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Pixo, as marcas de SP

http:/www.fotolog.com/vandalismo_scs/
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André Maleronka · São Paulo, SP
10/4/2006 · 164 · 23
 

Quando me mudei pra São Paulo, em 82, eu era criança, e as paredes marcadas da cidade foram uma revelação. Os pixos pareciam coisas muito novas, inusitadas e fantásticas, incompreensíveis e sedutoras. Talvez por não ter acompanhado o assalto dos espaços públicos pelas tintas, nunca consegui concordar com o senso comum que classifica essa forma de expressão como puro vandalismo. Cheguei e já era. Essa prática vem das manifestações políticas dos anos (19)60, e foi mudando muito ao longo do tempo. Das palavras de ordem contra a ditadura até frases de efeito como “Celacanto provoca maremoto” (titulo de um episódio da sério National Kid), “Rendam-se terráqueos” e “Sou pipou”, que conquistaram territórios pelo nonsense no fim dos anos 70, chegamos ao estágio da identificação codificada, a divisão entre turmas com nomes e estilos de caligrafia próprios. Pelo menos foi aí que eu cheguei, em uma cidade lotada de propagandas legais e ilegais, que mudou muito e continua igual até hoje. Essa transição para as letras gigantescas e organizações em grupos tem ligação direta com a cultura hip hop estadunidense: entre outras entradas, na metade da década de 80 foi exibido nas salas de cinema daqui o filme “Beat Street” que, apesar de um roteiro água-com-açúcar, mostra claramente a organização dos grafiteiros.

A maneira como a opinião pública, via mídia e repressão policial, lida com esse fenômeno sempre me pareceu a pior possível. Nos anos 80, a equação tinta+muro foi reconhecida por artistas plásticos como o finado Alex Vallauri, que adotou a técnica de stencils (ou máscaras, moldes de desenhos ou frases para serem preenchidos por tinta) em seus trabalhos e usou muros como telas, abriu-se uma janela de aceitação. Na verdade, não foi bem uma janela, foi mais um filtro. Porque foi a partir daí que surgiu uma distinção que fez muito mal para os grafiteiros de São Paulo, a divisão entre o que é graffiti e o que é pixação. Reconhecidos como válidos graças a uma apreciação estética mais imediata, os graffitis, peças com ilustrações coloridas, foram eleitos a “evolução” ou “salvação” da pixação. O problema é que isto condicionou os traços de muita gente: o padrão estabelecido era o dos grafiteiros gringos, e a expressão genuinamente nacional foi deixada de lado por muitos.

O graffiti em Nova Iorque começa como marca territorial, e invade os trens de metrô, já que lá uma composição cruza vários pontos da cidade fora dos túneis, à vista de todos. Por aqui, a procura por “ibope” (fama) leva os pixadores brasileiros para o topo dos prédios. A escolha do látex no lugar das latas de spray (material mais barato e mais prático para as dimensões desejadas), aliado aos locais onde as grafias seriam colocadas definiu o estilo paulista. Tipos gigantescos, garranchos se adequando a ângulos retos, mensagens de agressão e comentários cotidianos que beiram os hai-kais. A luta por “picos” de difícil acesso e grande visibilidade, a demarcação de zonas em territórios e os encontros com trocas de assinaturas em cadernos e folhas, tudo bem abaixo dos radares da sociedade, é que constituíram esta história, uma forma de expressão viva e em mutação constante.

Em lojas do Centro apareceram artefatos dessa cultura, como vídeos amadores mostrando proezas (do alto de prédios até carros de polícia sendo assinados), e até os dois volumes do álbum de figurinhas “SóPixo”, editados pelas próprias grifes (nome dado as turmas de pixadores), com fotos de qualidade “familiar”. Subterrânea até hoje, aparece uma mudança nos horizontes. Há alguns anos os graffiteiros daqui começaram a incorporar as letras de pixo aos seus trampos, a razão eu desconheço.

A pixação foi tratada com propriedade em pelo menos dois trabalhos acadêmicos do curso de Sociologia da USP, as teses de Alexandre Manoel Ferreira (bibliografia desse texto) e de Lucas Frettin, na cadeira de Antropologia Visual. O trabalho de Lucas é um documentário excelente chamado "A Letra e o Muro", e foi realizado graças a uma bolsa no LISA (Laboratório de Imagem e Som da Antropologia). Ele começou sua pesquisa em 1999, atraído pela ”organização social dos pixadores em gangues e grifes além de pontos de encontro e festas de pichadores. Para a antropologia a pixação é um prato cheio, para a antropologia visual mais ainda, porque a organização social na pixação vem do seu aspecto visual. Fiz um trabalho de etnologia durante um ano, só depois comecei a filmar...”, conta ele. “Quando fui filmar, já conhecia o point, tinha feito rolês (sessões de pixação), fui parar na delegacia, já tinha uma idéia do que era pixação”.

