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Paulo Ghiraldelli Jr e a filosofia na internet

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Marcos Carvalho Lopes · Jataí, GO
30/1/2008 · 174 · 7
 

A filosofia está na moda. Nietszche na banca de revista é hoje um grande clichê: sucesso de vendas (como livro ou objeto de decoração). Alguns programas na televisão trazem a promessa de uma fácil introdução à filosofia. No entanto, parece que falta ainda espaço para diálogo, para que quem lê e observa possa questionar e ter voz. Sem esse espaço de crítica apenas colocamos mais um elemento entre as sombras da caverna.

A internet tem um grande potencial para promover esse tipo de diálogo. A idéia de criar uma cultura livre e conversacional, rima com o intento de substituir a razão pela imaginação e solidariedade, como queria Richard Rorty. Ao invés de procurar ocupar a posição de alguém que pretende ter a razão universal e atemporal, deveriamos aprender a aceitar nossa finitude e pensar o mundo a nossa volta procurando alternativas para o tornar melhor. A imaginação se liga a necessidade de alguma utopia que nos direcione para a sociedade que queremos construir, para o tipo de ser humano que queremos ser.

Nesse sentido, o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. desenvolve um trabalho que merece ser destacado. Há cerca de dez anos, junto com o grupo de pragmatismo e filosofia americana, mantém um site em que divulga textos de filosofia. De curriculo vasto e com vários livros publicados, Ghiraldelli Jr. abandonou a vida acadêmica para se dedicar exclusivamente ao ofício de ser filósofo. As academias não costumam ter espaço para a imaginação, a burocracia tende a promover certa mediocracia que tolhe o diálogo e as possibilidades do pensar. Então, com este trabalho na internet Ghiraldelli Jr. mantém a tentativa de desafinar o coro dos contentes e trazer a filosofia para uma posição mais aberta.

Não se trata apenas de comentar os clássicos ou de reverenciar o cânone: o site disponibiliza trabalhos de autores contemporaneos promovendo um link com parte da melhor produção atual em filosofia. Nele você pode encontrar textos de filósofos contemporaneos, como Jürgen Habermas, Robert Brandom, Gregory Vlastos etc . Hoje o site funciona como um verdadeiro portal, indispensável para quem no Brasil se aventura a estudar autores como Richard Rorty ou Donald Davidson . O site fornece textos que não seriam encontrados de outro modo em português. Como o interesse é de dialogar e expandir o debate, você encontra mesmo uma introdução a obra de Donald Davidson, disponibilizada gratuitamente em versão preliminar pelo professor Paulo Ghiraldelli Jr.

Além disso, existem diversos textos sobre temas contemporâneos, que tratam da filosofia a partir da cultura de massa, textos sobre filosofia da educação, filosofia da religião etc. Mas, existe mais...

O portal oferece vários vídeos em que o professor Paulo Ghiraldelli Jr. didaticamente trata de diversos temas filosóficos: introduzindo pensadores como Habermas, Rorty, Adorno, Sócrátes ou falando de questões como “o que é política?”, “qual a função da filosofia?” etc. Essa iniciativa desacraliza o saber filosófico e o coloca ao alcance de todos, para que, instigados possam segtuir questinando, lendo e aprendendo.

Ainda assim, alguém pode dizer que falta um espaço pra diálogo. Essa crítica não procede, já que o site possui um grupo de debates que, por email, esta aberto a todos que queiram discutir filosofia e aprender um pouco mais. Porém a iniciativa mais ousada de Ghiraldelli Jr é promover todos os dias úteis às 23 horas em um canal de TV on line, aulas gratuitas ao vivo, que depois são compementadas por intensos debates.

O que mais falta de dizer? Podcast, blogs... muita coisa. Que os que se interessem procurem ler, ver, ouvir para aprender, debater, dialogar etc. Iniciativas desse tipo só podem ser aplaudidas e incentivadas num país que pouco interesse tem para com a educação e a cultura. Confiram!

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Ize
 

Muito bacana seu postado Marcos.
O site é impressionantemente bem organizado, embora a musiquinha de fundo seja um pouco irritante. DEi uma lida em algumas matérias, gostei de algumas, nem tanto de outras e nada de duas em que, me pareceu, o autor andou muito rápido na crítica que faz a Chomsky ou àqueles que continuam marxistas hoje.
Enfim, vou me aprofundar nas leituras das matérias (muitas) disponíveis, para ver se volto atrás na visão que tive de que não é bem filosofia, ou ao menos não é só filosofia, que o autor divulga no site. Pode ser que eu tenha sido tão apressada em minha conclusão como Ghiraldelli parece ser em algumas de suas exposições.
Valeu. Volto depois com mais calma.
Abrçs

Ize · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2008 17:10
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Marcos Carvalho Lopes
 

Obrigado Ize, o mais importante é que o site me parece útil, mesmo para os que não concordam com algumas idéias do Ghiraldelli ou dos autores que ele divulga. De forma alguma ele é um filósofo cordial, no sentido que dá a esse temo o professor Paulo Margutti: a cordial filosofia brasileira se nega ao debate e acaba tornando-se indiferente a realidade que o rodeia. Acredito que certo anacronismo e sínteses rápidas podem ser necessárias em determinados contextos... mas, você está certa: acho que é interessante questionar o que fundamenta este tipo de procedimento. É bom testar os limites do diálogo e aprender com as diferenças a justificar melhor nossas posições.
Abraço,

Marcos Carvalho Lopes · Jataí, GO 27/1/2008 17:40
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Ize
 

Muito legal sua resposta Marcos. Fui até olhar seu perfil e.... quem sou eu pra falar de filosofia com um professor de filosofia e história. Desculpe-me se fui um tanto abrupta no meu comentário. É que ando um pouco cansada das críticas, inclusive aqui no overmundo, à Academia (vc pelo menos colocou o termo no plural e com letra minúscula) como se este fosse a priori o espaço da alienação do pensamento. Depois de ter sido aluna durante anos do filósofo Leandro Konder, de quem sou hj amiga, e de acompanhar de perto sua produção acadêmica e sua atuação como professor (e ele é apenas um dos exemplos que teria para dar) avalio que esta posição precisaria ser emitida de forma mais cuidadosa para que não se tome as partes pelo todo.
Mas, vc não deixa de ter razão.
Vc já anda por essas bandas há muito tempo e nunca tínhamos nos esbarrado. Vou tratar de ler seus textos que, pela olhada de viés, devem ser muito interessantes.
Um abraço

Ize · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2008 23:10
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Marcos Carvalho Lopes
 

É essa coisa de criticar a Academia é mesmo estéril: precisariamos é transformá-la. Para isso é necessário estar dentro dela... Por outro lado, sabemos que para isso é preciso fazer certas concessões... Equilibrar isso e manter-se produtivo/criativo é a grande questão. Obrigado por começar o diálogo Ize.

Marcos Carvalho Lopes · Jataí, GO 27/1/2008 23:24
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gic
 

Caro, talvez o conteúdo do meu post possa parecer um tanto maluco, mas lá vai.
Primeiro, gostei, adorei o site e a dica.
Eu me sentia mergulhada em um mundo acadêmico que não prega mais do que utopia e ideologia. Eu sei que isso pode parecer meio bizarro, mas eu cansei da condenação do mercado e, enfim, acho que uma cultura de diálogo acontece em várias esferas, com todos os percalços que as esferas que parecem não promover esse diálogo parecem ter, mas lendo o Habermas nesse site eu vi que as esferas do diálogo estão em todas as instâncias.

gic · Rio de Janeiro, RJ 30/1/2008 00:57
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Marcos Carvalho Lopes
 

Gic, acho que então você encontrou um lugar onde pode ler textos que apontam na direção do que você presentiu. Dewey e Rorty apontaram nessa direção pragmatista... mas é bom tomar cuidado: a palavra pragmatismo vem carregada no Brasil de uma carga pejorativa, indetificada com a chamada lei de Gérson, "todo mundo quer levar vantagem em tudo"... como proposta filosófica a coisa não é bem por aí, mas no sentido de aproximar a filosofia do dia-a-dia em um sentido anti-platônico e não aristocrático... então a cultura que a gente vive e que faz parte de nosso dia-a-dia pode (e deve) ser objeto de investigação...
Concordo quando diz sobre o que diz sobre as diferentes esferas... todas são úteis mesmo... mas acho que ainda são pouco utilizadas no sentido de promover um acesso livre à produção acadêmica e seus resultados. Os limites do diálogo possível acabam sendo os limites da indentificação com o outro... nesse sentido, para participar de qualquer grupo teremos que nos encaixar, aceitar suas regras, a justiça como fator de sociabilidade...

Marcos Carvalho Lopes · Jataí, GO 30/1/2008 02:47
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José Braga
 

Marcos, penso que a sua intenção foi boa, mas o Ghiraldelli vive buscando ganhar dinheiro com a academia, dando cursos e coordenando em universidades privadas, e fazendo o jogo das escolas acadêmicas, sendo o fiel divulgados do pragmatismo no Brasil, etc. A crítica que ele faz da academia é ressentimento pelo problema que teve na Unesp...

Enfim, o que quero dizer é que as aparências enganam...

José Braga · Brasília, DF 10/9/2008 11:04
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