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Pai-de-santo e intolerância politicamente correta

Foto: Gervasio Baptista/ABr.
Ministra Matilde Ribeiro com Mãe de Santo Raida
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bebeto_maya · Olinda, PE
8/9/2008 · 44 · 5
 

"E justamente por sermos, no fundo, homens pesados e sérios, e antes pesos do que homens, nada nos faz tanto bem como o chapéu de bobo: necessitamos dele diante de nós mesmos[...]"
Livro II-A Gaia Ciência de Friedrich Nietzsche

Com relação a matéria publicada na coluna “Bacana” do jornal Diário do Pará, sobre uma piadinha com um pai-de-santo candidato a vereador, não vi nenhum absurdo, nenhum libelo da intolerância religiosa e muito menos racismo, visto que crença e raça são duas características pessoais totalmente dispares. E se fosse ele, o colunista, não pediria desculpas por uma sátira cujo propósito é fazer as pessoas rirem de si próprias, como ele fez, numa atitude, ao meu ver, covarde de redenção incólume. É nisso que consiste a sátira: A ridicularização cômica da sociedade em que vivemos. Seus costumes, suas opções e, pasmem, seus credos.

Mas por que abrir essa discussão? Por que se chocar com o suposto "preconceito" alheio, típico comportamento de sociólogos e antropólogos apocalípticos, que está contaminando toda a população? Nenhum partido cria restrições para pais-de-santo e o colunista foi apenas satírico. Estamos re-criando conflitos raciais e religiosos poderosos no Brasil, baseados em picuinhas e sofismas do tipo "fulano chamou ciclano disso", provenientes de tempestades em copos d'água.

Com essa modinha politicamente correta, ninguém pode contar mais uma piadinha que as "minorias" ou "maiorias" se doem. Pelo amor de Deus! Quer se candidatar se candidate. Contanto que não roube, o fato de ser branco, preto, católico, gay, hétero, amarelo, espírita não importa absolutamente nada, todos são diferentes em virtudes e defeitos, porém iguais em oportunidades e direitos inerentes a pessoa humana. O que faz à diferença na política são as idéias na cabeça, e estas não estão em ebulição. Vocês perderam a capacidade de rir de si próprios, se transformaram em intelectuais hiper-sensíveis, cujas teorias subsistem em catar racismo em sátiras, crases e concordâncias nominais. Não obstante, gostaria de citar que assim como o artigo 5º da constituição afirma em seu primeiro parágrafo “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza[...]”. Ele também afirma nos parágrafos 4º ao 6º:

IV - “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”


Ao meu ver, não houve racismo, porque o artigo era uma chacota, e não uma agressão clara a raça de ninguém e não houve intolerância religiosa também pelo que foi explicitado na primeira premissa.

Atualmente, em tempos petistas, quando alguém brinca com algo é chamado de racista, anti-isso, anti-aquilo...Meu Deus! Ser tolerante é também aprender a ouvir as críticas e brincadeiras. E essa história de que não "se brinca com coisa séria" é uma prerrogativa para à censura. Porque a seriedade é inerente aos olhos de quem ver. Desse modo, tudo pode ser sério ou não, sendo a função da comédia, exatamente, quebrantar a seriedade das coisas.

Então, por favor, se candidatem pais de santo, católicos, gays, brancos, amarelos, pretos, pardos, mulheres, homens etc...Quanto mais diversidade mais setores da sociedade civil serão representados, e do mesmo jeito que todos os outros políticos, que não ligam por serem satirizados o tempo inteiro, parem com esse coitadismo politicamente correto, importado do partido Democrata Americano. Ora, se satirizaram a mão deficiente do presidente da república, por que o pai-de-santo sairia ileso? Por favor, hiper-sensibilidade antropológica, não. A censura acabou em 1988.

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Paulo Esdras
 

Bebeto disse: "não pediria desculpas por uma sátira cujo propósito é fazer as pessoas rirem de si próprias, como ele fez, numa atitude, ao meu ver, covarde de redenção incólume. É nisso que consiste a sátira: A ridicularização cômica da sociedade em que vivemos. Seus costumes, suas opções e, pasmem, seus credos."

Primeiro temos que lembrar que o bom humorista só faz piada de minoria se ele fizer parte dela. Aí seria uma sátira de bom gosto. Não digo com isso que o colunista deva ir preso ou pague uma multa (Nada de censura, concordo).

Mas sabemos que a religião afrobrasileira sobrevive numa redoma de preconceito herdado da Casa Grande. E um texto que ridiculariza qualquer minoria (ainda mais esta que é atacada por racismo - sim, racismo porque se a religião em questão fosse Européia e o Catolicismo fosse Africano a coisa seria invertida) deve ser banido pelos prórpios leitores.

Paulo Esdras · Brumado, BA 9/9/2008 16:23
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bebeto_maya
 

Por esse conceito, só faz piada de gordo quem é gordo e de político quem é político...Por favor. Piada é piada, é verdade que existe um limite, mas é insuportável viver numa sociedade que não consegue rir de si própria, nem se permite isso. A redoma de preconceito da religião afrobrasileira não é exclusiva, os evangélicos também sofrem e os católicos são tratados como lixo nas universidades públicas repletas de ateus. Quem crer, atualmente, é discriminado de todas as formas, agora a moda do momento é essa.

bebeto_maya · Olinda, PE 9/9/2008 17:29
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Paulo Esdras
 

Piada é piada não! Existem piadas de mau gosto!

Paulo Esdras · Brumado, BA 10/9/2008 10:23
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leandroDiniz
 

Bebeto,

É com rara satisfação que terminei de ler seu texto. Ele é sensato, assim como deveria ser a cabeça dos letrados brasileiros. se uma coisa é certa é que "masters talk about things, servers talk about people". Criou-se uma "hiper-sensibilidade" como você bem disse e essa está arruinando a intelectualidade brasileira.

Já é corrente em resenhas e artigos culturais falar sobre as pessoas e não sobre suas obras. Discussões homéricas se dão sobre qualidades físicas dos autores e seus, pretensos, atos. E nunca sobre a qualidade de sua obra ou de sua idéia. Esse rebaixamento só traz prejuízos para nossa qualidade do pensamento.

Concordo que hoje em dia o preconceito é erigido a uma categoria militante e qualquer manifestação que seja é tida como ofensa grave, irreparável. Se assim fosse meio mundo deveria estar processando o Casseta e Planeta, que com sua fórmula pastiche imutável ridiculariza e escarneia de nossos altos digníssimos.

O senso das proporções sai do limite, e qualquer atozinho é tido como a mais grave ação já proferida pela humanidade. Coisa que só nos dá mais motivo para o escárnio e a sátira. Mas a coisa é perigosa, pois existe um grupinho corporativista que se protege, e esse mesmo grupinho é o que controla a mídia e as cátedras universitárias.

Devemos nos abrandar para aceitação e não fomentar mais ainda as disputas inúteis... belo texto e considere-se um privilegiado por ter esse tipo de esclarecimento.

Aproveite e passe em http://www.overmundo.com.br/overblog/defensores-do-indefensavel-pedofilia-em-questao que está em votação também.

Abraços

leandroDiniz · Niterói, RJ 10/9/2008 15:19
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Circus do Suannes
 

Que mau gosto: botar essa ex-ministra na ilustração! Não havia ninguém melhor? O problema deste país não é tanto o preconceito. É a desonestidade. E esta, comprovadamente, é daltônica.

Circus do Suannes · São Paulo, SP 10/9/2008 17:52
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