PAULO SIMÕES • Passageiro do Oeste

Eduardo Medeiros/O Estado de MS
Paulo Simões na janela de seu apartamento em Campo Grande
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Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
2/4/2008 · 196 · 10
 

Quem escrever na busca do Overmundo o nome Paulo Simões vai encontrar dezenas de posts relacionados ao compositor de Mato Grosso do Sul. Em abril de 2006, uma entrevista com este carioca por acaso e sul-mato-grossense por opção foi postada pela jornalista Gisele Colombo. Mesmo assim, decidi postar a recente entrevista que fiz com “Paulinho” aqui no Overblog por acreditar que ele fala de coisas que podem gerar uma reflexão não só no leitor de MS, mas de todo o país.

Encontrei o Simões em seu apartamento, em uma bela manhã campo-grandense. Praticamente não falamos nos projetos que ele está tocando no momento. A idéia foi contar os primórdios da cultura de MS, explicar algumas histórias e refletir sobre o momento cultural do Estado.

Paulo Simões é autor de muitos hits sul-mato-grossenses. Um deles, Trem do Pantanal, já virou hino não oficial do MS. Outros, como Sonhos Guaranis, são verdadeiras aulas de História. Jornalista formado – na Puc/RJ – chega aos 55 anos com apenas quatro discos lançados, mas a sua obra é extensa.

Com vocês: Paulo Simões!

Rodrigo Teixeira - Misturar o urbano com o rural é quase uma obsessão na música de MS...
Paulo Simões – Não pra mim. Mas não é algo que despreze. Como a música de raiz foi importante no início das minhas atividades fiquei com esta marca de gostar de mesclar as duas coisas. Quando era garoto em Campo Grande, eu era roqueiro e as opções musicais não eram muitas. Guri não tinha disco, nem acesso a dinheiro. Então tinha que escutar discos dos pais ou irmãos. E meus pais tinham um gosto eclético e eu escutava Ary Barroso, Noel Rosa... Meu pai é carioca e escutava os primórdios da Bossa Nova. As minhas irmãs mais velhas, que tinham aulas de violão, conseguiam uns discos de Elvis Presley e Pat Bone. E aí eu descobri o rádio.

O que Campo Grande oferecia de música ao vivo?
Limitava-se a três vertentes: música paraguaia e latina nas churrascarias e festas em fazendas e, eventualmente, em festas aqui em Campo Grande; grupos de baile que tocavam pot-porri de tudo e música sertaneja, que se se limitava a alguns programas de rádio ao vivo. Era um programa dominical. Eu ia à missa cedo, para ficar desobrigado, e passava na PR-7 ou Educação Rural. Assisti a muitos shows de Délio e Delinha.

Esta música local de Délio e Delinha, do final dos anos 50, chegava aos jovens? Qual era a relação?
O rádio era muito importante, porque não havia tevê. Todo mundo ouvia rádio. Uma das lembranças mais vivas disso era acordar. Quando acordava já se ouvia o rádio em volta. Porque não tinha transito, barulho... Eu ia até a escola (Dom Bosco) a pé e ouvindo os programas sertanejos. A rua vazia, passava a carroça vendendo leite... Era o streaming radiofônico até a escola. Ia escutando música sertaneja. Gostava de ouvir música. Não sabia o que era aquilo. A música sertaneja e paraguaia têm tanta importância no trabalho e na musicalidade dos músicos que foram criados em MS pelo fato de que você, quando escuta música nos primeiros anos de sua vida, não racionaliza, apenas ouve. É totalmente sensorial. E esta música penetra fundo. Não importa se é moderna, boa ou ruim. Pode ser que o patamar esteja diminuindo, certamente está porque tudo é mais precoce, mas na minha idade até os 8 ou 9 anos escutava música como escuta hoje motor. Era algo que estava em volta. O que está no cerne da musicalidade é aquilo que é o que se escutou quando criança mais o que se escutou e gostou. Nunca é uma coisa ou outra. A minha base musical é música popular urbana, mais alguma coisa de música internacional e mais um pouco de rock, até porque se distinguia do resto e era obviamente música para gente mais nova. Tipo, isto aqui é mais para nós. Eu ia ver Délio & Delinha, Amambaí e Amambaí porque tinha esta relação de público e palco. Era música ao vivo no formato show, com aplausos e aquela relação de público e palco. Não era grupo tocando para nego dançar ou comer. Era autoral.