Os traços originais impressionaram as platéias européias. “Já mostrei o documentário na França e na Espanha, e as pessoas ficam impressionadas com o estilo gráfico, que é unico. A pixação de São Paulo é muito original, única no mundo, totalmente diferente das pixações (tags) da Europa, inspirados no estilo Americano”.

Recentemente a Editora do Bispo, nova no mercado, lançou o livro TTTSSS. Trata-se de um livro baseado em um caderno com várias assinaturas de diferentes grifes. O volume de autoria desconhecida caiu nas mãos do grafiteiro Boleta em 1988, que seguiu coletando assinaturas singulares por 9 anos. O livro combina as assinaturas com alfabetos inteiros nas fontes originais, fotos de João Wainer e textos dele, de Pinky Wainer e do jornalista Xico Sá. Se isso vai de alguma maneira abrir as portas (e os olhos) dos descolados para o fenômeno, eu também não sei. Que as grafias vêm sendo cada vez mais incorporadas ao design, isso é certo.

Mas o espírito transgressor inerente à atividade é completamente avesso à legalidade. Um bom paradoxo. Outra entrada pela porta da frente pode ser o novo projeto de Lucas: “Atualmente estou realizando um segundo documentário sobre o mesmo assunto, que deve estar pronto esse ano. Fiz duas filmagens, uma em julho de 2004 e outra em dezembro 2005. Diferente de "A Letra e o Muro", este novo filme retrata a vida de um pixador em seu cotidiano, além de outros personagens ligados à pixação, mas que têm outro ponto de vista, como proprietários, juizes, urbanistas e artistas. Terá duração de 80 minutos”. Fiquemos no aguardo.

Você pode assistir ao documentário "A Letra e o Muro no LISA", dentro da USP, nos seguintes horários: 2ª e 4ª das 9:30 as 19:30, 3ª 5ª e 6ª das 9:30 as 16:30. Marcar sessão através do e-mail lisa@usp.br.

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capileh charbel
 

foi minha promeira "impressao" de Sao Paulo, as pixaçoes.Nos anos 80, é a imagem que ficou .

capileh charbel · São Paulo, SP 10/4/2006 16:20
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Guilherme Mattoso
 

muito legal a matéria, mas... não sei se em são paulo as pixações são mais poéticas, mas aqui no rio deixam as já poluídas paisagens ainda mais porcas. qdo era criança eu me amarrava, hj acho imundo. a questào que fica é: pixação não é legal, mas essas intervençòes urbanas são... qual é a diferença!?

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 11/4/2006 13:36
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Löis Lancaster
 

Eu acho vistosas e bonitas as pichações. A meu ver, talvez por acaso, elas tenham surgido após a antiga estética de prédios com afrescos, sancas e grades art-nouveau ter desaparecido - surgido para ocupar seu lugar.

O minimalismo nas construções, eco das transformações de bauhaus e quejandos, pra mim é uma fecal porcaria.

Fachada de prédio é pra você se perder nos detalhes olhando. E já que somos preguiçosos pra continuar fazendo coisas bonitas (que portanto só sobrevivem quando as tombamos), que as pichações venham preencher nossa ânsia de detalhes visuais.

Antes elas que propaganda política e outras propagandas, isso sim está arruinando nossas paisagens urbanas cada vez mais.

Löis Lancaster · Rio de Janeiro, RJ 12/4/2006 01:51
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Psychojoanes
 

Gostei da matéria, mas está havendo uma glamourização da pixação nos últimos tempos por aqui.

Fizeram um livro que custa quase R$100,00 que nem mesmo os pixadores ali retratados puderam comprar...

Psychojoanes · São Domingos do Prata, MG 12/4/2006 05:05
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lore
 

Muito já foi falado e muito foi escrito sobre graffiti e pixações como transgressão e subversão dos espaços públicos e blah blah blah, muitos livros já foram publicados e documentários realizados. Não há nada de novo.
Como a publicidade, estas intervenções são praticamente todas impostas. Ninguém escolheu onde e como. A não ser quem as executa e as patrocina.
Confesso: eu curto um bom graffiti: aqueles gigantes coloridos maravilhosos que aparecem nos lugares mais abandonados e esquálidos...curto mesmo. Mas qual o mérito de transformar o espaço publico em campo de batalha? Qual a grande excitação de ver que a assinatura de X conseguiu chegar mais alto do que a assinatura de Y?
Sinceramente: foda-se. Alias foda-se a publicidade e foda-se as assinaturas de fulano e beltrano.
Quer ser criativo? Faca alguma coisa diferente: deixe os muros em paz.

lore · São Carlos, SP 12/4/2006 10:12
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Sergio Rosa
 

Para nós, que estamos de fora, o sentimento em relação a pixação é esse mesmo, lore. Aquilo ali só faz sentido para quem faz parte de uma gangue, para quem reconhece a escrita. É uma coisa que começa em colégio... aquilo de ficar rabiscando o caderno durante a aula, inventando letras e formas. E algumas vezes é o primeiro passo do pichador que vai virar grafiteiro (essa diferenciacao é questionada inclusive por eles mesmos). Apesar do desenho ser bem diferentes, eles estao ligados.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 12/4/2006 13:48
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Sergio Rosa
 

"Apesar dos desenhos serem bem diferentes, eles estao ligados."

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 12/4/2006 13:50
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André Maleronka
 

salve a todos, fico muito feliz que o texto tenha gerado conversa, estamos aqui pra isso, né? pessoalmente, eu acho os pixos muito bonitos de se ver, por isso fiz a matéria. não gostaria de glamurizar nada, nem colocar como coisa revolucionária, reação, nada disso, só acho legal de se olhar e sei que é original da cidade onde eu vivo. o livro é legal sim, e realmente não foi feito pros pixadores, eles têm coisa melhor: os seus cadernos com pixos dos outros, cada um deles totalmente pessoal, como o reproduzido no livro. até, abs

André Maleronka · São Paulo, SP 13/4/2006 16:55
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lore
 


A materia e' bem escrita e bastante informativa e provavelmente muitos apreciam livros e artigos sobre o assunto ainda mas....
Original da cidade onde voce mora?
Como assim?

lore · São Carlos, SP 18/4/2006 17:32
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André Maleronka
 

valeu lore. o estilo de pixo feito em spé único,nascido e desenvolvido aqui, era isso que eu tava querendo dizer, ok? abs

André Maleronka · São Paulo, SP 18/4/2006 17:40
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Rica P
 

Bem legal, Andre. Você conhece o livro A Poesia do Acaso da Cristina Fonseca? É sensacional, mostra o 1o momento do pixo/graffiti em SP, muito mais relacionado ao verbal. Figuras como Tadeu Jungle, Walter Silveira...sabia que até gente como Paulo Leminski, Alice Ruiz e Fernando Meirelles deram seus rolês nesse tempo? saudações, Rica P

Rica P · São Paulo, SP 24/4/2006 00:51
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André Maleronka
 

uou rica salve! relamente não tinha lembrado desse livro não, mas eu sei qual é sim! tive umas aulas de roteiro com a cristina, ela me mostrou mas eu nunca achei pra comprar! é legal o lance, um lado mais culto da parada.boa lembrança, valeu mesmo! abs

André Maleronka · São Paulo, SP 25/4/2006 22:49
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Vânia Medeiros
 

André, achei belíssimo seu texto.

Aqui na minha cidade, Salvador, ocorre um fenômeno estranho: a prefeitura "contratou" alguns grupos de grafiteiros da cidade pra fazer grafitte "da prefeitura", voltada para temas sociais, com a marquinha "Salvador: prefeitura de participação popular", slogan da gestão de João henrique, atual prefeito, do lado...

enfim, é um bom tem apra se discutir, não?

Abraço!

Vânia Medeiros · Salvador, BA 29/4/2006 13:11
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André Maleronka
 

salve vânia, muito obrigado mesmo. aqui em sp rola isso de tempos em tempos, atualmente se não me engano liberaram os tapumes de obras do metrô pra grafiteiros contratados. como eu disse, eu me divirto mais vendo as pixações mesmo, questão de gosto mesmo. você anima de escrever um texto pro overmundo a respeito desse lance na sua cidade? acho que dá caldo!!!!

André Maleronka · São Paulo, SP 30/4/2006 14:23
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Vânia Medeiros
 

Animo sim, André!
Em breve estará lá no espaço da Bahia o texto.
Eu, particularmente também prefiro o grafite de expressão "livre", esse negócio com a prefeirura me deixa um pouco encucada...

mas enfim, aguarde o texto.

Abraço!

Vânia Medeiros · Salvador, BA 1/5/2006 16:28
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Fots->M/\GÚ->Z/L
 

A pixação é a manifestação artística mais antiga da humanidade, antes mesmo de existir tinta em spray o ser humano já rabiscava as paredes, das cavernas, pirâmides etc...

http://fotolog.terra.com.br/propagandista

Magú

Fots->M/\GÚ->Z/L · São Paulo, SP 3/5/2006 12:21
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Sergio Rosa
 

Aqui em BH a prefeitura se aproximou bastante do grafiteiro. Tem até um projeto bem grande aqui chamado Guernica (breve uma matéria no Overmundo sobre o projeto) que é uma parceria entre grafiteiros e a PBH.
Acho que isso deixa as coisas meio confusas. Porque o graffiti (assim como a pichação ainda é) não era uma coisa de guetos, subversão, clandestina... Será que muda alguma coisa quando ela é absorvida pela "ordem geral"?

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 5/5/2006 19:33
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André Maleronka
 

sérgio, realmente não sei. quando solicitei a foto pra ilustrar a matéria pra um pixador (o crédito é o endereço do flog dele), ele leu a matéria e disse que muita gente discordaria do que está colocado aqui. acho interessante o lance aventureiro, é perigoso, intriga quem é de fora do lance, como eu. eu tentei escrever sobre um outro lado, porque aprecio o resultado, e por enquanto isso é o máximo que consigo. falando nisso, alguém assistiu uma matéria sobre pixadores no fantástico de ontem? perdi e gostaria de saber o que rolou. até!!!

André Maleronka · São Paulo, SP 8/5/2006 14:09
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xepah
 

lokoooooooo! não vou nem comentar o texto porque foi rima perfeita. no mais, cê já viu a versão em dvd do wild style? tem um extra em que o filme roda todo de novo, do começo ao fim, só que tendo mixado no aúdio um monte de comentários do diretor e do doidão que produziu a parada e fez o papel de agitador do movimento (esqueci o nome). cara, informações preciosas sobre quem era quem na real (todo mundo que participa do filme estava na cena mesmo, etc.). se não viste, vamo combinar de fazer essa balada aqui em goma mesmo, porque eu sei onde tem o material.

xepah · São Caetano do Sul, SP 5/7/2006 02:05
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Israel Barros
 

Eu escrevi um texto que questiona a invasão espaço publico pela publicidade contrariamente as expressões artisticas, de um'olhada : marca mundi

Israel Barros · Campo Grande, MS 11/11/2006 12:50
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BL_sgcrew
 

invasão de espaço publico?
o nome ja diz espaço publico cada pessoa pod transitar onde bem entender se eh publico..
dizem q a pixação eh vandalismo?
Eh vandanlismo isso eh sim ,mais depende do seu modo de vista q se ve a pixação, eh tbm um ato contra o governo q naum melhora nunca ,e se eles estão achando a pixação um escandalo começem a mover o dinheiro q os politicos tanto robam, pq vc sabe a tinta ta cara eo custo de empreitas tbm são caros. quem sabe com isso naum rola uma movimentção de verba para pintar oq foi pixado ?

BL_sgcrew · Joinville, SC 31/1/2007 21:27
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Caru Albuquerque
 

Para estar na Edito do Bispo é porque já está na descolândia...

Caru Albuquerque · São Paulo, SP 5/7/2008 22:08
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malditosbio
 

salve salve...po cara esse foi um dos melhores textos sobre pixação que eu ja vi....parabens ....
sou pixador desde 1992...hoje tenho 33 anos 3 filhos e ainda saiu para pixar de vez enquando...vicio inexplicavel......só quem é sabe a magia existente .....
quem quiser saber mais sobre a historia da minha gang(malditos) vou deixar aqui um link com minha entrevista feita por um site de pixação....
http://entrevistastumulos.blogspot.com/2009/06/malditos-entrevista.html
esta ai varias historias da gang desde 1992 até os dias de hoje....
abraço a todos os que respeitam....
malditos bio

malditosbio · Santo André, SP 15/12/2009 23:43
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