Quando somos crianças desejamos muitas coisas. A maior delas é ser grande. Quero usar o salto e o batom da minha mãe; a camisa com manga longa do meu pai. Aí crescemos e tudo o que mais queremos é ser crianças outra vez.
Eu cresci e o tempo voou desde a primeira vez que li A Droga da Obediência. Quem nunca ouviu falar de Pedro Bandeira? Ai, grande Pedro. O tio que escreveu tantos dos livros que me deparava toda vez que saía para o recreio e ao invés de ficar brincando com meus coleguinhas me enfiava na biblioteca fingindo – ou querendo ser – a nerd da turma. Na verdade não era querendo ser a nerd, era querendo ler. E quem lia era nerd. Então eu era uma. E das boas, pois eu não saí da salinha pequena que comportava vários dos meus favoritos livros.
Quando soube que na 3ª edição do Salão do Livro do Tocantins haveria uma palestra com o fofíssimo Pedro Bandeira, não hesitei. Chamei meu namorado e disse: hoje vamos ver um dos meus heróis de infância. Ele topou. Domingo, dia 20 de maio, às 20 horas, fomos ao Auditório Fidêncio Bogo prestigiar um dos mestres das letras.
A palestra foi linda. Pedro é lindo. Um escritor-ator-comediante. Me apaixonei outra vez. Quis comprar todos seus livros, pena que meu dinheiro foi pouco. Pedro é lindo e encantador! Lindo! Quisera eu ter um avô contador de histórias. Suas netinhas devem ser muito felizes...
Durante todo seu discurso, a educação e o incentivo à leitura desde a primeira infância encheram meus olhos de alegria - o que seria de mim se quando meus pais iam ao Carrefour, Marcos, Americanas, eu e meu irmão não nos sentássemos no chão para ler na sessão de livros infantis. Não consigo imaginar!
Bandeira foi categórico ao dizer que o problema da leitura vem desde a nossa colonização. Contou toda a história do descobrimento do Brasil, Império, República até os dias atuais. Se fomos uma colônia de exploração, não precisávamos saber ler, afinal o senhor explorador europeu vinha aqui só para levar as riquezas naturais; se éramos essencialmente católicos, o senhor padre explicava-nos tudo, assim não precisávamos saber ler para entender. O norte, aqui cito os Estados Unidos da América, foi colônia de povoamento. Com o protestantismo de Lutero, puderam ter acesso à bíblia em sua própria língua; assim, para entender a palavra de Deus, tinham que saber ler. Uma diferença básica! Eles tiveram que aprender a ler, e nós, não!
E hoje? A criança vai mal na escola e a culpa é de quem? Da escola, não é, senhor pai? Não! É de vocês, pai e mãe! Vêm de berço.
Achar que só a escola educa é outro erro. A primeira educação, àquela que vai até os três anos, um período crucial na educação de um bebê. Agora me diz você, pai e mãe, você lê para seu filho? Ou leu quando ele era bebê? Tcharãm!
Perdeu quem não pôde ir – ou não quis. Pedro Bandeira é um escritor clássico da literatura infanto-juvenil e para quem não o conhece, meu conselho é só um: Conheçam-no, pois seus filhos não podem crescer sem lê-lo. Melhor: seus filhos não podem crescer sem ler! E da próxima vez, já que é bem provável que o escritor venha no próximo ano – esse foi seu segundo aqui -, compareça e prestigie esse homem. Ele vai querer te provar – e conseguirá – que a leitura é um problema nosso. Somos nós, enquanto sociedade – pai, mãe, filho, avô etc. -, que temos que fazer algo para mudar a triste realidade que nos assola desde nosso descobrimento exploratório.
E quem não leu A Droga da Obediência.. um clássico. Marcou muito minha infância o querido Pedro. Gostaria de ter ido à palestra. Muito bom seu texto. Parabéns.
Jan Moura · Cuiabá, MT 1/6/2007 09:36Nossa! Li A Droga da Obediência, A Droga do Amor, Pântano de Sangue, O Anjo da Morte... Grandes aventuras dos Karas, lembram?
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 1/6/2007 17:19
Saudade desse tempo!
Pena a matéria não ter sido publicada...
mas só de vocês dois terem lido já valeu a pena ter escrito!
Valeu!
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