Pra que serve um festival de cinema?

Eduardo Medeiros
Joffre Rodrigues matuta antes do debate no festival
1
Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
27/2/2007 · 289 · 27
 

Em um tempo em que se pode comprar a versão pirata dos filmes antes do original estrear na telona e que o computador revoluciona o audiovisual, me diz uma coisa: pra que serve um festival de cinema? Mais. Para que serve um festival de cinema longe do eixo-Rio-São Paulo? E mais ainda: tem alguém interessado nisso? Pela primeira vez acompanhei um evento especificamente cinematográfico. A quarta edição do Festival de Cinema de Campo Grande/FestCine Pantanal rolou entre janeiro e fevereiro. 44 filmes em 28 dias. Foi uma verdadeira saraivada de imagens, temas e debates. Emoção à flor da pele e conversas valiosas nos bastidores. Este festival de cinema é um verdadeiro oásis no meio de um deserto cultural que são os primeiros meses de todos os anos na Capital sul-mato-grossense. 4.500 espectadores buscaram o cinema dito 'alternativo', numa salinha de 88 poltronas no CineCultura de Campo Grande, um lugar, literalmente, frequentado por poucos descolados da Big Field super-hiper-conservadora sim senhor.

A primeira utilidade do festival para mim foi, √≥bvio, assistir a v√°rios filmes (j√° escrevi sobre a mostra de curtas do festival aqui no Overmundo). Nem importa se j√° estavam em circuito comercial ou se iriam chegar aos Multicineplex daqui alguns meses. O fato √© que tomei uma dose cavalar de cinema. (Vou cada vez menos ao cinema e mais a locadora e aos canais a cabo). Ver mais de um filme por dia √© desgastante. Por isso, preferi o sistema Jack, o famoso 'por partes'. (Decidi que n√£o vou olhar minhas anota√ß√Ķes e s√≥ vou lembrar o que realmente 'bater' na hora de escrever. Ou seja, agora!). N√£o tem como esquecer de A Caminho de Guant√°namo. O document√°rio ingl√™s deixa a certeza de que os norte-americanos usaram como ningu√©m o cinema. Constru√≠ram uma f√°brica de subjugar na√ß√Ķes do terceiro mundo, a tal Hollywood. E atrav√©s da difus√£o do cinema, com seus coub√≥is-johnwaynes-rambos -stalones-robocop-schawzeneger-da-vida, dominaram o mundo, propagaram o modo de pensar e o jeito de ser 'do bem' no Titio Sam. S√≥ que A Caminho de Guant√°namo desconstr√≥i todo este castelo de areia do Bush Pai e Bush Filho. S√£o chocantes as cenas em que os prisioneiros da 'guerra do 11 de setembro' s√£o metidos em esp√©cies de canis, vedados, torturados, humilhados... Sa√≠ da sala de proje√ß√£o com os nervos em frangalhos.

Valeu tamb√©m O C√©u de Suely. A hist√≥ria da mina que acaba leiloando uma noite de sexo para sair da situa√ß√£o de mis√©ria que se encontrava nos cafund√≥s do nordeste me fisgou. Mais do que a hist√≥ria. Hermila Guedes. Atriz com A mai√ļsculo. Performance detonante. Um bom ator ou atriz, para mim, √© como um livro. Tem de prender da primeira a √ļltima p√°gina. E a danada me levou por aquele roteiro cheio de poeira, calor e sexo grudento. O C√©u de Suely √© daqueles filmes que fazem apostar ainda mais do cinema nacional e Hermila Guedes √© mais uma prova de que o povo brasileiro √© cheio de talentos escondidos por este Brasilz√£o. E cheio de talentos tamb√©m esquecidos na mem√≥ria mal tratada deste ex-Portugal.

Confesso. Chorei vendo Cartola, o document√°rio sobre o 'Imperador da Verde e Rosa'. Me emocionei, realmente, nas partes em que Cartola aparece em a√ß√£o, falando, cantando, pensando, fumando seu cigarro, ao lado do pai, paquerando a Dona Zica com suas letras de fino trato, executando suas melodias t√£o singelas que torturam a alma da gente... Meu cora√ß√£o bateu mais forte vendo este filme, que poderia ter sido bem diferente, ter outros enfoques, mas para mim, o que valeu mesmo foram as imagens e as m√ļsicas de Cartola por Cartola. Seria diferente esta na√ß√£o canarinho se no lugar do Faust√£o tivessemos Cartola oferecido a todos na telinha? Que tal um trato? Cada vez que uma mega-artista-baiano-ou-n√£o for a um megaprograma de televis√£o, este mesmo megaprograma tem de 'ressarcir' o p√ļblico com um Cartola. Cada vez que passar um enlatado norte-americano na Tela Quente um Glauber Rocha vai ter que ser oferecido aos espectadores num hor√°rio que n√£o seja a madrugada. Eu ando me emocionando facilmente. Percebi isso no festival. E, claro, emocionar o p√ļblico com certeza tamb√©m √© uma das motiva√ß√Ķes de um festival. Fazer pensar tamb√©m claro. Fiquei matutando que o tal Zicartola, o bar que Zica e Cartola gerenciaram por um tempo, acabou se tornando o verdadeiro ber√ßo da MPB, quando a Bossa Nova virou uma ladainha de 'amor e flor e barquinho vai'. Foi no Zicartola que misturou-se Z√© Ketty, Nara Le√£o, Carlos Lyra, Cartola, Clementina de Jesus, Wally Salom√£o...

Tamb√©m gostei de O Cheiro do Ralo. Pelo menos ri um pouco. A produ√ß√£o ganhou o pr√™mio de melhor filme nacional eleito pelo j√ļri oficial do festival de Campo Grande. (O document√°rio H√©rcules 56 foi o vencedor no j√ļri popular). Selton Melo segura o filme nas costas e o mote √© bem original. Acho que o filme ficou um pouco longo, mas mesmo assim valeu. O fato de Selton ser famoso via TV complica tudo. Mas ele vem conseguindo ser cada vez menos um ator global e se transformar cada vez mais em uma persona do cinema. Selton h√° tempos n√£o faz novela. Uma vez o saudoso Walter Avancini me disse em uma entrevista: 'Existe o artista e o ator. Tem uma diferen√ßa muito grande'. O Selton no caso est√° do lado dos atores e n√£o dos artistas na conota√ß√£o 'avanciniana'. A cena dele chorando aos prantos abra√ßado na bunda que perseguiu o filme todo revela aquela faixa de vibra√ß√£o que s√≥ o bom ator entra e leva o p√ļblico junto. Abracei e chorei em cima daquela superbundaralo junto com Selton.

Conversar com os convidados do festival √© at√© mais importante que ver os filmes (que podem ser vistos em outra oportunidade). Afinal, em Big Field voc√™ n√£o topa com profissionais da TV e do cinema como acontece nas esquinas da Oscar Freire ou nas areias do Pep√™. Aqui apresentador de telejornal regional √© artista. √Č muito legal que estes 'fazedores' de arte circulem por um lugar que produzir cinema √© uma investida bandeirante. Foi bom conversar com Jorge Dur√°n, por exemplo. (O cara fez o roteiro de Pixote). Conhecer a sua vis√£o de Brasil por sua √≥tica chilena. Descontra√≠do, disse que na Alemanha a quest√£o dos curtas antes dos longas ou n√£o nas salas de cinemas foi resolvido de maneira simples. Quem quer ver os curtas chega um tempinho antes e paga o ingresso com a cota a mais dos curtas. Quem n√£o quer ver os curtas chega no hor√°rio do longa mesmo e babau. Paga o ingresso 'normal'. Como dizem os chineses, o simples √© o f√°cil. Junto com Jorge veio o ator Alexandre Rodrigues! Foi bom reencontr√°-lo. Havia o entrevistado no Rio, logo depois que ele apareceu em Cidade de Deus. N√£o deu para a gente conversar direito, mas o engra√ßado foi a rea√ß√£o do moleque super-gente-fina: 'como este maluco veio parar aqui?'. Aqui, no caso, o 'cafund√≥' Campo Grande.

A passagem do ex-todo-ainda-poderoso Z√© Dirceu pelo festival foi surpreendente para mim. N√£o era ele o inimigo n√ļmero 1 do pa√≠s em certa altura do campeonato-mensal√£o? Mas vi e ouvi v√°rias manifesta√ß√Ķes que n√£o s√£o nada mais nada menos do que a manifesta√ß√£o do f√£ diante ao astro. Muitas pessoas pediram aten√ß√£o, cumprimentaram e tiraram fotos. At√© criancinhas estavam no encal√ßo do Z√© Dirceu. Junto com o diretor Silvio Da-Rin, o ex-ministro veio divulgar o document√°rio H√©rcules 56 (eu n√£o vi, n√£o posso esconder). Foi, sem d√ļvida, um dos dias mais lotados. As atrizes de O Cheiro do Ralo, Silvia Louren√ßo e Fabiana Guglie, tamb√©m vieram ao festival. Simp√°ticas. Fabiana, no intervalo das entrevistas, lascou um sincero 'bichinho do ranran' que a estava incomodando: 'n√£o tem perigo de pegar dengue n√£o n√©?'. Campo Grande passou/passa por uma epidemia de dengue: mais de 20 mil casos foram notificados s√≥ em Campo Grande. A verdade √© que n√£o tinha resposta para a atriz. Mosquitos voam. Mas 'imagina, n√£o tem perigo n√£oooo!' As diretoras de Transtorno (RJ) e Era Uma Vez (MG) tamb√©m marcaram presen√ßa em Big Field. A mineira Gisele Werneck √© corajosa. Al√©m de dirigir, tamb√©m atua no curta. √Č uma hist√≥ria estranha, em que ela, vestida de fada, est√° dentro de um √īnibus circular. Rola um assalto e uma situa√ß√£o estranha de atra√ß√£o-do-ladr√£o-pela-fada num assalto comum-raro de uma metr√≥pole. Gisele falou mais de uma vez que o que faz √© cinema surrealista. Pergunto quem j√° fez cinema surrealista no Brasil e ela n√£o chega a nenhum nome. Nem eu.

A carioca Fernanda Teixeira n√£o tem nada do jeito-manso-mineirinho-de-ser. √Č rock! Depois da sess√£o dos curtas, prefere conversar do que ver o Proibido Proibir, de Dur√°n e Alexandre. Me confessa que est√° sem dormir. Que est√° varada porque havia trabalhado no projeto da Petrobr√°s, que estava encerrando o prazo naqueles dias. Com olheiras profundas e um curta de arrepiar (eu gostei de Transtorno!), Gisele me conta que teve de trocar de ator (s√≥ tem 1 no filme) no meio das filmagens. Na verdade, demitiu o ator (n√£o disse por qu√™). Eu n√£o percebi e acho que ningu√©m percebeu. Depois me contou que a atriz que faz a av√≥ entrou para o elenco (√© o √ļnico outro personagem) para substituir outra atriz. De cara um problema. Ela n√£o gostava de gatos (ou tinha alergia n√£o lembro, ou medo sei l√°...) e teria de contracenar com 15 deles. Ali√°s, a diretora confessou que tiveram dificuldades em ambientar os gatos com o casar√£o que alugaram para fazer o filme. Estresse. Ela acabou adotando os gatos na vida real. Se n√£o me engano, 40 mil √© a verba liberada pela universidade. Nenhum encontro foi mais intenso no entanto do que com Joffre Rodrigues, sim o filho do homem!

Joffre veio ao festival divulgar o primeiro filme de sua carreira de diretor: Vestido de Noiva. Como eu vi os 114 minutos de filme, posso falar, que √© fraco. Se for dimensionar diante da grandeza da obra do pai, o filho fica muito a desejar. E carregar toda esta tradi√ß√£o no sangue n√£o deve ser f√°cil para ningu√©m, e n√£o o seria para Joffre. Estava escalado para intermediar o debate dele com o p√ļblico. Quando chegou para o festival, fui logo receb√™-lo. Joffre √© um vulc√£o de energia. Oscila entre o deprimido, o melanc√≥lico e o super sereno e sensato em segundos. E n√£o posso negar, o impacto de estar com uma uma pessoa que √© muito parecida com Nelson me alucinou, numa confus√£o que embaralhava filho e pai! O √°pice da energia rolou logo no in√≠cio do debate, ap√≥s a exibi√ß√£o do filme, que Joffre fez quest√£o de n√£o acompanhar. Finalmente para come√ßar o bate-papo, a apresentadora relaciona as produ√ß√Ķes da carreira de Joffre e passa o microfone para mim. S√≥ que Joffre, emocionado desde o in√≠cio, brada com os olhos lacrimejando: 'voc√™ esqueceu de um filme que fiz com uma grande amigo o Henfil. O Henfil!'. Senti toda a carga do primog√™nito nelson-rodrigueano. Achei engra√ßado Joffre ter falado mais de uma vez que o seu filme Vestido de Noiva foi contemplado com o bonequinho de O Globo dormindo na poltrona. Nenhum diretor suporta uma maldade destas.

Com certeza um dos acertos do festival foi a mostra O Cinema e o √ćndio. Sala lotada na exibi√ß√£o dos tr√™s filmes 500 Almas, Brava Gente Brasileira e O Descobrimento do Brasil. V√°rios representantes de entidades, profissionais envolvidos com as tribos e os pr√≥prios √≠ndios marcaram presen√ßa no evento. Para muitos foi a primeira oportunidade de assistir a um filme na tela grande de um cinema. Como a mostra foi em dias da semana, pela parte da manh√£ n√£o pude acompanhar. Mas agilizei, por exemplo, o encontro do cineasta Joel Pizzini, de 500 Almas, com o cacique guat√≥ Severo. O filme de Joel conta a saga deste povo que nos anos 50 foi dito extinto. Hoje a tribo resiste e floresce em uma ilha que fica centenas de quil√īmetros acima de Corumb√° e s√≥ se chega pelo rio. Joel me revela que uma c√≥pia do 500 Almas acaba de ser comprado pelo MOMA de Nova Iorque.

J√° a produ√ß√£o regional registra mais uma vez o disparate t√©cnico que existe ainda entre os diretores de MS. √Āgua dos Matos, que acompanha os irm√£os Tet√™, Alzira e Jerry Esp√≠ndola descendo de barco de Cuiab√° a Corumb√°, venceu na categoria v√≠deo regional. √Č a terceira vez que o diretor Maur√≠cio Coppeti leva o pr√™mio. Antes j√° havia ganho com Nanquim e O Pantanal e O Delta do Salobra. Nos corredos, o burburinho era que Copetti n√£o deveria participar mais concorrendo na categoria regional porque seus filmes tecnicamente e artisitcamente eram muito superiores aos outros. O que, √© claro, eu n√£o concordo. N√£o d√° para nivelar por baixo. Melhor que os outros melhorem as suas produ√ß√Ķes, isso sim!

Depois de tudo fica a quest√£o para mim de por que o governo de MS e as pr√≥prias prefeituras n√£o articulam uma maneira de atrair mais cineastas de fora para rodar seus filmes em solo sul-mato-grossense. Afinal o Pantanal √© a √Āfrica brasileira, com uma fauna t√£o ou mais punjante e com paisagens de tirar o f√īlego. Neste sentido o Festival de Cinema de Campo Grande acaba sendo um o√°sis em meio ao deserto que √© o MS na √°rea cinematogr√°fica.

Para encerrar, transcrevo a reflex√£o do cineasta sul-mato-grossense Joel Pizzini: 'Eu nunca entendi direito. Eu participei de todos os esfor√ßos para criar um festival aqui. Lembro que quando eu morava aqui a gente organizou uma mostra de curtas, veio at√© o projecionista Z√© Luis, que veio com a Fiorino dele, trouxe o projetor dele de 35mm, e fizemos no centro cultural. A√≠ o Luis Borges me ligou e perguntou se dava para organizar tamb√©m Cuiab√°. O Z√© Luis foi para Cuiab√° e o festival de Cuiab√° floresceu e aqui demorou at√© vir agora, depois de hiato bem grande, o CineCultura e este festival que chega na quarta edi√ß√£o. Mas eu n√£o sei o que acontece porque as coisas n√£o prosperam nesta √°rea do audiovisual aqui. E tem uma proximidade t√£o grande a S√£o Paulo. Estados do nordeste, bem mais distantes do eixo, j√° est√£o se desenvolvendo. Ent√£o para mim √© uma interroga√ß√£o. N√£o sei se √© uma quest√£o de mentalidade. Porque o cinema presup√Ķe uma base industrial m√≠nima. O cinema √© t√£o importante at√© pelo ponto de vista tur√≠stico, como acontece em Cuiab√°, Tiradentes e Ouro Preto. Falta ainda a ci√™ncia da potencialidade econ√īmica aliada a cultura, porque aqui as coisas s√£o separadas, como se a arte fosse alguma coisa diletante e os artistas estivessem se divertindo e os pragm√°ticos trabalham... Tem de haver uma maior promiscuidade entre as √°reas art√≠stica e econ√īmica, porque sinto tudo muito isolado. E temos v√°rios temas aqui de dimens√£o internacional, como o Pantanal e a Guerra do Paraguai... O governo poderia tamb√©m criar um banco de dados sobre o Pantanal que iria alimentar at√© do ponto de vista comercial as televis√Ķes, al√©m de identificar as loca√ß√Ķes e as fisionomias do estado para voc√™ contribuir com a originalidade do estado. O MS tem uma tradi√ß√£o cultural que precisa ser atualizada, continuada, recuperada...' (O papo com Joel foi longe e vai virar entrevista).

xxxxxxxxxxxxxxxxxxx

P.S.: Os vencedores da quarta edi√ß√£o do Festival de Cinema de Campo Grande foram: O Cheiro do Ralo (Longa nacional/J√ļri oficial), H√©rcules 56 (Longa nacional/J√ļri popular), O Som da Luz do Trov√£o (Curta nacional/J√ļri oficial), Fa√ßa a Sua Escolha (Curta nacional/J√ļri popular) e √Āgua dos Matos (V√≠deo Regional).

compartilhe

comentŠrios feed

+ comentar
Bia Marques
 

Caramba Tex, o Festival serve pra alimentar almas (teu texto é prova cabal disso). Ano que vem quero ter tempo de conferir (que esse ano tá passando e eu só trabalhando ando ando...).

Bia Marques · Campo Grande, MS 26/2/2007 14:54
4 pessoas acharam ķtil · sua opini„o: subir
Thiago Camelo
 

Arrebentou, Rodrig√£o! Muito legal (e pessoal) o seu relato.

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 27/2/2007 17:02
2 pessoas acharam ķtil · sua opini„o: subir
Mi [de Camila] Cortielha
 

Vida longa ao Festival de Cinema de Campo Grande!

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 28/2/2007 02:08
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir
Felipe Gurgel
 

Você respondeu, escrevendo, para que serve um festival de cinema, hehe

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 28/2/2007 05:40
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir
markinho
 

tex o festival guarnicê de cinema de são luis do maranhão esse ano completa 30 anos será que não vale a pena?

markinho · S√£o Lu√≠s, MA 28/2/2007 06:06
2 pessoas acharam ķtil · sua opini„o: subir
Rodrigo Teixeira
 

Bia, brigad√£o. tem q arranjar tempo sim sim sim! Alimentou a minhalma com certeza.

Valeu Thiago. Acho q a idéia do Overmundo é escrever sempre de uma ótica pessoal. E cada vez mais só consigo escrever assim. abs

Valei Mi e Felipe!

E Markinho com certeza vale a pena o Festival Guarnic√™ de Cinema de S√£o Luis do Maranh√£o. √Č este tipo de evento que faz com que estados do nordeste se desenvolvam bem mais nesta √°rea do que este peda√ßo de ch√£o chamado de Mato Grosso do Sul. Valeu!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 28/2/2007 10:28
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir
Balbino
 

rodrigão mano véio, esse seu texto é muito instigante, as culatras desse brasilzão de dentro estão expostas, o mercado é burro e cego e só não vê quem não quer as potencialidades desse Matão daí de transformar cinema em dinheiro, oficinas que durem o ano todo é uma forma de equalizar o regional, já que Copetti ganha todos coloquem ele para ministrar oficinas. e atores bons aí tem pra dar e vender, a técnica tem que servir para a criatividade, domínio técnico é essencial mas só ele não leva a nada, então oficinas, oficinas e mais oficinas de se fazer artísticamente. no mais vida longa a esse festival!!!!

Balbino · Cuiab√°, MT 28/2/2007 13:14
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir
Edu Romero
 

sempre √© bom dar e ter espa√ßo a essas movimenta√ß√Ķes. em especial, Cpo Gde, Capital do Pantanal, precisa desses eventos para que a nossa popula√ß√£o se lembre que h√° vida al√©m dos pastos e da boiada...valeu Teixeira

Edu Romero · Campo Grande, MS 28/2/2007 14:20
sua opini„o: subir
Luisa Pitanga
 

Muito legal o texto. S√≥ fiquei curiosa em saber mais sobre o "Hercules 56" vencedor do J√ļri popular.

Luisa Pitanga · Rio de Janeiro, RJ 28/2/2007 15:10
sua opini„o: subir
CARLOS PAR√Ā
 

KINEMANDARA: O PONTO DE MIST√ČRIO DO CINEMA BRASILEIRO.

POR CARLOS PAR√Ā*


- Nossa História só terá realidade quando o nosso Imaginário a refizer, a nosso favor. VFC - Manifesto Curau.

"- Agora, abrir os olhos. Agora, começar a sonhar o sonho de ver como somos vistos". VFC : "Tarkovsky: Através de uma fina película transparente".


Vicente Franz Cecim


Volta a ter sua produ√ß√£o cinematogr√°fica exibida na cidade. " KinemAndara: 30 anos de Cinema do Invis√≠vel." curtas-metragens po√©ticos produzidos em Bel√©m na d√©cada de 70 em super-8 mm. Os filmes foram, pela ordem de realiza√ß√£o: 'Matadouro(1975) ', 'Perman√™ncia(1976)', 'Sombras(1977)', 'Malditos Mendigos(1978)' e 'Rumores(1979)', que eram projetados em cineclubes, garagens, audit√≥rios, passava em qualquer lugar, onde desse para ligar o projetor, armar a tela, mandava ver. Os anos de 1975 at√© 1980 apesar de ser um caminho exaustivo de Cinema e Loucura para VFC, foi principalmente, um ritual sagrado, solit√°rio, existencial e essencial. Enquanto as f√°bricas de filmes estimulavam o consumo de m√°quinas de filmar para registrar "os momentos felizes da sua vida", batizado, casamentos, anivers√°rios, piqueniques, passeios, Cecim utilizava sua C√Ęmera como um meio de interrogar, espreitar as apar√™ncias da realidade e ir at√© as √ļltimas conseq√ľ√™ncias com seu roteiro que era abandonado logo no come√ßo das grava√ß√Ķes, pois nada do que tinha sido filmado obedecia ao que tinha sido escrito, captava a realidade em frames fora ou al√©m da √≥tica estabelecida como beleza e como verdade, " espelhos de mist√©rios, revelando outros mist√©rios", poemas visuais em Super-8, Cinema com um custo relativamente barato. As principais dificuldades de se fazer Cinema na √©poca s√£o as mesmas de hoje: falta de dinheiro e a insensibilidade para criar, imaginar e ser.

Cada rolo tinha tr√™s minutos de grava√ß√£o e na hora de editar aproveitava por completo as filmagens e tudo ia pro filme, n√£o perdia nada na sele√ß√£o e organiza√ß√£o das imagens, j√° sabia o que queria, quando colocava a C√Ęmera, j√° sabia o que ia fazer, dessa forma acreditava e fazia os filmes, como tudo √© miragem, tinha miragens, tanto as recorda√ß√Ķes, proje√ß√Ķes e especula√ß√Ķes sobre o futuro, quanto miragens do presente, miragens imediatas. Se n√£o fosse uma miragem n√£o havia a po√©tica, ent√£o, porque fazia arte? Por que n√£o s√≥ viver, ouvir, ver, se conformar com tudo o que est√° pronto e condicionado para n√≥s vivermos. √Č preciso recriar, ver a realidade atrav√©s de uma fina pel√≠cula transparente? Uma fina pel√≠cula entre o olhar e a realidade. VFC concretizava seus sonhos que hoje possuem um grande valor art√≠stico e documental. Na √©poca o material que utilizava era uma pequena m√°quina de super-8 com filmes da Kodak, depois de filmar, enviava para revelar em S√£o Paulo atrav√©s do Foto Keuffer, e depois voltava, pronto para serem exibidos. Depois que parou de fazer seus filmes, por uma quest√£o de princ√≠pios, deu todo seu equipamento. Tinha decidido dedicar-se unicamente a um novo Caminho "VIAJAR A ANDARA", determinou fazer uma coisa s√≥, para avan√ßar, ir mais fundo na sua Exist√™ncia, pois havia a Intui√ß√£o que um novo caminho devia ser seguido, o Caminho da Escritura. A partir de 1979, ano que realizou do seu √ļltimo filme "RUMORES", escreveu e publicou o seu primeiro livro "A asa e a serpente", primeiro passo do seu Projeto de "Andara - O livro invis√≠vel". E assim se imp√īs a Literatura como um ritual √ļnico. Seus filmes t√™m muito da Literatura pelo po√©tico, e seus livros t√™m muito do Cinema, pelo visual. N√£o fazer filmes foi uma escolha radical e com isso deixou esquecidos seus trabalhos e levava-os consigo como o inconsciente que de quando em vez se manifesta. Atualmente os pequenos rolos de filmes em super-8 se encontravam dentro de seu Caos onde mora, serenos, perdidos dentro de um saco de pl√°stico com a boca amarrada debaixo duma televis√£o que nunca √© ligada, onde por ocasi√£o desta Mostra realizado pela Revista PZZ em parceria com o Governo do Estado do Par√° atrav√©s da Secretaria de Cultura e do MIS-PA, resolveu guardar no Museu da Imagem e do Som ‚Äď Par√°, para preserv√°-los. Em 2005 os filmes voltaram a ser exibidos, no formato digital, em Bel√©m e em S√£o Paulo, incentivado pelo Projeto de resgate dos res√≠duos, dos raros vest√≠gios do Cinema paraense, desenvolvido pela Universidade Federal do Par√°, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient√≠fico e Tecnol√≥gico ‚Äď CNPQ.


Os filmes foram restaurados e adaptados √† tecnologia digital, um processo de filmagem da proje√ß√£o dos filmes e digitalizados para DVD, assim, puderam garantir a salvaguarda do conte√ļdo e da sua informa√ß√£o hist√≥rica, pois seus filmes mostram aspectos do cotidiano de Bel√©m e dos esquecidos em sua √≥tica vision√°ria po√©tica numa trilha sonora emocionante.

CARLOS PAR√Ā · Bel√©m, PA 28/2/2007 15:50
sua opini„o: subir
CARLOS PAR√Ā
 

Os filmes dialogam com o invis√≠vel que n√£o podemos ver. N√£o √© cinema mudo nem falado, √© uma organiza√ß√£o intuitiva de imagens, sil√™ncio e m√ļsica que se comp√Ķe num mosaico on√≠rico. O cinema sempre fala como linguagem para dialogar, transmitir a emo√ß√£o, a mira√ß√£o, a migra√ß√£o, o ato de olhar do autor. "Kinema = Movimento, Andara = Andar= Amaz√īnia, Kinam Andara, revela imagens que n√£o se v√™em habitualmente, a imagem da morte, a imagem dos esquecidos, a imagem da velhice, a imagem da transitoriedade das coisas, a imagem interior, o sil√™ncio e o vazio s√£o povoados de alucina√ß√Ķes e significados. Fazer filme n√£o com o olho que v√™ ou o olho mec√Ęnico da m√°quina que filma, fazer com o desespero e com a alma, louco, apaixonado a filmar, a iluminar, a editar, sonorizar, incans√°vel no seu of√≠cio m√°gico e alqu√≠mico, solit√°rio em seu ritual sagrado, existencial-essencial, pessoal-impessoal, para expressar a mat√©ria-prima da vida, alguma coisa brutal noutro sentido figurado, para as pessoas se tocarem. Mostrar a realidade bruta trans-figurada, experimentar, recriar cen√°rios. O cinema trabalha com a mat√©ria-prima pr√©-existente, a libertar o sentido das coisas, criando um mundo inteiro com as imagens diferentes do que s√£o usadas, faz entrar num espelho energ√©tico e voltar desconhecido, diferente do que era antes, com apar√™ncias de realidade e o Cinema n√£o depende s√≥ da realidade para existir, entrar num espelho de mist√©rios e ver-se como mist√©rio √© o que VFC queria mostrar, queria olhar, ver-se, na vida, na tela, at√© conseguir captar a dimens√£o oculta na realidade vis√≠vel. E por isso Kinem Andara √© o Cinema do In-vis√≠vel.







Existe um rico Universo imagético com raízes na memória do homem moderno, mas que este não tem acesso, permanecendo oculta ou ignorada, sua fonte original de criação, que se encontra invisível aos olhos e insensível ao coração, não pertencendo ao universo da percepção profunda da noção de realidade que regem nossa compreensão do mundo e de nós próprios. Todas as coisas que acontecem na Consciência se refletem a partir duma visão-vivência que renova memórias, o que está em baixo (inconsciente-passado) assemelha-se ao que está em cima (vivência). Uma linguagem de grande riqueza imagética pelo recurso da poética, dos momentos de iluminação, da fotografia e do movimento das cenas com alegorias fantasmagóricas, e aos jogos de imagens na busca pelo elemento de mistério das coisas, re-vela o Kinem Andara.

CARLOS PAR√Ā · Bel√©m, PA 28/2/2007 15:51
sua opini„o: subir
CARLOS PAR√Ā
 

Vicente Cecim faz parte das Vozes que se insurgem contra a mediocridade e ao modo de produ√ß√£o mercadol√≥gico que se transformou o Cinema, revela a coragem e a vontade em utilizar para benef√≠cio pr√≥prio as t√©cnicas de Comunica√ß√£o contra o niilismo e as concess√Ķes que o cen√°rio audiovisual se define e se resolve em express√Ķes obscuras.
Sempre que falamos abertamente n√£o falamos nada, sempre que usamos uma linguagem que recorremos √†s imagens, ocultamos a verdade. E tudo o que dissermos duma Obra de Arte ser√° insufi[ciente ou in√ļtil. Diferente √© a experi√™ncia de nos iniciarmos diretamente em seus filmes.

"Quando s√≥s, face a face com eles, sempre nos falam com ampla generosidade, se entregando profundamente, em retribui√ß√£o ao nosso sil√™ncio . Respeito e prud√™ncia, ao falarmos deles, ent√£o se imp√Ķem. Deixar que eles se digam. E, previamente, apenas deles falar por alus√Ķes.

Esse est percipi/ Ser √© ser percebido ‚Äď nos diz Berkeley. E quando o olho humano vem fazer companhia a esse Olho mec√Ęnico, vem humaniz√°-lo, digamos assim, no sentido pleno das vis√Ķes, intui√ß√Ķes, car√™ncias, indaga√ß√Ķes, ilus√Ķes, poss√≠veis saberes, esperan√ßas, miragens, que fazem dele um olho humano?

Esse est percipere / Ser é perceber - nos diz Berkeley.
"Um filme de Vicente Cecim sendo então uma dessas raras oportunidades que nos são dadas pela Via Estética de confrontar - no sentido já dissimulado pelo uso mais ainda vivo na palavra, de colocar frente a frente - vida e homem, o percipi e o percipere, o percebido e o perceber. (A imagem e o olhar).
Bergson nos diz: Se 'percipi' é passividade pura, o 'percipere' é pura atividade.
A fina película então é o elemento intermediador entre a epiderme do Real, que se entrega a Cecim em percipi , se deixando ser percebida, e lhe permite o ato de percipere , perceber e, o por ele percebido, nos revelar.
Mas, a esta altura, ainda estamos falando da fina película que é um filme, ou imperceptivelmente já ingressamos no coração obscuro do nosso assunto: já nos surpreendemos falando da matéria como uma fina película transparente situada entre o homem e Deus?
A ambivalência das palavras, ah: tanto nos naufragam como nos socorrem.
E o que leremos a seguir, ao lermos a palavra doutrina , seja lido como sin√īnimo da palavra vida .
Pois √© implicitamente a ela, como vis√£o de mundo de Berkeley, que Bergson se refere, quando nos diz: Dela nos aproximaremos se pudermos atingir a imagem mediadora (...) - uma imagem que √© quase mat√©ria, pois se deixa ainda ver, e quase esp√≠rito, pois n√£o se deixa tocar ‚Äď fantasma que nos ronda enquanto damos voltas em torno da doutrina e ao qual √© necess√°rio que nos dirijamos para obter o signo decisivo, a indica√ß√£o da atitude a tomar e do ponto para onde olhar.
√Č permitido ao homem, atrav√©s da media√ß√£o da Arte, n√£o somente percipere/perceber mas tamb√©m dar a perceber aos outros homens o que, atrav√©s da fina pel√≠cula transparente, percebeu?
No cinema, em todas as épocas, a alguns, isso foi consentido: Bresson, Ozu, Antonioni, Dreyer, mais recentemente a Alexander Sacha Sokurov, Tarkosky e ao próprio Cecim.

"Diante do Abismo que √© o Assombro de existirmos, humanos, face a face com a espessura e as transpar√™ncias da Vida que nos habita e na qual habitamos, sutis como uma sombra, densos como um corpo, deveu ser grato a eles, pela vertigem que em n√≥s sempre despertam, pelas quedas para o alto em que sempre nos precipitam, nos impedindo de adormecer na desoladora fronteira que inventamos para nossas omiss√Ķes, no passo que n√£o damos, entre o Imanente e o Transcendente."
Tarkovsky entendeu o Cinema como a arte de Esculpir o Tempo .
E no livro que escreveu com esse título, e não apenas através das imagens dos seus filmes, nos fala de uma urgência alarmante: - O homem moderno não quer fazer nenhum sacrifício, muito embora a verdadeira afirmação do eu só possa se expressar no sacrifício. Aos poucos vamos nos esquecendo disso, e, inevitavelmente, perdemos ao mesmo tempo todo o sentido da nossa vocação humana.
Que vocação é essa?
A voca√ß√£o de uma entrega total, de um consentir permanente que luzes lampejem em n√≥s, nos permitindo ver - mesmo que por breves clar√Ķes, na vida como numa escura sala de proje√ß√Ķes, sacrificando nossas consola√ß√Ķes vazias, nossas paix√Ķes condenadas a cinzas, nossa avidez de um agora ef√™mero ‚Äď aquela que ama ocultar-se e que, em seu Pudor, √© a Fonte
Permanente do nosso mais intenso fascínio?
Clar√Ķes.
Ainda que estonteantes, cegantes. Mas de uma cegueira que nos liberte de continuar vendo através de um cristal escuro e nos conceda outros olhos capazes de ver através dessa fina película transparente situada entre o homem e Deus - sabemos o que essa Palavra significa, em todas as suas metamorfoses.

CARLOS PAR√Ā · Bel√©m, PA 28/2/2007 15:52
sua opini„o: subir
CARLOS PAR√Ā
 

√Č esse o olhar que reivindicava Berkeley, segundo Bergson.
E esse é o olhar que buscou Franz Cecim, com seus filmes que são fendas abertas na espessura da matéria, e que ele, também, reivindica como Tarkovsky, quando afirma:

- E o que s√£o os momentos de ilumina√ß√£o, se n√£o percep√ß√Ķes instant√Ęneas da verdade?
Ou quando denuncia:
- A moderna cultura de massas (...) est√° mutilando as almas das pessoas, criando barreiras entre o homem e as quest√Ķes fundamentais da sua exist√™ncia, entre o homem e a consci√™ncia de si pr√≥prio enquanto ser espiritual.
São palavras que devemos manter acesas em nós quando as luzes
se apagarem e os filmes começarem a cintilar para os nossos olhos.
Nesses Templos de um tempo sem templos em que podem se transformar as salas de proje√ß√Ķes, ante filmes como os de Cecim, j√° n√£o se trata de simplesmente ver, mas de penetrar profundamente, atrav√©s da fina pel√≠cula transparente que o seu cinema nos oferece, at√© nos revelarmos a n√≥s mesmos, e orando em sil√™ncio:
- Agora, abrir os olhos. Agora, começar a sonhar o sonho de ver como somos."
A alusão aqui acima é ao texto de Vicente Cecim "Tarkovsky: Através de uma fina película transparente", que nos remete à própria idéia central do pensamento de Vicente . E assim, passo a passo, nos damos conta que foi dito, algo sobre o cinema de Vicente Cecim, ele próprio por ele próprio, mas obliquamente: por reflexos de vozes ecoando em espelhos que constroem sua Imagem em Movimento.

Quem inadvertidamente, penetrar neste campo semi√≥tico, depara de s√ļbito com um sistema ca√≥tico de refer√™ncias, com uma rede de c√≥digos e normas, de nomes e de s√≠mbolos relativos a substancias arcanas (segredos, mist√©rios) em permanente muta√ß√£o, em que aquilo que √© aparente, pode ter sempre um significado diferente do que aparenta-ser e a no√ß√£o de que a proje√ß√£o dos fen√īmenos on√≠ricos n√£o podem ser manipul√°vel a n√£o ser por alus√Ķes.




Para Marcelo Ariel que viu os filmes de Cecim na PUC de S√£o Paulo em Abril de 2005, fala na Revista Crit√©rio que "s√£o filmes que transfiguram o sentido das imagens e se inserem como 'document√°rios do fantasmag√≥rico' incrustado em nossa 'fic√ß√£o-vida' 9 ela mesma um sonho onde sonhamos que n√£o sonhamos como nos lembra Borges). (...) Cecim √© um criador radical que trabalha entranhado entre o ser e o n√£o-ser evitando separar os dois do sagrado porque ele em sua obra sobrevoa dualidades que se dissolvem num estado po√©tico acess√≠vel a qualquer um dotado de sensibilidade que ele chama "nos dando a chave" de VER A TERRA DO C√ČU.

CARLOS PAR√Ā · Bel√©m, PA 28/2/2007 15:54
sua opini„o: subir
CARLOS PAR√Ā
 

Vicente Cecim pode ser entendido de modo mais livre do que os outros do seu tempo que tentaram fazer Cinema, sen√£o de modo mais evidente e mais claro, com um Cinema mudo de uma extrema complexidade na sua express√£o. Mais do que imagem-palavra, miragens. Atrav√©s da mira√ß√£o do olhar e do pensamento do cineasta atingir o intelecto-cora√ß√£o do espectador num processo alqu√≠mico de revela√ß√£o transformando a massa cinza do c√©rebro em massa de verdade e transubstancia√ß√£o do esp√≠rito. O conhecimento vision√°rio, substitui a compreens√£o liter√°ria do texto, a compreens√£o imag√©tica do filme, a proje√ß√£o na c√Ęmera obscura que atravessa o Olho que agora n√£o v√™, v√™-se e vive-se no que sente. O olho humano √© uma imagem do Universo. O branco do olho corresponde ao oceano de mist√©rio, que rodeia o universo por todos os lados . ANDARA √© o ponto central de tudo, a partir do qual se torna vis√≠vel o aspecto do universo inteiro.
Para Vicente Cecim, não lhe agrada a rotação do girar, girar, girar, filmar, filmar, filmar com uma órbita rotineira. Nesse processo, misterioso e caótico, simples e violento de interpretar as coisas que não lhe incomodam mais, em que os opostos se encontram ainda in-conciliáveis, num conflito pacífico-violento, de ver e ser transformado progressivamente num estado de libertação de harmonia perfeita, a Pedra Filosofal.

"- Agora, abrir os olhos. Agora, começar a sonhar o sonho de ver como somos vistos". VFC.



Foto Cecim
"Fazer um filme foi e sempre ser√° um sonho, em qualquer circunst√Ęncia: antes de realizar o filme, √© o sonho de faz√™-lo, e, depois de ele pronto, √© o convite ao sonhar se manifestando plenamente. Naqueles anos, o super-8 foi para n√≥s o que hoje √© a facilidade do v√≠deo. Equivalia, e equivale, a ter na m√£o um l√°pis e algumas folhas de papel. Ent√£o, escrevemos, com imagens ou com palavras. Com isso se eliminava, e se elimina, ou atenua muito, o impasse, melhor dizer: o bloqueio que o dinheiro representa" .
OLHO
VFC queria olhar, ver e mostrar a vida como os seus olhos e o da c√Ęmera conseguisse captar a dimens√£o oculta na realidade vis√≠vel. E por isso KinemAndara √© o Cinema do Invis√≠vel.

Foto Cecim

O Cinema √© o Olho que tudo v√™ e tudo mostra. Essa foi e ser√° a sua essencialidade em qualquer √©poca, qualquer tempo. Atualmente, quando parece que todos estamos vendo tudo, o mundo inteiro e o que se passa nele, acabamos n√£o percebendo que h√° muito mais oculto do que de fato revelado. A comunica√ß√£o de massa mistifica o Real, ilude o Homem. √Č manipulada conforme interesses freq√ľentemente sujos e suicidas para a nossa esp√©cie. A invas√£o do Iraque pela Am√©rica de Bush √© um exemplo brutal. H√° tantos. Nestes tempos que estamos vivendo, o Cinema deve assumir, com enorme responsabilidade, o desafio que Berkeley, citado acima, nos faz, e que eu entendo assim: - Dar a perceber a Realidade submersa no cristal escuro das imagens que os engenhos e maquina√ß√Ķes das comunica√ß√Ķes de massa, agora, nos ocultam.

CARLOS PAR√Ā (8859-4664)
EDITOR DA REVISTA PZZ ‚Äď ARTE POL√ćTICA E CULTURA
COORDENADOR EXECUTIVO DA MOSTRA ITINERANTE KINEMANDARA: 30 ANOS DE CINEMA DO INVIS√ćVEL DE VICENTE FRANZ CECIM.

CARLOS PAR√Ā · Bel√©m, PA 28/2/2007 15:54
sua opini„o: subir
CARLOS PAR√Ā
 

√Č ISSO A√ć RODRIGO ESTAREMOS NO PR√ďXIMO Festival de Cinema de Campo Grande. SAUDA√á√ēES

CARLOS PAR√Ā

CARLOS PAR√Ā · Bel√©m, PA 28/2/2007 15:56
sua opini„o: subir
Andreh Jonathas
 

A gente

Andreh Jonathas · Fortaleza, CE 28/2/2007 20:46
sua opini„o: subir
Andreh Jonathas
 

aqui no ceará, tem o Cine Ceará, que trata do chamado cinema alternativo. A movimentação é grande em busca da telona, mas falta empolgação ainda. Cresce a cada ano. Estão todos convidados.

O texto est√° fant√°stico. Impressionaista!

Andreh Jonathas · Fortaleza, CE 28/2/2007 20:49
sua opini„o: subir
Laura Utsch
 

Muito bom o seu texto! Morei 10 anos em Maceió-AL, afirmo existir por lá, muita gente interessada em cinema, muitos ótimos documentários e maravilhosos cineastas, um clube de cinema e, apesar disso, ainda não acontece na cidade, um festival de cinema... Creio eu, que nesse comentário, estarei também respondendo a sua pergunta-título: um festival de cinema, faria com que os apaixonados - por cinema e arte - se encontrassem, se conhecessem, se ajudassem etc. Um festival teria a força de unir forças e anseios, sabedorias e necessidades... Falta um lá em AL... torço para que os participantes do clube, tenham esse ano, garra para realizar o primeiro!
Parabéns pelo seu texto, está muito bom!

Laura Utsch · Fortaleza, CE 28/2/2007 21:46
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir
Zéduardo Calegari Paulino
 

Drigo!!!!!!!!!!!!
Que show sua matéria...
Deu até dor no peito de só ter visto os filmes... pelo computador! (desde que descobri o e-mule minha vida tem ficado sedentária.
Mas teu texto me fez pensar nessa posição egoísta da gente, de ver uma obra de arte de tanta gente tão só. Fiquei doidim por ter estado lá e pelo menos estar perto desse burburinho de cultura.
Bem, ano que vem tá ai e já aprendi a lição.
Salve, Rodrigo!

Z√©duardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 1/3/2007 00:10
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir
Rodrigo Teixeira
 

Opaaaa...

Carlos Pará estamos te esperando aqui no próximo festival. E q post grande, ainda não consegui ler...

Andreh que Fortaleza se una e a moçada force a barra para virar o Cine Ceará. Quando acontece?

Laura que Alagoas faça seu primeiro festival. Depois do primeiro não pára mais. Com certeza juntar apaixonados pela mesma causa é o grande lance de qq festival. Sorte pro ce!

Ow Zéeee... brigadu amigo... aproveita mais ano que vem e vamu em frente!

abs a todos!



Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 1/3/2007 06:09
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir
Débora Medeiros
 

Matéria interessaante, misto de cobertura de evento, resenha cultural, crítica de filmes... tudo num texto muito fluido!

Aqui no Cear√°, temos o Cine Cear√°, um festival anual que costuma agitar a rotina dos cinemas de shopping center a que estamos submetidos no resto do ano.

Acho esses eventos importantes, porque d√£o espa√ßo pra produ√ß√Ķes geralmente fora do circuito nacional e at√©se contrap√Ķem √† pirataria, √† comodidade dos filmes em casa.

D√©bora Medeiros · Fortaleza, CE 1/3/2007 06:23
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir
T√Ęnia Brito
 

Parabéns pelo texto Rodrigo! Como sempre arrasando! E um questionamento: o que se fazer para que as poltronas do Cine Cultura sejam tão ocupadas quanto na época do Festival?! Isso me intriga porque a programação durante o ano é sempre de qualidade... mas quantas vezes essas poltronas não ocupadas me incomodam ou já me incomodaram durante o restante do ano, pós festival?!

T√Ęnia Brito · Campo Grande, MS 1/3/2007 11:29
sua opini„o: subir
André Gonçalves
 

quem dera chegasse um festival desses por aqui. mal vemos os blockbusters no cinema, quanto mais "o céu de suely". temos de esperar sair em vídeo. parabéns pela matéria.

Andr√© Gon√ßalves · Teresina, PI 1/3/2007 12:54
sua opini„o: subir
Georges Kirsteller
 

Georges Kirsteller · S√£o Paulo, SP 2/3/2007 16:18
sua opini„o: subir
werneck
 

Olá Rodrigo, quero parabenizar pela reportagem, mas comentar dois erros. O primeiro deles é que não disse que faço cinema "surrealista". Disse que faço cinema de gênero "realismo fantástico". O que é completamente diferente. Apesar de admirar o surrealismo, nunca realizei nada do gênero. Gostaria que colocasse o comentário em sua veracidade. O outro: quando fala sobre o Transtorno, de Fernanda Teixeira, diz que "Gisele me conta que..." Cuidado com os nomes! Abraços

werneck · Belo Horizonte, MG 9/3/2007 13:04
sua opini„o: subir
Rodrigo Teixeira
 

Oi Gisele! Tenho a nossa conversa guardada e falamos em surrealismo e realismo fant√°stico. Ambos. Mas j√° est√° registrado. Desculpem leitores, √© REALISMO FANT√ĀSTICO. Mas continuo achando q √© um g√™nero quase que in√©dito no Brasil. N√£o?

E mil perd√Ķes pela troca de nome. No texto est√° assim 'Com olheiras profundas e um curta de arrepiar (eu gostei de Transtorno!), Gisele me conta que teve de trocar de ator (s√≥ tem 1 no filme) no meio das filmagens.' Claro que n√£o √© Gisele (que n√£o tem olheiras, muito pelo contr√°rio) e sim Fernanda. Desculpe pela confus√£o!
abraços

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 9/3/2007 14:14
sua opini„o: subir
Defletas
 

[b]Haver√° Banca de Capacita√ß√£o Profissional (IN n¬ļ 004/99) em Cuiab√°/MT no dia 13 de julho de 2008.

Seja Profissional de fato e de direito tenha DRT!

Banca de Capacita√ß√£o Profissional para o Candidato em se Habilitar (DRT) ao Exerc√≠cio Profissional na Categoria Regulamentada pela Lei Federal n¬ļ 6.533/78 e Decreto n¬ļ 82.385/78, que abrangem os Trabalhadores nas seguintes √°reas:
I ‚Äď Artes C√™nicas (Circo, Teatro, Dan√ßa, Moda, Opera, Produ√ß√£o e Shows de Variedades...);
II ‚Äď Cinema;
III ‚Äď Fotonovela;
IV ‚Äď Radiodifus√£o.

Contato SATED/MT:
(65) 3321-8095 / 8415-3992 / 9212-7575
E/mail: satedmt@hotmail.com

Sede: Rua Sete de Setembro (pr√≥ximo ao MISC e ao IPHAN), n¬ļ 427, Centro (Hist√≥rico), Cuiab√°/MT

Sauda√ß√Ķes culturais;

Nestor Defletas
Pres. do SATED/MT

Defletas · Cuiab√°, MT 22/6/2008 15:12
sua opini„o: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. FaÁa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

imagens clique para ampliar

Alexandre Rodrigues com a equipe do festival zoom
Alexandre Rodrigues com a equipe do festival
Pipoca e alegria na estréia dos índiozinhos no cinema zoom
Pipoca e alegria na estréia dos índiozinhos no cinema
As diretoras Fernanda Teixeira e Gisele Werneck ficaram dois dias... zoom
As diretoras Fernanda Teixeira e Gisele Werneck ficaram dois dias...
Fabiana e Silvia falam de O Cheiro do Ralo para a imprensa zoom
Fabiana e Silvia falam de O Cheiro do Ralo para a imprensa
Zé Dirceu tira fotos com as criancinhas! zoom
Zé Dirceu tira fotos com as criancinhas!
Tri-campeão Maurício Copetti levanta a taça Glauce Rocha zoom
Tri-campeão Maurício Copetti levanta a taça Glauce Rocha

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

VocÍ conhece a Revista Overmundo? Baixe jŠ no seu iPad ou em formato PDF -- ť grŠtis!

+conheÁa agora

overmixter

feed

No Overmixter vocÍ encontra samples, vocais e remixes em licenÁas livres. Confira os mais votados, ou envie seu průprio remix!

+conheÁa o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados