“Poesia Imperativa”: a obra que não manda

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Laís Barreto · Rio de Janeiro, RJ
19/3/2018 · 0 · 0
 

“Poesia Imperativa”: a obra que não manda, mas convida

Camila Costa*

Alana não é mulher que fala, é mais: é mulher que escreve. "Escrever é invasivo", diz ela na poesia intitulada Parto. É sem permissão mesmo que a autora da obra “Poesia Imperativa” nos invade e nos comove ao mesmo tempo em que nos intriga. Transitando por temas como a mulher, o amor, a saudade e a própria gestação da escrita, como ela chama, a autora, apesar da invasão, transforma os seus versos em um convite: senta, prepara um café e o coração que umas verdades da vida vão passar por aí.



Imperativa também poderia ser "realista". Gritando, de fato, mas sem fugir da realidade. O livro consegue levar o leitor para dentro dele, um talento que somente os verdadeiros escritores podem ter. Mas Alana vai mais longe, ela busca elementos além das palavras. As figuras ora geométricas, ora embaraçadas ao longo das páginas, mexem com a imaginação. Afinal, como nunca antes leu-se uma poesia de gestação sem a forma de uma bola nos remetendo à barriga? Particularmente, eu não consigo imaginar mais uma coisa sem a outra.



Esses pequenos diferenciais e detalhes demonstram, sobretudo, o cuidado da autora com a sua obra, coisa de mãe para filha mesmo. A quebra do texto também destaca o que a própria autora parece sentir: "poesia é gestação", logo, nasce como der. De “poeminha ingênuo” em “poeminha ingênuo”, Alana se mostra pronta para ocupar um lugar entre os escritores brasileiros e pede passagem com autoridade: está pronta, madura para as livrarias e prateleiras.



Mesmo que entre um verso doído ou outro, há nos versos também esperança: "O mundo tremendo ranzinza/E a esperança com um balde de tinta". Talvez seja essa leitura de mundo da autora que acaricie tanto o leitor. Há saudade, mas também há esperança. Há crueldade, mas há esperança. Há dias cinzas, mas há um poema velhinho guardado na gaveta nos esperando.



Quem percorre as páginas percebe que a autora conversa aqui e ali com outros autores. Seja com Clarice Lispector ou transformando o amor em passarinho, é possível perceber a influência da literatura brasileira na escritora. É, portanto, quase uma celebração. Amém, Alana, as nossas bibliotecas estão precisando!



Premiada no Concurso Pão e Poesia (2017), de Blumenau, "Sintonia" foi realmente a minha poesia preferida. "A companhia sua/São minhas notícias boas." Você lê querendo alguém para amar e enviar a frase agorinha. É como aquela música que a gente sofre ouvindo mesmo sem estar de coração partido. Mas, acima de tudo, "Sintonia" me tocou pela atualidade mais precisa impossível: "Amemo-nos em tempos de paz".



A autora tem outra característica fundamental para acrescentar: é escritorA. É mulher fazendo poesia, gritando, imperando, desabafando. É uma mulher buscando o seu espaço na literatura sem medo de se jogar nas palavras. É corajosa, corta a carne e se mostra viva. Capitu, Macabéa, Julieta: é quem ela quiser. Não sou eu quem diz: é Alana quem escreve.



Aliás, terminei o livro com um pensamento... Será que somos Ronaldo ou Patrícia?



*Jornalista, mestranda em Ciências da Comunicação na Universidade do Porto/PT



Serviço:

Dia 09/05, às 18h, lançamento do livro Poesia Imperativa.

Casa das Rosas, Avenida Paulista, 37, São Paulo, SP

Duração: 2 horas



Contato:

Laís Lopes

Vintage Comunicação

vintageascom@gmail.com

Cel.: (21) 99207-4811

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