Ponto de encontro vira ponto de venda

www.acafeteria.com.br
Nunca mais será ali A Cafeteria
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Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG
13/11/2006 · 180 · 26
 

Já faz duas semanas que fui me despedir de um dos marcos geográfico, histórico e cultural de Beagá: A Cafeteria. Não pensei que fosse fazer tanta falta. Por hábito, quase marquei quatro ou cinco encontros lá.

Mais que qualquer coisa, A Cafeteria era um ponto seguro, confortável com suas mesas na calçada. O local, então, muito acessível! O serviço não era lá grandes coisas, o que meio que desanima as pessoas de irem a qualquer lugar. Mas o cardápio era fabuloso.

A Cafeteria inspirou-se na idéia dos cafés franceses etambém servia quitutes de primeira linha, além de bebidas para qualquer gosto (menos cerveja 600mL - o que eu imagino seria pedir demais). Para aproveitar bem a experiência, você precisaria gastar algo em torno de 20r$. Agora, se você quisesse uma refeição longa, de cinco pratos ou mais, conseguiria lá abrindo mão de uns 80r$ (mas tinha!). Isso tudo combinado com a possibilidade de encontrar pessoas interessantes e a facilidade de pagar com cartão.

Eu gostava muito d'A Cafeteria!

Pois é, fechou há duas semanas, o último dia de funcionamento foi no domingo, 29 de Outubro. Todo mundo aqui em Belo Horizonte já sabe, o café faz falta na paisagem da Praça da Savassi. Na verdade, a praça se chama Diogo Vasconcelos e recebeu o nome popular por causa da Padaria da Savassi, outro ponto de encontro extinto do coração de Beagá.

Essa mudança de nome abre precedente para uma outra mudança que muito me assusta. Pois é uma certa operadora de celular vai abrir no lugar d'A Cafeteria. Já é a quarta na praça. É triste pensar que de oito esquinas desse ponto essencial de Belo Horizonte, quatro são ocupadas pelas operadoras, duas vendem calçados, uma é uma ótica e a outra um fast-food. Ou seja, pelo menos cinco das esquinas são ocupadas por corporações multi-nacionais e eu tenho dúvidas se alguma delas é exclusivamente mineira...

Eu vou sentir falta d'A Cafeteria ali, muita falta mesmo, por vários motivos. E vou ficar com medo da Praça da Savassi ficar conhecida como a "Praça dos Celulares".

Mas, como nem tudo são más notícias, A Cafeteria vai reabrir em breve, em outro lugar bem próximo (segundo promessas).

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Sergio Rosa
 

Eu lembro que não acreditei quando me falaram que o café 3 corações ia fechar. E pior, que o ponto deixaria de ser um café para ser uma loja de celular da Claro (vamos citar o nome para que role um boicote mesmo). Aquilo ali vai ficar completamente descaracterizado. Logo nos primeiros dias que foi fechado o café, houve uma mobilização dos clientes, que pregaram uma faixa naquela esquina ali expressando toda a indignação em relação ao fechamento.

Sei que são poucas coisas que podem ser feitas contra o peso da mão do mercado. O proprietário da antiga cafeteria recebeu uma boa bolada de dinheiro que foi "impossível" recusar. Claro que ele não deve ter considerado muito se aquilo ali era um ponto de encontro pra muita gente, se tinha algum valor simbólico pra cidade. Ontem (domingo), passei lá na frente, e foi realmente muito estranho ver aquilo tudo parado, sem movimento nenhum, quando num domingo normal, até então, o local estaria cheio, com alguma música rolando, com pessoas sentadas comendo, bebendo e conversando alto. Não sei se há algo que ainda possa ser feito e como fazê-lo, mas rola um sentimento grande de impotência...

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 13/11/2006 09:10
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Rômulo Lucio
 

Moro na cidade há pouco tempo e talvez não tenha o saudosismo de vocês para com o café, mas era realmente um lugar bastante agradável.
É triste ver que muitos lugares estão sendo descaracterizados ou extintos aqui como: Pop Rock Cafe, Cafe Cancun, Bedrock etc.

Rômulo Lucio · Belo Horizonte, MG 16/11/2006 17:28
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Fernando Mafra
 

Não se preocupem, se é café que vocês querem, Starbucks vem aí.

A propósito, isso foi um deboche.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 27/11/2006 12:16
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Bernardo Biagioni
 

Engraçado, estava procurando dados pra escrever sobre o fato aqui no overmundo e acabei encontrando no google esta pagina. Acho muito interessante discutir isso, independentemente que o café seja levado para outro lugar, é o seu fim. E é realmente o fim um ponto histórico-cultural dar lugar a uma empresa multinacional de telecomunicação. Nojento...

Bernardo Biagioni · Belo Horizonte, MG 6/1/2007 03:47
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Mi [de Camila] Cortielha
 

Bernardo, escreve seu ponto de vista também. A discussão que eu comecei não foi muito pra frente mesmo...

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 6/1/2007 11:51
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Fábio Fernandes
 

Por falar em Starbucks, Fernando, estive no de SP há pouco tempo e... simplesmente não gostei. ;-)
Confesso que fui com vontade de tomar um café saboroso, mas não achei lá essas coisas. Mas pelo menos nenhum espaço de SP foi prejudicado para que ele fosse criado - tudo ficou dentro do espaço de um shopping, o que achei até sensato - ia abrir uma loja deles nos Jardins, mas não rolou (ouvi dizer que fizeram uma pesquisa e concluíram que não daria lucro ali, não sei se alguém me confirma isso).

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 21/1/2007 14:44
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Fábio Fernandes
 

Acho o que Mi comentou acima importante. Seria interessante que todos pudessem se pronunciar a respeito. Sergio, eu acho que sempre é importante pelo menos falar, porque, se não resolver nada, pelo menos a gente desabafa e mostra nossa indignação.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 21/1/2007 14:45
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Fernando Mafra
 

Fábio, de fato o starbucks acabou não se mostrando a ameaça que eu esperava. Na verdade eles vão abrir mais uma loja no Morumbi Shopping, sobre o cancelamento da outra loja eu não sei, ouvi dizer que vai ter mais lojas sim, mas nao lembro onde. Se for mesmo nos jardins parece ser uma idéia de no inicio se concentrar em centros de lazer frequentados pelas classes A e B. Acho que uma ameaça maior viria se eles abrissem em locais com bastante movimento comercial, como perto da Bolsa de Valores, na Berrini, Faria Lima e Paulista (não duvido que o ex-casarão do McDonalds vire uma Starbucks). Bem, a discussão acabou saindo de BH e foi parar na Starbucks, para scarem meu parecer do serviço deles, olhem meu texto: http://www.overmundo.com.br/overblog/da-necessidade-de-cafe-nacional

Fernando Mafra · São Paulo, SP 21/1/2007 15:58
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Fernando Mafra
 

Agora sobre o caso do texto, de fato acho que a repercussão foi muito tímida. Uma das certezas de BH era encontrar seus amigos circulando em torno da cafeteria. Talvez isso continue mesmo assim (e espero também), já que há outros estabelecimentos de interesse ao redor.

Se não houver mais esse ponto de encontro, ou qq ponto de encontro universal, a socialização das pessoas vai ficar muito mais compartimentada, o fator aleatório das noites de BH vai diminuir e ela pode ficar mais parecida com a noite Paulistana, onde você sai de casa para ir a um lugar específico com pessoas específicas, não há o sentimento de surpresa que eu sinto em BH.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 21/1/2007 16:02
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Mario C.
 

Não acho uma perda tão grande ou injusta assim.

Que eu saiba o dono já queria vender o ponto já há algum tempo, pois ele estava cansado da molecada que perambulava lá dia e noite. O café era cercado por adolescentes de preto bebendo vinho ou vodca ruim durante a noite ou simplesmente matando aula durante o dia. (quem se lembra das brigas então? teve um dele que foi hopitalizado. ele chegou a morrer ou saiu vivo?). Teve até policiamento constante para evitar as confusões. Parece que o dono realmente se encheu daquele ponto específico, tanto que vai reabrir o café apenas alguns quarteirões de distância.

Eu concordo com quase tudo que falaram, o lugar era legal (apesar de eu ter preguiça de ir, pois o atendimento era um dos piores que já vi), mas todas as outras esquinas já estavam tomadas por lojas de celular, e disso ninguém reclamava (especialmente quem precisava trocar de aparelho, como já ocorreu com conhecidos meus). A Claro tem tomado constantes prejuízos desde que entrou no mercado mineiro, nada mais justo que tentar competir nos mesmos pontos que seus principais concorrentes.

Acho meio chato ali ficar tomado pelos celulares, mas já era antes, o problema é que ninguém ligava. Felizmente, em um raio de dois quateirões devem existir pelo menos uns trêss ou quatro cafés.

(Sim, eu só vi essa matéria agora e acho que vale a pena colocar um opinião divergente, mesmo que atrasada)

Mario C. · Belo Horizonte, MG 1/2/2007 13:21
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Fernando Mafra
 

Mario, se a Claro está tendo prejuízos no mercado mineiro o problema não é meu, nem da cidade nem da praça. Ela que se vire sem interferir absurdamente no cotidiano de metade da cidade.

Agora, eu sempre achei ruim ter aquele bando de lojas de celulares ali, meio ridículo até. Se ninguém fez barulho não quer dizer que era certo. Além disso, a cafeteria era o último suspiro (o McDonalds nao conta mais faz tempo) que agora foi abafado; se ninguém reclama sequer do último suspiro, como íremos reclamar do resto? Acho esse argumento de "nunca reclamou antes, agora vou fuder" equivocadíssimo.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 1/2/2007 13:46
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Mario C.
 

Não é um argumento não. Por mim aquele lugar ali devia ser lotado de lugares como o 3 corações. Só acho que não é pra tanto drama.

Na real, o problema não é seu mesmo, assim como o seu não é da Claro. Não vejo porque culpar a operadora. Ela é uma empresa tentando fazer o que empresas fazem: vender. Se tiver que colocar culpa, acho que a prefeitura seria ideal. Acho que cabe a ela deliberar o que é ou 'patrimônio' histórico ou cultural.

(engraçado é que eu estava desesperançoso de ter uma discussão nesse tópico meio-morto, voltei aqui meio assim "será"?)

Mario C. · Belo Horizonte, MG 1/2/2007 22:50
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Mi [de Camila] Cortielha
 

Mário,

vale a pena entrar em discussão antiga e reabrir debates, mas tô achando é que você trabalha para a Claro, viu?!

Só rebatendo os seus pontos:
Adolescentes vestidos de preto bebendo vinho e vodca ruim não tinham NADA a ver com o café. Passe lá qualquer sexta-feira, eles estão paradinhos no mesmo lugar, do mesmo jeito e de lá não vão sair. Na época que eu era uma adolescente vestida de preto e enxarcava na vodca acetonada, meu "point" era dois quarteirões para baixo, no postinho. E a maioria dos adolescentes que entornavam comigo na rua passaram a freqüentar A Cafeteria e usaram o lugar como mesa de reunião para produção e discussão de bens culturais.

Ninguém reclamava das outras lojas de celular até então porque ainda havia A Cafeteria ali, dando um fôlego para a praça, deixando-a mais aconchegante. A Claro é que se foda. A Telemig é que se foda. A Tim é que se foda. A Oi é que se foda. Quero um ponto de encontro legal na praça da minha cidade.

Drama: antes tarde do que nunca. Uma prova disso é sua colaboração aqui agora.

NA REAL, o problema é meu, é seu, é da Claro, é da prefeitura, é do Overmundo e de todas as outras "entidades" desse nosso maltratado planetinha. A questão é quem vai comprar a briga, a partir daí decidiremos quem vai apanhar na briga. Como quem comprou a briga fui eu...

Empresa por empresa ganhando dinheiro, muito melhor um lugar que serve bebida, comida e tem cadeiras para a gente poder agitar uma vida cultural, não?!

Órgãos políticos raramente sabem o que rola nas ruas de verdade. Eles se importam com números. Cultura não são números. Cultura são as pessoas que fazem. Quem faz patrimônio cultural somos nós, a Prefeitura só manda colocar a placa.

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 2/2/2007 23:57
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Mario C.
 

Resposta grande, né?
Fiquei com preguiça, mas vamos lá. É saudável.

E vamos em tópicos, pra ficar mais fácil:

- Eu não trabalho pra Claro não, só vejo a coisa um pouco diferente mesmo.

- Os adolescentes foram o motivo do dono desistir do ponto, não da Claro entrar. O que eu expliquei foi que ele OPTOU sair dali, fechar o café, acabar com o charme da praça, etc, etc.

- Eu não quero que as operadoras se fodam. Especialmente quando eu preciso do meu celular, eu quero é que elas funcionem muito bem. E barato, de preferência. Livre concorrência é essencial pra isso.

- Drama: antes tarde do que nunca. Boto fé.

- "O problema" é sempre de quem leva a pior. Te garanto que pras duas outras partes envolvidas na troca de ponto, só houve soluções. Mas não há briga a ser comprada, a decisão, tanto da Claro quanto do dono do café , foi comercial. O que poderíamos fazer quanto a isso? (a dúvida é sincera)

- Concordo plenamente que quem faz o patrimônio somos nós. Por isso eu vou tratar de mudar o meu pra dois quarteirões de distância da loja da Claro, quando o café reabrir.

Acabadas as respostas, só gostaria de frisar que não sou A FAVOR da mudança e que por mim o café ficava ali onde estava (e melhorava seu serviço, de quebra). Só acho que não é tão ultrajante, como vocês parecem achar.

Por mais que a Claro não tenha pensado nem um pouco nos frequentadores do café (quantos seriam?), eu tenho certeza que pensou na sua base de clientes (quanto seriam também?). O problema todo é que com essa concorrência, nós perdemos algo tangível e ligado à cultura - o café - sob a condição de mantermos algo intangível e ligado à economia - a conconcorrência no setor de telefonia celular, que eu posso falar sem nenhuma sombra de dúvidas, é uma coisa bem importante pra todo mundo hoje.

Talvez seja por isso que eu não ache tão absurdo. Vocês podem achar o que quiser. Não quero convencer ninguém de que celular é uma boa coisa também.

Mario C. · Belo Horizonte, MG 4/2/2007 23:17
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Mi [de Camila] Cortielha
 

Oi, Mário,

você tem uma certa razão no seu discurso. Mas, sabe, a única solução que eu vejo para a situação é reclamar mesmo. Talvez por isso tenha ficado *mordida* quando vi que você defendia a Claro aqui.

E tenho me debatido nos últimos dias, porque eu também não quero que as operadoras se fodam. A livre concorrência que você citou é um dos motivos, mas o motivo mais importante é que são essas operadoras que têm me proporcionado os maiores momento de deleites musicais ultimamente.

Já fui ao Tim Festival, ao Claro que é Rock e a incontáveis eventos da Telemig Celular aqui. E não só em música elas interferem, há muito dinheiro rolando por aí nos patrocínios, não é mesmo? Hoje, qualquer evento grande conta com a marca de uma operadora de celular...

E, na verdade, eu não acho um ABSURDO tão grande quanto possa ter dado a entender no post ou nos comentários anteriores. Meu medo real é a mudança de nome da Praça. E, quanto a isso, tenho certeza de que não faltaram esforços mineiros de manter a "Savassi" viva, não é mesmo?

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 6/2/2007 02:03
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Mi [de Camila] Cortielha
 

ops, o certo é assim: E, quanto a isso, tenho certeza de que não faltarão esforços mineiros de manter a "Savassi" viva, não é mesmo?

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 6/2/2007 02:04
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Mario C.
 

Ah, também pensei nisso. O risco daquele pedaço virar "a praça dos celulares". Mas acho que isso não deve acontecer, pois duvido mesmo que o café fosse - sozinho - a "vida" daquele canto. Eram as pessoas, sabe, e a maioria delas não estava ali pelo café (taí os moleques de preto que não me deixam mentir). À noite aquele pedaço ainda fica cheio, cada vez mais cheio, na verdade. De dia, tirando as mesas que não existem mais, o movimento é praticamente o mesmo. É uma praça. E eu acho que ela se sustenta muito bem sem depender do comércio de expresso.

Mas é claro que perde um pouco do charme. "Me encontra onde? Na frente da CLARO?", dói de tão feio. Mas não deve ser um golpe fatal. Eu espero.

Mario C. · Belo Horizonte, MG 6/2/2007 12:55
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Luiz Carlos Garrocho
 

Dói, mesmo, de tão feio.

Falou tudo.

Há anos, existia um cinema chamado Metrópole, um exemplo de Art Deco Foi abatido. No lugar, na rua da Bahia, ficou um banco horrível. E o lugar é feio mesmo, de dar dó.

Naquele caso, houve um movimento que culminou com a Agenda Metrópole, lutando para que o cinema não fosse demolido. Surgiu uma nova consciência sobre patrimônio cultural em BH, tanto de governo quanto de sociedade civil. Mas, naqueles anos (anos 80) o cinema veio abaixo, mesmo.

No caso da Cafeteria, não vejo como tombar o espaço como patrimônio público. No entanto, o Lucas Bar, dentro do Maleta, foi tombado. Mas aí entra uma longa história, que remonta à ditadura militar etc. A questão, pelo que me parece, não chega a isso. Como impedir o dono de vender o espaço ou coisa e tal?

Não vivo de lamúrias. Mas o registro sensível de Mi Cortiella é importante. Registra, antes de tudo, o movimento da grana na cidade em oposição a vida dos encontros - comprar não era o mais importante, mas estar juntos numa mesa de um café... Ou, no entorno.

Como diz Caetano: "a força da grana que ergue e destrói coisas belas".

Eu preferiria um espaço coalhado de cafés, de lugares de encontro. E os meninos de preto não me incomodavam. São parte de uma paisagem urbana complexa.

Aliás, muitos encontros marquei ali.

Agora, resta o quê? Mais uma fachada límpida, cheia de moças e rapazes uniformizados, de ambiente light, dessa frieza do capital global que transforma tudo em igual.

Para quê encontros furtivos? Não era tanto o café, pois há muitos na cidade (ufa!). Mas pela geografia afectiva que era a Savassi, ali. No entanto, não tenho apegos, pois percorro muitas outras regiões da cidade, que não são nada fashion e, no entanto, têm mais vida, muito mais vida.

Funciona assim. Não vamos ficar chorando as mazelas do capitalismo, não é? Inventemos, portanto, outras paisagens... Nisso, a grana não poderá impedir. Até porque é nos vazios das suas imposições que o melhor pode acontecer.

A questão pode ser outra: a criação de zonas intensivas, zonas de autonomia temporária.

Abração

Luiz Carlos Garrocho · Belo Horizonte, MG 10/2/2007 23:09
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Mi [de Camila] Cortielha
 

Recebi tardiamente a divulgação desse evento, mas venho divulgar de última hora aqui: "O coletivo Paralelos propõe uma reação à transformação da praça da Savassi num centro de telefonia celular e convida você para o Happening que acontecerá no sábado, dia 31 de março, à partir das 11:00 na praça Diogo de Vasconcelos."

Não deixe de ver o flyer!

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 31/3/2007 00:04
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Luiz Carlos Garrocho
 

Mi Cortielha,

Outro dia, passando ali, lembrei-me de seu texto. E pensei comigo: como é que a gente aceita que as coisas fiquem como estão!

Bom saber que as pessoas não aceitam. O espaço do café já não pertence mais ao seu dono. Mesmo que possa destruí-lo colocando algo insípido no lugar. Pertence ao imaginário da cidade.

Luiz Carlos Garrocho · Belo Horizonte, MG 31/3/2007 22:57
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Sergio Rosa
 

Agora que a loja reabriu eles mantiveram na lateral um pequeno café, Provavelmente como conseqüência da reclamação geral. Foi uma coisa simbólica, tendo em vista que o café atual fica no meio de uma passagem e é muito menor. Acho que não dura muito, né? Essa esmola não vai pegar.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 14/5/2007 16:40
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Mario C.
 

Eles são incrivelmente burros. Nunca vi planejar um negócio tão mal.

Se mantivessem ali um bom café, venderiam celular aos montes. Mas o conceito de "loja" deles é aquilo e não conseguem pensar em outra coisa. Pois olhando praquela loja eu consigo muito bem pensar em hospital, o que não me incentiva nem um pouco a entrar.

Mario C. · Belo Horizonte, MG 14/5/2007 23:20
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Gregs
 

A Cafeteria vai fazer falta. A praça da celular (ou da Savassi) vai, novamente, perder sua magia.

Gregs · Belo Horizonte, MG 7/6/2007 13:53
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Mi [de Camila] Cortielha
 

Acho que todo mundo aqui vai se interessar, de alguma forma, por isso daqui.

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 17/6/2007 23:49
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drigo
 

Como já foi dito, acho uma pena que mais um ponto da Savassi tenha se transformado dessa forma. Hoje a praça da Savassi já não conta praticamente com nenhum grande atrativo, tornando-se apenas um local de passagem e não mais um ponto de encontro.

Eu também me senti órfão com o fim do café e gostaria que eles reabrissem em uma loja maior em outra esquina charmosa de BH (ali mesmo na Savassi algumas esquinas viraram até estacionamento!)

A Cafeteria não discriminava ninguém e tinha o seu charme, apesar da fachada um pouco deteriorada pelo tempo. Eu não me contento com aquele mini-café que abriram ao lado da antiga loja, quase um pedido de desculpas aos antigos frequentadores. Não acredito que seja saudosismo da minha parte. Acho mesmo que aquele quarteirão está ficando cada vez mais pesado e hostil para quem frequenta a região.

drigo · Belo Horizonte, MG 28/10/2007 14:11
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Roger Dutra
 

Bem, duas coisas: primeira, e mais importante, A Cafeteria reabriu, bem ao lado da Claro; eles já tinham colocado um balcãozinho que funcionava até às 19h. Agora, reformaram a loja ao lado, anexaram ao balcãozinho e...temos novamente uma bela cafeteria em BH; e, segunda: acho que isso tira a razão de quem disse acima que o proprietário fechou por causa dos adolescentes e não por pressão da Claro. Ora, tivesse sido por isso, ele voltaria para o mesmo lugar? Sei não...

Roger Dutra · Belo Horizonte, MG 22/5/2008 16:47
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