanhã
Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 2/4/2009 23:40
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Adroaldo Bauer

é como uns daqui chamam a mesma bebida resultante da mistura de gelo (água com fluor e cloro, açúcar (refinado com soda cáustica?) e vodka (geralmente, uma smirnoff ou orloff, mas já tá valendo waleska), Fazer isso com uma Wiborowa é pedir para catar coquinhos na Sibéria.
Inda bem que me proibiram de beber mais que vinho, até 200 ml por dia, apenas.
Fico arreliado com as descontruções constituintes de novos modos de fazer que não garantam a qualidade do que já fora feito de bom pela humanidade. O que penso que sei é que o passo á frente deveria ser de modo qualificado superior ao anterior. E, se é dado um salto, mais ainda necessário que seja de superação qualificada sob pena de tornar-se um salto conservador do pior. Melhor ou qualificado eu penso sempre do ponto de vista dos de baixo e com a finalidade e dar cabo à exploração dos de cima, bem entendido.
Abraço

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 3/4/2009 11:58
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Spírito Santo

(isto me lembrou um porre de um wíske 'resigniifcado' que um chefe meu tomou, na minha frente. O colega que trouxe a 'ampola' disse que o que estava escrito no rótulo era verdade verdadeira: 'OLD PAR'.
Como o me indigitado chefe, pálido, quase morreu ali, perante nosotros bêbadas testemunhas, vaticinei: _"Já sei qual é a marca: 'IÔDO PAR' .
Pobre homem.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 3/4/2009 13:35
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joe_brazuca

kkkkkk...adorei a descrição de caipirosca, Adroaldo !..é por ai..."ex nunc" vou repensar quando for beber a tal...rs

tudo muito resignado-ficável !...o mais puro nectar de caô !

Votado, Spirito...Impecável, de novo...Provocaste !...e não me resignarei !...rs
abs

joe_brazuca · São Paulo, SP 3/4/2009 21:54
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Spírito Santo

A guisa de relatório:

Mais ou menos em função detse post, acabo de ser convidado para auxiliar na 'repaginação' de um evento que já rola em Vassouras chamado 'Cortejo das tradições' (veja post de Egeu Laus aqui no Overmundo)
O trabalho de mobilização e consulta do pessoal dos grupos de cultura tradicional do local (proposta fundamental a esta repaginação) está avançando bem. Na semana próxima eu mesmo estarei com a equipe rodando a região para manter contatos com todos os grupos. esta ação terá uma relação muito grande com a encenação do Auto do manoel Kongo, previsto para mais a frente, porque representa um grande avanço no sentido de inserir os grupos tradicionais - cujos integrantes, em sua maioria, serão figurantes na encenação do auto - no centro das decisões sobre a política cultural da área.

Resignificação (às vezes) também é cultura!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/4/2009 10:50
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Adroaldo Bauer

Vá lá e faça bem feito como deve e sabes que deve ser. Parabéns.
E nem precisa dizer que aguardamos relatórios outros de lá, né?

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 5/4/2009 16:20
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Spírito Santo

Adro,

Deves estar se apercebendo, tanto quanto eu, o que de curioso e instigante está tendo este processo das coisas virtuais irem se tornando reais, assim na nossa frente. Quero dizer: Não o fato delas terem correspondencia com o mundo real não. Isto já é normal. Falo da realidade estar sendo assim, diretamente alterada, impulsionada, pelo que se disse nos posts criando ondas de reação ao que foi meramente escrito. Não sei ainda que nome dar a isto, mas, parece que implica num poder novo que a rede tem, insuspeitado, muito animador (pelo menos para mim que sou um materialista, adepto fervoroso de São Tomé).
É disto que se alimentarão os relatórios que prometo apresentar a todos, com o maior prazer.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/4/2009 18:11
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Adroaldo Bauer

Materialista és, fervoroso adepto de Tomé, o são fica por conta do cachimbo... que faz ao canto da boca a forma do uso.
Tem sido assim pelos tempos... Spírito.
As estrelas, inatingíveis, influenciaram dizedores de versos que inspiraram concretamente navegadores.
Estes, por suas vezes, descobriram novas terras (que nem sequer encobertas estavam), e deram a elas uns novos formatos, e uns pontaços de faca e umas balas de canhão de recheio.
Pulou-se do sonho de ver o anjo alado, o suicídio de ícaro, deliberado e assistido, para avião a jato propulsionado.
Daí a que estejamos a ver estrelas ou a ouví-las, é uma questão de senso.
Que, por certo, ainda não o perdemos.
Batam asas as borboletas, embora possam ocorrer tsunamis e maremotos...
Mas as borboletas são assim, desde que saem dos casulos... batem asas.
É domingo!
À luta, camarada.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 5/4/2009 20:16
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Spírito Santo

Mesmo que, assim, destrambelhado como sou, ainda pudesse voar feito uma...vá lá...borboleta, quem sou eu para provocar tsunamis. Uma marolinha, um rebuliçozinho já me contenta.

Auê, Camará!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/4/2009 21:22
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joe_brazuca

sem "marolinhas", pelamordedeuso...

joe_brazuca · São Paulo, SP 5/4/2009 22:13
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Spírito Santo

Relatório 02:

A festa repaginada de Vassouras, será dia 25. No ensejo dela, surgiram outras quatro festa menores que ocorrerão entre 15 e 26 de julho. Os resultados - melhor dizendo, as consequencias - da repaginação (ou 'retraduicionalização') que projetamos para tal festa de Vassouras só podermemos avaliar mais tarde.
Contudo posso adianatr para vocês que uma consequencia sensacional já se intalou, paradigmática (vale dizer, para sempre, espero): Os grupos tradicionais de Vassouras estão participando, ativa e intensamente da construção da coisa toda, principalmente no debate dos intensos e controversos processos de 're-significação' de suas manifestações e na estratégia política de ocupar os espaços sem mais submissão a quem quer que seja.
A festa está se ideologizando, no bom sentido, é o que eu quero dizer.
Por outro lado, da parte dos 'aventureiros' que, segundo minha opinião, armaram estratégias para a degradação do patrimônio imaterial local deliberadamente, já se esboçam algumas reações defensivas, o que pode demonstrar que o debate que se está estimulando, pode trazer alguma mudança positiva no futuro.
Animadão estou. Me aguardem pois.

Abbs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 22/6/2009 13:42
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Adroaldo Bauer

Vassouras que os varra, valham-nos deuses, deusas, musas e fados.
Que tudo se dê para o melhor, o bem e além, Spírito.
Penso que nada pode conter a ação de gente consciente em ação organizada e por si. Principalmente se a liberdade conquistada é no território inexpugnável da consciência.
Saravá!

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 23/6/2009 00:43
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