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Por que fechar cursos públicos de artes?

Juliaura da Luz Bauer
Manifestação em 2007 já denunciava o crime contra as artes locais
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Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS
12/7/2008 · 119 · 11
 

Uma petição pública convida para um abaixo assinado em defesa dos cursos interiorizados de artes da Universidade do Estado do Rio Grande do Sul - Uergs. A petição acentua que "o ensino superior não deve ser um privilégio, mas um bem comum de todos".

O básico na filosofia de instituição da Uergs no governo de Olívio Dutra, 1998 a 2002, é que o conhecimento regional, as diferenças locais em cada região e mesmo a demanda por acumulação científica são diferenciados e necessitariam de estímulo de recursos públicos para aflorar.

Esse conceito básico não agrada os defensores da universalidade de um único pensamento. Aqueles que estão sempre certos, seja sobre os céus, os infernos ou mesmo a simples existência terrena... a razão de existirem, que é o lucro privado sobre a exploração da produção social

E os caciques, os chefes dos monopólios econômicos, cobram dos capachos políticos que elegeram, a correspondência doutrinária. Que sobre dinheiro público para a publicidade nos meios eletrônicos e impressos, que deixem eles mesmos de ser cobrados de impostos.

Cortem as cabeças! Fechem as coisas públicas! Cortem as despesas públicas! Diminuam o tamanho do estado, que seja mínimo e só suficiente para repassar os recursos públicos às elites que sempre lucraram com centros únicos do saber, sob controle do vetusto, do dinheiro sagrado. Gritam como a rainha de Alice no País das Maravilhas. Isso não é novo.

O liberalismo, mesmo o neoliberalismo, não é mais novo. São praga esterilizadora da inteligência, que foram sempre, em nome da urgência de um progresso que serve apenas à Matrix... seja que sacana ou proxeneta mande na matriz do período.

Será por isso que a Uergs fecharia cursos públicos de arte? Será que reencarnam aquele nazista que já ia sacar a mauser por ouvir falar em cultura?

A comunidade gaúcha está sendo convidada a pensar sobre isso, e sobre o que fazer com a vontade do atual governo gaúcho, mais uma vez confundindo os negócios privados com o interesse público... mais uma vez.


Denuncia a falta de investimentos como método para matar à míngua a iniciativa pioneira do governo da Frente Popular de constituir centros regionais de nível superior públicos:

"Investimentos esses em qualificação permanente dos profissionais, na pesquisa, bem como na grade dos cursos oferecidos. Não podemos admitir que um estado como o nosso ceda às pressões das grandes universidades privadas, transformando os nossos cursos de graduação em cursos técnicos..."

"...deverão ser contratados professores ao longo dos próximos anos nas áreas relacionadas às artes: dança, música, teatro e artes visuais. Para tanto, nós do sul do país, precisamos manter os cursos de graduação nestas áreas, com ensino público gratuito e de qualidade, o que já ocorre na UERGS Montenegro. Mas, devido ao sucateamento, falta de vestibular e a não contratação de professores por concurso público estadual, isso tudo está se perdendo".


Se te interessa o debate e saber mais sobre como o público é posto a atender interesses privados, acesse o teor inteiro da Petição em defesa dos cursos de artes da Universidade do Estado do Rio grande do Sul.



Fonte:

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/829

Nesse linque do Google imagens você encontra tudo e mais um pouco do que ainda queira saber sobre porque a Uergs não interessa aos dois últimos governos gaúchos.

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MarcilioMedeiros
 

Bauer,
Obrigado por ter divulgado isso aqui.
Eu mesmo não saberia, se não fosse por você.
Educação é fundamental e precisamos fortalecê-la no Brasil.
A interiorização do ensino, pesquisa e extensão são essenciais para a mitigação das desigualdades.
Assinei o documento.
Abs,

MarcilioMedeiros · Aracaju, SE 9/7/2008 20:04
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Adroaldo Bauer
 

E a educação em artes, essa hoje tão afetada, falseada, falsificada, edulcorada, glamurizada, menos educação em artes de fato, essa então, carece mais ainda da fixação de conteúdos permanentes fora dos templos (as metrópoles, os centros) sacralizados por uns pensamentos meio tacanhos, atravessados pela impostura histórica das das elites e distante do povo, daquele que produz a riqueza, reproduz a sociedade e, portanto, é o agente cultural por excelência a ser estudado, a dar aulas, a trocar saberes.
Grato por tua pronta compreensão, Marcílio.
A modernidade que alguns têm apregoado aqui se aproxima mais da idade moderna da História do Ocidente (de 1453 a 1789) que com a contemporaneidade, bem distinta das modernices atucanadas, muito mais próximas das antigas papagaiadas feudais.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 9/7/2008 20:52
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MarcilioMedeiros
 

Bauer,
Certíssimo.
Criar/fortalecer centros de educação e diálogo de saberes no interior é tentar garantir a diversidade e a riqueza cultural brasileira.
Queremos essa arte substancial, não pasteurizada, e uma educação que honre sua importância.
Abs,

MarcilioMedeiros · Aracaju, SE 9/7/2008 21:09
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Cristina Jacó
 

Por que fechar uma iniciativa de arte-educação? Claro, faz sentido! Proque aprender arte (mesmo que por vias limitadas como é a educação pública) é fazer o indivíduo aprender a pensar, questionar e produzir por si mesmo. Por que o Estado ira querer algo que fortalece o povo? Então que se feche e cala-se o povo. PARABÉNS PELO PROTESTO! POIS O POVO NÃO PODE SER CALAR. E SE FECHAR A ESCOLA QUE FAÇAMOS ARTE NAS RUAS! ou vão fechar as ruas também?

Cristina Jacó · Goiânia, GO 11/7/2008 19:28
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Adroaldo Bauer
 

Pintaremos até nos céus, o sete, se assim quiserem e não nos calarão os que nos querem subservientes pra a exploração. Agradecido Cristina Jacó.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 11/7/2008 20:06
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MarcilioMedeiros
 

Bauer,
Agoras os votos.
Abs,

MarcilioMedeiros · Aracaju, SE 11/7/2008 20:47
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Compulsão Diária
 

Adro, parabéns! Sem cursos públicos a arte cada vez mais será elitizada.
meu abraço e voto

Compulsão Diária · São Paulo, SP 11/7/2008 22:14
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Jair Jnusi
 

Estou aqui votando e em nome da ARTE, aplausos para você meu amigo pela postagem!!!
valeu!

Jair Jnusi · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2008 08:55
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clara arruda
 

Adro meu querido,sei que estou atrazadinha.
Uma grande matéria.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2008 12:09
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Spírito Santo
 

Estou indo lá no abaixo assinado. Pouco caso, pouca capacidade, pouca ombridade, pouca inteligência e muita 'pouca vergonha'.
Francamente!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2008 13:17
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Adroaldo Bauer
 

Uma carta de Maria Helena Bernardes a Senhora Governadora,


Sou artista plástica e professora de História e Teoria da Arte, atuante na cidade de Porto Alegre.

Por ocasião da exposição que inaugurei na Galeria de Arte da FUNDARTE, em outubro último, e ao participar de conferência no Seminário Nacional em Arte Educação , promovido por aquela instituição na mesma época, tomei consciência da iminente desativação do curso de graduação em artes da FUNDARTE/UERGS, sediada em Montenegro.

O que vi e ouvi a esse respeito da parte de professores, pesquisadores, estudantes e participantes do seminário, oriundos de todo o Brasil, senhora governadora, deixou-me constrangida de pertencer ao estado sob sua gestão.

Atuando em Porto Alegre , oriento estudantes, artistas e professores de diversas regiões do Rio Grande do Sul e pude testemunhar a iniciação profissional de jovens graduados pela FUNDARTE que ingressam na comunidade de artistas e professores com o entusiasmo de quem sai de uma escola qualificada e da qual se orgulha.

Pergunto-lhe: já esteve na FUNDARTE? Dialogou com seus alunos e professores? Tem idéia do trabalho que realizam e da contribuição que, em seus poucos anos, a graduação da FUNDARTE proveu, em âmbito estadual? Tem ciência do nível de qualificação dos professores, que, por falta de perspectiva naquela instituição, têm-se colocado entre os primeiros classificados em concursos para instituições federais de ensino de nível superior? Está consciente da demanda pendente entre os jovens estudantes desde que a senhora deixou de autorizar novos concursos vestibulares?

Por omissão ou protelação – ambas inaceitáveis como justificativa do fechamento de uma instituição pública de ensino –, o concurso que regulamentaria o quadro de professores da FUNDARTE junto à UERGS permanece sem data para efetivar-se. Da mesma forma, os concursos vestibulares para ingresso de novos alunos permanecem sem previsão de realização. Não havendo quadro de professores e tampouco alunos para dar início a mais um ano letivo, parecerá justificada a desativação do curso. Será essa a conclusão a que a senhora espera que chegue a classe educadora e cultural de nosso estado? Seremos assim tão ingênuos a seus olhos?

Pessoalmente, senhora governadora, ainda me encontro sob o impacto da notícia a respeito de escolas do ensino fundamental fechadas em municípios do interior do estado sob o pretexto de falta de alunos, argumentado pela Secretaria Estadual de Educação. Para agravar essa impressão de abandono e indiferença por parte do Governo do Estado, os jornais de grande circulação divulgam a inexplicável demora na nomeação de um novo diretor da FAPERGS, o que deixou nossa principal instituição de fomento à pesquisa praticamente inativa ao longo de 2008.

Será essa a marca que seu governo deixará na educação e na pesquisa?

A desconstrução? O descaso? A imobilidade?

Desculpe-me a sinceridade, senhora governadora, mas ouso afirmar que, sem ações que evidenciem o contrário, tenderei a concluir que seu governo objetiva a imobilidade administrativa que flagela nossas instituições educacionais.

Esta carta é, também, uma manifestação de solidariedade para com aqueles estudantes que tristemente vêem anulada a instituição que os formou e aqueles que já não poderão candidatar-se a ela em um próximo concurso vestibular. Minha solidariedade dirige-se aos colegas artistas e professores da FUNDARTE que transferiram suas vidas das cidades de origem para se tornarem cidadãos de Montenegro, cidade que os abraçou nesse projeto que seu governo está em vias de extinguir por absoluta falta de ação. Minha solidariedade é para com a educação e a formação artística qualificadas que perdem terreno em nosso estado, sob sua gestão.

Senhora governadora, seja na qualidade de artista, palestrante, ensaísta ou professora, atuando junto a artistas, estudantes, professores e pesquisadores em artes, serei mais uma a assumir o compromisso de sensibilizar nossa comunidade em relação à triste realidade que presenciei em Montenegro.


Maria Helena Bernardes

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 6/11/2008 16:08
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