Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

Por quem os dobrões tilintam

Rosane Scherer
Há 14 anos entre os melhores, ainda sem programação da midia
1
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS
25/8/2008 · 128 · 4
 

Tenho deixado aqui já algumas vezes, por ocasião do décimo-terceiro e do décimo-quarto ano de circulação do Jornal Fala Brasil, algumas frases mais de reconhecimento e estímulo a essa brava experiência da materialização de sonhos de um jornalismo sem rabo preso, de divulgação da multidão dos pequenos fazedores da nossa arte cotidiana e dos fatos culturais de uma cidade que não é mais pequena, mas tem um circuito cultural publicizado como se aldeia fosse em que a corte é quem determina o que é a cultura a ser propagada.

Há mais do que passa na tevê, na vida cultural de Porto Alegre, embora a tevê daqui recuse espaços a esse mais e prefira o menos. Os de sempre, os da família, os da curriola, os que ela mesma produz ou os que a pagam.

Exceção à visita badalada dos expoentes da novela
rede-transmitida, momentos em que os espaços se ampliam de tal modo que a paciência do telespectador vai aos limites do estrugir.

O Fala Brasil, por essa aproximação com os que vivem de cultura fora do circuito da fama, tem sido aplaudido e reconhecido pelos 10 mil leitoresde cada uma de suas edições mensais, pelos artistas e algumas autoridades públicas.

Vez por outra recebe uma distinção, é escolhido para um prêmio cultural. Tem os dois principais da cidade: o Açorianos de apoio à cultura e o Cultural Joaquim José Felizardo, mas tem sido olimpicamente esquecido, deixemos assim pequeno por hora, pelos programadores de midia.

- Não se encaixa nos perfis dos anunciantes é a alegação preguiçosa que ouço desde 1997, quando ajudei a promover um encontro de jornais segmentados. Havia 54 títulos de semanários de bairros, mensários segmentados em cultura, esportes, turismo, ecologia, entre outros quando atuava na função de planejamento e distribuição de verbas de publicidade da Prefeitura de Porto Alegre.

O encontro, realizado em parceria com o museu de Comunicação Hipólyto José da Costa debateu esse tema e até impulsionou na cidade a formação de uma associação de jornais não diários e deu um certo fôlego por quase uma década a um mercado que existe... a jornais que persistem e são lidos.

Os marqueteiros insistem em escondê-lo ou fugir dele (porque têm opinião), dobrando-se à acomodação e à conveniência da via principal, o que só ajuda a manter inclusive as mesmas moscas, como andam questionando por aqui também.

Um jornalão de centenas de páginas em dezenas de cadernos recebe anúncio de página dupla em cor: fica o bicho boiando naquela lama toda. O jornal mensal, segmentado de público cativo, nada recebe.

O dono do jornalão é também concessionário de emissoras de rádio e tevês... é da súcia de poder erguida a partir dos espaços públicos concedidos, por onde elegem prefeitos, vereadores, deputados, governadores, senadores e presidentes. Ou agem para derrubá-los, também em conluio com os de sempre.

O Fala Brasil vai chegar aos 15 anos em 2009. Pretende debutar vestido de gala, embora sem salto muito alto. Unha pintada, não necessariamente grande. E algum anel, que não precisa ser sequer chuveiro. Recordo da proposta original da atual secretária de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul (fico até envergonhado de lembrar) de realizar um baile nacional de debutantes para...

Vamos colaborando com o Jornal Fala Brasil, eu, Danúbio, Affonso, Zé Augustho, outros...

Quem sabe você tem alguma idéia de como assegurar o custeio dessa midia dos artistas populares de Porto Alegre e do Rio Grande.

Se quiser oferecê-la, não se acanhe, mande e-mail para a Rô: jfalabrasil@terra.com.br

*****

Pela edição mais recente, de agosto, a Rosane Scherer, proprietária, editora, fotógrafa, distribuidora e administradora do Fala recebeu do coloborador Affonso Romano de Sant"Anna, o seguinte e-mail:
Querida, que bela supresa, reviver aqueles momentos com vocês, no hotel, na conferência, cercado de tanto carinho...me dá até vontade de mudar para aí. Se os gaúchos são especiais, você(s) do Fala Brasil, especialíssimos: são uma ilha nesse oceano de tubarões da pós-modernidade...(...).

*****

A coluna dele na edição de agosto é a que segue

*****

A GUITARRA DE AR

Affonso Romano de Sant'Anna

Acaba de acontecer na França um campeonato de tocadores de guitarras invisíveis. E nos próximos dias, entre 20 e 22 de agosto, na Finlândia, ocorrerá o campeonato mundial de guitarras de ar. Não será a primeira vez, este será o 13 certame e reunirá representantes de mais de 20 países.

Os guitarristas sobem ao palco (sem guitarra nas mãos) e dão um show. Fazem todos os gestos típicos de Jimmy Hendrix ou de qualquer outro gênio da espécie como Kurt Cobain. Os dedos dobrados dedilhando o nada, o corpo badalando o invisível, o rosto fazendo as caretas acompanhando os acordes enquanto a platéia delira diante do ausente. Claro, a música existe em play-back, o instrumento é que é conceitual.

A prova consiste em duas etapas. Na primeira o concorrente escolhe a música que quer, e na segunda, conforme o regulamento "usa um mediador real". Há um júri que dá notas de 4,0 a 6,0.

Dizem os comentadores que este tipo de espetáculo é algo entre o humor e a arte contemporânea. Afinal de contas, Marcel Duchamp não havia dado de presente ao seu marchand americano uma ampola de farmácia cheia do "ar de Paris"?

Os artistas da guitarra invisível aprofundam essa proposta. Levam o falso ("fake" ), a imitação e o "cover" ao extremo. Criam pseudônimos, artistas imaginários que tocam guitarras imaginárias. Criam biografias de músicos inexistentes, como o de um tal Juano Fonzo, que foi inventado pelo músico Pitt Feio (alusão a Brad Pitt), que por sua vez é pseudônimo de Guillaume de Tonquédec. Este revelou que Pitt morreu de uma overdose de "aeroína"- substância "mais funesta que a heroína". Tal herói confessa que optou pela guitarra imaginária porque aos 8 anos seu pai recusou-se a dar-lhe uma guitarra verdadeira.

Como se vê, Freud tem tudo a ver com a arte de nosso tempo.

Mas isto tem a ver também com um outro tipo de arte que nos deixa igualmente surpresos: a arte dos negócios. Vejam os jornais destes dias com notícias sobre fabulosos banqueiros e políticos. Alguns, como aqueles intangíveis guitarristas, tocam instrumentos que não existem, outros tocam negócios invisíveis, que quando vistos pela Polícia Federal provocam um desconcerto nacional.

Afinal, o que é uma bolsa de valores? O que é a criação de empresas fictícias que são lançadas no mercado gerando ações milionárias, cheias de ar? O que são os famosos "laranjas", utilizados como "fake", como "cover", imitadores, pastiches e paráfrases? Daniel Dantas, Naji Nahas, Cacciola e Eike Batista são grandes artistas, grandes jogadores no cassino das finanças, virtuoses internacionais da arte dos negócios.

Dest’arte, falando da arte dos negócios e do negócio da arte, por coincidência, no Museu de Arte Moderna de São Paulo foi inaugurada uma grande exposição retrospectiva de Marcel Duchamp. Além do vidro vazio ("L’air de Paris") esse grande ilusionista fabricou também uma nota falsa para pagar suas dívidas. Também inventou e imprimiu por conta própria umas ações do Cassino de Monte Carlo, pois era um jogador inveterado. Chegou a confessar que o jogo era seu vício e queria ser o melhor jogador de xadrês do mundo. Não conseguiu. Esse jogo tem regras fixas, e não pode cada jogador sair por aí inventando suas próprias regras. Mas no cassino das artes, deu-se bem. Intitulando-se "pseudo artista", um "anartista" virou uma referência na história da arte contemporânea.

Só falta os advogados desses que andaram pintando e bordando com o dinheiro alheio alegarem que eram artistas conceituais.



*****

Sou um fã de carteirinha do Danúbio Gonçalves, que aos 83 anos me dá receitas saudáveis de alimentação: coma menos, coma frutas, coma legumes e verduras, deguste o vinho, mas beba pouco, e que me aplaude ter deixado de fumar, secundado por uma trinca de médicos vigilantes anti-tabagistas, meus quatro filhos e duas netas.

Overmundo já recebeu algumas matérias do mestre das artes plásticas Danúbio Gonçalves, uma delas, publicada pela Juli Bauer, de denúncia de uma compra pelo Museu de Artes do rio Grande do Sul de obra falsa.

Como a panela de pressão aqui tem as borrachas renovadas e a tampa muito presa, o fogo ainda é brando, ninguém mexeu palha para dar seguimento a denúncia.

Também ninguém ainda negou o denunciado... o vapor, no entanto, é presente, o cheiro do cozido já se espalha na província, embora os narizes dos falsários continuem empinados.


Ladrão bem sucedido e inveja dá mais que mato na res publica, ainda que insistam que a mentira tenha pernas curtas. Vai ver anda de moto, skate, patinete ou jet(set)ski.




Publico aqui a coluna dele na edição do Fala Brasil de Agosto.


*****
TAUROMAQUIA E BELICISMO

Danúbio Gonçalves

A presença do touro, mitológico, existe em quase todos os povos primitivos. Na crença dos antigos persas era morto por Arimanes, significando o princípio da vida dos homens e dos animais e das plantas.


Entre os hindus o touro era sacrificado. Em certas esculturas, como do mosteiro Gautami-Putra, os vedas cavalgavam touros e não elefantes. O touro de Shiva é representativo exemplo. Num relevo egípicio do templo de Seti, em Abidos, Ramsés II e seu filho, perseguindo um touro para leva-lo ao sacrifício.


Vestígio da cultura céltica na Espanha, onde encontra-se os chamados touros de Guisando. Na mitologia grega é freqüente a presença destes animais. Nos episódios em que figura Hércules, ao mito da Europa, seduzida por Zeus, travestido num deles e no célebre Minotauro da ilha de Creta, no Palácio de Knossos. Em pintura representando moças e rapazes pulando sobre os touros, agarrando-os pelos chifres, isso há três ou quatro mil anos atrás.


Conjectura-se que Roma teria importado corridas de touros através dos mouros. Dion Cássio menciona festas taurinas celebradas durante o império de Nero. Tais espetáculos públicos associados, podemos dizer, também ao martirológico cristão no Coliseu romano em que as feras devoravam os condenados, divertindo a numerosa assistência empolgada sadicamente com a brutalidade sanguinária do "Sangue y Arena", de Blasco Ibánez. A origem das touradas perde-se na nebulosa dos tempos. Desde os bisontes de Altamira? !


No reino de Aragão era apreciada pela nobreza o espetáculo taurino. Diz-se que César Borgia, Cardeal, toureou em varias ocasiões e o Papa Alexandre VI celebrou com uma corrida de touros o jubileu do ano 1500. Entretanto o critério oposto condenou a tourada. Retomada no barbarismo da Santa Inquisição... Acontecimento à polêmicas decisões. Felipe V, o primeiro dos Bourbons, sentia antipatia pela tourada. As proibições antagônicas sucederam-se.


A corrida de touros motivou obras literárias e nas artes plásticas, teve dois artistas de genealidade insuperada: Francisco Goya y Lucientes e Pablo Picasso. Sendo o painel de Picasso "Guernica", a obra de maior relevância da modernidade. Pintura quase incolor, em luto similar a uma gigantesca gravura em aguaforte e aquatinta. Denunciando o criminoso bombardeio desta cidade pelo nazismo, associado ao despotismo do generalíssimo Franco. Em conotação imagética à corrida de touros, destacando o touro e o cavalo incorporado tragicamente na magistral composição.


Estive várias vezes na Espanha, conhecendo principais cidades e sua arte. Assíduo freqüentador, em Madri, do Museu do Prado e da genial arquitetura de Gaudi em Barcelona. Paris e Barcelona, minhas amadas cidades, constituídas em inesquecível saudoso memorial. Espanha de forte raiz mourisca tão presente na música, canto e dança flamenca. Mas sou incapaz de assistir uma corrida de touros, nem pela TV... Espetáculo imponente e desfile que antecipa o combate sangrento entre o homem e o animal. Descendo de família da Catalunha: Villamil. Neto materno de José López Villamil e de Antonia Diaz Villamil. Admirando a cultura ibérica: Cervantes, Garcia Lorca, Mauel de Falla, Goya, Velasque, Gutierrez Solana, Salvador Dali (pioneiro do marketing e detestado por seu mau caráter). J. Solana, J. Sorolla, M. Fortuny, Zuloaga, Miro, Picasso, Gaudi, etc. Todavia o "esporte taurino" agride o meu Apreço Afetivo pelos animais. Comparo, creio sem radicalismo a tourada com disputa mortífera entre os gladiadores e a corrida das bigas ou do holocausto no massacre de cristãos no Coliseu Romano. Correspondente ao extermínio dos judeus em Auchewitz e Treblinka. Tive oportunidade de percorrer, comovido, o campo de concentração de Auchewitz na Polônia. Atrocidade retomada no bombardeio experimental da bomba atômica em Hiroschima e Nagasaque exterminando população civil nipônica.


A Guerra atual, gerando a represália do Terrorismo..., agora tornando nulo o fator ideológico. Bem vinda $ aos fabricantes de armamentos, e acréscimo da conta bancária desses magnatas. Urubus revoando lucrativos conflitos e guerrilhas universais. Equivalente à "guerra ecológica", em constante destruição da natureza. O progresso cientifico, a máquina, etc., possibilitou considerável vantagem social, porém acompanhada também por nefastas conseqüências.

Uma árvore de 200 anos é abatida com moto-serra em dois minutos!...

O conturbado terceiro milênio, torna incontestável sua culpa rendável pela agressão à natureza, não atingindo apenas aos desamparados monetáriamente. A poluição industrial, insaciável $, associa-se a este desvario inescrupuloso $. Atingindo, sem exceção, a todos, independente de status... Nos fazendo não duvidar de um possível futuro apocalíptico. Crise amparada pela impunidade de uma democracia hipócrita e manipulada pela mentirosa mídia de aluguel. Instituída oligarquia do Poder, reminiscente histórico perpétuo. Gerando outros rendáveis fatores alarmantes. Em destaque para noticiários sensacionalistas nos meios de comunicação. Reinando a conseqüência epidêmica da droga com seus traficantes $, alastrada pela metrópole ou também pelas cidades provincianas.


Repito, repito, insistentemente, repito: detesto o pessimismo e afasto-me sempre dos pessimistas! Mas, não por isso,comporto-me como um alienado acomodado, dos que mesmo contrários a essa situação global, permanecem calados diante do comando patronal para garantir a seu mísero salário...


Reforço tal posicionamento com a corajosa acusação ideológica de Albert Einstein:

"A pior das instituições gregárias se intitula exército. Eu o odeio. Se um homem puder sentir prazer em desfilar aos sons da música, eu desprezo este homem... Não merece um cérebro humano, já que a medula espinhal se satisfaz. Deveríamos fazer desaparecer o mais depressa possível este câncer da civilização. Detesto com todas as forças o heroísmo obrigatório a violência gratuita e a nacionalismo débil. A Guerra é a coisa mais desprezível que existe. Preferiria deixar-me assassinar a participar desta ignomínia".


*****

Para os que não sabem e chegaram até aqui, recordo que também tenho uma coluna no Fala Brasil, embora nela pouco de opinião eu dê, ficando mais no papel de divulgador de algumas publicações literárias que não encontram aquele espaço de que falamos na abertura dessa já um tanto longa charla. Ninguém é obrigado a ler, mas quem quiser, há algumas indicações de leitura do que vamos escrevendo.

******

Retorno Imperfeito
Adroaldo Bauer

Desencantado carrossel - Diego Grando, Não Editora. R$ 19,00. Poesia, infância e o ser-estar-no-mundo, nos diz a apresentação da obra, lançada em julho, como o primeiro título de poesia que a editora publica. Charles Kiefer apresenta o poeta ao mundo: "... Diego sempre soube que só será grande poeta aquele que for capaz de canibalizar seus poetas fortes, como ensinou Harold Bloom." Temas aparecem e reaparecem como no brinquedo da infância. O centro busca a identidade.

Eu versus mundo...

quando arrisco palavra / ou uma (me) escapa / espero-a dar voltas pra cima e pra baixo / na garupa de um cavalinho / cor de rosas desbotadas / até que ache (perca) os sentidos e/ assim desorientada / explique-se a que veio

Diego se expõe em 41 poemas e nos dá "... melodias variadas, ora como uma caixinha de música, ora como uma canção de protesto, ora como o lamento silencioso dos ponteiros do relógio, surpreendendo os problemas e as incoerências do seu tempo com uma visão de mundo aguda, crítica, auto-irônica e particular", nos diz a Não Editora - www.naoeditora.com.br - sobre seu primeiro poeta, um porto-alegrense nascido em 1981. Desencantado carrossel é também o livro de estréia de Diego Grando.

No Verde dos Teus Olhos - Márcia Sanchez Luz, Editora Protexto. Coleção Poesias, 144 páginas, R$ 31,00. Márcia provoca a pessoa que lê à reflexão e à crítica. A fina técnica rompe os cotidianos crus. A alma elevada e enlevada nos mostra o que mundo não produz ordinariamente. Márcia nos permite a vida na berlinda.

Máscara

Sei que esperas // Que o melhor ocorra // Que o mais puro olhar // Contagie nossas almas.

Sei também // Que teu lado mais doce // Não é o que me mostras // Pois que a ele dás as costas

Sei que talvez // Te mascares pra vida // Me mostres teu amargo // Pra te proteger

Mas sei que adiante // Não vais mais poder // Esconder-te de mim // Nem fugir de ti

Venda pela Internet no endereço http://www.protexto.com.br/livro.php?livro=145


Porto Poesia – Festival de Poesia de Porto Alegre - formalizou em julho parceria com Shopping Total, que destinará espaços e proverá estrutura na área do Centro Cultural Total. O evento, em segunda edição, realizar-se-á de 6 a 12 de outubro de 2008. O poeta Marco Celso Viola comemora o acordo que "dessacraliza a poesia, tirando-a das livrarias e colocando-a num dos espaços mais tradicionais e belos da cidade, ao alcance de todos os públicos". Sílvia Rachewsky Lemos, representando o Shopping Total, avaliou que a comunidade ganha com a iniciativa. Na ocasião, também foi lançada a primeira edição do Porto Poesia Literatura & Arte, publicação jornalística que pretende ampliar o espaço da divulgação da produção literária local. Tablóide com 12 páginas, tem distribuição gratuita. http://marcocelsoviola.blogspot.com/

Palavra – alegria da influência estréia dia 2 de agosto, às 18h30min. É promoção da Palavraria – Livraria-Café & Jornal Vaia. Fabrício Carpinejar e Everton Behenck inauguram o novo evento literário da cidade. O programa acontecerá no primeiro sábado de cada mês. Reúne um escritor anfitrião e outro da predileção daquele para conversa, leitura de textos e debate de idéias. Em 6 de setembro, Palavra – alegria da influência é com Sidnei Schneider e Jorge Rein. Monique Revillion e Charles Kiefer encontrar-se-ão em 4 de outubro. A Palavraria fica na Rua Vasco da Gama, 165 (telefone: 3268-4260 palavraria@palavraria.com.br).

Parabéns a você
- Um ensaio sobre ética e felicidade. 112 páginas, R$ 27. Ildo Meyer. Desonestidade, má-fé e falta de caráter opõem-se na obra a bem-estar físico, mental e emocional. Meyer passeia pelo tema sempre atual e convida o leitor a prestar atenção na letra da tradicional música Parabéns a Você. "Para o autor, as felicidades serão apenas conseqüências... recompensa, como propunha Saint-Exupéry, e não como um fim", diz o autor. Porto-alegrense, Meyer, publicou em 2005, em co-autoria com outros três colegas, o livro Marketing para Médicos – Um caminho ético.


Ricardo Guilherme Dicke faleceu aos 70 anos no dia 9 de julho último. Para os apreciadores, a literatura do brasileiro do Mato Grosso é do tamanho da de Machado de Assis, Guimarães Rosa e Hilda Hilst. Glauber Rocha bradou nos anos 1980 a propósito do romance Caieira: - Ricardo Guilherme Dicke é o maior escritor brasileiro vivo e quase ninguém no Brasil conhece sua literatura, é um absurdo!

No Google, retornam 78.300 citações ao nome do escritor nascido em 1936, na Chapada dos Guimarães. Dicke tinha plena consciência de sua grandeza, e das limitações de um mercado que privilegia medíocres, letras fast-food para facilitar a digestão. A falta de uma política editorial e de incentivo à leitura no Brasil reserva um papel ingrato para os escritores, denunciava o escritor mais premiado de Mato Grosso. Dicke foi um dos premiados pelo concurso literário Walmap, que tinha como julgadores Guimarães Rosa, Jorge Amado e Antonio Olinto. O Salário dos Poetas, obra de Dicke, foi adaptada e encenada em Portugal, pelo grupo de teatro O Bando, de resistência cultural e linguagem experimental dirigido por João Brites. Madona dos Páramos, Deus de Caim, Caieira, O Último Horizonte, O Salário dos Poetas, Rio abaixo dos Vaqueiros, Cerimônias do Esquecimento são algumas das principais obras de Ricardo Guilherme Dicke. Pela Internet, leia mais sobre Dicke http://www.overmundo.com.br/overblog/mato-grosso-em-terras-lusitanas

http://www.overmundo.com.br/blogs/ricardo-guilherme-dicke-partiu

compartilhe

comentários feed

+ comentar
celina vasques
 

com prazer e cqrinho inicio sua votação!
beijo no coração!

celina vasques · Manaus, AM 23/8/2008 17:05
sua opinião: subir
Márcia Sanchez Luz
 

Adroaldo, li e reli seu texto ainda em edição. Obrigada pela parte que me toca...rss... Adorei. Parabéns pelo belíssimo trabalho - aqui, neste post, e também no Fala Brasil. Vocês são guerreiros admiráveis!!
Bem, fui a segunda a dar o voto... Não deu tempo de chegar antes.

Beijos, com carinho,

Márcia

Márcia Sanchez Luz · Araras, SP 23/8/2008 17:29
sua opinião: subir
Cintia Thome
 

Colaborcao premiada essa...
Há 14 anos entre os melhores, ainda sem programação da midiaImagens

Edição de agosto já circula

Grando, poeta

Márcia, poeta

Eu (e) Zé Augustho, Rosane, Affonso e Danúbio no chá dos 14 anos do Fala

I fórum de Imprensa Alternativa RS - 1997

Guernica - Pablo Picasso Tenho deixado aqui já algumas vezes, por ocasião do décimo-terceiro e do décimo-quarto ano de circulação do Jornal Fala Brasil, algumas frases mais de reconhecimento e estímulo a essa brava experiência da materialização de sonhos de um jornalismo sem rabo preso, de divulgação da multidão dos pequenos fazedores da nossa arte cotidiana e dos fatos culturais de uma cidade que não é mais pequena, mas tem um circuito cultural publicizado como se aldeia fosse em que a corte é quem determina o que é a cultura a ser propagada.

Há mais do que passa na tevê, na vida cultural de Porto Alegre, embora a tevê daqui recuse espaços a esse mais e prefira o menos. Os de sempre, os da família, os da curriola, os que ela mesma produz ou os que a pagam.

Exceção à visita badalada dos expoentes da novela
rede-transmitida, momentos em que os espaços se ampliam de tal modo que a paciência do telespectador vai aos limites do estrugir.

O Fala Brasil, por essa aproximação com os que vivem de cultura fora do circuito da fama, tem sido aplaudido e reconhecido pelos 10 mil leitoresde cada uma de suas edições mensais, pelos artistas e algumas autoridades públicas.

Vez por outra recebe uma distinção, é escolhido para um prêmio cultural. Tem os dois principais da cidade: o Açorianos de apoio à cultura e o Cultural Joaquim José Felizardo, mas tem sido olimpicamente esquecido, deixemos assim pequeno por hora, pelos programadores de midia.

- Não se encaixa nos perfis dos anunciantes é a alegação preguiçosa que ouço desde 1997, quando ajudei a promover um encontro de jornais segmentados. Havia 54 títulos de semanários de bairros, mensários segmentados em cultura, esportes, turismo, ecologia, entre outros quando atuava na função de planejamento e distribuição de verbas de publicidade da Prefeitura de Porto Alegre.

O encontro, realizado em parceria com o museu de Comunicação Hipólyto José da Costa debateu esse tema e até impulsionou na cidade a formação de uma associação de jornais não diários e deu um certo fôlego por quase uma década a um mercado que existe... a jornais que persistem e são lidos.

Os marqueteiros insistem em escondê-lo ou fugir dele (porque têm opinião), dobrando-se à acomodação e à conveniência da via principal, o que só ajuda a manter inclusive as mesmas moscas, como andam questionando por aqui também.

Um jornalão de centenas de páginas em dezenas de cadernos recebe anúncio de página dupla em cor: fica o bicho boiando naquela lama toda. O jornal mensal, segmentado de público cativo, nada recebe.

O dono do jornalão é também concessionário de emissoras de rádio e tevês... é da súcia de poder erguida a partir dos espaços públicos concedidos, por onde elegem prefeitos, vereadores, deputados, governadores, senadores e presidentes. Ou agem para derrubá-los, também em conluio com os de sempre.

O Fala Brasil vai chegar aos 15 anos em 2009. Pretende debutar vestido de gala, embora sem salto muito alto. Unha pintada, não necessariamente grande. E algum anel, que não precisa ser sequer chuveiro. Recordo da proposta original da atual secretária de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul (fico até envergonhado de lembrar) de realizar um baile nacional de debutantes para...

Vamos colaborando com o Jornal Fala Brasil, eu, Danúbio, Affonso, Zé Augustho, outros...

Quem sabe você tem alguma idéia de como assegurar o custeio dessa midia dos artistas populares de Porto Alegre e do Rio Grande.

Se quiser oferecê-la, não se acanhe, mande e-mail para a Rô: jfalabrasil@terra.com.br

*****

Pela edição mais recente, de agosto, a Rosane Scherer, proprietária, editora, fotógrafa, distribuidora e administradora do Fala recebeu do coloborador Affonso Romano de Sant"Anna, o seguinte e-mail:
Querida, que bela supresa, reviver aqueles momentos com vocês, no hotel, na conferência, cercado de tanto carinho...me dá até vontade de mudar para aí. Se os gaúchos são especiais, você(s) do Fala Brasil, especialíssimos: são uma ilha nesse oceano de tubarões da pós-modernidade...(...).

*****

A coluna dele na edição de agosto é a que segue

*****

A GUITARRA DE AR

Affonso Romano de Sant'Anna
caiu de pau....perfeito!!!!!

Valeu e vale muito Adroaldo!
parabens...

Cintia Thome · São Paulo, SP 24/8/2008 13:29
sua opinião: subir
Mestre Jeronimo - JC
 

Adroaldo.. povo do BR (somos nois!)

Ehhh... hipocrisia eh coisa que existe nesse nosso 'estado' *(humano! &... de seo 'lula')...

Tua denuncia, comentario, e trocentos em cima da corrupcao, e, falta de etica, eh uma coisa que deveria ser prato de 'PF' diario (prato feito, se diga!), pro povo, quica, se educar, e nao viver nesse estado de alienacao qu temos, a voga, no mundo inclusive.

Há mais do que passa na tevê, na vida cultural de Porto Alegre, embora a tevê daqui recuse espaços a esse mais e prefira o menos. Os de sempre, os da família, os da curriola, os que ela mesma produz ou os que a pagam.

A riquesa cultural que somos, povo brasileiro, nao da pra tomar como medida no que se tem de 'medalhas olimpicas', bem sabemos.

Are we, the champions? !

Ehhh... os ingleses quica -?!

Mas, eh bom saber que temos gente como a gente, como vc, mandando ver na tele, na tela.

Bonito texto, e bela atitude este texto coloca pra gente saber da gente, e pra votar contra o que nao eh da gente.

Viva... a sociedade alternativa... viva a revolucao cultural!

Ie!

Mestre Jeronimo - JC · Austrália , WW 25/8/2008 20:35
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

imagens clique para ampliar

Edição de agosto já circula zoom
Edição de agosto já circula
Grando, poeta zoom
Grando, poeta
Márcia, poeta zoom
Márcia, poeta
Eu (e) Zé Augustho, Rosane, Affonso e Danúbio no chá dos 14 anos do Fala zoom
Eu (e) Zé Augustho, Rosane, Affonso e Danúbio no chá dos 14 anos do Fala
I fórum de Imprensa Alternativa RS - 1997 zoom
I fórum de Imprensa Alternativa RS - 1997
Guernica - Pablo Picasso zoom
Guernica - Pablo Picasso

veja também

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Revista Overmundo nº 6: esquentando as turbinas!

A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados