Pandorga da Lua

Arquivo pessoal de Ricardo Freire
Brilha o olho do menino no show de abertura da 1ª temporada do Pandorga
1
Augusto M. Paim · Porto Alegre, RS
17/3/2008 · 265 · 37
 

— Quero que vocês desenhem o cheiro da coisa que mais gostam.

Havia dito a professora.

Agora ela recolhia as folhas com desenhos de chocolate e outras guloseimas. Entre as folhas, o desenho de uma mulher. As crianças riram, a menina tinha errado.

— Que cheiro é esse que você desenhou?

Perguntou a professora.

— Cheiro de mãe.


Quem amarrou o meu canto
que tantos gostavam tanto?



— A educação formal não dá bola para a música e a poesia.

Diz Edu Pacheco, mestre em educação e músico.

O “caso do cheiro de mãe” foi uma exceção, aconteceu antes mesmo de a professora participar da oficina do Pandorga da Lua. Ela deu-se conta que havia algo por trás: o conselho tutelar só permitia que a menina visse a família nos finais de semana.

— O inusitado é que através de uma imagem, que podemos chamar de poética, a criança se expressou. Este é um dos focos do trabalho de poesia. A possibilidade de expressão, oportunidade de se colocar no mundo. Mas, no lugar de usar um caminho usual, a poesia cria outros espaços, outras formas de interferência na vida.

Explica Edu.

Algumas vezes, os professores começam as oficinas demonstrando tédio e incomodados por terem que se envolver com atividades que provoquem reações diferentes das habituais, que modifiquem o cotidiano escolar.

Começam.

Uma vez, uma professora já chegou dando as cartas:

— Eu não gosto desse negócio de poesia. Minha filha passa o dia inteiro em casa discutindo arte com os amigos. Em vez de sair pra rua...

Ricardo Freire, Edu Pacheco e Ângela Gomes incentivaram a professora a cantar, tocar instrumentos musicais (mesmo ela não sabendo), analisar canções, compor, criar poemas, fazer exercícios lúdicos. Ela conheceu uma porção de ritmos presentes no caldeirão musical do Rio Grande do Sul. Colou e recortou figuras para o seu travesseiro do sonho e o do pesadelo. No fim da oficina, era outra pessoa.

— Agora eu entendo porque minha filha gosta tanto de discutir arte com os amigos.

Disse.


Por que moro na cadeia,
casa apertada e feia?



Nas oficinas do Pandorga, os professores viram alunos e se colocam no lugar das crianças. Entendem o que é estar/ser inibido, o que é se expor na frente dos colegas. Depois levam tudo isso para sala de aula.

— Eles experimentam, vivenciam, refletem a criação. Dão-se conta que podem criar.

Diz Ângela, professora de educação especial, psicopedagoga e cantora. Refere-se às crianças, mas vale também para os professores.

O grupo musical Pandorga da Lua começou em 2001. O músico Ricardo Freire pegou poemas do seu amigo, psiquiatra e poeta Jaime Vaz Brasil e passou dois anos musicando-os. Fez pesquisas junto ao Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore em Porto Alegre, RS, entrevistou músicos e estudiosos da área a fim de descobrir mais detalhes sobre a origem e a execução dos ritmos que convivem na cultura musical do Rio Grande do Sul, perguntou e perguntou, de modo que em 2003 o Pandorga não só estava maduro como ficando bastante conhecido. Nas gravações, juntaram-se Lucinha Lins, Geraldo Flach, Yamandú Costa, Renato Borghetti, Luiz Carlos Borges, Mano Lima... e tantos outros. Neste período, as poesias já existiam também em forma de imagem, ilustradas pela artista plástica Paula Mastroberti.

O show de estréia foi no Teatro Treze de Maio, em Santa Maria, RS, em 2004.

Ricardo estava nervoso. Dois dias antes, confessou isso a Geraldo Flach. Geraldo não faria parte do show.

— Sejas tu.

Disse Geraldo.

E Ricardo Freire foi Ricardo Freire.

O show foi um sucesso. E uma novidade: Ricardo nunca antes tocara para crianças.

Na segunda música, “O Rabo da Cobra”, quando soaram os tambores que executavam um dos ritmos afro-gaúchos, o maçambique, uma criança chorou. Ricardo fez sinal para o percussionista, começaram a tocar mais baixo, para não assustar. Ricardo e cia. deram continuidade ao show assim, com empatia, sentindo o clima da platéia, propondo brincadeiras, danças, incentivando a criançada a se expressar.

De certa forma, as oficinas do Pandorga começavam ali.


Preso dentro da gaiola,
o alpiste é só esmola.



Em 2005, o Pandorga foi para as escolas. Além das apresentações, o grande objetivo de Ricardo era experimentar a ligação que o projeto poderia ter com a educação. Nessa altura, Edu Pacheco havia se juntado ao grupo. Ele já tinha uma boa quilometragem no uso da música como instrumento pedagógico.

— Não a música para ensinar outras matérias. É a música pela música.

Diz Edu.

Pode até ser que a arte acabe levando para esse lado, para a ilustração ou aprendizado de alguma matéria. Mas a intenção é outra. É abrir um novo caminho de consciência para professores e crianças acostumadas com as rotinas do ensino convencional. É estimular a percepção, a subjetividade, a cognição, a sensibilidade. É criar um mundo interno. E externo. É apresentar o inédito para as crianças, despertar seu interesse pela busca da novidade. É apreciar, criar, fazer arte.

É aprender que, num modelo lúdico de ensino, tudo é jogo, e errar não existe.

— Na educação convencional, errar é feio. Você é avaliado por “certo ou errado”.

Diz Edu.

Mas por que errar?

Ou melhor: por que não errar?


O que pode nesse mundo
ser maior e mais bonito
do que abrir asas, voando
no azul do infinito?



Ainda em 2005, em paralelo com as experiências das oficinas, o espetáculo musical do Pandorga foi incrementado com a presença de artistas protagonizando a Camila e o Anacleto, personagens das canções de Jaime Vaz Brasil e elos de ligação e comunicação com a platéia. Um ano depois, ficou pronto o livro/cd do Pandorga da Lua. O lançamento foi no Teatro Treze de Maio.

A partir de 2007, embalado pela conquista do Prêmio Açorianos de Música Infantil, o Pandorga passou a dar vôos cada vez maiores. A convite do governo brasileiro, fez apresentações no vizinho Uruguai. O que não impediu a continuidade dos sobrevôos regionais: beneficiados pela Lei de Incentivo à Cultura municipal, Ricardo e cia. saíram com uma Kombi por distritos próximos a Santa Maria. Interagiram com crianças em ginásios, quadras de esporte, pátios de escolas (tendo duas árvores como palco), auditórios, feiras, festivais... Várias vezes foram recebidos com corais de crianças cantando os versos de Jaime Vaz Brasil. Várias foram as homenagens e retornos apaixonados pelo seu trabalho.

Por isso e por tantos outros motivos, as oficinas do Pandorga são oficinas também para Ricardo, Ângela e Edu. Eles estão sempre aprendendo e se emocionando com o que fazem. Quem sabe tanto quanto os professores que, interpretando os versos da música “O Sumiço do Céu”, costumam dizer que passaram por uma transformação pessoal durante as oficinas. São como o pássaro preso na gaiola: “o alpiste é só esmola”.

— Muitos se sentem prisioneiros do sistema formal de ensino.

Diz Ricardo.

Ou melhor, canta.

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Berioliveira
 

Maravilhoso esse conto! Uma forma de alerta , parabéns

Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 13/3/2008 23:25
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Berioliveira
 

Olá Augusto!
Perdoe-me amigo, eu que entendi errado ao fazer a leitura... Jamais faria uma crítica negativa, o que fiz foi realmente um elogio...
Aqui me desculpo por atrapalhar e digitar o comentário como um conto, por favor, me perdoe, eu ainda não sei separar um conto de uma crônica, e também não soube entender como uma reportagem... Más apenas por falta de prática nesses artigos..
Aceite minhas desculpas
Abraços

Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 14/3/2008 22:46
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Augusto M. Paim
 

Foi só falha de comunicação, não repare. Ehehehehe. É que essa matéria foi tachada de qualquer coisa menos jornalismo, antes de eu postar no overmundo. Daí eu fico todo ressabiado...
No mais, fiquei contentíssimo com o elogio!
:) Brigadão!

Augusto M. Paim · Porto Alegre, RS 14/3/2008 23:08
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Leandro Lopes
 

Nada de jornalismo erudito! O que vemos aqui, meu povo! Nesse texto é jornalismo diferenciado e com muita, mas muita qualidade! Sensacional Augustóteles!! Parabéns!!

Leandro Lopes · Belo Horizonte, MG 15/3/2008 17:13
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Leandro Lopes
 

Parabéns principalmente pela introdução da matéria. Foi genial!!

Leandro Lopes · Belo Horizonte, MG 15/3/2008 17:13
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Berioliveira
 

Deixando meu votinho(4.p), prabéns sucesso!

Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 15/3/2008 20:00
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clara arruda
 

Tem meu voto e meu cheiro de mãe.
Muito bom mesmo,conte sempre com essa amiga.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 16/3/2008 06:57
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Andre Pessego
 

Tinha mesmo que não lia algo assim tão perfeito, gostoso de se ler. Tao instrutivo e bemescrito,
Parábens

Andre Pessego · São Paulo, SP 16/3/2008 21:23
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Raiblue
 

Excelente matéria!!Num formado diferenciado,muito criativo!!

Gostei muito da temática e dea idéia!

votado e gostado muito!
bjks bluezen
Rai

Raiblue · Salvador, BA 17/3/2008 01:17
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Augusto M. Paim
 

Agradeço muito pelos comentários generosos de todos! Só esses comentários já têm me deixado muito contente com o texto, por ter quem apreciá-lo. Torço agora que ele consiga votos suficiente pra ir pro Overblog.
Abraços!

Augusto M. Paim · Porto Alegre, RS 17/3/2008 01:24
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Falcão S.R
 

Parabéns pelo excelente trabalho, Abraço

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 17/3/2008 02:12
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Branca Pires
 

Muito bom! A imagem então, nos diz tudo!
Parabéns!
abçs

Branca Pires · Aracaju, SE 17/3/2008 06:43
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raphaelreys
 

Ótima homenagem meu caro Augusto! Exl. trabalho, tem o meu voto!

raphaelreys · Montes Claros, MG 17/3/2008 07:37
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Sérgio Franck
 

Augusto, muito acana, cara.

abço.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 17/3/2008 10:36
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Sérgio Franck
 

Bacana!

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 17/3/2008 10:36
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Berioliveira
 

Ai que bom amigo você conseguiu, parabéns foi bem votado! Sucesso

Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 17/3/2008 11:53
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Valéria Geremia
 

Augusto,
Seu texto desliza sobre nossa percepção agradavelmente, aguçando nossa capacidade de apreciar a arte, porque ele também é artístico, feito com talento e sensibilidade.
Ótimo.
Abraço.

Valéria Geremia · Fortaleza, CE 17/3/2008 12:03
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Patrícia Guimarães
 

eu votei não só porque vc é o guri mais lindo que conheço, mas porque escreveu a matéria mais linda que li nos últimos tempos. beijos.

Patrícia Guimarães · São Paulo, SP 17/3/2008 12:52
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Augusto M. Paim
 

Pessoal, mais uma vez obrigado pelos comentários. Fiquei ainda mais contente por o texto ter sido publicado no Overblog. Isso mostra que há, sim, gente disposta a fazer diferente do jornalismo convencional, e que também há gente para receber e aprecisar essas diferenças.
Um grande abraço a todos!

Augusto M. Paim · Porto Alegre, RS 17/3/2008 14:55
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Júlia Timm
 

Gostei muito, Augusto! Do texto. E devo dizer que este mundo é mesmo muito pequeno. Conheço suficientemente o Edu para dizer que ele é tão o máximo quanto tu dimensionaste neste texto... E os colegas de Pandorga devem ser igualmente competentes. Belo trabalho. Bela poesia. Bela reportagem. Parabéns por ter subido pro Overblog.

Júlia Timm · Porto Alegre, RS 17/3/2008 16:04
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Lu&Arte
 

Adorei teu texto, parabéns. Vou divulgar para meus alunos.

Lu&Arte · Porto Alegre, RS 17/3/2008 16:08
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Ludmila Ribeiro
 

aê augustito! trazendo pro texto as liberdades e o encantamento das artes! curti!
linda a experiência relatada, que se multipliquem ações assim mundo afora. site eles têm?
beijocas da lud

Ludmila Ribeiro · Belo Horizonte, MG 17/3/2008 16:53
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Augusto M. Paim
 

Lud, brigadão! :)
O Ricardo Freire comprou o domínio www.ricardovfreire.com já tem pelo menos dois anos. Já fez o layout e tudo o mais, mais ainda não foi para o ar. Uma novela! Mas provavelmente ele esteja saindo do forno, talvez ainda neste mês.

Augusto M. Paim · Porto Alegre, RS 17/3/2008 17:46
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PENHA DE CASTRO
 

super bacana!
legal saber que tem gente trabalhando educação com música e poesia,
talvez assim se vence a mediocridade.
lembro que antes se dizia que o Brasil tinha a melhor música do mundo.infelizmente não se pode mais dizer mais isso se formos considerar noventa por cento das músicas brasileiras que tocam atualmente nas rádios.
É urgente educar para ouvir.
Discutir gosto não é preconceito.
estamos carentes de poesia, de mensagem, de conteúdo, de beleza.
que nasçam novos Chicos Buarque de Olanda, novos Milton Nascimento,
Que a boa música brasileira não sucumba ao caos!!!

PENHA DE CASTRO · São Luís, MA 17/3/2008 20:25
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Augusto:
Fiquei demais emocionado. O texto flui com a mesma intensidade do começo ao fim.Tenho, no entanto, e porisso mesmo, uma curiosidade: onde esteve o Augusto, em relação às oficinas de pandorga, quero dizer, onde você estava este tempo todo? Porque, até onde entendi, não participa do grupo mas fala dele com tal intimidade, com tanta convicção que parece, francamente, ser um de seus principais mentores, alguém que ajudou a pensá-lo, que refletiu muito sobre ele e não apenas um reporter que descobriu uma matéria interessante. Pode esclarecer a minha dúvida?
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 17/3/2008 21:45
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Leandro Lopes
 

O que foi isso? Que eleição foi essa? Boca-de-urna foi? kkkkkkkkk! Mais que merecido!!!

Leandro Lopes · Belo Horizonte, MG 17/3/2008 21:53
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Thiago Paulino
 

Augusto.. estava meio distante do Overmundo.. voltei a estas paragens... e como fico feliz de encontrar logo um texto tão bom como o seu. Bom, pois é escrito de forma leve como quem conta uma ótima história entre amigos queridos.. E Bom pelo ótimo conteúdo que trazes.. por saber que uma educação que valoriza mais a poesia, mais a música é também um caminho para transformar de fato todos em bons seres humanos..
Sou de Aracaju/Sergipe (em breve espero estar trazendo boas histórias novamente) ..mas minha mãe é de SC e tem uma ligação afetiva muito grande com o Rio Grande do Sul vou imprimir e mostrar teu texto correndo para ela.. isso porque além de amar o Sul ela também é pedagoga e compartinha do que vc descreve e defende como Educação.
Abraço e parabéns!
Senti vontade de pegar uma carona na Kombi de Edu pelos distritos de Santa Maria .

Thiago Paulino · Aracaju, SE 17/3/2008 22:57
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Bethânia Zanatta
 

há pouco tempo levei minha irmã, Carolina, de três anos, pra assistir um outro projeto do Edu, a Escolinha da Gabi. O tema eram lendas gaúchas. Ficamos dias cantando as músicas em casa.
Bem, beijo.

Bethânia Zanatta · Santa Maria, RS 17/3/2008 23:08
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Augusto M. Paim
 

Respondo ao Joca via comentário, porque fez uma dúvida muito importante (aos demais, torno a agradecer esse belo e positivo retorno).

Eu não tenho nenhuma ligação formal nem informal com o Pandorga. Sou mais um fã, e aproveito as oportunidades que tenho como jornalista para divulgar o projeto, mas apenas porque sinto na pele que é algo transformador.
É difícil explicar exatamente essa sensação. Eu estava no primeiro show do Pandorga, em 2004, no Theatro Treze de Maio. Fui parar lá sem querer, nem sabia do que se tratava, só que era para crianças, e eu estava à toa ali por perto na Feira do Livro e decidi ir. O resultado é que me emocionei por demais vendo aquela criançada enlouquecida no teatro, e fiquei encantado com a melodia e a poesia dos poemas. Aquela sensação de arrepiar os pêlos do braço, de saber que algo especial acontece.

Depois fui saber melhor do que se tratava, quem era aquele pessoal. Um professor me explicou a trajetória do grupo, me contou sobre o Ricardo Freire, que ele era uma pessoa realmente diferente das outras, e que esse era um projeto feito com amor e entrega total. Falou também que o álbum não estava pronto, seria lançado um dia.

A pauta hibernou. Um ano depois, novamente na Feira do Livro, o Pandorga lançou o álbum com cd. Fiquei sabendo meio sem querer, novamente. Comprei o álbum, porque sabia que era poesia pura (mérito do Jaime Vaz Brasil), e porque é uma música mágica (mérito do Ricardo). Ambos fizeram um trabalho que envolve dedicação, preciosismo, edição, a procura do melhor, e eu me identifico com isso.

Bem, aí eu tinha uma pauta. Propus fazer o perfil do Ricardo para a revista experimental do curso. Toparam. Acompanhei-o por alguns dias, inclusive numa oficina para crianças. Ali pude perceber que a minha sensação perante o Pandorga era compartilhada (porque se fosse algo que só eu gostasse, como muita coisa estranha que gosto, eu teria me dado conta). A reportagem foi feita com ares de Jornalismo Literário (outra hora re-publico ela aqui), e foi a partir dela que conheci pessoalmente o Ricardo.

