Salvo engano de minha parte
Salvo engano de minha parte a vida é bela.
Apesar do vazio das oratórias,
das portas giratórias,
das revistas aleatórias,
de qualquer situação vexatória,
Apesar de toda escoria,
até mesmo a falta de memória
que nos faz trair a história
a vida me parece bela.
Sim, eu acredito no futuro.
Quando cair todos os muros
não haverá mais apuros.
Não viveremos dias escuros.
Teremos pulsos firmes
e não o coração duro.
Tudo ocorrerá a seu tempo:
Nada será tardio, nada será prematuro.
Salvo engano de minha parte,
dos lemas, dos estandartes,
da minha idade e seus alardes,
do iminente risco de um infarte,
da ausência de vida em marte,
da não valorização da arte,
das minhas poesias sem encarte
parece-me que a vida é bela.
Salvo engano de minha parte.
Flor do cerrado
Flor mulher em desabrolho ao ar campestre
naturalmente bela em pleno prado.
Perfumada em alfazema, pele bronzeada e morena
no sol quente do cerrado.
Como árdea campesina seu passo é leve.
Esbelta, ave rara em descampado,
sugeri-me uma açucena, ou uma rosa morena
no sol quente do cerrado.
És como flor de um silvestre ramalhete
floresceste em meio ao campo não plantado.
Suave como o som da flauta avena
é a sua pele morena no sol quente do cerrado.
Candango
Quando a tocha universal luzir os lagos,
prateando cada arco de Brasília
nos moquiços em desjejum de gosto amargo,
a fronte escura do candango sua e brilha.
Na miséria que gravita a grande nave
contempla a maravilha que fizeste.
Em cada canto do Brasil tão miserável
há um candango que sustenta essas benesses.
Ao povo que mantém tal luxo e glória
recebeste como herança da historia
um ambiente miserável e violento.
Entre mansões e palácios opulentos,
em homenagem, há um monstrengo de cimento
que se refere à tão digna memória.
Soneto ao cerrado
Nas palnícies longilíneas do cerrado
a louçania natural de suas plantas
serve de ornamento ao que é sagrado
cujo legado recebemos por herança.
Num sopro acariciante, a deusa flora
faz balançar cada capão de ipê florido.
Recaem as flores sobre a areia branca,
campa para os indíos ali jazidos.
Os outeiros que se erguem no cerrado
são panteões que deus Tupã fez erigir.
Cada rio é um povo dizimado.
No subsolo o aquífero preservado
são as lágrimas da tribo Guaraní
Pelos quais eu também tenho chorado.
Oi Lázaro,
Belas escritas mais dê uma olhadinha aqui e veja onde fica mais apropriado suas publicações - no caso o Banco de Cultura já que é literatura e não um texto sobre literatura.
Dê uma lida nas instruções, tá?
bjo
Ah, e tb postar uma de cada vez se for no Banco de Cultura. Se for um livro, tem uma outra se seção pra seu texto.
bj
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