Confesso ter medo de afirmar: é o meu primeiro cd de Maria Bethânia.
Já tivemos vinis dela em casa.
Sua admiradora sempre.
Mas é o primeiro meu.
Não sei a razão. Não é por desgostar dela. Não é por falta de interesse.
Mas não acho ruim que tenha sido o primeiro.
Presente de Natal.
Pirata.
Pirata me impressionou já na capa e no encarte. São as primeiras coisas que analiso. Antes mesmo de ouvir o trabalho.
As duas coisas – a capa e o encarte – são das mais bonitas coisas que já vi em capas e encartes de cds.
As cores. O brilho. Um amarelo-ouro dizendo que aquilo é papel, mas é precioso. Que o que virá é som, é musica – preciosos.
Primeiro esmiuçar com o olhar. Viajar. Sonhar. Achar quase inacreditável tanta beleza. Tanta sutileza. Tanta criatividade. São desenhos. Transformados em bordados. Arte pura. Pura arte. Obra de arte. Obra-prima.
Coisa de se querer pendurar na parede. Leiloar jamais. Colecionar.
Mas é coisa de capa e encarte de cd.
Há que se passar adiante.
Chegar no que encerram.
Ali lembrei de Adriana Maciel que disse querer fazer um cd que fosse silêncio.
Mas que antagonismo. Mas que idiossincrasia. Mas que impossível.
No entanto, ela conseguiu.
O “Pirata” de Maria Bethânia também é silêncio.
É oração.
É para se contemplar.
Ouvir. Calar.
Ficar bobo.
Boquiaberto.
A música caminhando para a falta da necessidade dos instrumentos. E da sabedoria em utilizá-los sem exageros. A exatidão da medida exata. Apuro.
Um instrumento soberano a reinar: a voz.
A voz de uma mulher que, em comentário sem muito “embasamento teórico”, eu diria que vem fazendo ou sempre fez uma carreira única. Ímpar.
Uma carreira em que parece independer de mercado, de vendagem, de pressão. Ela grava e canta como se fosse para ninguém. Como se fosse pura despretensão.
Como se fosse apenas fertilidade.
Dá-se ao luxo de fazer recortes vários. Como se destemida fosse. Como destemida é.
Homenageia homens e deuses. Sagrado e profano. Céu e terra. Água e ar.
Água é o que reverencia desta vez. E ela deixando de ser incolor, insípida e inodora.
Poemas intercalados com canções, com cantigas de domínio público.
Poemas, canções e cantigas que fazem nossos pensamentos se intercalarem com nossa alma. E assim por diante - como ondas que não se levantam, de rios que passam calmos. Navegar é preciso....
Pirata.
O que rouba? O que leva de nós?
Waleska, o Overblog é destinado a reportagens e críticas de acontecimentos culturais, acho que essa colaboração seria melhor destinada ao Banco de Cultura, o receptáculo para produções originais.
Sugiro que você poste-a lá e em seguida apague essa aqui. Na ajuda você pode achar uma explicação mais detalhada sobre as funções de cada área do site. Abração!
Oi Fernando!! Permita-me não concordar com vc? :) Acho que a colaboração vale para o Overblog sim. Está num formato um pouco diferente do que a gente costuma ver por aqui, né? Mas não deixa de ser um artigo elogioso sobre a Bethânia, a capa do CD e tudo mais... Inclusive, achei o texto bacana. Não me incomodo que fique aqui no Overblog não, me pareceu uma reflexão válida sobre um produto da cultura brasileira, não acha?
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 10/1/2007 19:55
Meninos
Gostei da divergência....Eu não fiz de pronto o que o Fernando sugeriu porque não tive a certeza na hora...Resolvi pensar e me despir da capa da não aceitação de críticas ou sugestões. Respirei fundo e achei que era momento de exercer a humildade de acatar e não ser peremptória no sentido de descartar sem considerar. Mas não conseguia enxergar como eu estava fugindo à "crítica de um acontecimento cultural". Nisso o Thiago me ajudou. Eu sou jornalista. Cobri Cultura por um ano e tenho uma maneira realmente "um pouco diferente" de escrever. No começo de minha vida como jornalista isso foi um entrave. Depois passou a ser um diferencial respeitado pelos meus editores. O que quero dizer é que escreveria basicamente daquela forma se fosse para publicar em um meio especializado uma crítica sobre o cd de Bethânia. E considero o lançamento de um cd um acontecimento cultural. Embora o texto possa não estar concomitante a ele.
Meninos, é legal vcs comentarem nessa fase de edição, mas minha irmã Waleska é novata no overmundo. Será que faz tanta diferença assim o lugar em que o texto vai ficar? Ou o conteúdo é o que importa?
Ela está fazendo o que sabe fazer de melhor; escrever sobre cultura. Vamos deixar o texto respirar...
www.barbosarenan.blog.uol.com.br
Waleska, respondendo à sua pergunta no meu texto, sim, sou editor. Assim como você, a idéia das 48 horas na sala de edição é justamente para que qualquer um possa dar sugestões nas contribuições. Não existe uma idéia de autoridade no Overmundo, não como em outros meios, pelo menos, todos podemos dar opinião sobre tudo, inclusive sobre o próprio site (como você e seu irmão fizeram).
No caso desse texto, não tem como discordar com essa argumentação do Thiago, e com a sua também. De fato está no lugar certo, eu que viajei na maionese.
Agora, sobre o lugar certo impedir a apreciação do conteúdo, temos que pensar que o Overmundo tem essas divisões por um motivo simples: Organização. Fica muito mais simples pro usuário achar a informação que ele quer se ela estiver no lugar certo, não concorda? E acho que estando no contexto certo, um trabalho será melhor apreciado do que se perdido por aí.
A fila de edição não é apenas para comentar a respeito das contribuições em si, mas também a maneira como elas estão inseridas no site. O Overmundo é uma ferramenta, e temos que tirar o máximo de proveito dos recursos que ela nos oferece, mesmo que com algumas limitações.
Mas de qualquer maneira, parabéns pelo texto e bem vinda ao Overmundo!
Concordo com o Thiago: o texto pode, sim, estar no overblog. E Waleska, ele está ótimo. Você escreve com s sentidos.
Ilhandarilha · Vitória, ES 11/1/2007 18:42
Ilha (posso chamá-la assim? hahahah)
Obrigada por passar por aqui, dar o seu aval para o lugar em que postei o texto e, é claro, pelo elogio. Também andei passando por sua página e lendo alguns poemas - muito bons!
oi waleska, como você é nova por aqui, gostaria de sugerir (se ainda der tempo para você fazer as alterações) que você adicione algumas tags ao seu texto. As tags são palavras-chaves que são relacionadas ao que você escreveu e que facilita para as pessoas acharem a sua colaboração no Overmundo. abcs
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 12/1/2007 12:10
oi pessoal quero entrar na discussão se o post vale pro Overblog ou não, confesso que já fiz a besteira de postar uma matéria no Banco de cultura e que no final deveria ter ido para o OverBlog, fui lá no regulamento pra tirar as duvidas e vi que o Banco de Cultura é destinado a trabalhos próprios como contos, poesias, fotos ou até mp3....Então essa matéria deveria mesmo ser postada no Overblog...mas a discussão levantada pelo Fernando é válida! Gostei e Votei no texto! Legal!
Marcelo Candido Madeira · Rio de Janeiro, RJ 14/1/2007 15:16
Marcelo:
Obrigada pelo voto! E a discussão parece interminável...Acho que podemos tentar acertar o lugar, não...Tentativa/erro...
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