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"Olho por olho e estamos todos mortos"(Gandhi).

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Simão Vieira de Mairins · João Pessoa, PB
3/1/2007 · 99 · 3
 

A cada dia que passa tenho mais certeza de que caminhamos para trás. Estamos nos perdendo na nossa progressista retrovisão. A cada carro novo, damos uma vida velha. A cada trago, um pulmão. A cada liberdade, uma cadeia. A cada vitória, uma derrota. A cada remédio, uma doença. A cada cura, uma desilusão. A cada tirano morto, dezenas de inocentes também vão.
Acabam de enforcar um assassino! Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão?!
Enquanto isso, em algum lugar...
_ Mamãe, ele bateu em mim!
_ Mas, minha filha, bata nele também!
_ Mamãe, ela bateu em mim!
_ Mas, meu filho, bata nela também!
E assim segue a vida...
As emissoras de televisão brigam entre si, não por audiência e sim por credibilidade. Depois do dossiê Globo os grandes templos da Universal em Elis Regina. Conclusão: estamos sem saída!
Nas novelas de depois das oito, Manoel Carlos encanta os olhos dos miseráveis que sonham ser ao menos empregados dos empregados de seu cotidiano de Brasil Oficial (como diria Ariano Suassuna), enquanto algum autor desconhecido (é duro, mas admito que só conheço os da Globo!) faz campanha atrasada (ou não) para o presidente Lula, exibindo o promotor que tem uma mãe trambiqueira dentro de casa.
Na internet, algumas pessoas perdem tempo lendo coisas sérias ou escrevendo-as, se importando com a eminência que morreu, com a guerra que começou, com o presidente que elegeu, com o parlamento que escolheu e participando de fóruns do tipo: "Como podemos mudar o mundo?!". Outras dão sentido às suas vidas trocando palavras com de quem acabou de se despedir, como se não se vissem houvesse anos, eternizando a efemeridade do tempo e reafirmando o que nunca disseram (isto é o que, realmente, é necessário).
Então, como já diriam meus grandes filósofos das praças, dos botequins (acompanho com suco de pêssego) e das repartições públicas (mas ainda sou contra as privatizações): viva o ócio, pois , nesse futuro em que vivemos, parece que viver é destruir o Planeta!


Mais textos do autor no blog Terceiro Mundo no Plural.

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Antonio Rezende
 

Depois do mergulho no bom texto aqui, fui correndo ao blog. Gostei de sua verve, Simão. Ela revela um patuá de inquietações que muita gente tem. Começar tentando mudar o que está em nossa volta é sempre um grande lenitivo. O chato é ter que ter "aquilo" enoooorme pra não amargar frustração. Adiante!

Antonio Rezende · Palmas, TO 31/12/2006 11:51
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Felipe Gurgel
 

Boa Simão. Acho apenas que o texto seria mais apropriado para o Banco de Cultura. De qualquer modo, é uma boa (e recorrente) reflexão.

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 2/1/2007 10:32
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Marcelo Candido Madeira
 

Legal! Vou voltar aqui!

Marcelo Candido Madeira · Rio de Janeiro, RJ 9/1/2007 17:58
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