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Onde estão os jogos nacionais?

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Horionsys · Ilhas Virgens Britânicas , WW
26/1/2007 · 74 · 1
 

Eu já tinha uma curiosidade daquelas, em saber por que não temos uma indústria rentável de games neste país, quando li o texto de Saulo Frauches 'Joystick antinostalgia' publicado no Overmundo, fiquei inspirado em escrever este post.

Com a lamentável notícia de que a Sony não lançará oficialmente o Playstation 3 por aqui, e a ânsia dos gammers de plantão em adquirir o novo console da empresa, as Lojas Americanas, numa jogada de marketing estúpida, vendeu o modelo mais simples do PS3 por R$ 7980,00. Acredito que a Americanas pesa que somos idiotas a ponto de pagar mais que o dobro do valor do produto, ou, que ninguém conhece um muambeiro qualquer ou outro meio pra adquirir o console da Sony. Mas penso também que isso não deve ser encarado com estranheza por nós, afinal, vendemos e compramos o iPod Nano mais caro do mundo.

Acontece que ao adquirir um console, o fato que mais chama atenção, e deve ser levado em conta, é o interesse comum em adquirir o equipamento desbloqueado para aceitar jogos pirateados. Atualmente, um jogo original para Playstation 2 no Brasil está, em média, uns R$90,00. Qualquer ambulante ou loja de produtos importados em grande parte das cidades do país vende os mesmos jogos em versões pirateadas pela bagatela de R$ 10,00. 94% dos jogos vendidos no país são pirateados.

Agora vejamos, no Brasil são vendidos anualmente 600 mil consoles, nossa população ultrapassa a marca de cem milhões de habitantes, temos uma extensa área geográfica, nosso PIB é superior a US$ 500 milhões, apenas 2% dos domicílios brasileiros têm algum tipo de console - e mesmo assim, ocupamos a 15ª posição no ranking mundial de videogames, então, por que diabos não temos uma indústria rentável de games neste país? Afinal, esses são dados que, supostamente, deixariam os investidores com 'água na boca'.

Na metade dos anos 80, a indústria nacional de games começou a dar seus primeiros passos. Títulos como; 'Didi na mina encantada!', para Odyssey 2, e 'A turma da Mônica', para Master System e Mega Drive - mesmo sendo apenas versões customizadas de títulos já conhecidos -, davam um 'empurrão' e fazia crescer um novo seguimento de mercado no país. O mercado brasileiro de jogos eletrônicos.

Acontece que os altos impostos de importações, e óbvio, o descaso político à pirataria fizeram com que esse mercado sucumbisse. Pra vocês entenderem melhor, é como se tivessem dado uma rasteira num neném sorridente, fofinho e bonitinho que começava a ensaiar seus primeiros passos.

Atualmente a indústria nacional de games sobrevive produzindo, principalmente, jogos em flash e jogos para celulares, o que é triste, quando se analisa o padrão de games que temos atualmente. O jogo 100% nacional de maior sucesso no mercado brasileiro de jogos eletrônicos foi, sem dúvida, os jogos da série 'Show do milhão'. E como se sabe, não demorou muito para que estes caíssem em desgraça, e se você está pensando que isso foi culpa desse mundo 'piratístico', 'Certa resposta!'

O fato é que o descaso político e, é claro, o descaso social à pirataria, fizeram com que o Brasil ficasse de fora dum rentável e emergente seguimento de mercado. O grande problema causado pela pirataria não é apenas a questão do 'autor que deixa de ganhar sua grana' (Se ouve bastante isso no mercado fonográfico), a pirataria aleijou o mercado brasileiro de games. E se não fosse o advento da internet, acredito que o mercado fonográfico estaria em crise atualmente. Essa pirataria nacionalizada atrasou o nosso país. Serão necessário anos e muita, muita boa vontade pra que este mercado se recupere.

Nós fodemos o mercado de games no país. Eu não estou defendendo o alto preço dos jogos eletrônicos, só penso que, se ao menos, em meados de 1985 houvesse uma tributação estudada, gozariamos hoje de títulos 100% nacionais para várias plataformas, Playstation 3, Xbox 360, Wii, sem contar o jogos pra PC. Eu realmente tenho fé que produziríamos grandes jogos. Mas vai ver que no fundo eu sou só mais um com esse sentimento de nacionalismo tardio.

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Fábio Fernandes
 

Fernando, não sei se o que você colocou precisar ser encarado como um nacionalismo tardio frustrado. Apesar da famigerada (e de triste memória) lei de reserva de mercado nos anos 1980, nos últimos 4 anos os cursos de design de games no Brasil deram um salto espetacular. Já está começando a surgir coisa boa, do Oiapoque ao Chuí, literalmente. Mas, mesmo que o governo da ditadura não tivesse feito isso com a gente, o processo de colonização cultural teria feito o mesmo. Essas coisas levam tempo, mas acredito realmente que agora as coisas irão mais rápido (digo isso porque leciono em um desses cursos, e tenho visto coisas sensacionais, que, creio, nos próximos 2 anos já começarão a entrar no mercado).

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 23/1/2007 15:38
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