Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

Poesias

1
lazaro carneiro · Bauru, SP
25/5/2007 · 54 · 3
 

Salvo engano de minha parte

Salvo engano de minha parte a vida é bela.
Apesar do vazio das oratórias,
das portas giratórias,
das revistas aleatórias,
de qualquer situação vexatória,
Apesar de toda escoria,
até mesmo a falta de memória
que nos faz trair a história
a vida me parece bela.

Sim, eu acredito no futuro.
Quando cair todos os muros
não haverá mais apuros.
Não viveremos dias escuros.
Teremos pulsos firmes
e não o coração duro.
Tudo ocorrerá a seu tempo:
Nada será tardio, nada será prematuro.

Salvo engano de minha parte,
dos lemas, dos estandartes,
da minha idade e seus alardes,
do iminente risco de um infarte,
da ausência de vida em marte,
da não valorização da arte,
das minhas poesias sem encarte
parece-me que a vida é bela.
Salvo engano de minha parte.

Flor do cerrado

Flor mulher em desabrolho ao ar campestre
naturalmente bela em pleno prado.
Perfumada em alfazema, pele bronzeada e morena
no sol quente do cerrado.

Como árdea campesina seu passo é leve.
Esbelta, ave rara em descampado,
sugeri-me uma açucena, ou uma rosa morena
no sol quente do cerrado.

És como flor de um silvestre ramalhete
floresceste em meio ao campo não plantado.
Suave como o som da flauta avena
é a sua pele morena no sol quente do cerrado.

Candango

Quando a tocha universal luzir os lagos,
prateando cada arco de Brasília
nos moquiços em desjejum de gosto amargo,
a fronte escura do candango sua e brilha.

Na miséria que gravita a grande nave
contempla a maravilha que fizeste.
Em cada canto do Brasil tão miserável
há um candango que sustenta essas benesses.

Ao povo que mantém tal luxo e glória
recebeste como herança da historia
um ambiente miserável e violento.

Entre mansões e palácios opulentos,
em homenagem, há um monstrengo de cimento
que se refere à tão digna memória.

Soneto ao cerrado

Nas palnícies longilíneas do cerrado
a louçania natural de suas plantas
serve de ornamento ao que é sagrado
cujo legado recebemos por herança.

Num sopro acariciante, a deusa flora
faz balançar cada capão de ipê florido.
Recaem as flores sobre a areia branca,
campa para os indíos ali jazidos.

Os outeiros que se erguem no cerrado
são panteões que deus Tupã fez erigir.
Cada rio é um povo dizimado.

No subsolo o aquífero preservado
são as lágrimas da tribo Guaraní
Pelos quais eu também tenho chorado.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
maramarina
 

Oi Lázaro,
Belas escritas mais dê uma olhadinha aqui e veja onde fica mais apropriado suas publicações - no caso o Banco de Cultura já que é literatura e não um texto sobre literatura.
Dê uma lida nas instruções, tá?

bjo

maramarina · Aracaju, SE 23/5/2007 16:29
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
maramarina
 

Ah, e tb postar uma de cada vez se for no Banco de Cultura. Se for um livro, tem uma outra se seção pra seu texto.

bj

maramarina · Aracaju, SE 23/5/2007 16:32
sua opinião: subir
Egeu Laus
 

Salvo engano acho que você postou no local errado, Lázaro.
Dá uma olhada aqui.
Mas como diz o "manuel": (...) "E não confunda: em geral, se o texto É literatura, vai pro Banco. Se o texto é SOBRE literatura, vai pro Overblog."(...)
Abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 26/5/2007 19:58
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

veja também

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Instituto Overmundo pesquisa a cadeia produtiva da música no Rio de Janeiro

Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados