tags randômicas

maos  janeiro  prosa-poetica  cores  sesa  tv  sound  olhar 

> nuvem de tags


Observatório

Vamos fazer Contato?
O Overmixter, em parceria com o pessoal da Rádio UFSCar, está lançando o concurso RecombinaSOM, de remixes. Músicos e DJs, profissionais ou amadores, podem inscrever suas obras e concorrer. Seu remix poderá entrar na programação da Rádio UFSCar e ser lançado na coletânea que a rádio produz anualmente, chamada Transmissões Independentes. Para participar do concurso, basta preparar... leia

Fóruns

Observatório · tudo sobre o Overmundo

Ajuda · tire suas dúvidas aqui

Código · sobre o sistema do site

Conversas · sobre culturas de todo o Brasil

Classificados · produtos e serviços culturais

 
Os peões do mundo contemporâneo
Fernando Júnior · Aracaju (SE) · 23/11/2006 15:59 · 63 votos · 3 comentários ·  
 
1
overponto
Fernando Júnior
"A máquina, que produz abundância, tem nos deixado em penúria"
A mundialização é um processo bastante controverso. Ao mesmo tempo em que a tecnologia melhora a vida das classes mais ricas, exclui os mais pobres do processo de cidadania: a medicina que cura eficientemente todos os males é uma ciência para quem pode realizar gastos altíssimos com a mesma; a cultura, ao mesmo tempo que atinge alcance global, tende a destruir culturas locais menores e apagar as tradições cultivadas por cada povo. E, infelizmente, os meios de comunicação têm, somente, a face mais limpa da moeda, a mais lucrativa, a mais alienadora: a vitória do capital sobre as necessidades humanas.

Através da mistificação em torno da tecnologia, a globalização conseguiu unir o útil ao descartável, o necessário ao supérfluo, o racional ao irracional, o humano ao espiritual (como já afirmava Marx). É um fenômeno capaz de aumentar as diferenças sociais, de diminuir os Estados nacionais, de apagar as tradições regionais, de deteriorar economias em vias de desenvolvimento: tudo isso em nome da felicidade do homem. Do homem rico, obviamente...

Seria interessante se conseguíssemos obter, dos meios de comunicação, uma maior gama de informações úteis à nossa vida e ao nosso equilíbrio mental – e não ao equilíbrio institucional – para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária. Através do discernimento sobre a práxis política e social é que o cidadão tem a capacidade de se entender em sua condição de agente transformador da vida, de si mesmo, e do meio-ambiente.

Contudo, antes de simplesmente condenar a globalização – espero que minhas palavras não sejam vistas como tal – devemos abrir os olhos e admitir as comodidades que foram criadas para a vida. Então, o ponto é: devemos ser firmes e sensatos para entender que esse fenômeno deve, antes de tudo, servir para a inclusão social e a melhoria geral das condições vitais em todo o planeta. Os efeitos desse processo devem ser reconhecidos como um direito a todo e qualquer cidadão do globo, e não apenas à ínfima minoria detentora do capital.

E os meios de comunicação? Antes de alienar, devem questionar os valores propostos pela globalização, pela mundialização das técnicas sociais e dos padrões comportamentais (aliás, um grande avanço é dado com os projetos da Web 2.0). Antes de reprimir, devem incentivar o crescimento das culturas locais, através da “antropofagia” proposta pelos pensadores da Semana de 22. Não podemos relegar o uso dos massa media a uma mera reprodução dos padrões de vida a serem aspirados: devemos também fazer com que esses meios de comunicação ofereçam caminhos para a concretização das nossas aspirações e nossos desejos. A comunicação deve servir à liberdade a que o homem está destinado.

Um exemplo de como a comunicação pode contribuir para o engrandecimento cultural, Charles Chaplin foi um homem canonizado por um dos mais populares meios de comunicação de massa: o cinema. E, para ilustrar a atual posição do homem frente à globalização e seus avanços técnico-científicos, faz-se mister citar um trecho de um dos mais célebres discursos da sétima arte, proferidos por um dos maiores gênios da sociedade industrial: “Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem nos deixado em penúria. Nossos conhecimento fizeram-nos céticos, nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos muito pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade”.

tags: Aracaju SE cultura-e-sociedade globalizacao cultura humanidade mass-media contemporaneidade


 
canto_esquerdo comentários rss postar novo comentário canto_direito
 
Ótimo texto Fernando, mas há muito o que se falar sobre o assunto, talvez uma outra hora. Discordo em partes, mas respeito os argumentos. Um abraço
Juliano Drummond · Belo Horizonte (MG) · 23/11/2006 14:47 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

Tudo bem, Juliano. Talvez você possa expressar suas discordâncias mais tarde, então.
Fernando Júnior · Aracaju (SE) · 23/11/2006 20:50 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

Muito bom Juninho. Sinto o mesmo quando vejo esta sede por mais informações a cada momento. De que vale tantos veículos se não temos meios para digeri-los? A cultura do anseio pelo conhecimento - falo não pelo fato da obtenção, mas a ambição de tudo pra ontem - me faz questionar até onde é necessário se ter tanto em mãos e tão pouco dissenimento de absorvê-los.
Carolina Jardim · Aracaju (SE) · 5/10/2007 08:27 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   
 



  Adicione seu comentário: para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

 
canto_esquerdo   canto_direito