Overmundo na Ilha de Caras...oooops, do cara

Foto: Francisco Gilásio
Seu Pedin, dono de ilha como Schumacher, Pitanguy e Julio Iglesias
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Natacha Maranhão · Teresina, PI
8/11/2006 · 585 · 81
 

Ivo Pitanguy, Julio Iglesias, Michael Schumacher e seu Pedin. Essa é a lista de pessoas que eu sei que possuem uma ilha. Os três primeiros eu não conheço pessoalmente, mas já vi suas ilhas em revistas, com suas casas chiquérrimas e seus barcos luxuosos.
Já o seu Pedin virou meu amigo depois de alguns minutos de conversa e uma dose de cavalheirismo que eu achei linda linda linda.

Já fazia algum tempo que um fotógrafo amigo insistia para irmos fazer uma matéria “na ilha do cara”. Mas nunca dava tempo, sempre aparecia outra coisa pra fazer. Até que um dia deu certo. Chegamos na margem da maior lagoa do Mocambinho, zona Norte de Teresina e de lá já avistamos a casa. Gritamos, buzinamos e nada do homem aparecer. Voltamos no dia seguinte, bem cedo, e tivemos a sorte de ver o danado saindo de canoa. Chamamos e ele, meio desconfiado, veio até nós. Achou meio estranho esse negócio de entrevista, de gente desconhecida ir na casa dele, mas topou. Disse que ia resolver uma coisas e voltou uns 20 minutos depois.

Na beira da lagoa, eu, o fotógrafo e mais uma amiga. Ele se aproximou e encostou a canoa pra gente subir...mas quem disse que a corajosa aqui conseguiu? Entrei na canoa e tremi tanto que ele me mandou descer pra não virar a canoa com todo mundo dentro. Deu meia volta e levou meus amigos pra ilha, eu fiquei com a maior cara de tacho, triste e desapontada por não ter ido. E foi aí que o cavalheirismo do pescador me surpreendeu. Ele deixou os dois, voltou pra me buscar sem eu pedir e colocou uma tábua no meio da canoa pra eu sentar, de um jeito que não tinha perigo de cair, mesmo que eu continuasse tremendo (sim, eu tremi de medo de novo!). Eu atravessando a lagoa e tentando esquecer aquela musiquinha “se a canoa não virar, olê, olê, olá, eu chego lá”.

Enfim chegamos e ele começou a contar sua história. Vive sozinho na ilha há quase dois anos, depois que a mulher o botou pra fora de casa. “Eu gosto de tomar umas pingas e ela ficava zangada demais. Aí um dia a gente brigou e ela mandou eu sair e não voltar mais, senão ia mandar me prender. Falou até com a delegada! Aí a delegada me chamou pra conversar e perguntou se eu tinha para onde ir, eu na hora me lembrei dessa ilha, porque sempre ficava por aqui quando saía para pescar. Disse pra ela que como eu sou pescador tinha que viver era junto dos peixes, aí me mudei”, revela.

A casa do seu Pedin não tem nada do luxo das casas dos seus companheiros donos de ilha – o Schumacher, o Pitanguy e o Julio – mas ninguém pode reclamar de que chegou lá e não tinha onde sentar. Pense num lugar que tem sofás por todo lado! Contei uns oito ou dez, só fora da barraca, dentro também tem. Por falta de educação, de bom senso ou sabe-se lá por qual motivo, é impressionante a quantidade de sofás e colchões que são jogados nas lagoas de Teresina. Seu Pedin recolhe todos os que consegue e leva para a ilha.

É neles que ele recebe os amigos pescadores que descobriram um lugar ótimo para fazer festas. “Vem todo mundo para cá, a gente toca violão, come peixe assado na hora e toma cachaça e montila. É bom demais, fica um monte de canoa ‘estacionada’ aqui perto. Os pescadores agora só querem comemorar aniversário aqui na ilha, eu sempre recebo com prazer, é um jeito de ter companhia”, revela, mostrando seu lado promoter e despertando nas duas repórteres uma vontade danada de festejar um aniversário lá também.

E solidão, seu Pedin? Não sente, não? “Agora eu vou sentir mais, porque meu menino que mais vinha me visitar morreu tem pouco mais de um mês. Os outros quase nunca vêm aqui, de família mesmo era só ele que tinha mais atenção comigo”. Há pouco tempo, quase que ele ganhava um vizinho. Um outro pescador se separou da mulher e ia ocupar a ilhota que fica bem próxima da dele. “Eu já tinha até me animado, mas aí arrumaram uma casa pra ele e ele resolveu ficar na terra mesmo. Ia ser bom se ele viesse porque eu ia ter com quem conversar”.

E de energia elétrica? Televisão? Não sente falta, não? “Disso aí não. Gosto do meu sossego aqui, de ficar de noite só ouvindo os barulhos da noite mesmo. É fresco aqui, não faz nem calor. Fico na minha rede e me balanço até dormir. Não gosto de negócio de televisão, não. Quando eu ainda era casado era mais um motivo de briga, porque a mulher queria ver diabo de novela toda hora”.

Quando perguntamos se ele já tinha levado alguma namorada para conhecer a ilha, ele riu e ficou sem jeito, mas contou uma história engraçada. “Eu queria trazer a mulher aqui, e ela com um medo danado da canoa, com medo de morrer, de cair na lagoa e se afogar. Eu disse pra ela: ‘Mulher, deixe de ser besta, que se você tiver que morrer afogada vai morrer lá na sua casa, engasgada com um copo d’água’”. E ela veio, seu Pedin? “Veio nada, um medo monstro de se afogar”.

