Viajar pelo Brasil é interessante, sobretudo quando se atenta para peculiaridades dos povos e dos lugares deste nosso paÃs continental. A diversidade cultural é muito grande e salta aos olhos da gente, principalmente nas cidades do interior. Nelas é que as pessoas se relacionam amistosamente e até se mostram mais irreverentes e criativas, avessas à correria comum das cidades grandes que tanto nos enerva e nos torna indiferentes.
Pois foi viajando por aà que me deparei com umas bicicletas nada convencionais, como estas três que mostro aqui no Overmundo. A idéia de mostrá-las me ocorreu depois de conversas com ciclistas do interior, que têm opinião formada a respeito do estilo moderno adotado por certos ciclistas que a gente encontra nas grandes cidades, geralmente disputando espaços com veÃculos no trânsito infernal, claro, correndo riscos de se envolver em acidente.
Sabe-se que pedalar faz muito bem à saúde. Pena é a gente ver que nos tempos atuais a onda é usar bikes modernas, caras e nada confortáveis: selim finÃssimo de doer os ossos da bunda, guidom baixo para encurvar a coluna, além de uma infinidade de apetrechos que a indústria divulga promovendo moda para faturar.
Isto sem contar aquela frescura toda de capacete, luvas, roupas e sapatilhas especiais, entre outros produtos, indumentária que deixa o sujeito mais com cara de E.T. ou astronauta do que com cara de ciclista propriamente. Credo em cruz com tanto acessório! Não faz mesmo o estilo da gente interiorana.
Vejam só algumas magrelas nada comuns que encontrei andando por aÃ. Além da estilosa da foto do alto da página, mostro mais duas na coluna à direita, abaixo de um ciclista moderno e urbano retratado em pintura em óleo sobre tela, todo mochila, capacete, roupa pegajosa e velocidade. Incomoda?
Então. Que tal andar de magrela sem ficar naquela de segurar o equilÃbrio o tempo inteiro? Neste caso, refiro-me ao triciclo abaixo do ciclista modernoso e velocista. Além de estiloso e confortável, não é mesmo de chamar a atenção nas ruas?!
E que tal uma bike como a amarela, de duas rodas dianteiras e uma traseira? Neste caso, o guidom é um conjunto de manoplas na base do selim doidão; na verdade, uma verdadeira cadeira de "macarrão" ambulante. Bacana?!
Cá com meus botões, a partir do que aproveito das conversas com a gente simples e interiorana, penso que essa infinidade de produtos para os ciclistas não passa mesmo de jogada de marketing com disfarce de cuidados com segurança para quem é mesmo besta ou tem dinheiro a torrar. E concluo, matutando como a nossa gente simples: excêntrico não é só ser diferente, mas sobretudo criativo.
Hehehe, como diz um ex-professoor meu, eita mundo variado! Nunca reparei em tantas possibilidades ao gosto do freguês para um passeio de bicicleta.
Bela colaboração, Antonio.
Antônio, tenho estudado sobre a ampliação do léxico da LÃngua Portuguesa no Brasil e este texto veio a calhar. De onde suagiu este apelido "magrela" para as biciclteas?
Gostei das informações e das fotos. Texto supinpa!! Grande abraço.
Rapaz, eu fui mais com a cara daquela do alto da página. Onde você achou a magrelona estilosa? O texto pega a gente de jeito, prende do começo ao fim. Muito bom, Rezende.
Tom Damatta · AraguaÃna, TO 2/12/2007 01:16
Mundo variado e interessante, Romeu. Nas andanças por aà a gente percebe como a vida interiorana é fundamental para reflexões sobre a loucura dos dias atuais, em que o "senhor mercado" não só dita as modas para o consumo, mas impõe a nós um estilo de vida muito materialista. Uma lástima se considerarmos que o ser humano devia ser essencialmente espiritualista. Mundo variado mesmo, mas "mundo cão".
O termo magrela, Joana, deve ter surgido provavelmente no interior também (rsrs), que onde a gente simples costuma "filosofar" de forma bem brasileira a respeito das coisas. Povo muito urbano você sabe bem como é... muito mais dado a incorporar à linguagem os perniciosos termos estranjeiros. Gente da cidade costuma chamar bicicleta é de bike. Magrela ouve-se é no interior mesmo. Talvez porque as pessoas seja tipo o Suassuna, que diz que não troca o seu oxente pelo OK de ninguém. Legal saber de seu interesse sobre este aspecto da lÃngua. Também valorizo muito (e até incorporo aos meus textos) o uso dos termos populares.
Ora, meu caro Tom. Aquela magrelona estilosa da foto maior é exatamente a que eu queria ter trazido como lembrança da viagem para mim. Já imaginou o sucesso que faria pelas largas e ensoloradas ruas de Palmas? O texto pega? Que nada, você é que deve ser dado mesmo a leituras.
Cultura popular, gente. É isso aÃ!
Eu escrevi ESTRANJEIRO? Não acredito. Taà outro bom motivo para estudos na nossa lÃngua, Joana. Ques estragos não faz a troca de um G por um J "magrelo", hã? Ainda mais se "dito" para a leitura de colaboradores mais atentos.
Também tô envergonhado por não ter escrito seja em vez de sejam. E nem vou voltar a buscar mais vacilos no comentário anterior, nem neste aqui. A minha volta vergonhosa serve como lembrete de que o texto ainda está EM EDIÇÃO. Vê aÃ, moçada. Palavras são seres enganadooooores. Um abraço. Eita, Overmundão sem fronteiras!
Você tá lindo nessa bike estilosa. rsrs
Muio bacana o texto!
Olha a "entregação".
O sujeito da foto não sou eu, mas um irmão: minha própria aparição. Falo sério, Lúcia.
Já disse que invento e até aumento, mas não escondo nada.
Em tempo de debate sobre KARMA DO BEM e necessidade de edição, um abraço ao amigo Zema Ribeiro, de São LuÃs-Ma, que percebeu, no final do segundo parágrafo, isto:
"correndo riscos de se envolver em a acidente."
Algo mais?
Olá Rezende!
Escolho a segunda ... rsrsrs ... Mais fashion ... Apropriado pras meninas.
Beijos_Meus*
*
A escolha é sua, Lili. Gosto é coisa que a gente não discute mesmo, sobretudo quando se trata com meninas. Vocês são muitas vezes bem mais danadinhas que os meninos. Coisa da natureza humana, como esse papo de gosto e opinião que a gente tanto deve considerar, compreender e respeitar por aqui.
Pensa que não estou acompanhando tudo, é? rsrsrs Sou um sujeito ocupado, mas também gosto deste brinquedinho. Sim, Lili. Eu às vezes passo apressado, como se vivesse ao largo de tudo, mas por onde ando reparo.
Beijo.
Prezado Antonio,
li seu post sobre as magrelas. Você escolheu bem as palavras para descrever a maior sacada da bicicleta: o tempo disponÃvel (e a pequena interferência provocada) que se tem para observar os pormenores de lugares incrÃveis do nosso PaÃs, principalmente cidades do interior, enquanto se pedala. Não é à toa que o cicloturismo está crescendo e se popularizando.
Quanto a diversidade de bicicletas existentes, simples: cada uma tem sua utilização especÃfica: não tem como você praticar ciclismo de estrada (são aquelas bicicletas de selim fininho e duro que você diz que dói a bunda) com uma Custom como a da foto maior.
Outra coisa importante Antonio: segurança. É fundamental a utilização de capacete. É como dirigir sem cinto de segurança, ou surfar sem cordinha. Reveja a sua opinião sobre este item pois ela pode influenciar muita gente. Quanto as roupas de E.T., realmente são meio esquisitonas, mas como você falou de conforto no seu artigo, abro este parenteses (são extremamente confortáveis e funcionais para praticar MTB e / ou ciclismo). Para uma pedalada despretenciosa em volta do quarteirão não há problemas; pode-se ir até de calça comprida. Mas sempre de capacete!
Abrax.
Onde é que vc ia todo estiloso de bermudinha branca em cima dessa antigona? rsss.. Vamos, confesse!
Roberta Tum · Palmas, TO 5/12/2007 15:58
Muita peça rara pelo Brasil afora com as bicicretas mais loucas, que nunca ouviram falar de lowrider e batem de 100 a 0 nessa gringaiada metida a bonita.
Ah, quem gosta de saber coisas sobre esses veÃculos importantes e esquecidos, visitem http://demagrela.blogspot.com/ .
Abraço a todos!
Johnmagal...
No texto expus o que é o pensamento do povo interiorano sobre os modelos modernosos das magrelas mais consumidas atualmente nos grandes centros (uma tendência imposta pelo mercado?) e o estilo de grande parte dos ciclistas urbanos. Entendo seus toques sobre segurança, sobretudo em relação ao uso de capacete. Mas convém lembrar que, mesmo nas grandes cidades, o volume de ciclistas "comuns" é bem superior aos de "equipados".
Roberta...
O cara da foto é meu irmão, aquele que você conhece bem. rsrs. A magrela estilosa não é antigona. É bem atual e fabricada sob encomenda. Quer pedir uma pra pedalar faceira impressionando a galera em Taquaruçu? Achei a tal andando pelo Sul do PaÃs. Mas vi recentemente uma bem parecida, feita por um sujeito que reside em Palmas, na região das ARNO'S.
Psychojoanes...
Bacana você ter deixado aqui um link para mais sobre magrelas. Vou já dar uma espiada no blog.
Abraços!
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