POESIA BLUMENAUENSE: DUAS POSSÃVEIS LEITURAS

Lindolf Bell e José Endoença Martins
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Labes, Marcelo · Blumenau, SC
10/4/2007 · 189 · 20
 

INTRODUÇÃO AO PROBLEMA

A literatura blumenauense, segundo o professor e escritor José Endoença Martins, pode ser dividida basicamente em duas vertentes. Sendo Blumenau um espaço-tempo devidamente delineado pela história e pela geografia, podemos já falar de, nessa mesma Blumenau, duas visões antagônicas: Blumenalva e Nauemblu.

Foi o nacionalismo forçado de Getúlio Vargas (a partir de 1930) que estagnou a criação literária blumenauense. Levando em conta que os colonos até então compunham em alemão por ser a única língua que conheciam, o silenciamento passou para além do lingüístico e tornou-se efetivamente cultural. Quando, porém, foi retomada a liberdade de cantar a terra e seu povo, Blumenau entrou num círculo vicioso de enaltecimento de si própria que demorou trinta anos para ser alcançado e ultrapassado, por assim dizer.

Lindolf Bell, poeta morador do vale que adotou Blumenau como moradia e musa, é o criador do termo Blumenalva. Para a poesia — e os poetas — dos anos de 1960, Blumenau era a musa inancalçável, dotada de pura beleza. O próprio termo Blumenalva sugere a visão teutônica de pureza, limpeza e riqueza percebida pelos olhos do blumenauense.

Nasci onde geografia se faz de sentimento
Lindolf Bell in O Código das Ãguas

Somente depois de trinta anos, ou seja, a partir da década de 1990, é que a poesia Blumenalva passa a ter uma corrente interlocutora e opositora: a chamada Nauemblu. Enquanto para os poetas sessentistas, a cidade e sua geografia (os vales, o verde, o germanismo e o rio) eram o principal tema de suas composições, para os escritores da corrente experimentalista da década de 1990, estes já eram temas ultrapassados. O enaltecimento de uma cidade localizada estaticamente no Vale do Itajaí deixava de fazer sentido para estes poetas que conseguiam observar além do vale e puderam perceber as fortes mudanças que a História lhes exigia: somente durante o século XX foram duas guerras mundiais, a polarização EUA x URSS, a globalização, as ditaduras militares latinas, entre tantos outros fatos relevantes que se fizeram perceber fora dos muros desta cidade.


O PROBLEMA

A análise que me disponho a fazer tem um ponto de partida pessoal e coletivo: Blumenau é uma cidade operária (isso, em si, já riquíssimo de significado) que tem de conviver com o trauma de não estar localizada na Europa, mas no Brasil, um país dito em desenvolvimento e com déficits em praticamente todas as áreas públicas.

Para efetuar minha análise, contemplarei dois autores. Lindolf Bell e José Endoença Martins são polarmente opostos. Primeiramente, por pertencerem a momentos históricos distintos; depois, por terem opiniões adversas a respeito do papel da poesia e sua relação com o meio onde é composta — a poesia de Bell enaltece a cidade, suas tradições e seus respectivos traumas teuto-brasileiros, enquanto a poesia de Martins critica a atuação pseudo-germânica dos habitantes da cidade, chamando sua atenção para a realidade não-romântica, para o mundo real que a cerca, para além dos morros que compõem o Vale do Itajaí.

A poesia belliana, conforme a análise que proponho, é a poesia do sonho e pode ser interpretada como a genuinamente blumenauense, pois apesar da realidade que a cerca e dela exige mais realidade, continua imersa em nuvens brancas:

"Se me quereis longe da paixão:
tirai o cavalo da chuva

Pois menor que meu sonho
Não posso ser."

Lindolf Bell, Poema do Andarilho in O Código das Ãguas.

Já a poesia que se contrapõe à pseudo-realidade de Lindolf Bell é a poesia não do sonho, mas da insônia, da angústia cotidiana, do humor azedo de uma segunda-feira de manhã:

"Nesta cidade
de vampiros
um espirro
é mais que um susto.
Acorda-se
sobressaltado
dorme-se
com muito custo."

José Endoença Martins in Poelítica

Enquanto a poesia de Bell exalta o sonho, Endoença mostra-nos com que dificuldade se dorme, onde “um espirro é mais que um sustoâ€. Já o refrão “menor que meu sonho não posso serâ€, que foi eleito o refrão poético da cidade, aparece onde couber nos espaços públicos. Endoença não aparece em lugar nenhum. Dos poucos que o conhecem de nome, menos ainda são os que o lêem.

