No dia 1 de maio de 1980, Dia do Trabalho, a Prefeitura resolveu patrocinar uma festa na Praça Ary Coelho e convidou, meses antes, vários artistas para tocar. Naquele tempo, meu contato com o bar da Tia e as amizades musicais me empurraram para o ingresso na atividade musical por uns 60 dias. Primeiro os ensaios na casa do pai do Bosco Batera onde Zé Pretinho era nosso maestro.
Mas o show de todo mundo – Celito, Roca, entre outros-, não houve pois no dia 1 de maio a cidade amanheceu nublada com temperatura de 2º.C. Mas naqueles anos 80 a cidade de Campo Grande estava fervilhando em termos musicais com muitos shows e atividades.
A principal delas era, de fato, o Projeto Pixinguinha, do governo federal, onde músicos famosos juntamente com músicos regionais, percorriam o país com apresentações musicais a preços muito baratos.
Em Campo Grande o Pixinguinha acontecia no Teatro Glauce Rocha da UFMS, em dias de semana. Lembro-me de ter visto, pela primeira vez em minha vida, Egberto Gismonti e banda com a filha tocando com ele, por Cr$1,00. Elba Ramalho também veio nesse projeto, Luis Melodia e muita gente boa regional, sempre com casa cheia. Era uma festa e saindo do Pixinguinha íamos para o Rui Bar Bossa ou para o Tragolongo, um bar na Av. Mato Grosso de três sócios onde rolava música ao vivo, com muita gente começando e relembro aqui o Simona, José Boaventura, dentre tantos.
Naquele ano de 1980 assistimos a Sivuca e banda com Rosinha de Valença no Teatro Dom Bosco, um show que ficou na memória da cidade pois no final, tocando “Feira de Mangaio”, Sivuca fez o campo-grandense dançar nas cadeiras de madeira daquele importante teatro da cidade. A noite campo-grandense começava a sair do marasmo cultural e musical e não era tempo pois, capital de um novo Estado, a cidade precisava dessa dinâmica cultural.
Em 1980 a cultura pública era tratada pelo Departamento Estadual de Cultura, no governo Marcelo Miranda, governador e Albino Coimbra, prefeito da cidade; não tínhamos fundos de cultura, os recursos eram poucos e esparsos e nenhuma tradição de investimento na área mais havia muita garra do pessoal.
Voltando a falar da música, na casa de amigos, conheci o LP do Grupo Acaba e de Tetê e o Lírio Selvagem, dois discos clássicos da música sul-meto-grossense e fiquei surpreso com o som deles. Logo me identifiquei com aquilo que estava ouvindo, um som novo. “...ai que saudade que me dá, de ver a morena cantar...” ou “ Santa Branca até um dia...”. Belo som, novo para mim, acostumado com os sons musicais do Nordeste e de Recife em especial.
Na TV o Programa Recado de Marilu Guimarães, na TV Globo, no horário do almoço, era sagrado. Quisesse você divulgar algum evento tinha que ir no programa dela, com muita audiência local e lá João José comentava de cinema e fazia resumo dos filmes que estavam passando em nossos cinemas – o Ritz e Astor, na estação rodoviária, os melhores. Virava e mexia, apareciam as primeiras duplas caipiras da cidade – Tostão e Guarani, que tinha outro nome acho que Cruzeiro e Cruzado não lembro direito-.
Assim íamos nos divertindo em Campo Grande até que Almir Sater resolve gravar seu primeiro disco. Isso é papo para semana que vem.
Preciso de fotos daqueles anos 80. Quem tiver me mande para que possa publicar.
Arquiteto Ângelo Arruda · Campo Grande, MS 14/3/2007 17:10
Olá Ângelo. Beleza vc continuar esta história da música de MS. Continue to adorando. Acredito que fotos deste período a gente vai ter q realmente começar a montar um arquivo. Estou começando a fazer isso no meu blog Matula Cultural, aqui mesmo no Overmundo. A edição 01 já tá lá. Até domingo entra a edição 02.
O projeto Pixinguinha foi muito importante para mim. Além de ver os artistas de fora (não esqueço de Elza Soares, Luiz Melodia, Vitor Ramil...), foi de extrema importância e onde descobri de uma vez por todas os artistas daqui. O Geraldo Espíndola abrindo para a Elza Soares foi histórico. Ali eu tive certeza que queria fazer parte da trupe musical de MS.
Com certeza, a janela de divulgação que havia na Globo daqui ajudou muito e fazia a diferença. Não existe mais este espaço na Globo regional.
abs
Rodrigo Teixeira
me amarrei no "Cr$"! quanta água já rolou desde então, hein?!
Fui a Fortaleza outro dia e fiquei impressionado com o espaço que os temas regionais têm conquistado na mída lá! Ficou o gostinho de que a tv de outros estados trilhassem caminhos semelhantes.
É isso, Ângelo. Além de embelezar a cidade com seus projetos arquitetônicos você contribui para nossa cultura literária e musical com seu belo texto. Que venham mais!!!
zecadotrombone · Fortaleza, CE 20/3/2007 19:18
Ângelo Arruda, onde estas? Grande abraço!
Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 2/7/2008 01:47Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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