O pescador afirma que não tem planos de deixar a ilha. Não comprou, não alugou, não pediu emprestada, mas se sente dono do pequeno pedaço de chão onde já plantou feijão, mandioca e amendoim e construiu sua cabaninha. À sombra do angico branco lindo e imponente que dá sombra e enfeita seu pequeno mundo, ele diz que ninguém vai tirá-lo de lá. “A prefeitura pode é mandar em Teresina todinha, mas lá na terra. Aqui na minha ilha, não. Daqui eu não saio”.


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Pedro Rocha
 

Caramba, que história Natacha. Agora, falta só ir a uma das festas que seu Pedin fala... eheheh. Ah, põe espaços entre os parágrafo pra facilitar a leitura.

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 6/11/2006 17:40
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Carolina Morena Vilar
 

Engraçado, lá é a ilha dos desquitados. Separou? Vai pra ilha!

Desse ver um sossego só e essas festas... Imagina só o que não rola!

Mas seu Pedin vive de que? Só da pesca mesmo??

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 6/11/2006 18:59
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Helena Aragão
 

Aqui no Rio, em Santa Teresa, tinha um hotel que ficou conhecido como "dos separados". Quem se separava acabava indo passar uma temporada por lá. Recentemente o espaço foi vendido e vai sair um 5 estrelas dali. Mas não pensem que foi fácil - teve manifestação e tudo, onde os solteiros iam ficar agora?? Além do mais, era uma casa muito simpática.

Adorei a história do Seu Pedin. Esse é o cara!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 6/11/2006 19:48
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Marcelo Perez
 

Essa idéia de festa na ilha é ótima. Já pensou? Uma fogueirona. Aqui em Boa Vista, tem umas ilhas que quando o rio enche o pessoal só tem essa opção e aí rola altos luaus.
Esse seu Pedin deve ser uma figuuuura...

Marcelo Perez · Boa Vista, RR 7/11/2006 02:26
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Delfin
 

Sensacional!
Uma das grandes histórias do Overmundo!

Delfin · São Paulo, SP 7/11/2006 06:16
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Natacha Maranhão
 

Oi gente! seu Pedin é uma figuraça, o jeito que ele conta a história é ótimo, e dá vontade de ir pra festa mesmo, rsrsrs. Só que com o pânico que eu fiquei de andar na canoa de dia, imagino como seria de noite, hahahahaha.
Carolina, ele vive só de pesca mesmo.

Natacha Maranhão · Teresina, PI 8/11/2006 09:43
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Ilhandarilha
 

Que gostosa sua matéria sobre seu Pedin. Gente como ele é que faz a gente acreditar que ainda é possível ser humano. Bjos

Ilhandarilha · Vitória, ES 8/11/2006 18:33
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apple
 

Dono de ilha? Ah, tá...

EC 46/05: Constituição Federal - art. 20 - IV -"São bens da União; as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e costeiras, excluídas, destas, as que contenham sede de Municípios, exceto aquelas afetadas ao serviço público e à unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II".

Art. 26 - Incluem-se entre os bens dos Estados:
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros;





apple · Juiz de Fora, MG 8/11/2006 20:06
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apple
 

Vai ficando, né? Não tem nada a ver... Qualquer coisa, se for de interesse público, o governo se manifesta...

apple · Juiz de Fora, MG 8/11/2006 20:08
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Letícia Lins
 

é...quem disse que não existem mais homens cavalheiros?

Letícia Lins · São Bernardo do Campo, SP 8/11/2006 21:16
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apple
 

Melhor cavalheiro do que "cavalo", né? Só que tem vezes que é meio chato...exageram um pouco e você fica sem graça...

apple · Juiz de Fora, MG 8/11/2006 21:34
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apple
 

Agora, logicamente que se estou no trabalho e temos que mudar um PC de lugar, quem carregará? Eu? Hahaha... Nem pensar!

apple · Juiz de Fora, MG 8/11/2006 21:36
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Maia Veloso
 

Cara que figura! Só vc mesmo Natacha pra encontrar...

Maia Veloso · Teresina, PI 8/11/2006 22:06
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Marcelo Cabral
 

Seu Pedin é o cara mesmo! Vive como quer e vive da terra e da pesca, quase tenho inveja dele. Sempre penso que ser pescador é a profissão mais bonita do mundo, de total cumplicidade/sustentabilidade com a natureza.
Grande personagem Natacha, massa demais, parabéns pela história tão bem contada.

Marcelo Cabral · Maceió, AL 8/11/2006 22:16
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apple
 

Acho que teria medo de ficar sozinha na ilha...

apple · Juiz de Fora, MG 8/11/2006 22:30
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apple
 

Lembrei de um joguinho em que pessoas devem ser atravessadas em um barco através de um rio.

Vamos jogar? O endereço é:
http://www.portalchapeco.com.br/~jackson/rio.htm

apple · Juiz de Fora, MG 8/11/2006 22:43
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Niltim Lopes
 

Que maravilha!!!
Essa história é sensacional... o Homem da ilha... o cara!!!

Adorei a leitura... mesmo!
um festa nessa ilha... a festa dos solteiros... hihihihih

Muito bom mesmo... parabéns!!!

Niltim Lopes · Salvador, BA 8/11/2006 23:39
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Mauro Teixeira
 

Muito bom o tema, sua criatividade e todo o resto!!!!

Mauro Teixeira · Cambuci, RJ 9/11/2006 01:07
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Felipe Leal
 

sensacional!! deu para perceber toda a simplicidade dessa pessoa, coisa que fica cada vez mais difícil de se perceber nesses dias. a casa dele ali na foto é ótima.

Felipe Leal · Rio de Janeiro, RJ 9/11/2006 07:00
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Roberto Maxwell
 

Tirando o ar de folclorizacao q parece envolver o cara (por causa dos leitores, claro). O personagem tem uma historia interessantissima. Claro que, para ter sido colocado fora de casa, o "seu Pedim" (me incomoda que ele nao tenha nome, ou Pedim eh o nome mesmo?) devia fazer mais do que apenas "tomar umas pingas". Nao estou julgando o comportamento dele, ateh pq a maior interessada ja o fez. Mas, questionando os limites da folclorizacao/mitificacao que os que tem acesso a midia (nos, afinal qq um de nos pode fazer uma materia pro Overmundo, por exemplo) fazem, sobretudo das classes populares.

Roberto Maxwell · Japão , WW 9/11/2006 07:56
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apple
 

Roberto,

Pode ser mesmo. Você escuta muito caso de homem que bebe e acaba aprontando todas: bate na esposa, gasta o dinheiro todo da casa, vomita pela casa, aponta revólver para os outros, ...

apple · Juiz de Fora, MG 9/11/2006 09:16
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Natacha Maranhão
 

Roberto, o nome dele é Pedro Paulo Bispo. Pelo que eu soube nas redondezas, não fez "mais que tomar umas pingas", não bateu na mulher, não apontou revólver pra ninguém, não é um lobo disfarçado de cordeirinho pescador, como a Criss sugeriu no último comentário dela.
É um homem que vive sozinho numa ilha, e só isso. Vi como ele vive, vi como os outros pescadores o tratam, com respeito, com amizade. um cara que tivesse aprontado todas não seria tratado com consideração, ainda mais numa comunidade pobre, onde não se costuma viver de aparências.
Entendo o que vc diz sobre folclorização e mitificação, claro que isso acontece, mas queria que ficasse claro que não romanceei a história dele, não. Qualquer um que vá à ilha e converse com ele sai de lá com impressões parecidas com as que eu tive.
:-)

Natacha Maranhão · Teresina, PI 9/11/2006 11:15
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Roberto Maxwell
 

Entendi Natacha. Mas, o proprio uso do nome "Seu Pedim" e outros lufos do seu texto remetem a um olhar distanciado e folclorizador. Claro que vc tem todo o direito de contar a sua historia da forma que melhor lhe convier. Tambem nao vi o texto como desrespeito a pessoa do seu Pedro. Apenas quis levantar o debate entre o olhar temos sobre o outro e que tipo de olhar o outro pode produzir sobre si mesmo.

Roberto Maxwell · Japão , WW 9/11/2006 11:19
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Natacha Maranhão
 

sim, sim. acho que entendi também o que você quis dizer. Para nós que estamos de fora, viver numa ilha pode ser cool, diferente, exótico, para ele é uma necessidade, nada que o torne melhor ou pior do que qualquer outro pescador de lá.

Natacha Maranhão · Teresina, PI 9/11/2006 11:30
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Allan Bichinho
 

Parabéns, Natacha! Adorei a tua sacada para escrever esse texto. Demonstrou muita sensibilidade.
Quanto ao Seu Pedin, não me importa julgar o que ele fez ou não, o que realmente interessa é o seu exemplo de SIMPLICIDADE. Pena que nem todo mundo entendeu, né pessoal?

Allan Bichinho · Porto Alegre, RS 9/11/2006 11:31
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Roberto Maxwell
 

Isso mesmo. Acho que vc entendeu exatamente o que eu quis dizer. E para o sr. Bichinho, viver numa cabana, numa ilha esta longe de ser simplicidade. Eh necessidade. Mas, enfim, tem gente que nao entende pq nunca precisou morar numa cabana. Espero que o sr. Bichinho nao precise ser simples a esse ponto.

Roberto Maxwell · Japão , WW 9/11/2006 11:41
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Paula Danielle
 

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Oswald de Andrade

Pedro Paulo Bisco???? ahhh é seu Pedim...um bom negro da nação brasileira!!!!
eles estão todos os dias por aí...tão longe das nossas concepções filosóficas e tão perto do nosso cotidiano, que nós nem conseguimos vê-los...

que delícia de texto Natacha!!!!

Paula Danielle · Teresina, PI 9/11/2006 11:47
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Natacha Maranhão
 

Que bom te ver por aqui, cumadi!
beijos

Natacha Maranhão · Teresina, PI 9/11/2006 11:52
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Roberto Maxwell
 

Pois eh, Paula, tem gente que nao consegue ver os "bons negros da nacao brasileira" (nem os bons brancos, indios, asiaticos, europeus, nem os maus, nem os mais-ou-menos) porque nem sabe onde encontrar determinadas pessoas. Ainda bem, circulo por muitos mundos e meu olhar se mantem sempre atento para os Pedins e para os Pedro Paulos - ja q vc ve diferencas entre eles - e todos os outros. Um abracao.

