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POR UM CINEMA LIMPO E BARATO I

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Medeiros, Adailton · Rio de Janeiro, RJ
27/8/2009 · 26 · 12
 

por Adailton Medeiros


Sempre que se fala na sétima arte, fala-se em milhões. São milhões para fazer filmes, milhões para distribuí-los e, assim, para construir salas para exibi-los. Mas, contudo, já foi mais caro, especialmente o último item, a nossa praia.

As novas tecnologias vêm baixando o custo de implantação das salas de cinema. Técnicas e materiais de acabamento mais acessíveis vêm diminuindo o preço da construção e montagem. Isso sem falar nas possibilidades do sistema de exibição digital, o brasileiro, é claro, infinitamente mais barato.

Quando embarcamos na onda do cinema digital, com o Ponto Cine, nossa bússola apontava para dois pontos de chegada: para um cinema limpo, o mais perto possível do ecologicamente correto; e para um cinema barato, o mais próximo possível do socialmente correto.

Partimos do nada, encaramos uma rota até então desconhecida e, o que parecia utopia, no dia-a-dia, a prática nos mostrou que era possível, sim, um cinema ecológico e social ser economicamente viável.

O Cinema Digital não utiliza o elemento físico (película) como suporte. O filme é recebido através de sinais magnéticos (via satélite ou banda larga, ou já compactado em um HD, neste último caso, nas grandes cidades), que transmitidos por uma central (São Paulo), ficam armazenados nos servidores das salas de exibição.

A não utilização da película contribui para a diminuição de cortes de árvores e despejo de resíduos químicos nos rios. Como não precisa de meios para transportar as latas dos filmes (geralmente cada filme tem de 6 a 9 latas), colabora para a diminuição da emissão de CO² na atmosfera.

Além desses benefícios à natureza, o cinema digital poderia está trazendo, também, benefícios aos bolsos dos brasileiros. Simples: se não há custos com revelação e copiagem de filmes, transporte e seguro de carga, eles deveriam chegar ao consumidor final com ingressos mais baratos. Mais, isso não vem acontecendo.

Lamentável e, pior, estamos sendo perversamente engolidos por um sistema que se não foi inventado por nós (hoje em dia é difícil afirmar exatamente a autoria dos processos dado à agilidade com que acontecem e a sinergia que os envolve), foi, certamente, estruturado e implantado por nós brasileiros.

A Rain Network (que tem esse nome, mas é brasileira) foi quem começou a plantar essa idéia do cinema digital no Brasil. Desenvolveu um sistema chamado Kinocast, montou um plano de negócio e foi à luta em busca de convencer a iniciativa privada e órgãos governamentais e, assim, estabeleceu-se, a princípio, uma Rede Alternativa para a exibição de filmes independentes, filmes de baixo orçamento, filmes que provavelmente jamais entrariam no circuito comercial convencional.

A grosso modo, um modelo com tudo em cima para ter sucesso. E teve e tem, mas corre o risco de ser suplantado, pois a sua maior contribuição para o crescimento, fortalecimento e consolidação de um novo público não aconteceu: a diminuição dos preços dos ingressos.

Como os americanos são craques nesse mercado, perceberam logo a nossa movimentação e, convencidos que o Digital é uma ida sem volta, jogaram pesado com a “novidade” das Salas em 3D.

Numa estratégia de marketing perfeito, deram um upgrade no velho tridimensional obsoleto - na mais indutiva linguagem bélica americana, deram uma “bombada” na potência de seus servidores e projetores -, um novo design nos desconfortáveis óculos e pronto: em vez de ingressos mais baratos, acesso muito mais caro.

O nosso “Sistema alternativo” corre o risco de ficar a ver navios e o sonho, de ir por água a baixo com, mais uma vez, as classes C, D e E condenadas à exclusão do circuito nacional e mundial de exibição.

Assim fica mais fácil de entender o porquê da arrecadação (R$ 78 milhões), do arrasta quarteirões de 1998, Titanic, que ficou 63 semanas em cartaz, ter sido superada por A Era do Gelo 3 (R$ 79,5 milhões), em sua sétima semana de exibição. Mesmo este tendo vendido somente pouco mais da metade de ingressos que o épico que projetou de vez o ator Leonardo Di Caprio: o Cinema Digital; melhor, não confundamos, o 3D.

Há uma coisa fora da ordem... Mas, fica para um outro momento.

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Wallace Rocha
 

PARABÉNS PELO ARTIGO ADAILTON ... É IMPORTANTE PENSARMOS NA CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL INDEPENDENTEMENTE DO SETOR A SER APLICADO. DEVEMOS NOS REEDUCAR DIARIAMENTE, E NADA MELHOR QUE O CINEMA, FONTE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, PARA COMEÇARMOS OS TRABALHOS. PARABÉNS AO PONTO CINE!

Wallace Rocha · Rio de Janeiro, RJ 28/8/2009 09:23
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Ricardo Alves
 

Nós que gostamos de cinema só temos a agradecer essa iniciativa, que a 1ª vista era considerado uma loucura, mas que quando saiu do papel se tornou a unica saída viável para o cinema nacional, tanto no sentido ecológico como no aspecto financeiro, pois com esse modelo implantado no bairro de Guadalupe você vem mostrando que isso é possível. Parabéns ao Ponto Cine!

Ricardo Alves · Rio de Janeiro, RJ 28/8/2009 09:49
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joao xavi
 

isso ai, adailton!
hoje em dia dominar a tecnologia faz parte da cartilha da resistência. digital pra cima deles! vamos rechear nossas telas com o cinema de produção barata e conteúdo enriquecido.
por essas e outra mate com angu e ponto cine tem o diálogo tão afinado.
forte abraço!

joao xavi · São João de Meriti, RJ 28/8/2009 19:12
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Professora Mercilania
 

Parabéns Adailton!
O Ponto Cine é mesmo um espaço cujo conteúdo é muito enriquecido. Eu, que sou apaixonada por cinema, só tenho que agradecer a você pro sua iniciativa que tanto valoriza o cinema nacional, bem como,o parabenizo pela oportunidade que você dá aos moradores de Guadalupe e do entorno em ter acesso à maior fonte de EDUCAÇÃO E CULTURA, que é o CINEMA.
Um forte abraço.

Professora Mercilania · Rio de Janeiro, RJ 28/8/2009 19:34
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Lucla Lima
 

Adaílton,
Parabéns pelo artigo.

Um abraço.

Lucla Lima · Rio de Janeiro, RJ 28/8/2009 22:51
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Rosane Santiago
 

Na luta Adailton! Com o que já foi conseguido já tens a vitória, agora é só manter e explorar os mercados estão aí ... te esperando. parabéns!

Rosane Santiago · Rio de Janeiro, RJ 29/8/2009 08:47
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Alexandre A
 

Caro Adailton! Parabéns pelo texto! Vou repercuti-lo em sala de aula.

Alexandre A · São Borja, RS 29/8/2009 13:47
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Heloisa Alves
 

Adailton,
Mais uma vez, parabéns pela sua iniciativa e pela sua luta, que tanto têm feito pela democratização do acesso à produção nacional e para que o cinema chegue a todos.

Heloisa Alves · Rio de Janeiro, RJ 30/8/2009 16:47
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Rosemary
 

Marx já alertou, há mais de um século, que os capitalistas seriam capazes de vender qualquer coisa. Agora vendem imagens que saltam da tela. Quem quiser que pague caro por elas. Felizmente, quem se interessa por bons filmes e se preocupa com o meio ambiente pode contar com o Ponto Cine.
Parabéns, Adailton.

Rosemary · São João de Meriti, RJ 30/8/2009 20:37
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Ilhandarilha
 

Adailton,
Acho que existe, sim, espaço para os cinema alternativos, tais como o Ponto Cine (aqui em Vitória temos o Cine Jardins, que atua com a Rain). É claro que o público será sempre restrito, pois o apelo comercial dos filmes campeões de bilheteria é incontestável.
Os preços dos cinemas convencionais (essas grandes redes de shoppings) é um problema para a maioria da população. Cinema é um programa caro. Ainda bem que existem salas de exibição, como o Ponto Cine, que oferecem alternativa de qualidade e preço acessível para os amantes do cinema.
Sou admiradora do trabalho de vcs e de tantos outros que batalham pelo acesso à cultura para todos.
abraço!

Ilhandarilha · Vitória, ES 31/8/2009 10:49
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Gabriela Carriço
 

vida longa ao Ponto Cine e ao cinema brasileiro!

Gabriela Carriço · Rio de Janeiro, RJ 31/8/2009 14:26
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edu lima
 

Parabéns Adailton!
e reforçando o que diz a Gabi
"vida longa ao Ponto Cine e ao cinema brasileiro!"

edu lima · Rio de Janeiro, RJ 31/8/2009 16:53
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