Quando recebi o release sobre o espetáculo “Olhos de Touro”, da Cia Márcia Duarte, de Brasília, fiquei intrigado para saber, afinal, o que poderia ser algo com nome tão instigante. Ao ler, fiquei ainda mais interessado para assistir à peça que mistura dança contemporânea e teatro. Ou vice-versa, que tem como foco a história do Minotauro – aquele metade humano, metade animal. Os textos do espetáculo são do dramaturgo e escritor Marcus Motta.
O local da apresentação foi o Teatro Um do Sesc, em Porto Velho, numa sexta-feira de noite agradável e cadeiras lotadas, que faz parte da décima edição do Palco Giratório. Antes de entrar, um aviso iniciava o que estaria por vir: “por favor, gente, vocês serão os próximos a entrar no labirinto e é necessário que fiquem atento a tudo, porque a próxima vítima pode ser qualquer um de vocês”. Entramos todos em silêncio.
O primeiro impacto foi ver o personagem, interpretada pela atriz Márcia Lusalva, percorrer o palco em todos os sentidos expressando a concentração que se deve ter ao entrar num labirinto cheio de surpresas. Sentimentos que mudam a cada escolha. Angústia, medo, morte, terror, prazer, desespero, pânico, alegria. Introspecção.
Os desvarios do ser humano imerso diante dos vários obstáculos do misterioso labirinto. Pavores e temores do desconhecido causavam ansiedade e agonia a cada passo. Água e fogo estão presentes na vida de qualquer um para acender ou apagar o que se quer, depende apenas da decisão. Certa ou errada sempre existirá uma conseqüência. Talvez por isso, o lado animal, ao debater-se pelo chão, sofria e chorava como se fosse menino, como se fosse morrer. Como se fosse conosco. Como se fosse na vida. Segredo.
A apresentação não durou mais que quarenta minutos, mas permitiu aos espectadores um final vitorioso e repleto de suspense. Sentiu-se que o labirinto existe dentro de cada um e que as batalhas internas são como se fossem infinitas, mesmo sendo derrotáveis. Como a luz do palco que acende toda vez que um espetáculo termina. Quando as palmas são inevitáveis. Quando a vitória depende de nós.
labirinto é sempre um labirinto. comungo da idéia que estamos sempre em um e que há um dentro de nós, sim.
Marconcine · São Luís, MA 31/7/2007 23:13O problema do labirinto interior é que muita gente vive confortavelmente nele e esquece de procurar a saída. Gostei do texto e da foto.
Dauphin de Itaguaí · Itaguaí, RJ 1/8/2007 11:57se o corpo é exposto no labirinto... somente o fato de estar nele, refleto o perder-se. mesmo para se sentir confortável requer escolhas e processos, dolorosos até. nada é fácil.
Marconcine · São Luís, MA 1/8/2007 18:09
Parabens, bela colocação. Sou dos que não vê falha, defeito, mal feitura em artes cênica. O meu raciocínio é vendo o esforço dos que atuam, em todos os sentidos, para levar sua mensagem,
me criei vendo, assistindo um circo de tres artistas,,,.. um abraço andre
MARCOS PAULO...
Apesar das divergências políticas sei reconhecer um bom escritor! O texto tem um estilo próprio! É agradável!
Não sabia que escrevia sobre teatro! Você trabalha com o SESC?
Tenho uma longa história com o SESC de São Paulo. Realizei quase 200 projetos em 20 anos. Por todo o Estado de São Paulo.
Um elogio de coração: senti sinceridade na sua desculpa à Dona Dayse! Mostrou humildade! Isso é bom...É humano!
Por isso (essa atitude de reconhecer um erro) eu deixo meus parabéns! E peço desculpas por discussões (às vezes bestas) que não engrandecem o convívio artístico!
Mas uma vez... Desculpe!
Abraços.
Lailton Araújo
OBS...
Estou votando!
Abraços.
Lailton Araújo
Depois de conhecer SOM do famoso Quilomboclada de PVH, meus olhos de minotauro viajaram nesse texto à capital da Madeira Mamoré.
Parabéns.
Eu assisti a peça e achei belíssima. Márcia Duarte está criando um método interessante e o SESC está de parabéns por fazer a cultura "girar". Abraços, Ajr
afonsojunior · São Paulo, SP 28/8/2007 13:59Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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