A partir disso, tive a oportunidade de conviver com ele e a turma do Pandorga em pelo menos mais duas situações: numa convidei-os para ministrar uma oficina sobre criatividade, música e poesia para um grupo no meu curso de jornalismo; na outra, eles se apresentaram para mais de 400 estudantes de todo o Sul do Brasil num encontro universitário. Nas duas ocasiões, foi aquela overdose de Pandorga. Emoção/catarse coletiva, e muitos elogios para o grupo.

Isso tudo foi em 2006 e 2007. Agora, em 2008, lembrei do Pandorga para uma pauta sobre crianças e educação artística/cultural/poética/criativa que recebi de uma revista. Passei mais algumas horas entrevistando o Ricardo, e daí surgiu esse texto. Desta vez decidi ousar, encontrar a melhor maneira de passar essa emoção do Pandorga mexendo na estrutura narrativa da reportagem.

Pode parecer um texto (e este meu depoimento com certeza o é) apaixonado, talvez até demais. Para um jornalista, costuma não ser recomendado. Mas é que de 2004 até agora, uma coisa que aprendi acompanhando o Pandorga é que essa paixão é algo que não pode ser desvinculada do projeto: paixão de quem faz, de quem escuta (pena vocês não terem uma amostra), de quem participa das oficinas e se transforma com elas. É realmente um projeto pra ser divulgado e expandido.

Fora isso, é um trabalho altruístico. Meu único lucro com o Pandorga foi com essa matéria que vendi pruma revista (não essa versão que pus no Overmundo, mas uma outra, bem menos ousada).

Enfim! Falei demais, mas penso que não é à toa. Ehehehehe. A questão do Joca foi realmente muito importante.

Ah, eu não me incluí no texto porque nesse caso não havia necessidade, a minha experiência para fazer o texto foi apenas a entrevista, então não seria importante relatá-la sob o meu ponto de vista. Eu nem teria elementos pra isso. Mas, pensando bem, eu estou no texto, apenas ele não está em primeira pessoa. Ehehehehe.

Grande abraço a todos!

Ps.: uma frase que uma amiga, que faz pós em Jornalismo Literário, usa no msn: "Alerta aos jornalistas: se não sentirmos nada, não temos nada para contar."

Augusto M. Paim · Porto Alegre, RS 17/3/2008 23:56
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Lili_Beth*
 

Querido Augusto:

Então esse menino en_tende de aromas, gostosuras e texturas e faz disso obra de arte e faz arte em sua obra.
Sinto cheiro de brigadeiro...
Perfeitamente redondo, macio, agradável ao toque... Gostoso de degustar, não engorda rsrsrs e agrada ao olhar.
Lindo e harmonioso o seu trabalho. Tem sabor de alegria... De dever cumprido e aplaudido.

Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 18/3/2008 09:23
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heraldo hb /.
 

cara, OBRIGADO.

!

heraldo hb /. · Duque de Caxias, RJ 18/3/2008 11:46
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Vives
 

Parabéns ao autor. Maravilhosa forma de contar as coisas da infãncia que ficam escondidas e um dia vêm á tona....nossas emoções mais profundas! SUCESSOS! Abraços poéticos.
Conto contigo tb na votação de MINHAS LÁGRIMAS, poesia que postarei dia 19\03 de manhã.

Vives · Porto Alegre, RS 19/3/2008 01:58
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Paulo José
 

Muito boa essa história. Isso sim é mundo quântico!

Paulo José · Alto Paraíso de Goiás, GO 19/3/2008 11:04
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Bruna Célia
 

O jornalismo tem a mania de ser "objetivo" demais. Mas me diga, isso é subestimar o leitor, não é?
Vai me dizer que um texto tão bem escrito como nessa versão para o Overmundo não ficou melhor do que para a revista?

Nós, jornalistas, temos que lutar para mudar essa cara do jornalismo.. é questão de tempo e talento!


abraços!

Bruna Célia · Goiânia, GO 19/3/2008 12:41
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Bruna:
QAue bom tê-la de volta, co a mesma garra e a mesma vontade de sempre. Senti demais a sua falta.
precisamos conversar:
beijos e abraços
do Joca oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 19/3/2008 13:08
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Augusto M. Paim
 

Bruna, penso eu que é realmente um motivo de luta. Lenta, gradual, e por isso mesmo sólida.

Augusto M. Paim · Porto Alegre, RS 19/3/2008 13:11
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Clarissa D
 

Também conheço o projeto, bem menos que o Augusto, mas o suficiente para me apaixonar. Divulgá-lo é um serviço. E pode ser feito com arte. O público agradece.

Clarissa D · Santa Maria, RS 24/3/2008 20:59
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