Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

PATO FU E O TRABALHO

Giuliano Chiaradia
1
Elefante Bu · Brasília, DF
6/5/2009 · 36 · 2
 

Novo disco do Pato Fu pode sair neste ano!

Antes que você fique todo animado e ansioso por informações, é melhor desacelerar. Fernanda Takai disse que tem alguma coisa nova da banda para esse ano, mas (enfatiza-se a conjunção adversativa) ainda nem começaram a trabalhar em cima disso. Não é por menos. Os integrantes do Pato Fu, Fernanda, John, Ricardo Koctus, Xande Tamietti e Lulu Camargo hoje possuem outros trabalhos além do Pato Fu que requer dedicação. Ricardo Koctus lançou o primeiro disco solo no início deste ano e vai começar sua turnê a partir deste mês. Lulu Camargo, volta e meia, está envolvido em algum projeto paralelo experimental ou não, e o baterista Xande Tamietti tem uma segunda banda.
As atividades paralelas de John e Fernanda costumam caminhar juntas. Ele faz parte da banda que acompanha a turnê do disco solo dela. Esse mesmíssimo projeto ganha um registro ao vivo em DVD gravado no Teatro Municipal de Nova Lima no dia 14 de maio. De acordo com Fernanda, isso faz parte das estratégias de manutenção de Onde Brilhem Os Olhos Seus enquanto um segundo disco solo ainda não foi colocado em pauta. E sim, existe o interesse da cantora em se aventurar mais uma vez em vôo solo. “A primeira experiência foi muito boa. Antes eu não tinha vontade de lançar nem o primeiro. Não tinha me organizado para isso. Mas foi muito bom”. O contrato de Fernanda com a Deck é flexível suficiente para dar a ela tempo para se organizar e produzir o segundo solo sem pressões. O disco vai sair eventualmente, mas nem ela sabe quando.
Enquanto isso os fãs podem ir se deliciando com o DVD Extra! Extra!, lançado na web neste mês no endereço www.patofu.com.br/extra com 150 minutos de material visual com registros de turnê, versões alternativas das músicas do disco Daqui Pro Futuro e videoclipes inéditos. Esse DVD pode tanto ser tanto baixado de graça para o computador quanto ser adquirido na lojinha do site da banda ou nas banquinhas dos shows pelo Brasil e mundo afora.

Pato Fu cansado

Entre os discos mais recentes lançados e os projetos ainda a ser realizados, Fernanda e John viajaram como nunca no Brasil e para o exterior tanto com a banda quanto com o disco solo (John é o guitarrista na turnê do Onde Brilhem os Olhos Seus) a ponto de nas férias a cantora preferir ficar em casa, em Belo Horizonte, curtindo Nina, a filha do casal. “Acho que desde meados de 2007, quando fiz o São Paulo Fashion Week, até dezembro do ano passado, nunca trabalhei tanto na minha vida. A ponto de janeiro e fevereiro deste ano eu dar um pânico e parar de fazer o tanto de coisa que estava fazendo porque fiquei muito cansada. tive um retorno muito bom, de satisfação pessoal e financeiro também. Mas fiquei também muito afastada da minha filha. Quando fui fazer uma turnê no SESC Pompéia com o Pato Fu, a Nina foi também e vi o quanto ela ficou feliz um estar com a gente.
Praticamente não viajei com ela ano passado, tinha reuniões de pais na escola que não conseguia ir. Fiquei chateada, apesar de tudo que aconteceu de bom, e do monte de prêmios que ganhei, do tanto de gente legal que cantei junto. Passei janeiro e fevereiro em casa com ela, saímos bastante, fomos ver todas as peças de teatro, todos os filmes em cartaz, fizemos coisas em casa como oficinas de massinha, de pedrinhas”.
O cansaço é mais que compreensível, Fernanda fez mais de 60 shows apenas no ano passado, e participou de mais de 50 eventos entre entrevistas, televisão e noites de autógrafos. Tudo isso, claro, com o marido John a acompanhando na maioria desses compromissos. No Japão foram várias apresentações, incluindo participações especiais como no concerto da Camerata Vale Música & Marcelo Bratke com duas datas em Nagoya e Tokio. Houve também uma mini-turnê da própria banda por lá em mais algumas cidades.
Tiveram oportunidade para ir aos Estados Unidos, país que não se apresentam desde 1995 quando fizeram uma apresentação única em Nova York, no S.O.B’s (Sounds of Brazil) e depois “desceram” até a Flórida para fazer um programa na Disney especialmente para a rádio 98 de Belo Horizonte. Eles deveriam ir a Nova York em março como escala de uma mini-turnê que começaria ali na vizinhança, em Nova Jersey, passaria por Chicago e terminaria no festival South by Southwest, em Austin, Texas. Não foi possível realizar os shows por problemas burocráticos no consulado estadunidense em São Paulo, como explicou Fernanda. “Esse festival é muito importante, mas não cobre os custos de ninguém. A gente tem de ir pelo próprio bolso. Daí marcamos algumas datas em outras cidades pelo convite de gente que nos queria até para ajudar a cobrir os custos. Se fosse só para o South by Southwest, a gente precisaria do visto de turista porque não se ganha nada. Agora para fazer a turnê lá dentro era preciso ter o visto de trabalho, e para conseguir esse é que ficou complicado. Mas a embaixada não negou. É que não deu em tempo. O pessoal das casas continuam com o interesse e a gente está vendo se consegue marcar novas datas até junho. Então vamos ver se consegue realizar ainda esses outros shows”.
Uma pena não ter acontecido. A banda acabou sendo substituída pelos amigos do Clã, que tocaram no palco Momo’s onde o Pato Fu deveria se apresentar numa quinta-feira. “O palco ficou mais cheio do que aquele onde o Clã iria tocar. Eles contaram depois, por e-mail, que muita gente foi lá para assistir a gente e perguntaram ‘cadê o Pato Fu?’, e eram os americanos”. Não é de se surpreender que muita gente mundo afora conheça o som da banda. Parte do princípio que existe reconhecimento internacional da crítica pelo trabalho realizado pelo agora quinteto e some isso daí com as inúmeras ferramentas disponíveis hoje na internet, como o Myspace. Fora o trabalho boca a boca – esse tal marketing de guerrilha - feito pelas pessoas que gostam e que saem divulgando Fernanda e cia pelos quatro cantos de um mundo globalizado e mais aberto.
“Então tem muita gente que conhece a gente por lá”, continuou Fernanda, “assim como também tem muita gente que quer comprar um material nosso e não consegue. Tenho um esquema que inventei para resolver o problema deles e é bom pra mim também. Eu mando para eles alguma coisa do Pato Fu , CD, DVD, camiseta ou sei lá o que pedirem, troco por alguma coisa de lá que não consiga comprar aqui. Tinha um povo do Canadá que queria comprar um CD e não conseguia porque não aceitava o cartão, essas confusões de burocracia. Então pedi um disco e em troca mandei o meu para eles. Eu acho legal isso”. Sem falar que é altamente vantajoso para a senhora Takai, não é mesmo?

