Quando o nada é bem muito
Grupo Carmin (RN) volta ao Ceará com “Pobres de Marré” na seqüência do II Festival BNB das Artes Cênicas
Há muito o teatro vem rezando pela cartilha de que o menos é sempre mais. São muitos os encenadores responsáveis pelos movimentos de ruptura da chamada cena contemporânea que pregam uma experimentação mais simples, coesa, ancorada num mínimo de elementos.
“Pobres de Marré”, montagem inaugural do Grupo Carmin, de Natal (RN), aposta na economia como matriz criativa. Com direção de Henrique Fontes, também responsável pela composição dramatúrgica do espetáculo, “Pobres de Marré” flagra o cotidiano dos moradores de rua do afamado Bairro da Ribeira, região onde estão localizados os principais teatros da capital potiguar. A partir de um intenso processo de pesquisa nas ruas, as atrizes Titina Medeiros e Quitéria Kelly desenvolveram as partituras e os enredos de seus personagens: as emblemáticas Maria e Dasdô.
Cena naturalista
A princípio, “Pobres de Marré” — até mesmo por uma sugestão do próprio título — parece apontar ou aguçar uma discussão com viés mais social, político, sobre a condição de exclusão que acompanha a rotina dos moradores de rua. Destaque na última edição do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, a peça, no entanto, é o convite ao despertar dos afetos. Em meio ao nada absoluto de seus cotidianos, Maria e Dasdô passam a figurar como alicerces mútuos de suas vidas.
Simples, mas extremamente arrojado no que diz respeito à performance de suas intérpretes, “Pobres de Marré” transforma olhares na medida em que universaliza as tensões dos convívios não programados, mas absolutamente essenciais. Maria e Dasdô são o que são enquanto encontro. Sozinhas, perdem sentido, se esvaem. É justamente aí, no convite ao encontro, que “Pobres de Marré” fisga seus públicos.
Magela Lima
Repórter
confirmado ! assisti tb é muito muito bom, inteligente, dramático, cômico ... enfim parabéns ! Precisa viajar e divulgar esse trabalho !
matyeu · França , WW 23/5/2009 20:37Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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