Os finados caminham!

Fernando Mafra
eles estão em maior número...
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Fernando Mafra · São Paulo, SP
6/11/2007 · 126 · 6
 

O relato de um quase sobrevivente.

O dia de finados começou como qualquer outro. Despertei com a mesma missão de sempre: Sobreviver. Para isso teria que fazer o trabalho sujo de sempre e matar zumbis a torto e a direito. Me dirigi ao vão livre do MASP, onde fontes me disseram que haveria uma concentração desses seres pútridos, chegando lá por volta de 15h30.

À primeira vista era um grupo modesto, de não mais que 40 mortos-vivos, e não aparentavam representar ameaça – alguns até bebiam cerveja e conversavam normalmente. Depois de uma longa tocaia o grupo cresceu, e somente às 17h20 foi dada a partida para uma caminhada macabra.

Os mais de 700 cadáveres ambulantes (segundo estimativas policiais – alguém pode desmentir esse número) dominaram a calçada e uma das faixas da Av. Paulista no sentido Consolação, e nada poderia impedi-los.

Caminhavam espalhando sustos, risadas e olhares intrigados por onde passavam. Não demorou para que eu fosse dominado pela massa em decomposição e me tornasse um deles. Não havia apenas zumbis: Jason, Freddy e até Blade estavam presentes – creio que o herói foi mal informado pois não havia vampiro algum por lá. Parte da força dos filmes de zumbi está no fato de que cada um era algo diferente antes de ser infectado, de preferência alguém que não fosse um fã do gênero; assim, pessoas cabeludas com camisetas de metal ensangüentadas meio que derrotavam o propósito. Mas para compensar tínhamos exemplares dos mais diversos: enfermeiras, pacientes, famílias, princesas de baile,freiras, maratonistas, executivos, Elvis, Quico, Mia Wallace e vários outros tipos anônimos e famosos.

A procissão foi sempre bem-humorada e de maneira geral pacífica. Ao passar diante de uma igreja, aqueles que eram amaldiçoados, e não infectados, se sentiram mal. Pouco depois disso um bando agrupou-se para devorar um motoqueiro, que aparentemente não gostou da piada, arrancando com ferocidade – apesar de respeitar motoqueiros mais do que a média paulistana, não deixo de apreciar a ironia dessa situação.

Já quase na rua da Consolação um pequeno incidente: Um carro começa a ser balançado pela horda faminta. Assustada a motorista chama a polícia, que já tinha um carro próximo e logo acionou sua sirene. O bando dispersou e em seguida a vítima avisou os fardados de que não havia problemas, assim seus novos amigos mortos-vivos voltaram a assediá-la, tudo com bom humor. Na continuação do trajeto, próximo ao cemitério da consolação, a excitação do local pareceu injetar nova energia nos cadáveres, que decidiram engolfar um ônibus, e a polícia, agora com reforços, mais uma vez colocou-os em seu devido lugar com sua sirene.

A entrada do metrô Consolação também não foi poupada e seus vidros ficaram manchados de sebo e sangue. Entre os cânticos entoados estavam "imhotep", "vida de gado" e adaptações macabras de cânticos populares.

Com suas viaturas manchadas de sangue, havia pouco que os homens da lei podiam fazer. Para os mortos não há lei, especialmente quando eles estão em maior número do que qualquer manifestação sindical. Um dos zumbis, munido de um machado, ameaçava defenestrar uma viatura quando foi repreendido por um motoqueiro fardado, com o qual posteriormente fez amizade depois de ouvir a frase “sou jovem como vocês.”

Para minha decepção não entramos no cemitério, continuamos apenas caminhando na direção do centro, que tremeria ante nossa horda. Mas um pequeno desvio à direita passando diante de uma delegacia da polícia civil acabou por levar-nos à cura em frente à Outs. Assim findou a caminhada. Como nenhum dos meus conhecidos morféticos iria participar da celebração, acabei por juntar-me a eles em um bar, assim encerrando o dia mais nefasto de minha vida.

Vivos, preparem-se: Este é apenas um gostinho do que está por vir. O dia em que os mortos se levantarão e se virarão contra nós é apenas uma questão de tempo. A Zombie Walk é a oportunidade para nos prepararmos, e o cansaço do meu corpo pode atestar que sobreviver não é uma tarefa fácil. A pergunta ao final é: Qual é o seu plano para quando os mortos chegarem?

Material de estudo:
Site Zombie Walk SP
Site Zombie Walk Porto Alegre
Site Zombie Walk Internacional
Site Zombie Walk Brisbaine
Teste para avaliar suas chances de sobrevivência
Lista de livros sobre o assunto

Vídeos
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Na Imprensa
G1
Último Segundo
Terra Notícias (Zombie Walk RJ)
Érika Palomino

Fotos no flickr:
Dani Davanso
Mariana Rolier
Lu Hueso
Diego Alex
Elisa Mafra
Grupo de fotos

Zombie Walk 2007 pelo mundo
BH
Relato por Camila Cortielha
Fotos de Fabiano Aguiar
Fotos de Vinícius

RJ

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Romeu Martins
 

Hahaha, muito legal o texto e as fotos, Fernando. Adorei a colaboração...

Romeu Martins · São José, SC 3/11/2007 15:16
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Joana Eleutério
 

No mínimo, surrealista.Tá parecendo comemoração do Hallowen...

Joana Eleutério · Brasília, DF 3/11/2007 19:15
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Mi [de Camila] Cortielha
 

Ai, ai, zombie walk é legal demais! :)

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 3/11/2007 21:54
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Higor Assis
 

Força total em muleque rs.

Higor Assis · São Paulo, SP 5/11/2007 16:34
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Fernando Mafra
 

Joana - Aqui é oficialmente uma celebração de finados, mas a proximidade com o halloween é de desconfiar mesmo. Nos EUA e no Canadá a Zombie Walk costuma ser por volta ou no halloween mesmo.

Higor - Tem que ser como uma bomba!

Fernando Mafra · São Paulo, SP 5/11/2007 23:16
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dudavalle
 

Valeu Zumbi !!!
:-)))))



Vila Isabel
Enredo: Kizomba, a festa da raça

Valeu Zumbi!
0 grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a Abolição

Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e maracatu
Vem menininha pra dançar o caxambu

Ôô ôô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ôô ôô Clementina
0 pagode é o partido popular

0 sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa Constituição

Que magia
Reza, ajeum e orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E o bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais

Vem a lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o apartheid se destrua

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 7/11/2007 00:53
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Indo para a guerra zoom
Indo para a guerra
De um zumbi maratonista não se corre, mete-se bala! zoom
De um zumbi maratonista não se corre, mete-se bala!
Freddy vs. Jason zoom
Freddy vs. Jason
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