Mais que uma banda, o Pedubreu já virou filosofia de vida para nove rapazes da Grande Natal. Na zona rural de São Gonçalo do Amarante, RN, lugar com profundas tradições populares, a música brota das mãos de lavradores, operários, rendeiras e lavadeiras. Gente que nunca estudou em academia, gente que sabe o dia certo de plantar feijão e milho, filhos que aprenderam com os pais, pais que aprenderam com os avós e assim já se passaram 200 anos... Chegou a hora desses mesmos filhos passarem adiante o que aprenderam com os mestres do boi de Reis, do bambelô e do congo (manifestações da cultura popular).
A tarefa não é fácil: distrair a atenção de quem está vidrado na tal comunicação globalizada não é pra qualquer um. E ainda convencer o cidadão que ‘aquilo’ é o que há de mais legítimo em sua natureza. Talvez seja essa a missão subliminar que motiva a banda-ong-ponto de cultura do Ministério da Cultura a buscar a consolidação de uma cena com luz própria, capaz de mover uma cidade em nome do experimento antropofágico — no melhor sentido da expressão!
Ponto de Cultura
Núcleo formado por Gláucio Câmara (voz e letras, arte educador), Nego DLasonga (DJ, percussionista nas horas vagas), Paulinho Menezes (percussão, professor de música), Dinei Teixeira (percussão, voz e funcionário de um restaurante), Didi Torquato (violão e mecânico), Kiko Moska (guitarra e professor de artes em escola pública), Adeildo Palhares (baixista e autônomo — grava CD, DVD etc. em casa), Domingos (bateria) e Zé da Rabeca (professor de rabeca), o Pedubreu segue cheio de planos para 2006.
Agora, na condição de Ponto de Cultura do MinC — através da ONG Núcleo de Arte, Cultura e Educação Popular — e prestes a receber a primeira remessa de verba federal, o grupo se prepara para gravar seu primeiro CD Pé no Breu, pé no mundo. “Nosso trabalho tem despertado o interesse da comunidade, as pessoas querem saber que som é esse. Por outro lado, enquanto entidade, vamos identificar cada manifestação, cadastrar artistas populares e traçar um mapa genealógico da nossa cultura”, adianta Gláucio Câmara, 24, porta voz da turma e atual presidente da ONG.
Mesmo sem um apoio sistemático do poder público municipal, o Pedubreu segue firme com o movimento. “A próxima barreira que precisamos diminuir é esse estigma regional. Nossa música pode ser apreciada por qualquer público, em qualquer lugar. Queremos abrir espaço, tocar na noite de Natal, mostrar a cara... Ainda mais agora com o CD [previsão de lançamento no segundo semestre] na mão”, planeja.
Fusão rural x urbano
As misturas de hip hop, reggae e rock com bambelô, capoeira, congo e coco de embolada não são aleatórias. Gláucio é sobrinho do mestre de bambelô Sérvulo Teixeira, e neto do mestre de congo Lucas Teixeira, de 92 anos. “A região descende de quilombolas, e meu avô já ‘brincava’ com o pai dele”, lembrou. Outro que também tem os dois pés fincados na tradição é o endiabrado rabequeiro Zé da Rabeca. Do alto de seus 20 e poucos anos, Josenilson deve receber vibrações de seu tio, o saudoso mestre Manoel Marinheiro do Boi de Reis de Felipe Camarão (bairro da zona oeste de Natal) — o trabalho de Marinheiro foi considerado obra prima do patrimônio imaterial pelo MinC.
Em tempo: o nome Pedubreu foi inspirado no mestre de boi de Reis Pedro Guajirú, já falecido, e na localidade Breu, ponto de encontro para ‘brincantes’ de folguedos populares. “Juntamos Pedro, que é um nome forte, sólido, e Breu, que traz toda a mística que paira até hoje no lugar, desocupado há mais de 40 anos após uma enchente.
Apesar de os moradores terem cedido lugar às lavouras, até hoje o Breu é uma referência que instiga o imaginário das novas gerações”, explicou o vocalista. Além de música, a banda lança mão de elementos do cordel, do mamulengo, dos romances ibéricos de dona Militana (outra personalidade condecorada pelo MinC). “Chega de importar, queremos é exportar nossa cultura”, finaliza.
O Pedubreu representou a música do Rio Grande do Norte na Festa dos Estados, em Brasília, participou do Fórum Social Nordestino, em Recife, e foi o único grupo não natalense selecionado pelo festival Cosern Musical, evento que reuniu uma parcela significativa da música autoral potiguar em 2005. A banda também foi uma das atrações da festa que lançou o Overmundo em Natal, no último dia 10 de março (veja o vídeo aqui).
Maravilha. É disso que a gente precisa. Descascar a cultura.
Mas aê! Põe MP3 pra gente conhecer o sommmmm.
Valeu!
Daniel, a banda ainda não tem nada gravado. Está previsto o lançamento do CD até julho. Vamos ver, te dou um toque!
abraço
Seria mais que um sonho, ter em todos os municípios do nosso RN um projeto não legal como o de vcs.
Sucesso e força sempre.
abração
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