Cenário: mesa de um padaria/ café. Em cima dela, um livro parece ter sido esquecido ou perdido. Nada disso. A cena é comum para os participantes da campanha Perca um Livro. Apesar do nome negativo, a idéia é libertar um exemplar para que ele encontre outros leitores, fazendo com que uma mesma obra seja lida por muitos. Para aplacar a curiosidade dos perdedores de livros, um site cadastra a obra através de um código e assim é possível rastreá-lo por onde passa e saber quantas pessoas estão aproveitando a leitura.
A idéia é antiga. Desde 2001, o bookcrossing organiza uma comunidade reunida para que os livros saiam das prateleiras e ganhem as ruas mundialmente. A rede virtual conta com 669.102 participantes e tem 4.734.614 livros catalogados. Agora a idéia chega ao Brasil, capitaneada por uma editora, a Zeis. A empresa deixou 150 exemplares do livro A Unidade dos Seis - O Herdeiro Especial por aí. Quem encontra um exemplar, acha uma etiqueta que orienta o sortudo a cadastrá-lo no site e indicar onde está.
Todavia, a iniciativa não é só uma ação de marketing. A pretensão é estimular a leitura no Brasil e fazer com que um mesmo livro seja lido por várias pessoas. Com os sites de relacionamento em alta no país, o boca-a-boca já conseguiu reunir mais de 1600 participantes na comunidade do Orkut.
Em Porto Alegre, Rita Marques, uma contadora baiana que mora há seis meses na cidade, conheceu o projeto e se engajou. Há um mês, perdeu o livro o Como comprar mais gastando menos, de Rafael Pascharelli, no banheiro feminino do shopping Praia de Belas. Até hoje quem achou não se manifestou na internet. "Até o momento, não obtive notícias dele. Não sei se foi encontrado ou se está 'morando' em algum achados e perdidos. Pode ser também que a pessoa que o encontrou não tenha acesso à internet ou simplesmente resolveu ficar com o livro e pronto", imagina Rita. Isso não a fez desistir. "Ainda não perdi outros, mas penso em perder, talvez algum com um título mais atraente."
Para participar, dê uma olhada na sua estante, escolha algumas obras que você já devorou e cadastre no site. O registro gera uma etiqueta com um código que permite o acompanhamento do volume e convida quem achá-lo a continuar a corrente. Os veteranos da prática recomendam que os livros sejam deixados em cafés, restaurantes, perto de livrarias, museus, teatros, cinemas, salas de aula, salas de espera ou bancos de parques.
Outra instituição que arregaçou as mangas e criou uma campanha própria foi a PUCRS. Com o professor e jornalista Vitor Necchi e os alunos de Relações Públicas, a faculdade pôs em prática o Leia e passe adiante. No saguão da unidade da Famecos, uma estante acolhe os exemplares (também vale levar as revistas) e coloca uma etiqueta identificando-o como parte da iniciativa. As publicações ficam disponíveis para o público que pode pegar qualquer um deles e levar pra casa.
Se quiser acompanhar o livro de Rita e torcer para que seja achado, vá ao site e digite o código pra rastreamento: 4D8ZBH2YMW2O1.
Pode ser uma... Inclusive um de meus livros de cabeceira foi achado. Sempre agradeço aos céus por ele ter vindo até a mim. De outra forma, acho que não nos encontraríamos.
Fui lendo e gostei. Complicava tentar devolver porque achei em um ônibus interestadual. Nem sei quem era o dono, em que ponto do caminho desceu, nem nada.
Só sei que ele estava sozinho no assento que eu ocuparia quando eu cheguei.
Não senti totalmente bem ficando com o livro, mas gostei muito dele. Ah! Fazer o que? Deixar com a empresa de transporte? Para ser procurado onde?
Isso faz tempo, tempo...e ainda “amo” aquele livro.
Boa sorte ao projeto! Tomara que muitas pessoasencontrem livros assim como eu encontrei e que possam se valer deles!
É, sem dúvida, um grande projeto.
Tem meu apoio! força e luz. Abraços
Certamento um belo projeto e uma idéia a ser adotada por todos que gostam de leitura e desejam que essa prática seja cada vez mais incentivada em nossa sociedade.
Abraço e parabéns
Projeto semelhante, de iniciativa de Sérgio Grigoletto, de Barra Bonita-SP, vc encontra aqui:
É por aí! Parabéns! :-)
Yara Tropea
Perder um livro intencionalmente é melhor que perdê-lo sem querer. Se for bom quem achou "ganha". Ganha porque ganhou um livro e tanto faz se ele foi "perdido" ou "achado", que deveria ser o nome de qualquer departamento de "Achado & Perdidos" que se preze. Afina se foi achado é porque alguem "perdeu", agora se foi "achado não roubado" - como diz o ditado. É lucro & sorte prá quem o encontrou. Parabéns pela iniciativa. Gostei e muito. MárioAlmeida.
Muito bom.
São estratégias como essa que precisamos para aumentarmos o número de leitores no Brasil.
Isso deve ser uma preocupação constante.
Perder um livro por uma boa causa.
Maravilhoso!
Maravilhosa a idéia. Tenho muitos livros que sempre quis passar adiante. Até pensei em doar a uma biblioteca. Mas lá iam ficar parados como aqui em casa. Acho que vou perdê-los todos!
ignis liberati · Porto Velho, RO 5/5/2008 02:19
Quando me deparei com a ideia (desculpem-me pela falta de acentos), achei fantastico. Com o espirito colaborativo agucado, todos podem ler mais e melhor. A ideia nao vale so pra livros, ne? Pode ser usada pra outras iniciativas colaborativas tb.
E parece que saber por onde o livro anda, da uma sensacao de dever cumprido que e maior que a "dor" pela perca do exemplar.
Fico feliz que gostaram.
Fatima, eu encontrei outras iniciativas do governo federal nesse sentido tb, mas nenhuma delas eu pude comprovar que realmente funcionava.
A moca que foi entrevistada ja perdeu outro livro. Eu trouxe os meus pra iniciativa da PUC. E achei um Nick Hornby maravilhoso e m outro que eu morria de vontade de ler: Malhacao do Judas Carioca. Alem de alguns exemplares da revista Piaui e a Vida Simples.
Bom poder perder livros, fonogramas, imagens, letras, por toda parte.
Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 5/5/2008 11:05
Menina, que idéia linda!
Amei!
Adoro essa idéia de desprendimento das "coisas", e se são livros, então.
Ai quem me dera a sorte benigna de achar um título dos meus sonhos, ou algo surpreendentemente bom.
Aliás, como "desapego" é uma das lições budistas que eu melhor sei seguir - desapego material, claro, que o espíritual é papo pra outros Karmas - com muita tranqüilidade e coragem.
Vou cadastar-me já!
Foi uma leitura maravailhosa, essa, como uma bela notícia numa manhã que acordou triste e opaca, e de repente se fez tarde apenas mornamente nublada.
Obrigada por essa dica-presente, já tenho até uma pequena "lista' de livros que posso "perder", por aí...
Um abração!
Oi Yara,
Voltei feliz e satisfeita para te dizer que já cadastrei o livro
que vou "perder", logo mais na Locadora, o código que vai estar colado no livro vai ser esse aqui STSE2G81GTNH47
Tenho certeza que a pessoa que me deu esse livro que vou "perder", está lá não sei onde, achando tudo muito bom e gostoso de fazer se ela ainda estivesse por essas bandas do universo.
Viva a leitura e a liberdade de poder se desprender e oferecer prazer da leitura à outro desconhecido semelhante.
Não sei se o link vai sair direitinho.
Vi um projeto semelhante na Itália, muito legal, parabéns!
Tonico · Rio de Janeiro, RJ 5/5/2008 17:10
Amei a idéia. Como faço para participar do projeto?
Beijos.
já perdi livro com bilhete dentro, mas nunca entrei em grupo nenhum, sou uma perdedora solo! adoro imaginar o livro circulando pelo mundo, mesmo que ele esteja parado na estante de quem o achou...
andrea dutra · Rio de Janeiro, RJ 6/5/2008 00:34Eu gosto do nome da campanha em inglês, que quer dizer "liberte um livro". "Perca um livro" ficou com conotação negativa mesmo. Aqui no Japão estava pensando em incentivar meus leitores a fazer o mesmo. Porém, esbarramos num problema: o japonês quando vê algo "perdido" não toca, de jeito nenhum. Pode ser, suposição nossa, que o livro fique no mesmo lugar pra sempre heheheheh. Mesmo, descobri gente da minha cidade na campanha. Só que os livros em japonês não me animaram a tentar achá-los.
Roberto Maxwell · Japão , WW 6/5/2008 01:36
Que beleza de texto!
Maravilhoso.
Parabéns!
Legal, estas ações deveriam continuar e se proliferar por todo o Brasil, não ocasionalmente, mas sempre.
andre.
Se deus quiser, hei de morrer sem encontrar um desses livros perdidos
Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 9/5/2008 13:41Na capital paranaense, as livrarias curitiba organizam atividade semelhante desde 2005. segundo dados da assessoria, já distribuíram mais de 3 mil livros pelo projeto "passe adiante".
Rafael Urban · Curitiba, PR 24/7/2008 22:07Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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