Eram aonde estes shows?
Me lembro mais dos que eu vi na Educação Rural na época que era na Rui Barbosa, entre Dom Aquino e Cândido Mariano, na Casa do Bispo que era grande. A rádio funcionou lá uma época e tinha um auditoriozinho. E também tinha o auditório da PR-7, que era na Calógeras.

Você venceu o festival em dezembro de 68 e foi para o EUA?
E em janeiro de 69 fui para os EUA, na Grande Detroit. No meio disso passei pelo Rio e presenciei de perto a edição do AI-5, que foi dia 13 de dezembro. Estava no Rio, minhas irmãs estudavam Direito e sabiam o que estava acontecendo. Eu lia jornal diariamente. Um belo dia, o jornal veio esquisitão. Só viajei no início de janeiro, sentindo uma transição de sair daqui de Campo Grande como uma promessa de músico com uma carreira pela frente e passar pelo Rio de Janeiro e tomar um choque de realidade brasileira. Foi um cascudão. E estava indo para os EUA, onde os horizontes estavam todos abertos. 1969 foi o ano de Woodstock, Altmont, o homem pisou na Lua... Assisti à posse do Nixon pela tevê assim que cheguei. Foi quando os EUA pisaram no acelerador na guerra do Vietnã. E lá, ao contrário daqui, a informação estava totalmente aberta. Eu era o único da minha família americana que lia jornal, o resto fazia palavra cruzada.

Como era ler o que estava acontecendo no Brasil sem censura?
Era tão estranho que chegava a duvidar. “Será que é isso mesmo?” Até porque os EUA têm um absoluto desconhecimento, até hoje, do que acontece no resto do Mundo. O Bush não se cansa de demonstrar isso. E aí eu só tinha um jeito de saber: escrevendo cartas. E como burro eu não era, o meu pai tinha sido juiz da justiça militar. Eu sabia o que estava acontecendo politicamente. Por isso escrevia cartas meio cifradas, jogava verdes, iscas e recebia respostas em que tinha que somar o quebra-cabeça. Ninguém queria arriscar.

Você fez duas viagens a Machu Piccho. A segunda foi a mais famosa, quando você e o Roca compuseram Trem do Pantanal, em 1975. Quando foi a primeira?
Um ano antes, com o Antônio João Figueiredo, filho do Coronel Afrânio de Figueiredo, então chefe do SNI do estado do MT, que era filho Arnaldo de Figueiredo, ex-governador do Estado. O Afrânio era amigo do então presidente Garrastazu Médici, que tinha servido em Campo Grande e eles jogavam baralho quase todas as noites. A gente foi em março de 1974, o ano da minha formatura. Nos convenceram que era perigoso ir por terra. Fomos para o Rio de Janeiro esperar uma carona do avião militar e esta carona não se concretizou. Saímos no dia que começavam as aulas. O Tão também fazia PUC. Foi tudo de ônibus, do RJ até Campo Grande. Depois de trem até Corumbá e de trem até Santa Cruz La Sierra, na Bolívia. De ônibus até La Paz e Peru. Depois trem até Cusco e Machu Piccho. Tivemos que fazer a viagem clandestinamente não só para as nossas famílias como para o SNI, que depois do sumiço nosso do Rio começou a nos procurar.

E a segunda, com o Roca, em 1975, foi o mesmo trajeto?
Primeiro teve um ensaio da viagem, que foi em abril. O meu parceiro de viagem Geraldo Roca teimou comigo, que já havia feito à viagem, de que não era necessário o passaporte. Acho que aí fomos até Corumbá e voltamos para Campo Grande pela teimosia do Roca. Na verdade, eu estava foragido do mercado de trabalho jornalístico no Rio. Me formei e não tinha interesse em trabalhar em jornalismo. Primeiro porque estava acreditando na minha carreira musical. E segundo porque era governo Médici e não era muito engraçado ser jornalista, ainda mais na área cultural. Era tipo escrever e ter que reescrever porque cortavam tudo. Então eu viajava o máximo que podia, para o MS também, só para não ficar no RJ e a minha família me arrumar trabalho.

Em que momento da viagem nasceu Trem do Pantanal?
A música nasceu em abril de 75, algo entre o dia 17 e 21. A gente acabou ficando dois meses lá.

Mas onde exatamente vocês estavam?
No trem em Campo Grande. Exatamente na primeira noite de viagem, depois da minha mãe ter ido tentar me convencer a não viajar. Enfim, eu e o Roca fomos para o restaurante comemorar a viagem e tomamos um monte de cerveja quente e fomos para a cabine. Os violões estavam em cima da cama e o Roca começou a cantarolar a melodia e saiu a música e algum dos versões. Fomos completando a música pela viagem. Inclusive muitas coisas foram deixadas de lado. O nome original era Todos os Trilhos da Terra!

O que representou para você a Liza Bogallo, uma cantora paraguaia, ter gravado em castelhano o Sonhos Guaranis? É uma maneira de reconhecer este discurso da letra em que fala da Guerra do Paraguai que sangra até hoje?
Tem um significado cultural importante. Porque esta música rende uma homenagem merecida ao tributo que a gente tem como povo e nação com o Paraguai e os nossos vizinhos latino-americanos. O Brasil é uma potencia e naturalmente levado a dar um chega para lá nos menores. Isso é mediado pela evolução da história e da cultura de um povo. E esta música foi feita em um momento em que também se havia uma cicatriz se formando que foi a Guerra das Malvinas. Por coincidência o Almir tinha lido o livro Genocídio Americano e comentado comigo, eu peguei emprestado e estava lendo quando a Malvinas estourou. O livro me interessou porque os livros didáticos sobre a Guerra do Paraguai sempre tratam de uma forma sempre simplista, tipo heróis de um lado e bandidos de outro. Uma batalha era descrita como o momento em que a Tríplice Aliança tinha passado a fio de espada os soldados paraguaios, onde a maioria era criança. Esta frase não cola no contexto do heroísmo. Como é que um exército de heróis liderado pelo grande Caxias está lutando e derrotando crianças, passando a fio de espadas? O livro do Chiavenatto não é perfeito, mas faz pensar. Um raio cósmico fez com que a gente começasse a música com versos contundentes. Poderia ter sido uma guarania romântica. Era delicado mexer com o assunto da Guerra do Paraguai. O Almir e eu conhecemos o Sylvio Back e ficamos sabendo que os paraguaios chamam de Guerra do Brasil.

A letra indica que a fronteira era algo em comum.
A grosso modo eu não sei o que o povo paraguaio pensa desta música. Na única vez que fui ao Paraguai acabei tocando Sonhos Guaranis em uma festa e estava um dos músicos que são considerados os criadores da guarania. No meio da música percebi que ele estava passando mal. A mulher dele saiu e colocou um isordil sublingual. Ele se emocionou realmente. O Almir tinha ido uma vez a Assunção, e o que quer dizer esta música é algo tão profundo e misterioso, que ele não tocou no show dele. Ainda estou curioso para saber como é que vou me sentir ouvindo uma cantora paraguaia cantando Sonhos Guaranis. Pode ser que precise de um isordil sublingual também.

O Roca fala que Trem do Pantanal é uma música não entendida. Qual é a sua interpretação?
Ela usa a natureza como cenário, no sentido do que o John Ford usava as paisagens do oeste americano para fazer faroestes. Da mesma forma, a gente captou o cenário do Pantanal com uma mente de certa forma angustiada com alguma coisa. Ou comovida... Eu não me atreveria a dar uma visão acabada. Porque é bem possível que a gente não soubesse o que estava fazendo. Se for verdade que um artista pode ser uma antena para captar as coisas, e acredito nisso, a gente captou coisas que não são nossas. Como responsável maior pela letra, comprimi nesta viagem que estava começando, mas que continuou com elementos também da primeira viagem. Mas a música não precisa ser entendida e sim ser sentida. E as pessoas acabam se apropriando e acrescentando interpretações que não estavam na cabeça de quem fez e que não quer dizer que não sejam verdadeiras. Esta música é um retrato emocional da nossa geração, o que não impede que outras gerações tenham interpretações semelhantes. Porque a história é cíclica.

O diferencial de MS, que é esta característica sul-americana, torna-se a maior dificuldade em penetrar na alma brasileira. Concorda?
O nosso perfil não foi ainda definido. Então o resto do Brasil também tem problemas em perceber este perfil e aglutina-lo. O máximo que “eles” conseguem nos ver é como pantaneiros.

Até que ponto você acha que isto tem a ver com o nome do Estado?
Tem tudo a ver.

Você é a favor de mudar o nome para Estado do Pantanal?
Totalmente e digo por quê. A divisão, que eu conheço desde garoto, porque meu pai é divisionista, batalhava por uma causa justa. Havia motivos sociais, culturais, políticos e econômicos que justificavam a divisão. Mas o Norte não queria por achar que sairia perdendo. Isso foi indo até o momento que o governo militar falou “chega destas quexúnculas locais e nós vamos fazer a divisão porque é bom para o Brasil”. O que poderia ter acontecido de uma forma democrática acabou sendo imposto. Mas aí os nossos irmãos do Norte – e adoro Cuiabá e tudo mais – até por eles centralizarem o poder e o palco político do Estado, e pelo temperamento cuiabano, demonstraram mais habilidade política do que os do Sul. Quando o Geisel disse: “Decidam como vão se chamar porque vamos dividir de qualquer jeito.” O pessoal do Norte falou: “Nós não queremos mudar o nosso nome. Queremos continuar Mato Grosso. Vocês podem se chamar como quiserem. Estado de Campo Grande, Estado de Maracaju...”. Os políticos do Sul e as lideranças culturais não estavam atentos para a boa técnica federativa republicana. Este processo de divisão de estados grandes acontece cedo ou tarde. O modelo brasileiro tenta imitar o modelo norte-americano, que é o mais bem-sucedido no mundo. Só que lá todos que são divididos ou mudam de nome ou fica do Sul e do Norte. E aqui se inventou esta história de só um dos Estados botar do Sul. Isso foi aceito pelos políticos e pela sociedade. Se tivessem não aceitado teria acelerado o processo da criação da identidade no Sul. Teria sido o correto: Mato Grosso do Norte e Mato Grosso do Sul. Não foi feito. Os prejuízos são imensos para o Sul. Não aconteceu por comodismo, medo, conformismo e preguiça de sacudir as coisas. Em vez de ficar mendigando para o governo federal, vamos começar de novo e fazer a coisa certa. Está errado, mas vamos deixar se perpetuar até quando? A grife Mato Grosso tem importância e um peso histórico, inclusive internacionalmente. Roosevelt veio ao Brasil e queria caçar no Mato Grosso com o Marechal Rondon. Mato Grosso é uma palavra poderosa. Que inclusive não tem mais a ver tanto com a realidade do Sul. O mato grosso já é quase nada. Mas nós temos outra grife valorizada que é Pantanal. E como a maior parte fica em Mato Grosso do Sul, nada mais justo que mudar para Pantanal. E quando eles (o Norte) quiserem se referir ao Pantanal deles, podem chamar de Pantanal do Norte. Não é birra. É equilíbrio. Mas isso é coisa que artista fala porque sente, mas duvido que nosso povo tenha esta coragem de reconhecer o erro que está causando prejuízos e pode ser cada vez maiores na medida em que a indústria do turismo se sofistica e cresce.

Você foi um dos primeiros a fazer música urbana aqui em Campo Grande no final dos anos 60 com a banda Bizarros. Como você analisa a evolução desta música na Capital?
Vejo uma vitalidade. Pelo menos em número. Uma coisa difícil de imaginar. Trabalhos roqueiros se proliferando tanto. Algumas bandas tem linhas definidas e soam diferentes das bandas que aparecem na mídia Rio-SP. E menos barulhentas, do que o mainstream do rock atual, que segue fórmulas bem definidas. E que abrem espaço para a grande arma para ir mais adiante. Que é aproveitar as jóias e pepitas, os metais preciosos, que são as criações dos compositores que os precederam, esta geração que faço parte com Roca e Geraldo Espíndola, compositores que conseguiram chegar a uma identidade musical que existe e não se mistura. É a forma destas bandas terem uma penetração maior do que teriam investindo apenas em material próprio. Em todo o mundo, como os Beatles e Rolling Stones, na fase de fixação, interpretavam as músicas de Chuck Berry, Jerry Lewis, Little Richards... Abrindo o leque do repertório você atinge mais público.

O governo lançou o Kit Musical para incentivar que as rádios do Estado toquem música regional. Mas a rádio do próprio governo toca apenas uma música de MS a cada hora. Como você vê a questão das rádios em Campo Grande para o espaço para a música autoral de MS?
A rádio do governo não fala os nomes dos compositores das músicas. O que é obrigatório por lei. Mas sou realista o suficiente para achar que algo vai mudar substancialmente em pouco tempo ou até em médio prazo. Por mais elogiável que o Kit seja. A idéia é boa e já teve iniciativas semelhantes. O próprio Prata da Casa era um meio para chegar às rádios. Este kit é um neto do Prata da Casa. Mas aí entra o choque da realidade. Rádios são negócios, embora sejam concessões. O meio político não achou ainda vontade, até porque ainda não foi pressionado pelos eleitores a fazer valer certo equilíbrio. Se uma rádio é uma concessão pública, o governo tem o direito de exigir que, para a renovação da concessão, os empresários que resolvem explorar aquele negócio dêm em troca um espaço. Pode ser até pequeno para não prejudicar, tipo de 5% do tempo para produção local. Isto seria fazer valer a lei. A Constituição diz isso. Uma questão que foi abandonada e foi uma decepção para mim é que a rádio Educativa, que é do governo e do povo, teria a obrigação constitucional de dar o crédito não só dos cantores, mas dos compositores também. Isso sim seria fazer política cultural. Para que o compositor não seja um eterno desconhecido. E para completar falta o principal. Que é a atitude do nosso público. Falta nível cultural e mental para que as pessoas em vez de reclamar da programação nos barzinhos, façam valer o direito de consumidor. Ligar para a rádio ou mandar e-mail para as rádios e fazer acontecer o feedback, que é o que faz a Globo matar o personagem em determinado ponto da novela. É a hora de falar: “Escuta, por que a Rádio não toca a música de MS?”. Fazer valer a outra ponta. Sem isso não tem Kit, benção divina ou maldição dos infernos que irá alterar este cenário.

Por que não se forma um mercado regional em MS? O que parece é que a nossa fronteira com São Paulo é invisível. Deixam que os paulistas tratem dele. Por que Três Lagoas não é tratada como Corumbá? Sendo que está ao lado de São Paulo e teria uma força grande?
Falta de visão estratégica dos envolvidos. Autoridades da área cultural também. Sempre faltou um clique. Os artistas populares também não planejam. Pensam em shows e discos para teatros. Isso a grosso modo. O repertório é voltado para platéias que não existem nem aqui em Campo Grande. E se não querem fazer shows para cá para que morar aqui. Tem que ter uma estratégia que enfoque o estado em que você mora. Quem não faz concessões? O Chuck Berry sempre procurava agradar as platéias. Falta uma maturidade intelectual maior. Falta os músicos estudarem a sua profissão. Não só música, mas sobre a sua profissão. Ler histórias e biografias. Comparar experiências. Ter parâmetro. E isto não existe.

Dizem que o Trem do Pantanal vai voltar. O fato do Trem não poder chegar mais na sua estação original no centro de Campo Grande, metaforicamente, tem alguma relação com o momento atual que a cultura de MS passa?
As transformações que foram feitas no cenário e no entorno da estação ferroviária acabaram amputando uma boa parte uma boa parte da história de Campo Grande. Como artista e como cidadão não vejo lucro nisso e sim prejuízos. Eu viajo bastante e conheço lugares aqui e no Exterior que são valorizados em função da história que podem apresentar. Como Campo Grande cresceu em função do trem e da ferrovia você descaracterizar este cenário significa uma amputação de elementos históricos. Que seria impossível de acontecer em lugares que pessoas de Campo Grande vão visitar e babar e quando voltar criticar dizendo que “Campo Grande não tem nada. Eu fui a Amsterdã, em Veneza e como são maravilhosas”. Mas isso é uma ação nefasta que acontece em todo o Brasil e não só aqui. Primeiro se livra do passado em função de um futuro que não chegou e pagamos o preço do presente empobrecido. Não posso concordar com isso e nem ver lucro para gerações presentes e muito menos para as futuras.

* Parte desta matéria foi publicada no jornal O Estado de MS!

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Ricardo e Raphael
 

Muito bom achar um amigo da região por aqui, logo voltarei e deixarei o meu voto...te espero na minha pagina e de sua opinião sobre meu trabalho e vote se puder... obrigado

Ricardo e Raphael · Campo Grande, MS 30/3/2008 15:20
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crispinga
 

Salve mestre Paulinho Simões!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 30/3/2008 15:52
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Rodrigo Teixeira
 

Olá pessoal!

Agora posto a letra de SONHOS GUARANIS (Almir Sater/Paulo Simões)

Mato Grosso encerra em sua própria terra
Sonhos guaranis
Por campos e serras a história enterra uma só raiz
Que aflora nas emoções
E o tempo faz cicatriz
Em mil canções
Lembrando o que não se diz

Mato Grosso espera esquecer quisera
O som dos fuzis
Se não fosse a guerra
Quem sabe hoje era um outro país
Amante das tradições de que me fiz aprendiz
Em mil paixões sabendo morrer feliz

E cego é o coração que trai
Aquela voz primeira que de dentro sai
E as vezes me deixa assim ao
Revelar que eu vim da fronteira onde
O Brasil foi Paraguai

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 31/3/2008 13:58
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Rodrigo Teixeira
 

Olá pessoal!

Posto abaixo a letra de TREM DO PANTANAL (Paulo Simões/Geraldo Roca)

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
As estrelas do cruzeiro fazem um sinal
De que este é o melhor caminho
Pra quem é como eu, mais um fugitivo da guerra

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
O povo lá em casa espera que eu mande um postal
Dizendo que eu estou muito bem vivo
Rumo a Santa Cruz de La Sierra

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
Só meu coração esta batendo desigual
Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da terra
Rumo a Santa Cruz de La Sierra

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 31/3/2008 15:09
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Rangel Castilho
 

Salve, Rodrigo!

Salve, Paulo Simões!
Muito lhe devemos!
Consciência crítica de nossa cultura e ativo membro.
Muito há que se fazer mas teu nome está escrito na história
ainda nova de nosso Estado Pantanal...

Parabéns, Rodrigo.
Belíssima matéria!

Rangel Castilho · Anastácio, MS 2/4/2008 21:45
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Gisele Colombo
 

Muito legal a matéria Rodrigo! Resgatar a história e situar quem lê sobre o contexto cultural daquele tempo é fundamental para iniciar uma visão crítica do que foi produzido e ainda é possível produzir. Trocar experiências com as outras gerações dá uma nova vitalidade e norte para as novas gerações. Parabéns! Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 2/4/2008 22:46
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zecadotrombone
 

Aprender sempre mais é sempre um prazer e mais ainda quando entrevistador e entrevistado são ícones da cultura sul-mato-grossense.

zecadotrombone · Fortaleza, CE 3/4/2008 11:37
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Patipetista
 

Adoro história...
Beleza de texto Rodrigo !

Patipetista · Taboão da Serra, SP 5/4/2008 01:22
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Tânia Brito
 

Parabéns Rodrigo! Tinha lido já no Estado, mas vim ler na íntegra aqui. Votadíssimo!

Tânia Brito · Campo Grande, MS 21/4/2008 20:23
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Patricia Nascimento
 

excelente entrevista! parabens

Patricia Nascimento · França , WW 18/8/2009 21:15
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Primeira apresentação ao vivo de Paulinho zoom
Primeira apresentação ao vivo de Paulinho
Simoes com a sua calça lisérgica no início dos anos 70 zoom
Simoes com a sua calça lisérgica no início dos anos 70
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Simões (meio) com Miguelito e Geraldo Roca (com instrumento)
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Almir Sater, Paulo Simões e Zé Gomes embarcando para a Comitiva Pantaneira
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