Generosa em elogios aos seus colegas de trabalho, Maria Bethânia sentenciou há pouco tempo: “Vanessa da Mata precisa ser reverenciada, adulada. Ela é o novo Guimarães Rosa do Brasil”. Exageros à parte, o aval da primeira-dama da MPB tem sentido, pois desde o surgimento de Adriana Calcanhotto, no inicio da década de 1990, era esperada uma outra cantora popular tão cheia de estilo.
Seu talento, a matogrossense mostrou já na estréia, em “Vanessa da Mata” (2002), um álbum intimista – ainda o melhor de sua carreira. No segundo disco, “Essa boneca tem manual” (2004) ela se reinventou e conseguiu provar que pode existir inteligência no universo Pop. Mas foi com a pior faixa do disco, a radiofônica “Ai ai ai...” que Vanessa alcançou o auge da popularidade e se tornou detentora da música nacional mais executada nas rádios, em 2006. Agora, com “Sim” (2007), seu terceiro disco, Vanessa consolida a carreira ao mostrar que não está amarrada a gêneros musicais. Apenas a coerência é seu guia.
No novo disco, da Mata retorna às origens – de quando foi vocalista das bandas de reggae Shalla-Ball e Black Uhuru – e grava, pela primeira vez, o ritmo jamaicano. E são logo três canções: “Vermelho”, que abre o disco, com potencial para se tornar um grande hit; a ecológica “Absurdo” e “Ilegais”. Baladas, também são três: “Amado”, “Meu Deus” e “Minha herança: uma flor”, esta, de extrema beleza e sensibilidade, quebra a festividade marcante dos arranjos e fecha o álbum com um intimismo que chega a doer. Só o próprio violão de Vanessa acompanha sua voz, quase sussurrada, como se ela murmurasse ao pé do nosso ouvido. Detalhe: é a primeira vez que a cantora, rudimentar em suas técnicas, toca um instrumento musical nos próprios discos. Mas a emotividade supera deficiência das poucas notas ao violão.
Em “Sim” há espaço para a disco music, na ótima “Você vai me destruir” – também um possível grande sucesso -, em que a cantora exibe uma rara interpretação dramática. Os sambas também estão presentes, nas espirituosas “Fugiu com a novela” e “Quando um homem tem uma mangueira no quintal”. Até uma rumba está presente em “Sim” (Pirraça), isto sem falar no Pop de “Boa Sorte/Good Luck”, primeira faixa de divulgação, cantada em dueto com o norte-americano Ben Harper. A canção foi a mais executada nas rádios do Rio de Janeiro, entre 11 e 15 de junho.
Neste disco (produzido por Mário Caldato e Kassin), se Vanessa da Mata não consegue repetir a delicadeza e o preciosismo das composições de seu primeiro álbum, ao menos ela está bem mais diversa que em “Essa boneca tem manual”. A cada novo disco, novos méritos. Agora Vanessa da Mata nos prova também que a inteligência pode estar associada ao grande varejo da música e que, sim, ela veio pra ficar.
A delicadeza dela realmente nos surpreende, num mundo tão duro e seco. Parabéns a ela pelo disco, e a você pela análise precisa.
Duda Derbli · Rio de Janeiro, RJ 27/6/2007 15:21
Realmente Vanessa surpreende e demonstra como associar letras inteligentes a ritmo pop. Bom texto o seu! Valeu!
Roberta Carvalho · Belém, PA 28/6/2007 11:00
Gostei muito do seu texto. :D
E já ouvi algumas músicas do cd. Gostei muito delas. Acho que digo "sim" pra ela mais uma vez!
VANESSA DA MATA = talento zero, assim como essa papagaiada de SEU JORGE, ANA CAROLINA e quejandos. A BETHÂNIA assim como os outros da sua geração devem ganhar um por fora pra ficar elogiando esses pangaré - fala sério!
DiogoFC · Criciúma, SC 28/6/2007 21:57
Srs, não gostei tanto assim dos 2 primeiros discos da V.M. Ao ouvir esse 3º, e verificar que ela compôs todas as músicas (+ parceiros), passei a dar atenção a eles. Sim, são bons, mas esse 'SIM' está EXCELENTE!!! Constrastando com a opinião (que nada acrescenta ou tira!) imediatamente supra.
Ora, vejamos: tenho escutado Itamar Assumpção, The Mars Volta, Tom Zé, Wolfmother, Suzana Salles, Gotan Project, música instrumental, os cubanos do Buena Vista Social Club, e os clássicos do jazz e do rock que não saem dos 'players' usados. Borghetinho, Vitor Ramil (que compositor, caros!!!) Muita pesquisa, muita audição para ter noção e argumentos para diferenciar o joio do trigo. Do qual a Vanessa da Mata É trigo suficiente para alimentar uma nação de famintos pelo PÃO da boa música como as que ela vem, acima de tudo, 'sentindo' para todos, os que merecem e os que nem tanto.