Parece-me que “numa cidade de ritos combalidosâ€, onde as pessoas têm os “olhos em enxaimel†(Endoença), acordar de fato para uma realidade dolorida e penosa — que, afinal, é a realidade da realidade dos fatos — é, pelo menos, uma tentativa de crime contra o sonho. O sonho que, por aqui, é uma das únicas saídas ainda, deve ser preservado antes de tudo, através principalmente de sua arte inerte, de suas discussões inexistentes e de sua poesia sonâmbula, que escreve dormindo e não pode ser acordada.

Quem souber e puder, que faça diferente.





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Felipe Obrer
 

Labes, mesmo morando em Santa Catarina há quase 15 anos, não conhecia (nem de nome) o José Endoença Martins. Já o Lindolf Bell é bem divulgado aqui em Floripa, dando nome até a uma sala de exposições no CIC (Centro Integrado de Cultura), que deves conhecer. Gostei do texto.

Sugestões de edição (transcrevo os trechos com as sugestões incorporadas):


Sendo Blumenau um espaço-tempo devidamente delineado pela história e pela geografia, podemos já falar de, nessa mesma Blumenau, duas visões antagônicas: Blumenalva e Nauemblu.
[Supressão da preposição "de" no trecho "...Blumenau, duas visões...", para evitar a repetição]

"Nasci onde geografia se faz de sentimento"
Lindolf Bell in O Código das Ãguas
[Aspas na citação]

A análise que me disponho a fazer tem um ponto de partida pessoal e coletivo: Blumenau é uma cidade operária (isso, em si, já riquíssimo de significado) que tem de conviver com o trauma de não estar localizada na Europa, mas no Brasil, um país dito em desenvolvimento e com déficits em praticamente todas as áreas públicas.
[Supressão de "a" em "A análise que me disponho a fazer...", também para evitar repetição desnecessária]

"Se me quereis longe da paixão:
tirai o cavalo da chuva

Pois menor que meu sonho
Não posso ser."

Lindolf Bell, Poema do Andarilho in O Código das Ãguas.
[Aspas na citação]

"Nesta cidade
de vampiros
um espirro
é mais que um susto.
Acorda-se
sobressaltado
dorme-se
com muito custo."

José Endoença Martins in Poelítica
[Aspas na citação também]

Proponho que faças a comparação e acates o que te parecer adequado.

Um abraço,

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 7/4/2007 15:48
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Labes, Marcelo
 

Felipe, muito obrigado! Fico feliz em saber que os textos são realmente lidos e interpretados (inclusive ortograficamente). Acatei todas as tuas sugestões, o que teria feito já se tivesse lido atentamente o texto pronto. Pela tua atenção, te agradeço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 7/4/2007 16:44
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Felipe Obrer
 

Labes, valeu também. Com a qualidade da tua escrita, imaginei mesmo que foram fruto de pura desatenção os erros que passaram, e não de ignorância, fica tranqüilo.
Me deixa contente ter ajudado.
Abraço,

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 7/4/2007 17:55
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Felipe Obrer
 

Acabei de perceber que o Endoença (se é ele na foto) se parece um pouco com o Naná Vasconcelos... associações fisionômicas...
Abraço de novo!

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 8/4/2007 12:06
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Labes, Marcelo
 

É que parece mesmo e só agora me dei conta disso.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 8/4/2007 19:34
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Felipe Obrer
 

Concordamos então.
Labes, Abraço!
(e ouçamos Naná Vasconcelos e leiamos José Endoença Martins)

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 8/4/2007 21:52
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Helena Aragão
 

Bem interessante a contraposição dos dois autores. Lendo seu texto tive a impressão de que o segundo (Endoença) não teria existido sem o outro, não? Que um movimento literário (ou artístico qualquer) muitas vezes surge como resposta ao(s) anterior(es). Por mais que tenha durado muito, o movimento ufanista parece ter sido importante para a consolidação de uma identidade... Até para que essa identidade pudesse ser questionada pelo movimento seguinte. Sei lá, fiquei viajando nisso.

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 9/4/2007 11:53
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Labes, Marcelo
 

No caso de Blumenau, Helena, sem dúvida. Não fossem os ditos modernistas terem demorado tanto a se antenar com o resto do mundo, talvez os experimentalistas não surgissem assim tão ácidos e tão relevantes. No mais, estive lendo Stewart Home, o cara da greve da arte (1990-1993) e fiquei surpreso quando ele põe os românticos, os realistas e os parnasianos como sendo pessoas com os mesmos assuntos mas com estilos diferentes. Achei isso genial. Dá pra viajar um monte nisso, sim. Obrigado pela leitura. Abraço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 9/4/2007 15:10
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FILIPE MAMEDE
 

Interessante. Enquanto um se prende numa redoma saudosista, baseada na cultura germânica, o outro abre as janelas para as mudanças e pecebe um admirável mundo novo. Legal saber de coisas como essa. Parabéns pelo texto.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 10/4/2007 14:39
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Pedro Vianna
 

Gostei do texto. Apesar de não conhecer a obra de nunhum dos dois autores, penso que esses movomentos antagônicos que por vezes se sobrepõe num mesmo ambiente, fzem partye da dinâmica mesmo das manifestações artísticas. A vanguarda tem que ter algo para negar...

Pedro Vianna · Belém, PA 11/4/2007 10:17
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Egeu Laus
 

Prezado Labes,
Obrigado por seu trabalho. Acho importante trazer a discussão das literaturas "fora do eixo" para o Overmundo.

Nesse caso, no entanto, discordo que Bell tenha sido o poeta que exaltasse apenas ou principalmente o sonho. Uma amostra bem conhecida:

A Bomba

A vida esplende no subsolo.
Todas as mães foram derrotadas.

Os meninos cultivam silêncios
O mundo confere medalhas.

A bomba é um brinquedo muito mais difícil.
Muito mais difícil mesmo.

A bomba é um gorjeio mutilado.
A bomba não sabe fazer.
A bomba tem o mundo nas mãos.
A bomba é o não-brinquedo.

A bomba é uma gargalhada,
tubo de ensaio,
flor recolhida,
o não-homem.

A bomba,
a bomba-alimento-comum,
a bomba-alucinação,

a bomba-adeptos,
a bomba-hóspede de um hotel relativo
com a fachada escrita: MUNDO.

A bomba é um brinquedo muito mais difícil.
Muito mais difícil mesmo.

E mais essa outra:

A Ordem do Dia

A ordem do dia
é ver tudo
mas não ver nada.

A ordem do dia
é comparecer ao banquete irreal,
comer faisões dourados
em memória da memória
hermeticamente fechada
por um decreto.

A ordem vem de cima
para os de baixo
— claro e preciso
punhal do crime.

Nenhum pássaro,
rio nenhum.
Nenhum vento,
mar nenhum.
Nenhum estalido,
amor clandestino nenhum.
Nenhuma corda
de guitarra nenhuma.
Apenas os clarins oficiais
de poderosos senhores feudais.

nas ruas
nos vales
nos bares
nas escolas
nos aniversários
nos sonhos
nas praças

A ordem do dia
é uma ordem sombria.
Quem pretende repartir
o prato desta melancolia?

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 11/4/2007 10:27
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Egeu Laus
 

Lembrando também que, antes de Paulo Leminski, e talvez pioneiramente como iniciativa de um poeta, Bell imprimiu tiragens de seus poemas em camisetas (não fosse casada com uma Hering...)

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 11/4/2007 10:36
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Egeu Laus
 

Oops! "casado" e não casada... Desculpem a falha...

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 11/4/2007 11:03
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Labes, Marcelo
 

Filipe, Pedro, suas visitas e leituras deixam-me, sem dúvida, entusiasmado em continuar a escrever essas coisices daqui! Muito obrigado pela visita e por se disporem a refletir a respeito.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 11/4/2007 18:10
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Labes, Marcelo
 

Grande Egeu,
fico muito feliz com teus comentários. Talvez eu tenha deixado somente aparecer o onirismo belliano por aqui em função do tema, que é bastante complicado. Quero voltar a Bell, mas de outra forma - e acho que isso se ajusta ao teu comentário - fazendo contraposições dentro da própria obra dele. No entanto, há que se frisar a nostalgia de Bell e o amor que ele tinha pela cultura daqui - que, hoje, nos faz perguntar: que cultura? - e acabou por ser um dos que atentaram, ainda que ingenuamente/despropositamente para a alienação, inclusive literária, do povo blumenauense. Mas, sem dúvida, há poemas de Bell que fazem as pernas tremerem de prazer. O próprio Endoença cita Bell como experimentalista quando publica O código das Ãguas, seu último livro, em que está o poema Procuro a Palavra Palavra — mas onde também figura o Poema do Andarilho, em que se encontra seu mais famoso jargão.
Não procurei endeusar Endoença (se foi isso que pareceu), mas achei que seria importante falar a blumenauenses e não-blumenauenses, como mais frequentemente tem acontecido, sobre as divergências, contraposições e antíteses que uma cultura que se julga conhecida, mas da qual sabemos tão pouco. É por isso que tenho escrito sobre a literatura daqui. Espero mesmo que atuantes de outras áreas façam as suas partes para que possamos rever nossa história com seriedade e saúde.
Falando nisso, és daqui ou estou enganado?
Um grande abraço.
Grande Egeu,
fico muito feliz com teus comentários. Talvez eu tenha deixado somente aparecer o onirismo belliano por aqui em função do tema, que é bastante complicado. Quero voltar a Bell, mas de outra forma - e acho que isso se ajusta ao teu comentário - fazendo contraposições dentro da própria obra dele. No entanto, há que se frisar a nostalgia de Bell e o amor que ele tinha pela cultura daqui - que, hoje, nos faz perguntar: que cultura? - e acabou por ser um dos que atentaram, ainda que ingenuamente/despropositamente para a alienação, inclusive literária, do povo blumenauense. Mas, sem dúvida, há poemas de Bell que fazem as pernas tremerem de prazer. O próprio Endoença cita Bell como experimentalista quando publica O código das Ãguas, seu último livro, em que está o poema Procuro a Palavra Palavra — mas onde também figura o Poema do Andarilho, em que se encontra seu mais famoso jargão.
Não procurei endeusar Endoença (se foi isso que pareceu), mas achei que seria importante falar a blumenauenses e não-blumenauenses, como mais frequentemente tem acontecido, sobre as divergências, contraposições e antíteses que uma cultura que se julga conhecida, mas da qual sabemos tão pouco. É por isso que tenho escrito sobre a literatura daqui. Espero mesmo que atuantes de outras áreas façam as suas partes para que possamos rever nossa história com seriedade e saúde.
Falando nisso, és daqui ou estou enganado?
Um grande abraço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 12/4/2007 03:13
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Labes, Marcelo
 

O ctrl c + ctrl v, às vezes não funciona; às vezes funciona demais.
(risos!)

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 12/4/2007 03:14
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Egeu Laus
 

Labes,
Nasci em Blumenau mas nunca "freqüentei". Saí com menos de um ano de idade e só voltei para visitar 40 anos depois. Morei em Caçador, Itajaí e Floripa. Costumava ir a Porto Belo no verão e então passeava pelo Vale do Itajaí...
Abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 12/4/2007 10:36
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Nanni
 

Li teu texto e fui correndo ao google procurar mais sobre literatura catarinense e Lindolf Bell, em especial.
Sou catarinense nascida em São Pedro de Alcântara, primeira colônia alemã do estado. Nunca morei fora de SC (atualmente estou em Floripa) e não lembro de ter ouvido sobre os autores daqui em todo o tempo de colégio/faculdade. No máximo um Cruz e Sousa breve. O Lindolf Bell eu até sabia que era de Blumenau, mas pra mim era só o nome daquele espaço não utilizado no CIC (Centro Integrado de Cultura). Nunca tinha lido nada do cara não por desinteresse, mas por falta de oferta mesmo.

Teu texto tá super bem escrito, parabéns! Em mim surtiu efeito =]
Abraço!

Nanni

Nanni · Florianópolis, SC 15/4/2007 23:03
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Labes, Marcelo
 

Nanni, muito obrigado por ter aparecido e ter aguentado todas essas linhas (risos!). Fico feliz em encontrar barrigas-verdes aqui pelo overmundo, nós que vivemos num estado que a comunicação inter-regional não é lá uma das coisas mais comuns. Estranho que aprendamos sempre sobre tantos escritores brasileiros e estrangeiros e saibamos tão pouco dos nossos próprios - que a meu ver podem ser muito mais úteis na nossa formação do que um escritor nordestino, gaúcho, francês ou americano. Não que não precisemos de leitores de fora, pelo contrário. Acontece que de repente sabemos descrever a arquitetura de Dublin (vide Ulisses) e não sabemos nem onde situam-se as cidades de nosso estado, suas origens, suas relevâncias, seus defeitos etc.
Que bom que meu interesse passou adiante e que te instigou a procurar informação a respeito. É o que de melhor pode haver. Fico feliz.
Abraço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 16/4/2007 01:03
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Nanni
 

É bem assim que eu penso. Sonho em conhecer Paris, Londres, Roma.. mas não sei andar sozinha sem me perder pelo sul da ilha, entende?
E o pessoal daqui que escreve é inevitavelmente contaminado pela cultura, pela geografia, pelo clima, pela natureza locais. Certamente isso não garante a identificação entre leitor e escritor, mas ajuda, e você se sente mais personagem daquilo que lê. Eu, particularmente, acho isso fantástico!

Nanni · Florianópolis, SC 24/4/2007 22:40
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