Roberto Maxwell · Japão , WW 9/11/2006 12:12
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Helena Aragão
 

Roberto, entendo o que você fala de folclorização, mas realmente não acho que chamá-lo de Seu Pedin remete a um olhar distante. É um apelido, afinal de contas. Se o texto fosse escrito por um pescador amigo dele, possivelmente também seria com Seu Pedin ou Pedin... Não sei se é o caso, mas se ele se apresenta assim, por que apresentá-lo como Pedro Paulo no texto? Num texto jornalístico tradicional talvez o nome Pedro Paulo Bispo fosse fundamental. Mas num relato como esse não senti falta não...

Enfim, só para alimentar a discussão, que é interessante! :)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 9/11/2006 12:53
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Roberto Maxwell
 

Oi, Helena, que bom que vc entendeu o q eu quis dizer. Mas, nao sei se vc lembra, de uma discussao academica forte sobre como se reproduzir discursos de pessoas analfabetas em dissertacoes e trabalhos academicos. Comecou com aquela de adaptar o linguajar, para demonstrar a origem do falante. Entao, alguem percebeu que ninguem "adaptava" a linguagem quando o discurso vinha de alguem da classe alta que, obvio, comete "deslizes" gramaticais tanto quanto um falante da classe popular. Dai, vieram os debates, pq a fala do pobre eh "adaptada" e a das outras classes sociais eh formal no discurso academico.

Toda essa colocacao nao esta no texto da Natacha, claro. Ela nao parece querer fazer folclore dos momentos em que ela se colocou em contato com o seu Pedro. No entanto, o uso do apelido "Pedin", que pode ser uma forma de vc identificar aquele senhor dentro do universo onde ele eh conhecido, me remeteu a essa discussao. Fosse um "... Viveiros de Castro", como seria a apresentacao?

Vejam bem, por favor, nao estou colocando a Natacha na berlinda. Apenas levantando uma discussao acerca da representacao do popular.

Roberto Maxwell · Japão , WW 9/11/2006 13:14
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Helena Aragão
 

Eu sei, eu sei que vc não tá colocando a Natacha na berlinda. No seu primeiro comentário você já diz isso, para mim ficou claro. Mas mantenho minha opinião... Legal você ter citado essa discussão acadêmica, sem dúvida é superválida. Mas para mim Seu Pedin é um apelido como outro qualquer, que não necessariamente remete ao universo. Sei lá, meu irmão se chama Pedro e minha avó chama ele de Pedin... Exemplo bobo, mas só para mostrar que nesse caso acho que não se aplica.

Mas Roberto, também espero que você entenda que estou achando esse debate ótimo!! Gostaria até de ler a opinião do pessoal do Grupo T.RE.M.A, que escreve bastante aqui pro Overmundo e muitas vezes reproduz a linguagem do entrevistado.

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 9/11/2006 13:50
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Viktor Chagas
 

Oi, Roberto. Acho a discussão muito boa. (Embora admita que foge um pouquinho da matéria, talvez.) Quero tb dar o meu pitaco... :) Penso que se fosse um Viveiros de Castro, provavelmente, ele seria apresentado como um Viveiros de Castro, da mesma forma que o Seu Pedin foi apresentado como Seu Pedin. Acho que, aqui, a aproximação etnográfica foi correta. Você dizia que se sentia incomodado pelo fato dele não ter um "nome" na matéria, mas eu, por exemplo, me sentiria muito mais incomodado em ver o nome dele como Pedro Paulo Bispo, reconhecendo que obviamente não é esse o "nome" que o identifica nos círculos por onde ele anda. E esse tipo de tratamento é típico de um jornalismo mais noticioso (um jornalismo mais noticioso, eu digo, sem enfatizar nenhum tom pejorativo à coisa, apenas entendendo o Overmundo como um lugar de um jornalismo "mais experimental"). Acho que nomes funcionam muito bem para identificar as "coisas", mas se os reificamos, eles se tornam "números". E ninguém gosta de ser chamado por um número. Entendo o seu ponto de folclorização do personagem, mas acho que se pararmos para pensar, todo texto jornalístico (ou antropológico, quiçá) sobre um único personagem cai mesmo nessa tendência. E será que isso é ruim? Será que não é um trabalho do leitor distinguir entre ideologia e construção narrativa? Enfim... só perguntas.

Natacha, gostei muito do seu texto. Me lembrou um outro personagem, o Seu Ditinho (veja aqui o nome: "Seu Ditinho". De batismo ele é Benedito), que vive e Ilha Grande (aqui no Rio mesmo). Seu Ditinho tem seus 84 anos bem vividos. Ele é pescador tb. E tem uns oito filhos (a imprecisão é dele mesmo, já que ele só lembrava o nome de sete). Quando o entrevistamos, ele disse que morava na ilha porque não aguentava viver em terra. Tinha largado a mulher e os filhos, porque não podia ficar longe da ilha, em que ele passou boa parte da vida. Mas veja: ele largou tudo lá pelos seus 80 anos. Uma história fantástica! E o melhor é que, enquanto o entrevistávamos, ele ficava costurando a sua rede de pesca. (Tem uma foto dele no meu orkut). Costurava, costurava, e nem olhava pra gente. Respondia tudo de cabeça baixa, costurando. Uma concentração infinita. Eu já tinha lido o Sidarta, do Herman Hesse antes. Mas aquilo foi impressionante demais. A gente saiu da entrevista mais leve. :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 9/11/2006 14:06
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Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A
 

acho que poderia ter ido um pouco mais além, explorado mais o persongagem, sua vivência na ilha etc. uma penca de coisas, enfim. de qualquer forma, o texto tá bom.

abraços a todos.

Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A · Fortaleza, CE 9/11/2006 15:25
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jujuba
 

Deeeemais!

Putz! Que vontade de ter uma ilhorazinha só para mim...!

jujuba · Santo André, SP 9/11/2006 18:12
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apple
 

Explorado mais? É...ficaria bom por um lado, mas sairia correndo. Ler textos grandes no PC é cansativo.

A Propósito, só estou acompanhando os comentários porque "peguei" desde o começo. Caso contrário, "pularia" esse texto.

Agora cada pessoa faz um comentário que pode visar o global do texto ou um ponto periférico. Ou algo apenas ligado ao texto. Têm muitas pessoas para comentar. Não tem necessidade de atingir nenhum ponto específico. Os outros podem complementar mesmo...

Senão, a gente mesmo completa depois, com mais calma.

apple · Juiz de Fora, MG 9/11/2006 18:16
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mariaCel
 

Gostei muito da reportagem...e essa clara vivência de simplicidade, preocupação desinteressada pelo outro, sentido de educação e respeito no comportamento do Sr. Pedim, mexe com todos, perdemos um pouco essas noções/sensações, no cotidiano das grandes cidades.

mariaCel · Rio de Janeiro, RJ 9/11/2006 22:12
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Caio Barretto
 

Um grande achado esse pescador. E o Brasil é repleto de pessoas surpreendentes. Em Canoa Quebrada, no Ceará, estava nadando no mar e subi numa canoa vazia. Cinco minutos depois chegou seu dono, que insistiu para que eu ficasse. Fiquei e o ajudei a tirar a água do barco. Conversamos brevemente, e lhe falei de minha insatisfação por ter de voltar ao Rio naquela mesma tarde. Serenamente, ele respondeu: "Não apaixona, não. Um dia você volta". "Não apaixona, não", em outras palavras, significa que eu não me apegasse, que não me preocupasse. É a sabedoria que não vem dos livros; vem do mar, do sol, da brisa no rosto. Parabéns, Natacha!

Caio Barretto · Rio de Janeiro, RJ 9/11/2006 23:44
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Gyothobat
 

De fato, muito além das "ilhas de caras" existem muitas ilhas de caras que expressam a luta pela vida e pelo direito a um pedaço de chão. No lago de Tucuruí, onde desenvolvi minha tese de doutorado, são 1660 ilhas de diversos tamanhos, ocupadas por pescadores e lavradores que buscam ali a proximidade com a água, o peixe e a terra, elementos essenciais à sua sobrevivência material e à sua identidade cultural. As ilhas do lago de Tucuruí são o território reconstruído de pessoas que sofreram o impacto da desconstrução territorial, ambiental e social provocadoas pela implantação da usina hidrelétrica. Longe de serem espaços de glamour e ostentação são territórios de resistência social que expressam as contradições deste diverso Brasil.

Gyothobat · Brasília, DF 10/11/2006 00:25
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stefano ferreira
 

Parabéns Natacha,
Seu texto está maravilhoso.
A narrativa de seu Pedim me fez refletir sobre nosso cotidiano,nossa concepção de felicidade e nossa busca pela felicidade.
Somente pessoas insensíveis não se emocionam com algo tão poético em meio a desgastante narrativa urbana em que vivemos.
Precisamos de mais olhares ao mesmo tempo jornáliscos e poéticos como o seu.

stefano ferreira · Oeiras, PI 10/11/2006 02:16
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dMart
 

texto sensível com narrativa na medida. parabéns!

dMart · Porto Alegre, RS 10/11/2006 13:13
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Pedro Rocha
 

Salve Roberto, Natacha, Helena e outros tantos que contribuiram nesse debate. Eu passei por esse texto ainda na fila de edição e depois não acompanhei o que tava se desenrolando nos comentários. Li agora e acho que é fundamental as questões que foram colocadas pelo Roberto. Nesse sentido mesmo de discutir nosso olhar, não de fechar essas questões no texto da Natacha.

Não tenho bem uma opinião fechada nesses sentido, não poderia inclusive me pronuniar pelo TR.E.M.A., por exemplo, mas dentro do grupo o que se pensa é em abordar as pessoas sob as mais diversas dimensões, desde o sexo até a religião. Outra coisa fundamental é ter consciência de onde está partindo o nosso olhar e explicitar isso no texto. Explicitar esse conflito de vivências. Acho que a Natacha faz isso.

Acho que a intimidade é necessária para um certo aprofundamento na representação da realidade. Talvez com mais encontros, mais conversas, a percepção da Natacha (a nossa em outras soituações) possa começar a captar outras questões que revelem outras dimensões disso que por enquanto é uma boa história, bem contada, mas que está ainda no plano do extraordinário, do pitoresco. Faço essa mesma avaliação para muitos dos meus texto já publicados no overmundo, em particular para o perfil do Seu Alves, também um "personagem" extraordinário. "Personagem"... A própria pauta já parte de uma percepção do extraordinário muitas vezes sane.

Como é a vida de pescador realmete? O Marcelo disse que é pra ele a profissão mais bonita do mundo, mas será mesmo. Não sei, em determinadas condições talvez sim, em outras não. Pescadores que vão para o alto mar em jangadas, que dormem molhados apertados e correndo o risco de cairem no mar a qualquer momento, talvez não achem isso.

No caso do texto, talvez abordar o porquê do "abandono" pela família e o que ele sentia com isso. Sei lá, tem que ir fuçando mesmo...

Bem, o certo é que uma boa história e boas histórias sempre são boas de ler e ouvir.

* Roberto, se você tiver algum texto na internet que trate teoricamente da representação da oralidade, todas essas questões que tu colocou, pode disponibilizar o link aqui?

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 10/11/2006 13:30
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[ds]
 

Isso é que é vida, não?! Sem aperreios de contas a pagar e outras maldições da vida muderna. Bela matéria Natacha.

[ds] · Recife, PE 10/11/2006 15:44
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Ana Cullen
 

Parabéns Natacha! Eu vejo o contar a história do seu Pedin como contar uma história! Intencionalmente ou não, ele virou um personagem a partir do momento que habita a sua imaginação, porque acredito que você não tenha apreendido tudo sobre ele numa só visita, tendo-o mitificado em algum grau... vejam bem: não estou dizendo que o homem de carne o osso é um personagem, nem que você distorceu a realidade, estou dizendo que as pessoas são personagens em potencial...
Obrigada por me apresentar mais uma pessoa tão interessante desse mundo que vai habitar minhas histórias...
Abraços!

Ana Cullen · Brasília, DF 10/11/2006 15:58
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Marcelo Cabral
 

Acho importante chamá-lo de Seu Pedin, isso é retratar a realidade do jeito que ela foi vista naquele pedaço de tempo e lugar. Pedro Paulo Bispo é um anônimo, um número em algum órgão do governo. Seu Pedin é esse cara que a Natacha retratou tão bem, sem julgamentos, sem preconceitos, só uma tentativa de contar aos outros o que viu naquele dia, um sujeito educado, gente boa, que vive na ilha, um personagem, que se torna folclórico mesmo, pelo simples fato de ser uma figura, se fundindo com a cultura do lugar. O cara da ilha.

E viva os personagens do Brasil! E que bom que espaços como o Overmundo possibilitam compartilhar tantas histórias desses brasileiros anônimos, como não é mais o caso do Seu Pedin, que gerou tanta discussão interessante.

Que bom, que existe uma maior “liberdade editorial”, digamos assim, para que uma história como essa seja contada. Provavelmente nunca seria contada em uma mídia onde o chamariam de Pedro Paulo Bispo, um jornal diário convencional, por exemplo, talvez na página policial caso as suposições sobre Seu Pedin pelo fato dele beber cachaça tivessem algum fundamento. E pelo que Natacha relatou, não é o caso.

Aqui em Alagoas falam-se diversos dialetos, como diria o rapper Vitor Pirralho.
A meu ver, retratar uma poesia de repente ou improvisos e motes de emboladores de coco sem tentar chegar o mais próximo possível da linguagem sonora, da fala e da poesia original mesmo deles, é quase uma crime contra a obra, no contexto do seu lugar e tempo.

Quanto aos pescadores, não falei que possuem uma vida fácil, muito pelo contrário, e daí vem boa parte da minha admiração por eles, conheço vários pescadores aqui que tem muito orgulho da sua profissão. Não consigo vê-los como pessoas frágeis prestes a cair no mar, vejo homens fortes que sustentam suas famílias graças a sua relação com a natureza.

Desculpem se falei demais, mas esse texto da Natacha gerou uma discussão muito boa.
Abraços.

Marcelo Cabral · Maceió, AL 10/11/2006 16:01
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Pedro Rocha
 

Não Marcelo, eles não são frágeis, mas vários morrem em alto mar, ficam reféns quando o peixe começa a acabar, ficam com as cortas doídas depois de certa idade. Têm orgulho claro, mas isso não é só beleza, muitos não querem isso para seus filhos. Admiro muito os pescadores, mas nem tudo é belo. Não acho que devamos idealizar essa relação homem e natureza.

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 10/11/2006 16:08
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Pedro Rocha
 

corrigindo: costas doídas.

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 10/11/2006 16:09
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Marcelo Cabral
 

Pedro, entendo o que quer dizer sobre a idealização e tudo isso, os pescadores enfrentam muitas dificuldades e entendo que é uma profissão de risco, claro, como piloto de avião, médico, motoboy ou piloto de formula 1. Enfim, como comentei, acho a profissão bonita e acredito que uma relação sustentável entre homem e natureza é um ideal bem bacana.

Marcelo Cabral · Maceió, AL 10/11/2006 18:28
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Gyothobat
 

Marcelo, para haver uma relação sustentável homem-natureza primeiro tem que haver condições materiais de sobrevivência, acesso a saúde, educação, cidadania. Aliás, estas coisas são condições essenciais da sustentabilidade, que deve ser simultaneamente ecológica, social e econômica. Não se deve romancear a profissão de pescador. Por mais digna e bonita que seja, exige muito esforço e gera pouca renda e está bem longe do prazer da pesca de lazer ou esportiva. Muitos pequenos pescadores, certamente, optariam por atividades mais leves e rentáveis se pudessem escolher.

Gyothobat · Brasília, DF 10/11/2006 19:17
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Natacha:
Seu Pedim que me desculpe, mas a heroina desta história é outra. Ela se chama Natacha Maranhão e não foi medo que teve de superar que assim a constituiu. Ela é dona de uma sensibilidade humana tal que vê poesia onde outros só vêm pobreza e miséria na vida marginalizadado seu Pedim. Sem ela ninguém iria ficar com água na boca de vontade de comer o peixe assado e beber o montila nas festas da ilha. Quanta gente passou e passará pelo seu Pedim e verá somente um pobre e solitário pescador alcoolatra. É que nem todos tem os olhos lindos e demasiado humanos da nossa SuperNatacha. Eles conseguem enxergar a beleza nos lugares mais insuspeitados.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
fã declarado da jornalista Natacha Maranhão

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 10/11/2006 19:43
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Yusseff Abrahim
 

Ano passado, meu reveilon foi em Serra do Navio-AP, se não tivesse que estar em Brasília este ano faria questão de fazer mais esta imersão. Esse cara tem que ser ouvido.
Gostei da idéia do aniversário, como será que está a agenda da Ilha dia 9 de abril....?
Natacha, demorô! Que história foi essa????

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 10/11/2006 20:04
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georgesaraiva
 

Demais

georgesaraiva · Guarapari, ES 10/11/2006 20:25
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[ds]
 

Isso é que é vida, não?! Sem aperreios de contas a pagar e outras maldições da vida muderna. Bela matéria Natacha.

[ds] · Recife, PE 10/11/2006 21:24
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Carla Serqueira
 

Raro mesmo é encontrar uma narrativa tão boa. Sem entrar nas tantas discussões que foram geradas aqui, apareço para agradecer a Natacha pelo texto postado. Uma delícia de leitura eu tive, inesperadamente, quando entrei no Overmundo, só para fuçar. Sua sensibilidade, Natacha, deu vida, leveza, realidade a história. Deu em mim, uma leitora cansada na hora em que encontrei seu escrito, vontade de ler mais você. Parabéns.

Carla Serqueira · Maceió, AL 10/11/2006 21:57
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Carla Serqueira
 

Só para complementar (minha memória às vezes falha)... O fato de encontrar um bom personagem, não basta para gerir um texto encantador. É preciso ter algo que não se adquire em livros, em treinos, é sensibilidade.

Carla Serqueira · Maceió, AL 10/11/2006 22:03
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Resumindo o que eu e a Carla queremos dizer, se é que ela me permiteinterpretar seu pensamento, existem milhares e milhares de "Seu Pedim" e´só muitissimos poucas Natachas e Nastachos Maranhão.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
PS Seria uma bela matéria para a revista piauí, Natacha

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 10/11/2006 22:18
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Charlot
 

ESSES CARAS QUE VOÇÊ SITOU, PITANGUY ENTRE OUTROS NÃO TEM UMA COISA QUE O CARA TEM. É O DE MAIS PRECIOSO PARA MIM E O QUE VIVO PROCURANDO. A LIBERDADE.

Charlot · Recife, PE 11/11/2006 10:28
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Rosângela Argôlo
 

Nat
Cê me fez viajar à foz do Rio São Francisco, litoral norte de Sergipe, bem pro local onde o grande rio de coração aberto e com um grande sorriso se entrega para o mar.
Boa demais.
Rô
Sergipe

Rosângela Argôlo · Aracaju, SE 11/11/2006 11:31
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Makely Ka
 

Engraçado Natacha, o seu Pedim me lembrou o personagem do conto "A Terceira Margem do Rio", do Guimarães Rosa. Ele abandona a mulher e os filhos, ou melhor, é expulso de casa pela mulher e vai viver numa canoa no leito do rio, na terceira margem. O narrador é o filho mais velho, que mantém uma relação de cumplicidade com o pai, é o único vínculo deste com o mundo terreno por assim dizer e deveria ser seu substituto na canoa. Nesse sentido, quando o seu Pedim fala "lá na terra" é como se ele estivesse apartado do mundo, suspenso, na terceira margem, cada vez mais solitário pela morte do filho que o ligava à família. No conto também há uma morte simbólica, que é quando o filho se recusa a tomar o lugar do pai na canoa, é o momento em que o vínculo se rompe e o pai fica definitivamente só. Não é curioso?

Makely Ka · Belo Horizonte, MG 11/11/2006 19:47
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OswaldoSingulaniJr
 

Muito legal.
Queria poder ser como o Seu Pedrin, mas esse mundo globalizado já me consumiu, não consigo viver sem certas coisas.

OswaldoSingulaniJr · Barra Mansa, RJ 12/11/2006 01:01
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Marcelo Cabral
 

Makely Ka, incrível a similaridades entre as histórias, Seu Pedin plagiou Guimarães Rosa sem querer, só vivendo.

GYOTHOBAT, nos dois anos em que estive na comunicação do órgão ambiental do estado, aqui em Alagoas, tive a oportunidade de acompanhar e ouvir diretamente das comunidades de pescadores suas reivindicações e dificuldades. Não quis “romancear” a profissão em meu comentário e entendo que a sustentabilidade da atividade depende de saneamento básico, um grande problema do Brasil, precisa que indústrias não despejem indiscriminadamente resíduos que diminuam as taxas de oxigênio em rios e lagoas causando mortandade de peixes, e entre tantas coisas, que os filhos dos pescadores tenham acesso a educação e cultura, pra que possam escolher se querem ser artistas, atletas, advogados ou pescadores.

Marcelo Cabral · Maceió, AL 12/11/2006 03:05
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Gyothobat
 

Valeu o comentário, Marcelo
Mas é certo também que as discussões sobre o Seu Pudim neste interminável fórum estão mais focalizadas no lado "bacana e romântico" da narrativa da sua vida, como se ela se resumise às suas festas na ilha. Não quero ser o chato a chamar a discussão para os aspectos socio-político-econômicos da vida dos pescadores, que poderia ser muito aborrecida e também pretenciosa . Mas temos que admitir que alguns comentários acima me fazem pensar que somos um bando de internautas classe média digitalmente incluídos a se deleitar com a "vida boa" do Seu Pudim, mas que não aguentariam uma semana dela. Quanto ao nosso personagem, o Seu Pudim, talvez ele não esteja nem aí para todo este papo cabeça e continua tocando a sua vida, possivelmente mais dura do que alegre, tentando ser feliz, se for possível.

Gyothobat · Brasília, DF 12/11/2006 11:40
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Gyothobat
 

Corrigindo, "Seu Pedin". Transformei o homem em guloseima, sem querer.

Gyothobat · Brasília, DF 12/11/2006 11:51
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apple
 

Gyothobat,

Fecho inteiramente com você! Foi ao "ponto" mesmo... Tiro o chapéu para você e para a Natacha, lógico, porque ela possibilitou a discussão.

apple · Juiz de Fora, MG 12/11/2006 12:17
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Adoniran Barbosa
 

Natacha, linda história de pescador!
Simpatizei com o Seu Pedim, mas me preocupei também. Observando as fotos de sua "casa", o seu isolamento, imaginei as péssimas condições que ele vive. Ele pode até não estar nem aí, mas tem gente que tem que se preocupar.
De repente, no meio da história, o glamour acabou.

Adoniran Barbosa · Recife, PE 12/11/2006 12:42
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Aline Neves
 

Viva Seu Pedin!

Aline Neves · Teresina, PI 12/11/2006 15:47
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Natacha Maranhão
 

Olá! Fiquei fora do ar no fim de semana e tive uma surpresa quando entrei hoje no Overmundo e vi que seu Pedin continua despertando comentários, discussões! Adorei!
Joca, fico de bochechas ardendo com essa história de fã, hahaha!
Yussef, vou procurar saber sobre o dia 9 de abril, quer que eu reserve a ilha pra vc? ;-)
Carla, obrigada!
Obrigada a todos por terem lido o texto, por terem comentado aqui...
beijos

Natacha Maranhão · Teresina, PI 13/11/2006 17:07
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Cláudia CB
 

Seu Pedin é ótimo !!! Que história linda e bem escrita!Fiquei toda, toda...

Cláudia CB · Teresina, PI 13/11/2006 17:33
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Fada Amina
 

Seu Pedin deve ser uma figura!!! =)
E deve pescar umas piabas q é uma beleza! =))
=*

Fada Amina · Teresina, PI 23/11/2006 21:13
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.luana.
 

Botei fé no seu Pedin..principalmente quando ele diz pra mulher não ter medo..que ela pode se afogar é bebendo um copo d'água...:)

.luana. · Teresina, PI 23/11/2006 21:20
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Arianne Pirajá
 

adorei.
quero conhecer o seu pedimmm, meu deus!!!
se alguém for pra uma festa dele, me chama, vai! ;P
bjos...

Arianne Pirajá · Teresina, PI 26/11/2006 23:26
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apple
 

Apoiado, Ariane! Vamos fazer um encontro do Overmundo lá?! :)

apple · Juiz de Fora, MG 27/11/2006 00:13
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Leandróide
 

Felicitações pela excelente matéria, só fui descobri-la hoje, mas antes tarde do que mais tarde. Acho que retratou bem e forma fiel o que é a vida do seu Pedin.

Quanto ao lance da canoa, é o tal negócio: o que devemos superar para ir atrás de uma boa história.

Até mais!

Leandróide · Florianópolis, SC 16/3/2007 14:28
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André Gonçalves
 

quero uma ilha pra mim.

André Gonçalves · Teresina, PI 17/3/2007 09:48
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Guilherme Mattoso
 

fotos lindas!

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 28/5/2007 16:43
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capileh charbel
 

to de caras

capileh charbel · São Paulo, SP 2/6/2007 22:41
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alfenim
 

Conheço o cara e a ilha do cara ... ainda bem que Seu Pedin não tem internet... discussões mais bestas... Seu Pedin é Seu Pedin do jeitim que ele é e isto basta...
Aliás, tem um poeminha do Manoel de Barros que me veio à lembrança quando sobrevoei estas discussões tão "interessantes":
"Coisa que não acaba no mundo é gente besta e pau seco".

alfenim · Curitiba, PR 20/6/2007 22:12
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Rodrigo Gerolineto Fonseca
 

Fantástica história, ótimo texto, eu queria que não acabasse.
...Bom, acabou, mas, se for ter festa me chama.
Me chama.

Rodrigo Gerolineto Fonseca · Picos, PI 4/9/2007 01:35
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Queridos amigos:

Convido vocês a testemunharem o esforço que fiz para praticar uma imersão nos já longínquos anos cinqüenta do século passado, em particular o ano de 1954, em que São Paulo comemorou 400 anos de existência. Dentro de menos de uma hora, na sala de votação do overblog.
http://www.overmundo.com.br/overblog/parece-uma-coisa-a-toa

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 1/12/2007 23:09
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Tatiana dos Reis
 

Achei linda a história. Quando nao se tem mais nada, perde-se tanto, ainda resta um pedacinho de terra onde se pode ficar sossegado e receber os amigos.

Tatiana dos Reis · Alemanha , WW 20/2/2011 02:48
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Rodrigo Siqueira O.
 

ahah quero uma pra mim tbm! by Ser Universitário

Rodrigo Siqueira O. · São Paulo, SP 9/5/2011 14:14
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Seu Pedin saindo de casa pro trabalho zoom
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Pânico no lago ou "se a canoa não virar, olê olê olá, eu chego lá"

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