Recebo semanalmente o Boletim PNL (Plano Nacional do Livro e Literatura) e, como em todo boletim, tem lá um monte de assunto desinteressante aos comuns mortais, informações muito específicas, numa linguagem sem sal nem açafrão, pílulas de notícias do setor literário.
Em geral, faço uma leitura em diagonal, em busca de algum concurso. Mas essa semana me surpreendi. Não é que o boletim me fisgou? Além de me apresentar o Livroclip, um site com videozinhos de obras literárias (que eu não vou comentar agora porque o assunto dá pano pra manga), me levar até o youtube para conhecer o vídeo brasileiro que venceu um concurso de bibliotecas em Portugal, o Boletim PNL me assustou!
Ao ler que uma empresa espanhola está fabricando papel higiênico com obras literárias impressas, meu queixo caiu tanto que chegou a fazer barulho em cima da mesa: Plaft!
Tive que conferir, obviamente. Como seria, por exemplo, o espaçamento entre as linhas? Que corpo utilizariam? Tamanho da fonte, cor... Tudo isso foi passando pela minha cabeça enquanto a página se abria. A pergunta fundamental: que obras seriam essas?
A resposta surgiu em poucos segundos: Clássicos, Recentes, Livros Sagrados.
O slogan da empresa: La literatura se recicla en las mentes no en las estanterías (Rúben).
Não tenho nada contra campanhas a favor da leitura. Mas não posso esconder meu espanto com esse tipo de iniciativa. Fui às raias da loucura... Tenho uma cabeça criativa, há um tique-taque insistente que me leva a imaginar situações quase 24 horas por dia.
Bom... Depois de ver uma das fotos no site (uma mulher sentada no vaso sanitário com a cabeça envolta em papel higiênico literário), me perguntei: E como será ter de abandonar um banheiro público com um livro, digamos, na metade? O ocupante seguinte vai identificar a história? A pessoa que sai vai pedir a ele que não use o papel para que ela não fique sem o final? Rolos de papel higiênico serão roubados! Sim, a constatação inevitável. No Brasil - só posso falar por meu país (e olhe lá!) -, os rolos seriam levados embora. Já o fazem normalmente, imagine com o apelo de um Kafka-barata: Tire-me daqui, tire-me daqui!
E foi assim, dando voltas dentro da cabeça, que cheguei à conclusão final: Veja como aumentar instantaneamente a venda de papel higiênico, com o lastro de "boa iniciativa cultural".
Na minha casa, não entra.
Você é muito otimista em pensar que no Brasil roubariam os rolos literários!
Paulo Esdras · Brumado, BA 1/5/2008 18:29
Sou otimista, mesmo quando penso que estou sendo pessimista...
ab
Imaginei assim um nanoconto, observando as digressões que contas aí na matéria de romances, poesias e outras criações literárias estampados em papel higiênico:
Quando viu seu caso amoroso com a vizinha estampado no papel higiênico, acreditou finalmente que estava enrolado. (jjLeandro).
Sugestão: outros poderiam ir aqui criando peças assim, inspiradas nesta história de cultura higiênica. Talvez os espanhóis se tenham inspirado nos rolos de papiros do egípcios.
abcs
Haha, Leandro. Muito bom esse seu enredo pro nanoconto! Você não imagina a quantidade de histórias que eu já imaginei a partir dessa maluquice do papel higiênico.
A tua sugestão é ainda melhor. Se alguém se habilitar...
abs
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!