Amigos Internacionais

Além dos shows, Fernanda e John andaram trocando figurinhas com gente que fala idiomas que não o português – e às vezes até falam o próprio, mas com outras acentuações, como é o caso dos integrantes da portuguesa Clã. E muitas vezes são participações de via dupla, ou seja, os gringos participam do disco deles e vice-versa. Foi assim como a vocalista no Clã, Manuel Azevedo, e também com a colombiana Andréa Echeverri (Aterciopelados) – mas nesse caso, Fernanda gravou para o disco solo de Hector Buitrago, também do Aterciopelados. Para John, esse é um processo que vai acontecendo devagar. “A gente vai se aproximando das pessoas que temos uma afinidade genuína. Como os Clã de Portugal. Mas a gente não se dedica a isso, até porque cada um procura se estabelecer no seu próprio país. Mas são coisas que vão acontecendo naturalmente”.
Ano passado o casal (e a banda por conseqüência) recebeu Maki Nomiya, vocalista do já extinto Pizzicato Five. Para quem gosta das músicas do Pato Fu como Made In Japan, sabe porque esses japoneses são tão significativos. “Imagina! Tocar e ter aqui na minha casa a vocalista do Pizzicato Five era uma coisa que nunca imaginei que fosse acontecer”, Fernanda não esconde o encanto, “era uma banda que já tinha acabado, mas a gente gostava bastante. Ela veio aqui tocar comigo no meu show e depois no Japão. A gente quer fazer algo junto, gravar uma faixa”. Como é natural da cantora, que fala bastante, o assunto prosseguiu e foi evoluindo.
“Tudo isso só acontece por conta desses tempos modernos onde se consegue falar por e-mail, mandar mp3, tem o Myspace. Daí a gente se apresenta, as pessoas gostam e tem aquela empatia. Fiz uma gravação muito recente com um cara chamado Carlos Nuñez que tem uma música celta, bem regional, mas é muito conhecido, faz turnês pelo mundo inteiro. Ele foi fazer um disco com algumas cantoras brasileiras e radialistas da Espanha falaram que deveria entrar em contato comigo porque as minhas músicas estavam tocando no rádio com o Pato Fu e com o meu disco, e que tinha um timbre de voz que ia gostar. Ele mandou um e-mail, veio aqui em casa também, e a gente fez uma gravação. Nem o conhecia, mas o cara é muito grande lá fora. Ele canta em galego! Eu não sei falar galego e fiquei que nem uma louca aqui. Mas acho isso muito bom de acontecer”.
Trabalhar ao lado de Maki Nomiya foi um sonho realizado pela cantora. Um outro, e esse é de conhecimento público, é gravar com o Paul McCartney. John também gostaria de gravar com um inglês que tem nome de rei do rock, mas não balança a pélvis. Em outras palavras: Elvis Costello. “Cara, eu já faço algumas coisas com ele, algumas músicas que parecem com as dele. Às vezes fico querendo achar uma solução para alguma composição e fico imaginando o que o Elvis Costello faria. É o máximo que consigo por enquanto, fazer alguma coisa com ele assim metaforicamente”.

World music

Se por um lado a internet proporciona que pessoas de todas as partes do mundo conheçam o trabalho realizado não apenas pelo Pato Fu, a ponto de haver penetração nas rádios estrangeiras, como no caso das espanholas; por outro, existe uma massa gigantesca querendo o mesmo e o volume de informações é tão grande que fica complicado, e até mesmo impossível, absorver o volume de informações. “Às vezes você tem uma sensação que é a sua obrigação de conhecer essas coisas novas. Mas tem horas que você quer ter uma postura mais relaxada e ouvir os seus discos mais antigos. Não quero ouvir mais nada novo”, disse John, “Acho que já tenho música suficiente na minha biblioteca”.
Nem mesmo Fernanda, que é uma pesquisadora nata de novos sons e artistas mundo afora, e que tem uma memória de elefante consegue ter uma boa dimensão do monte de coisas que são produzidas hoje. “Um exemplo foi que dei uma entrevista para um jornalista italiano noutro dia e que foi muito boa. O cara conhece tudo da minha música, do Pato Fu e muito de música brasileira. Daí ele me perguntou qual era o artista italiano que mais gostava. Eu não sabia. A única que veio na minha cabeça foi a Rita Pavone. Por incrível que pareça, estava ouvindo um álbum dela de 63 ou 64, e era a única coisa de italiano que tinha gravado em minha mente até pela personalidade e pela figura que ela era na época. De quando as mulheres todas eram arrumadinhas e vem ela que parece um moleque cantando e de um jeito muito diferente, sem cerimônia. Então fiquei pensando: eu que gosto de conhecer música de outros países e de conhecer as coisas de link em link e não sei qual é o artista italiano mais legal. Têm outras coisas que conheço, tipo Laura Pausini, mas que não acho muito legal. Pelo menos não é o que estou procurando e não me chama a atenção. E é tão estranho isso. E eu fiquei com vergonha e disse pro jornalista: putz, estou com vergonha, não sei”.

Outros baratos

Como se não bastasse a estrada, Fernanda, John e o Pato Fu ainda levaram trabalho para casa. Ano passado, John compôs a canção A Roupa do Corpo, tema da exposição Com Que Roupa Eu Vou, na Casa Fiat de Cultura. Não se trata apenas de uma peça publicitária. A Roupa do Corpo tem qualidade e é tão melodiosa que poderia ser incluída sem problemas nos discos de carreira ou virar hit nos shows. “Raríssimas vezes a gente fez publicidade. E quase sempre que precisamos fazer, em vez de fazer aquele jingle, a gente procura compor uma música que por um acaso vai ser usada”, falou John, “no caso dessa foi fácil porque não era algo institucional da Fiat, mas uma exposição que estava tendo aqui em BH sobre roupa. A gente acabou fazendo uma música com esse tema. Às vezes uns temas prontos são muito inspiradores até porque só o fato de escrever uma música é falar de um, né? E quando já te dão um, é bom”.
O que marca a canção são os teclados bem executados a la Doors que se tornaram seu grande charme. O interessante é que eles não foram feitos nem por Dudu (que na época acompanhava Fernanda e o Pato Fu), nem pelo titular Lulu Camargo. O “irresponsável” foi o John, que começa a também compor no piano, auxiliado por Ricardo Koctus e Fernanda nos vocais. “Mas onde você fala The Doors, eu penso em Monkees aquela banda que imitava os Beatles”, explicou John, que dos Doors não gosta muito, a não ser os teclados de Ray Manzarek. “Os Monkees foi uma banda dessas fabricadas feita para um programa de TV, mas com músicos muito bons que não podiam tocar porque já tinha os caras do estúdio que tocavam, cantavam, gravavam... Só que é incrivelmente bom e eu não estou nem aí que eles são uma banda armação”.
O trabalho de John não pára por aí. Sua carreira como produtor está numa crescente (e o estúdio que trabalha é no quintal de sua casa). Além dos discos da própria banda e também da esposa Fernanda, esse mineiro de Paracatu assina os novos discos de Zélia Ducan, Érika Machado, da banda Falcatrua (de belo Horizonte). É a segunda vez que ele produz Érika, e no seu currículo ainda constam nomes como Arnaldo Baptista, as bandas Wonkavision e Valv. “Acho que vou fazer algumas coisas também com o (duo) Lucy And The Popsonics. Também estou fazendo a trilha do curta Fogo, de Hique Montanari, que deve estrear em breve nos festivais ou coisa assim”, disse John.
Trilha de cinema é uma das coisas que o músico, produtor e compositor adora fazer. “Gosto de pegar um corte do filme e fazer um diálogo da cena com a música. Fico improvisando. Acho muito bom”. John compôs trilhas para curtas como Surfista Invisível, de Juliana Mundin, Cinco Filmes Estrangeiros, de José Eduardo Belmonte, e do longa-metragem Ponto Org, de Patrícia Moran. Isso fora aqueles que a banda cedeu músicas ou gravou alguma faixa em especial como Coração Tranquilo, que fez parte de Era Uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado, e da canção Agridoce, que entrou em Os 12 Trabalhos, de Ricardo Elias. “Tem uns filmes que nem vimos ainda”, Fernanda reclamou, ainda que de forma resignada, “é que o pessoal ficou de mandar para a gente”.

**Esta matéria é parte da edição n°42 do fanzine Elefante Bu

compartilhe

comentários feed

+ comentar
Sergio Rosa
 

O Pato Fu manda muito bem ao disponibilizar o dvd no site deles.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 7/5/2009 16:32
sua opinião: subir
Maxceus
 

PF é daora demais!

Maxceus · Belo Horizonte, MG 10/5/2009 13:56
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Instituto Overmundo pesquisa a cadeia produtiva da música no Rio de Janeiro

Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados