Com as bênçãos dos deuses do teatro
No coração do Brasil existe uma cidade que conjuga tempo com arte e que vibra com os deuses do teatro no TENPO. A cidade é Porangatu – que já estalou na língua ávida de novidades da atriz e poeta Elisa Lucinda –, uma bela paisagem na tradução do tupi-guarani. Distante 400 quilômetros de Goiânia, no corredor da Belém-Brasília (BR-153), divisa com o Tocantins, Porangatu é ponto de convergência há seis anos para todos que, de alguma maneira, sabem o poder da magia de um palco, mesmo que sob a lona de um circo (mais mágico ainda!). E a Fábrica de Sonhos, o circo mágico do teatro, domina mais uma vez a paisagem urbana e a cena cultural da terra de Angatu, com o VI TENPO (Mostra Nacional de Teatro de Porangatu), que acontece esta semana (27 de novembro a 2 de dezembro), às margens da Lagoa Grande, cartão postal da cidade.
TENPO, grafado assim mesmo, com a letra n, para fazer cena. É que as pessoas de lá pensam grande, sem timidez: TENPO de Teatro Nacional de Porangatu. E o TENPO chega à sexta edição firmando-se no calendário cultural de Goiás como um dos eventos mais importantes no circuito das artes, ao lado do FICA (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental), Cidade de Goiás; e Canto da Primavera, Pirenópolis.
No começo ninguém acreditava que o sonho de fazer do teatro um traço forte e evidente da identidade cultural de Porangatu pudesse virar realidade. Mas virou. E virou porque a comunidade quis que fosse assim. E não mediu esforços e nem insistentes reivindicações ao Governo de Goiás para que ajudasse a bancar uma mostra de teatro que invertesse o eixo das coisas, que sempre convergia para Goiânia, capital do Estado, ou para localidades mais badaladas. Que fosse rumo Norte, no ponto extremo, o teatro bandeirante na terra de Angatu.
Tempo de vacas magras, dinheiro curto, o TENPO este ano será mais enxuto e basicamente com prata da casa, com destaque para os grupos regionais. Todos os oficineiros são de Goiás. Ao contrário das outras edições, a programação tem apenas dois espetáculos nacionais (humor): Talk pobre, Fabiana Karla (na abertura, dia 27 de novembro, às 22 horas), e Do Re Mi Fafy, com Fafy Siqueira, dia 2 de dezembro, às 20 horas, na Fábrica de Sonhos.
A única novidade na infra-estrutura fica por conta do circo climatizado, para alívio dos atores e da platéia. Só quem sentiu o calor humano de uma platéia de 1500 pessoas num espaço com sensação térmica de 40 graus sabe o alívio que é essa notícia. Que o diga o ator Luiz Miranda, que por pouco não desmaia no palco durante apresentação do 7Conto, no V TENPO, sob figurino que incluía até casaco de pele.
Teatro bandeirante – A história de amor de Porangatu com o teatro começou há mais de duas décadas, com a encenação da Via Sacra – Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. O espetáculo, que nos seus primórdios acontecia no interior da igrejinha Nossa Senhora da Piedade (a padroeira), na Região do Descoberto - centro histórico da cidade -, ganhou as ruas há alguns anos num misto de fé e teatro popular. Na Sexta Feira Santa os devotos acompanham a procissão, que sai às seis da tarde da matriz velha (depois do badalar do sino, que não é de ouro, como na crônica de Rubem Braga, O Sino de Ouro, em que narra uma dessas delícias que ouviu de alguém e que teria acontecido em Porangatu) e termina com a multidão às margens da Lagoa Grande para assistir a encenação da Paixão de Cristo.
A superprodução é comunitária. E ao longo da última década conta com apoio e patrocínio da prefeitura. Com aproximadamente 100 atores, entre elenco principal e figurantes – todos moradores da cidade -, o espetáculo encanta pelo visual e por agregar a produção artística local. Atores, cenógrafos, figurinistas (as costureiras de Porangatu), crianças, adolescentes e idosos que participam das oficinas de arte, os músicos da Banda Municipal Maestro Silvio de Brito Cavalcante (fundada em 1986 e que deu origem a uma escola de música que atrai músicos do Nordeste, a maioria de Belo Jardim – PE). Um lanterneiro, Joel Alves, fez história representando Cristo durante 20 anos. Hoje o papel é vivido por Leandro Martins, um jovem ator do grupo de teatro local Trem de Doido. E a platéia é fiel. O público da Via Sacra é de aproximadamente 10 mil pessoas.
Foi essa história construída com a encenação da Paixão de Cristo que levou o município a brigar pela criação do TENPO, fruto de parceria entre a prefeitura de Porangatu e a Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (AGEPEL), do governo do Estado.
Além de ser um espaço dedicado à qualificação dos profissionais das artes cênicas (atores, diretores, iluminadores, maquiadores, figurinistas), a mostra visa formação de público, com foco especial nas crianças. O teatro infantil tem espaço privilegiado no TENPO. As peças infantis são apresentadas em sua maioria no palco do Centro Cultural de Porangatu – onde durante todo o ano acontecem oficinas de arte bancadas pelo município para crianças, adolescentes e idosos. E se depender do interesse desse público, o teatro na região Norte terá platéia cativa.
A magia do palco – Porangatu é uma cidade que encanta pela simplicidade e afetividade de sua gente. A população é participativa e prestigia os espetáculos. Este é o quesito que mais encanta os artistas, organizadores e visitantes. Acompanhei na platéia e nos bastidores as cinco primeiras edições do TENPO, sempre com o encanto revigorado por um detalhe ou outro que não deixa dúvida sobre o significado da arte na formação do indivíduo e do coletivo. Ainda mais fora dos grandes centros, onde as oportunidades são quase inexistentes.
A primeira vez que me emocionei com o teatro em Porangatu ainda não havia o TENPO. Tinha assistido a um ensaio do Trem de Doido, grupo de teatro da cidade formado em 2000, e logo depois vi um dos atores circulando pela cidade de bicicleta e uniforme de agente de saúde, naquele sol de rachar. Durante o dia Márcio de Santana Arruda trabalhava no combate ao mosquito transmissor da dengue e à noite ralava para dominar a arte do palco. E ainda está por lá, firme e forte com a teimosia de artista. Já o vi em várias peças e oficinas do TENPO.
E o TENPO é um pouco de tudo: circo, escola, espetáculo e, sobretudo, sonho. Não tem quem não entre no clima mágico do teatro com as aberturas do grupo Charanga, de Cristiano Mullins. É aquele momento em que o respeitável público abre as cortinas da alma para viver a ficção da vital arte nossa de cada dia.
E tome magia no palco e fora dele. E foram tantos momentos sublimes, dignos dos deuses. Impossível esquecer os olhos arregalados do menino descalço, sentado ao meu lado, no chão, próximo a uma poça d’água - havia chovido naquele começo de noite -, seguindo a flauta mágica do ator Guido Campos (uma das melhores pratas da casa), em A Terceira Margem do Rio, belo e dificílimo texto de Guimarães Rosa num monólogo que valoriza a expressão corporal e o ritmo das palavras de Rosa, no final, levado à platéia sem microfone, no gogó mesmo, e num cenário inclinado que exigia do artista preparo físico de atleta. “Nossa, que bicho feio!”, ouvi o menino repetir naquele devaneio audível de monólogo interior. Glória para o artista despertar assim a atenção de um menino, com o difícil de difícel Guimarães Rosa. E o melhor de tudo, ver marmanjos chorando na platéia. E a maioria estava indo ao teatro pela primeira vez. Inesquecível! Uma das melhores peças que vi na vida. De lavar a alma, isso uma noite depois em que Nathália Timberg, com todo o seu talento, desafinou com a platéia em Paixão, concerto poético da fina flor da linguagem de Fernando Pessoa, Carlos Drummond, Adélia Prado, Bocage, Camões e muitos outros, com os acordes de Ricardo MacCord e Jacques Morelenbaum.
E o encontro de Elisa Lucinda com os jovens atores, a platéia e moradores de Porangatu. Elisa é o calor da poesia emanando da vida do homem da rua. Ela vai pra rua, ela vai pra vida, para o encontro caloroso com o outro. E a sua poesia no palco é qualquer coisa de endoidecer. Elisa na paisagem da cidade era a força lapidada da poesia, passeando de bicicleta, entregue ao momento e à vida, fazendo compras nas lojas da Avenida Federal, respondendo com naturalidade que era sim a moça da novela que estava em Porangatu e soletrando Po – ran – ga – tu com um gosto divertido de dizer onde ficava esta cidade de 40 mil habitantes, no Norte de Goiás, num telefonema com Zezé Polessa.
Maria Adélia, depois de anos de cena cultural parisiense, circulando na Feira Coberta de Porangatu, comendo pastéis e não segurando o choro emocionado depois de uma conversa carinhosa com um morador. E cantando La Vien Rose para um pequeno grupo num momento de descontração, depois de sua oficina de presença cênica.
Orlando Silva, na pele e voz de Tuca Andrada, sob a lona de um circo estrelado, magia pura. De reviver, mesmo sem ter vivido, um pouco o tempo do cantor das multidões. E Antônio Nóbrega, com sua arte, abandonando o palco e levando a sua ciranda para circular com o calor da platéia. Todo mundo na dança. E Hugo Rodas, o criativo diretor, botando pra quebrar com o seu estilo irreverente de fazer e ensinar teatro (ensina já fazendo o como é que se faz!), espetáculo subvertendo o olhar da rua, do quarteirão. E Denise Stoklos reencontrando as origens de sua arte no circo. E o Calendário de Pedra de Stocklos tira o fôlego da platéia. Belezas inesquecíveis, como o Voar (com Marcos Fayad), adaptação para o palco do próprio Fayad dos contos Voar e A Pedra, do Pequeno Livro do Cerrado, do médico e escritor Gil Perini. E aquela pedra que a personagem atira no rio é um diamante raro fazendo círculos na alma da gente. E por falar em Fayad, Cia Teatral Martim Cererê, bom de ver o Brasil de dentro no musical Puro Brasileiro, lá do fundo da memória do I TENPO. E as edições vão se embaralhando. Das Pedras, espetáculo de Tetê Caetano, seguindo as pedras da poesia de Cora Coralina, a Aninha da casa velha da ponte. E tome riso com Neversário do Nerso (Pedro Bismark) e Chico Anysio em Eu Conto, vocês cantam. Esses momentos afloram na memória. Impossível lembrar todos os espetáculos. Mas o melhor de tudo é que aconteceram em Porangatu, lá no Norte de Goiás.
E tantos talentos no desfiar do TENPO com suas pedras fundamentais: Françoise Fourton, Stepan Nercenssian, Marcos Breda, Elisa Lucinda, Mona Magalhães, Carlos Nunes, Franco Pimentel, Marcos Fayad, Tetê Caetano, Nathália Timberg, Guido Campos, Emílio Orciolo Netto, Chico Anysio, Daniel Dantas, Danielle Winits, Fernanda Rodrigues, Bruno Mazzeo, Luiz Miranda, Ingrid Guimarães, Lívia Falcão, Pedro Bismark, Jorge de Carvalho, Hugo Rodas, Caio e Ricardo Blat, Rosi Campos, Cláudia Borioni, Gutti Fraga, Maria Adélia, Valéria Braga, Tuca Andrada e a consciência doendo por não citar centenas de outros que emprestaram a magia de seu talento ao sonho bandeirante de erguer mais um pequeno templo do teatro no interior do Brasil, a 1500 quilômetros do mar. E não posso esquecer Júlio Vilela e Ana Paula, que saíram de cena antes do tempo. Mas a magia continua... Na terra de João Bênnio, Cici Pinheiro e Otavinho Arantes, que os deuses do teatro sejam generosos com o futuro do TENPO.
Cida, que maravilha de relato. Me peguei refletindo sobre como deve ser importante a encenação da Via Sacra em cidades do interior. Imagino que em muitas cidades seja uma das poucas experiências para os moradores assistirem a uma peça de teatro. Que bom que em Porangatu isso gerou frutos. Abraço!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 27/11/2007 14:47
O texto é ótimo. O Tenpo deve ser extraordinário. Fiquei com vontade de comer parangatu. Antropofagicamente.
Como é bom saber que sonho junto com dedicação e persistência continuam a dar bons resultados. Infelizmente, faz lembrar também das boas iniciativas que poderiam ter rendido tanto resultado pela cultura e pela arte e que ficaram pelo meio do caminho. Geralmente na troca de um prefeito ou governador por outro.
Se o povo sustenta a arte, como na via sacra, penso que a arte sustenta o povo, como no TeNpo, em várias e lindamente relembradas edições de sucesso.
Faz-me lembrar que só é mesmo perene e público aquilo que a comunidade consciente da necessidade mantém com todas as ganas que tenha, contra quem quer que seja, porque a favor da vida que é breve sendo a arte duradoura.
Que descrição emocionante da atualidade do TeNpo e da história de tantos dele, Cida.
Li com gosto e emoção a tua recordação do não vivido; quase igual a uma saudade de um tempo ainda por acontecer, que se quer gostar.
Parabéns a ti, longa vida ao TeNpo, viva Porangatu e o povo dela que, nesse TeNpo a cidade é do povo como o céu é do condor.
Ainda vi, porque sei que assim é, Elisa Lucinda pedalando, que essa mulher faz igual ao que o povo faz porque é poeta e está sempre onde deve estar, no meio das gentes, em qualquer lugar. Em 1995, ela fez o mesmo aqui, num palco de 12 metros de boca, no meio dum parque, declamando ela só, à capela, em desafio inédito ao microfone para 15 mil pessoas:
Zumbi!
Oh, meu Zumbi!
Livre do açoite e da senzala,
Presa na conta corrente do bamerindus.
Ganhou o público até o final de quase hora de apresentação e deu bis e deu mais uma hora e meia de autógrafos em livro seu que estava lançando e a maioria do povo havia ido lá para ouvir Luís Melodia, que cantou depois dela e também foi quase tão aplaudido quanto essa nossa poeta do povo.
Ainda amei:
aquela pedra que a personagem atira no rio é um diamante raro fazendo círculos na alma da gente
Ufa!
Queres emocionar e consegues.
Ganhamos a semana, quiçá o mês, com o teu postado.
Grato.
Esse recado é para o Adroaldo e para todos os overmanos e overmanas que acreditam no poder da cultura na formação de um Brasil mais humano e mais cidadão. Menino, você tinha mais é que vir conferir o “Tenpo” de teatro em Porangatu. É "Trem de Doido" mesmo. As filas imensas, as pessoas se emocionando, rindo e chorando com as apresentações e aprendendo nas diversas oficinas. Artistas locais com Tetê Caetano, Adriana Veloso e Dionísio Bombinha, Marcos Fayad, Valéria Braga, Cristiano Mullins. Nem dá para falar do talento destes artistas porque as pessoas que não conhecem hão de achar que é corujice e bairrismo. E a hospitalidade do povo da cidade é brincadeira. Todo mundo se une para receber os visitantes. Muitos fazem a festa nos quintais cheios de mangueiras que não oferecem somente a sombra para a gente refrescar do calor, mas também se deliciar com as frutas.
E Elisa Lucinda. Acho que não conheço ninguém que tenha visto Elisa no palco que não tenha se apaixonado por ela e aprendido a gostar de poesia. Sem contar a pessoa que é. Em Porangatu ela saiu pela cidade de bicicleta e fez compras no comércio. Passeava com um vestidinho simples e de sandália mostrando-os orgulhosamente para os colegas e alunos da oficina de interpretação poética fazendo propaganda da loja em que comprara o vestido e pregando a necessidade de distribuir renda. “Tô deixando aqui um pouco do meu cachê”, dizia.
Tenho boas lembranças do Tenpo e torço para que ele tenha ainda muitas edições, revele muitos talentos e crie novas e emocionantes memórias como as apresentações dos alunos de arte-educação, professoras das redes estadual e municipal de ensino que, em praça pública mostram todos os anos, um pouco mais do que aprenderam nas oficinas. No ano passado, elas deram um show na Praça da Matriz, mostrando o que aprenderam na oficina que formava novos “contadores de histórias”.
Cida,
que maravilha de cidade é essa, minha amiga: Porangatu, capital atemporal do teatro, cujo TENPO subverte a lógica dos circuitos culturais brasileiros e se recria autóctone, reiventando na arte a vida de seu povo, o cotidiano em tudo o que ele tem de drama e riso, de trama e rito. Prabéns, pelo texto belíssimo e pela cidade idem. (Agora, Cida, minha poeta maior, não pense que esqueci de você, não. Estou imprimindo e lendo seu livro em gotas, página a página aqui no trabalho, e, pelo perfume raro que da flor da pedra evola-se, estou cada vez mais apaixonado por seus versos. Você é uma grande poeta, querida. À altura das melhores que já li. Depois comento com você sobre isso num espaço mais adequado).
Bjs.
Onde grafei prabéns leia-se parabéns, é óbvio.
Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 29/11/2007 17:54
Meus caros, obrigada a todos que compareceram aqui e deixaram o registro de suas impressões.
Helena, realmente você chamou a atenção para uma questão muito pertinente, o fato da encenação da Via-Sacra representar para a maioria das comunidades das cidades do interior a única oportunidade de se aproximar do teatro. Em Porangatu, essa encenaçao, que começou de forma espontânea, ganhou força e não consigo imaginar o TENPO sem essa história construída com a Via-Sacra, que envolve a população.
Joca, Porangatu realmente desperta sentimentos e vibrações fortes. E a gente "come", antropofagicamente, incorporando a beleza do que acontece por lá. A cidade continua sendo pra mim fonte de inspiração e de aprendizados. É paixão pra vida toda.
Tacilda, obrigada por ajudar a contar essa história. Bom compartilhar essas visões de uma gente que se expressa com arte e se reinventa nas suas tradições.
Nivaldo, meu caro, só posso dizer que alguma coisa acontece no meu coração quando pego a BR-153 e sigo rumo Norte. E tem razão: O TENPO subverte a lógica dos circuitos culturais brasileiros. Por exemplo, mesmo morando em Goiânia e apenas 200 quilômetros de Brasília, nunca havia visto um espetáculo de Denise Stoklos e isso aconteceu em Porangatu, sob a lona de um circo. E a própria Denise falou dessa emoção de reencontrar as suas origens naquele espaço mágico. Nivaldo, em relação ao Flor da Pedra, o tempo é todo seu. Obrigada pelo carinho e disponibilidade.
Só posso desejar vida longa ao TENPO e força aos porangatuenses para que façam o TENPO acontecer em todos os tempos, mesmo nos de adversidades.
Um grande abraço a todos.
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