Queridos editores da Revista piauí*
Acabo de ler o texto de apresentação inserido no número zero da piauí. Devo dizer que a considero uma boa e honrada declaração de intenções que só serão melhores se e quando concretizadas. Por duas vezes, no entanto, o texto fala da perplexidade dos editores por terem escolhido este nome, piauí. Numa delas, falando em obscuridade, confessam não saberem o porque da escolha.
Para mim, no entanto, não há mistério nenhum na escolha que fizeram. Eu diria mesmo que nem tiveram escolha: verbalizado, o piauí se impôs a ponto de, já hoje, ser impossível pensar na revista com outro nome, inclusive porque todos os seus colaboradores têm, ou tiveram, ligações com o Estado mais Charmoso do Brasil.
Mas isso é apenas um mínimo detalhe. Na realidade o nome se justifica desde o primeiro parágrafo do texto “piauí vem aí”. Nele se diz que “falará de pessoas, da vida concreta das pessoas” tudo a ver (até as exceções, mas deixa pra lá) com o povo desta Terra Querida.
Acerca da promessa de “bastante coisa para ler e ver em piauí” aí temos outro bom indício de que o nome é mais do que adequado às declaradas intenções dos editores: a gente tem um mundo de coisas interessantíssimas, inéditas e surpreendentes para ler e ver no Piauí.
Mais do que tudo, no entanto, o que parece ter sido escrito por quem SABE POR QUE colocou este nome na revista é que “Ela dará importância ao que, por ignorado, é tido como insignificante. Tratará de achar novidade no que, por esquecido, parece velho e ultrapassado”. Não pode haver mais forte justificativa para essa revista chamar-se piauí!
Claro que sei que a revista não terá como tema exclusivo, nem prioritário, o Piauí. Mas no que depender de mim, terá nele um dos grandes fornecedores da sua matéria prima. Ainda que em lombo de jegue, a Terra Querida de tantos piauienses contribuirá muito para que piauí espelhe a bagunça nacional. Quem viver verá!
Beijos e abraços
Do
Joca Oeiras, o anjo andarilho
*Carta que escrevi aos editores de piauí quando recebi, de uma amiga, a propaganda que ela ganhou em Parati e me enviou por carta
Valeu joca Boa apresentação :D
gostei de ver...
precisamos mais de piauienses como você!
abraços...
Queridos amigos:
Como a maioria não teve acesso ao texto de apresentação de Piauí com o qual dialoguei no artigo acima trascrevo-o abaixo
piauí vem aí
piauí será uma revista para quem gosta de ler.Para quem gosta de histórias com começo, meio e fim. Como ainda não se inventou nada melhor do que gente (apesar de inúmeras exceções vide...deixa pra lá) a revista contará histórias de pessoas. De mulheres e homens de verdade. Ela pretende relatar como pessoas vivem, amam e trabalham, sofrem ou se divertem, como enfrentam problemas e como sonham. piauí partirá sempre da vida concreta.
A revista será mensal e terá um tamanho maior que o habitual.A periodicidade de quatro semanas permitirá que ela aprofunde os assuntos, em vez de resumí-los. E também que o acabamento,tanto na escrita como na apresentação gráfica , seja caprichado.O formato grande fará com que se encontre bastante coisa para ler e ver em piauí. Para que ele dure um mês na mão dos leitores.Para que as reportagens e narrativas terminem quando o assunto terminar, em vez de serem esprimidas porque o espaço acabou. O tamanho maior favorecerá a inventividade, possibilitará a publicação de imagens reveladoras sem perda de nuances e detalhes.
piauí não perderá de vista os temas atuais, mas não terá pressa em chegar primeiro às últimas notícias. Levará em conta, sempre, que a informação vem antes do comentário,que os fatos são mais importantes que as opiniões. Apurará com rigor e escreverá com clareza. Fugirá dos clichês e envidará todos os esforços para evitar expressões como “envidar todos os esforços”. Não terá restrições temáticas, políticas ou ideológicas. Preferirá a serenidade ao histrionismo. Cobrirá qualquer assunto que uma reportagem tornar interessante.Vale tudo, esporte,medicina,política, cultura, religião, urbanismo, televisão,turismo etc. Só não valem reportagens sobre celebridades instantâneas e déficit público.
Tentará explicar o que teima em ser obscuro (com uma exceção, a razão de piauí se chamar piauí, até porque não sabemos direito).Mostrará o enredo do que parecia ser desconexo e fragmentário. Fugirá do academicismo, da vulgaridade e do beletrismo.Tanto que, desde já, está proibido o uso das expressões “governança corporativa”.”tá ligado”, “home-theater”, “recursos não contabilizados”, “Roberto Justus” e “galera” a não ser como sobrenome. Ela dará importância ao que, por ignorado, é tido como insignificante. Tratará de achar novidades no que, por esquecido,parece velho ou ultrapassado. A revista não será sisuda nem chata. Sisudez não é sinônimo de seriedade.Uma coisa não tem nada a ver com a outra. piauí terá humor, graça.
Para dar conta das situações que estão além do poder da narrativa jornalística piauí publicará ficção. Na forma de contos, trechos de romances e histórias em quadrinhos.E também poemas.
Jornalistas, escritores, artistas gráficos, ensaistasa, críticos e humoristasde toas as idasdes buscarão expressar em piauí diferentes aspectos da vida nacional. A matéria prima será a bagunça brasileira.Ela terá comopano de fundo um período histórico de perplexidade geral. Numa situação como esta é melhor ser curioso e ir atrás do real, do que prescrever receitas infalíveis de salvação.Um pouco de dúvida e ceticismo não faz mal a ninguém – e a nenhuma revista.piauí não tem resposta para nada. Nem para quem pergunta por que ela se chama piauí.
piauí veio para ficar. Esta é a aposta.
Sim, a "bagunça brasileira" é o que nos torna ricos em diversidade, em cultura. E em se tratando do Piauí (nosso lindo estado, né não, Seu Joca?), a coisa fica ainda mais forte. Abraços, querido!
Rosa Magalhães · Teresina, PI 20/10/2006 19:08
Joca,
Resumindo, a revista será parecida com o "Overmundo teórico"... digo teórico porque aqui não existe um trabalho de um editor tradicional, daí acaba sendo publicado todo tipo de coisa...
Outra diferença é que a revista priorizará o Piauí e a produção artística desse estado, não?
Tem ainda a questão do público! Quem será o público-alvo? Qual será o seu número?
Qual é o objetivo da revista? Qual é a sua expectativa de impacto na vida das pessoas que lerem o periódico?
Eu achava que a Revista seria muito boa, mas sinceramente depois de ler os textos, eu particularmente não gostei. O melhor desta nova publicação são as ilustrações, porque o conteúdo em quase tudo que li, salvo algumas exceções é chato, ufanista e com informações que não condizem com a realidade da população brasileira. O nome da revista é ótimo, pena que o editorial muito bem escrito não tenha a ver com o resto da revista. Sinceramente, eu não achei a menor graça, não sei nem mesmo se era para ser engraçado, um texto em que o Coiote quer processar a ACME, por danos psicológicos e materiais. Ou logo no início algo sobre a primeira menina do mundo ou quando Ivan Lessa fala mal do Rio de Janeiro e exalta a tão querida Inglaterra, bom infelizmente nunca visitei o país, mas o Rio sim, há problemas claro, mas sua beleza e marco como ponto turístico é incontestável. A Danuza Leão se salva pelo texto bem escrito, mas o que esse G.G. faz para de tão importante que mereça o primeiro perfil escrito na revista. Agora é esperar a segunda edição para ver se minha opinião é recorrente.
marione · São Paulo, SP 9/11/2006 10:32
Essa é a razão, então?
“Ela dará importância ao que, por ignorado, é tido como insignificante. Tratará de achar novidade no que, por esquecido, parece velho e ultrapassado”.
Sendo assim, nós, da diáspora piauiense, desde aqui de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, dizemos:
Presente!
E futuro de mais glórias, agora públicas e inesquecíveis.
Querido Adroaldo:
Li seu perfil e devo dizer que me senti honrado com seu voto e comentário. Sugiro que dê uma olhada no "Portal do Sertão"(www.fnt.org.br), nosso sítio virtual (da Fundação Nogueira Tapety - FNT), como preferimos chamar.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
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