Arte e revolução caminham juntos? É possível mudar os moldes de produção artística contemporânea, estes, baseados no quadro socio/economico/cultural hedonista vigente? Design vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Perguntas difíceis de responder. Quadro difícil de observar, perdoem o trocadilho.
Desde a invasão ocorrida no centro Universitário Belas Artes no meio do ano liderada por um aluno matriculado na mesma instituição, no curso de artes visuais, venho acompanhando pela imprensa o movimento de grupos que se propõem a desmistificar a arte através da degradação, pichação, intervenção, vandalismo ou sei lá do que chamar isso. Seguiram-se a este evento o ataque a Galeria Choque Cultural e mais recentemente, no domingo (26) dia da abertura oficial do evento, a investida foi na 28ª Bienal de São Paulo onde o grupo de pichadores deixou sua marca no polêmico andar do "vazio".
Dogmas ideológicos à parte, acho isso uma baixaria visual de bestialidade tamanha que não se aplica ao ser humano. O carater revolucionário dessas investidas não se sustenta por não haver por parte dos revoltos uma oposição concreta no que diz respeito aos temas que, pelo que entendi, eles se propõem derrubar. Entendo eu que, revolucionário seria, acredito, propor escolas visuais de vanguarda, ou defende-las e dissemina-las como alternativa às formas convencionais de arte vigentes. Sou admirador de vários artistas oriundos da pichação, estes sim comprometidos em fincar no atual panorama das artes a bandeira de uma nova escola visual em muito incompreendida como muitas de suas antecessoras.
Como publicitário sempre fico atento a questões como esta. Afinal arte é uma forma de expressão sim, mas com o intuito de fazer o ser humano refletir sobre o indivíduo e o meio em que vive. Página dupla na Veja e tag's feitas com spray definitivamente não são, nem podem ter pretensão de ser arte.
Concordo com você.
À parte as teorizações sobre arte, que tentam enquadrar sob este conceito, qualquer tipo de manifestação (talvez pela mediocridade de tantos "artistas" modernos), acredito que o artista constrói algo.
Quem destrói é o quê?
Pixação é arte?
Se assim for, em pouco tempo, veremos (como já aconteceu) pixadores destruindo obras imortais e sendo analisados, estudados e aplaudidos por sua "intervenção" moderna e transgressora.
Pra quem quiser ler um pouco mais sobre o ataque à galeria Choque Cultural.
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 14/11/2008 10:23
Todo 'palpite' se faz necessário nestas horas. O que mais aparece é quem quer aparecer no sentido lógico.
Certo ? Não sei ? Revolucionário ? Talvez, mas conseguiram o que queriam e o debate se faz por aberto. Agora é por as cartas na mesa.
Acho que grande parte dos artistas, ainda que empiricos, agem (ajir - intervir e nao simplesmente repetir ou teorizar sobre) a expor/revelar/criticar/outros_verbos/inquietar/criar situaçoes referentes à dominaçao cultural,e a propor reversoes... destruir tudo para poder reconstruir... e uns dos primerios assuntos de analise do Gramisc é sobre o poder de definiçao... e ai eu pergunto por que eu e outros não posso (podemos) conceituar arte a partir da minha (nossa) vivência e visão de mundo? e sem que isso seja, ou pareça, apenas a disputa de poder sobre de quem é o numero do RG desse cara que define universalmente (e para todos) a (outra?!) arte? Se (independente das aceitas universalmente categorias de belas artes) o Barrio escrevia manifestos contra+contra+contra+... + contra o sistema de arte, e a crítica especializada diz que a sua poética é tramar contra o gosto e estética burguesa, entao outros também podem(os) conceituar minha/sua/nossa produçao, tão agressiva quanto as referências históricas... Mas isso é improvavel de acontecer realmente (e nao somente como ficçao artistica) pois geraria tensao, seria arriscado... e a arte nao provoca e nem corre riscos..., também nao importa a ninguém... nao pra nada disso enquanto produçao subscrita em politicas culturais (calmantes) de instituiçoes obedientes a propostas/planos de governos interessados no conformismo e na repercussão que terão no caso da inserção de algum artista vinculado a sua galeria no mercado globalizado, mesmo que essa inserçao se de forma obediente e corrupta... Dai o que acontece... instituiçoes direcionam a produçao, galeristas impoem tematicas e/ou materiais de facil aceitaçao no mercado aos seus representados, a museologia trata a diversidade artística como se fosse pintura, definidores poderosos reduzem varios conceitos em uma unica categoria (tudo o que os especialistas não sabem o que é definem de performance ou instalação e intervenção), e os profissionais de arte (como o professor ou o articulista de imprensa) criam o eco que faz com que de repente todos estejam falando a mesma coisa no mundo inteiro.... Vamos para a diversidade...
etetuba · Belém, PA 16/11/2008 12:57
Votado...
se puder da uma olhada no meu também!
Concordo plenamente. Pichação não tem a ver com arte e sim com vandalismo. Gosto da grafitagem, mas não gosto de pichação.
Votado Ivette G M
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