Sr. Herculano, bom texto!!!
GRANDE abraço!!!
E neste disco a Vanessa fez boas parcerias, gosto de Boa Sorte/Good Luck com Ben Harper. Alguns acham a Vanessa simplória demais, carismática, mas com músicas pobres eu diria que sua música é simples e bela, diz coisas que todo mundo gostaria de dizer....
Assim como a música do Ben. Acho que em Boa sorte isso ficou claro...a união do simples e do belo - abrasileirado e inglesado..rs.
Rs... tá certo André.
Mas Flávio, fiquei super a fim de comprar o CD.
Gosto da voz grave, do timbre, do jeito de cantar que ela tem.
parabéns!
Acho preconceituso e dizer que Vanessa da Mata não tem talento assim como os demais de sua geração.
Acho pouco inteligente ignorar o valor do que é novo em detrimento do que já foi consagrado por outros em outros tempos.
A simplicidade é maravilhosa! E tenho certeza que muitos vão concordar que é infinitamente mais difícil fazer música simples e bela.
Maria Bethânia é maravilhosa sim...como muitos outros de sua época: Indiscutíveis. E nem por isso devemos ignorar que Vanessa da Mata também pode ser ótima como tantos outros de nossa época simplesmente pq um artista não anula outro ou determina o valor de outro a partir do que fez. Cada um é cada um.
Ainda bem! Para o deleite de todos nós.
Parabéns!
Digo sim quando ela provar ter uma voz afinada pelo menos quando for AO VIVO. É mais um talento que surge como promessa da MPB, mas não passa de uma promessa.
Escutem Vanessa da Mata AO VIVO. Terão outra impressão.
Letras inteligentes? Será que só eu notei que em Boa Sorte ela repete o que Ben Harper diz em inglês?
Sergiosantos · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2007 21:00
O comentário acima foi feito por alguém que nem sequer se deu o trabalho de pensar um pouquinho nas entrelinhas...
Inteligência????
Pouco inteligente fazer um comentário tão superficial.
Cristiane!!!
A Vanessa da MAta esteve aqui em Aju City com o show 'SIM' e te digo: foi um dos melhores shows que o TTB recebeu. EXCELENTE!!! Além dela ser MUITO simpática com seu fãs. Recebia a todos com invejável paciência, para afagos no ego, autógrafos e fotos. QUE paciência. Além de ser BELÍSSIMA a menina!!!
VALEU CADA CENTAVO!!! O disco também. Não resisti às audições na rádio Uol (que disponibilizou o cd semanas antes do seu oficial lançamento). Comprei e faço propaganda!!!
Creio que comentários contrários à qualidade desse e dos outros trabalhos da Vanessa sejam proferidos por mentes que tenham sido enfraquecidas pelos meios de comunicação(???) em massa, responsáveis pelo maior índice de ociosidade intelectual, quer público ou artista, fazendo com que a maioria dos 'Astros' em evidência, hoje, façam apenas reprises de um passado brilhante(?), que ofusca o trabalho presente. Raros os discos 'novos' que não são 'revisões' de clássicos ou de músicas de outros, ABISMO de diferença com o 'Sim', que tem todas as canções próprias.
Conversei também com alguns músicos no camarim e eles são do 1º time. Todos MUITO bons!!! Davi Moraes (guitarra), André Rodrigues (baixo), Cesinha (bateria), Marco Lobo (percussão) e Donatinho (teclados), além do backing vocal do qual esqueci o nome, mas o cara tem trabalho próprio e tudo mais. O Donatinho é filhodo João Donato, que participou com o Wilson das Neves (DUAS lendas da Música brasileira!!!) da gravação do disco.
Sem falar no cenário simples e sofisticado ao mesmo tempo e super bem iluminado!!! Nos tons certos!!! Nota 9,5. Só não recebeu 10 porque o show teve só 1h45, duas no máximo!!! Show desses é para ter umas 3 a 4 horas!!! Com direito a vários BIS!!!
GRANDE abraço!!!
Já assisti Vanessa da Mata AO VIVO, em show, e adorei. Quero-a sempre.. Em CD, DVD, ao vivo... acho suas canções espirituosas, inteligentes. Todas tem uma marca, uma identidade: é Vanessa da Mata. Ótima e despretenciosa.
Flávio Herculano · Palmas, TO 19/11/2007 10:10Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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