Primeiras impressões sobre Piauí

1
Cleber Corrêa · Porto Alegre, RS
17/10/2006 · 123 · 44
 

“Confesso que” não é a melhor maneira de começar um texto, acho um jeito meio pobre de fazê-lo, sem criatividade, mas confesso que me sentei para ler Piauí com um certo nojinho. Isso porque João Moreira Salles – o líder do projeto – tinha dito para uma rádio gaúcha que a publicação era para quem tinha “um parafuso a mais”. Hmm, pensei, começou mal.

A questão toda é que o slogan denota uma qualidade do consumidor, mas não diz muito da revista mesma. É natural que sobre Piauí (ignoro o p minúsculo, que considero um preciosismo besta) já soubessem aqueles leitores mais atentos às mudanças do mercado editorial brasileiro – quem leu sobre a Festa Literária Internacional de Parati deste ano, por exemplo, mais ou menos já sabia da revista, quem seriam os colaboradores, etc. E quem ouvisse a entrevista com Moreira Salles no rádio saberia classificá-la antes do lançamento?

“Uma revista para quem tem um parafuso a mais” não diz nada. Tem o demérito de açular a vaidade do leitor mais ignorante, que compra a publicação antes por auto-elogio do que pelo que espera encontrar. Se nada sabe de Piauí, mas tem a si mesmo em alta conta, o consumidor conclui, esfuziante, o silogismo: “para quem tem um parafuso a mais? É para mim!” E errará.

Apelar para a virtude do leitor é um recurso meio arriscado. Fazendo uma concessãozinha à sociologia da distinção (coisa que não repetirei, juro), ler uma revista “para quem tem um parafuso a mais” me cheira a “verniz cultural”. Se você, como eu, detesta essa expressão, me perdoe, mas o fato é que muita gente leva a sério a questão da aparência – e talvez essas mesmas pessoas se sintam tentadas a ler Piauí exatamente por isso. Que uma publicação assuma um significado distintivo no decorrer do tempo, só temos que lamentar; sem estardalhaço, contudo, para que não pareça ressentimento. Mas que assuma assim, de início, essa evidência, é ainda menos abonador para si mesma.

Há leitores que só muito a contragosto lerão Piauí em público. Eu, por exemplo. “Ele está lendo aquela revista para quem tem um parafuso a mais”, dirão de mim, como se eu assim desejasse parecer. É bom para a auto-estima que cada um pense de si que tem um parafuso a mais. Mas isso não é o tipo de coisa que se admite em público: o observador mais atento pode concluir exatamente o oposto do que se quer comunicar.

Se, do contrário, Piauí fosse a revista para os parvos, idiotas e limitados, eu viraria assinante. Embora a ironia de um slogan assim fosse constrangedoramente clara, é melhor que um mote que pressupõe toda a minha complexidade e profundidade como leitor.

Se li? Sim. E gostei.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Cleber:
Acho inadequado o título que você escolheu para o seu artigo. Eu diria mais, propaganda enganosa. Por que vc promete impressões sobre a revista e nos oferece uma digressão sobre a (im)propriedade da propaganda que ouviu na rádio sobre ela. A única primeira impressão que nos trasmite é um...gostei! o que, convenhamos, nada acrescenta. Então não sei. Acho que você devia mudar o título e adequá-lo ao seu real conteúdo: a gênese de um preconceito.
Ou então mudar o conteúdo da matéria e falar, de fato, quais foram as suas primeiras impressões sobre piauí!, digo, sem preciosismo besta,Piauí !
beijos e abraços
do Joca Oeiras,o anjo andarilho
PS Para ser franco, prefiro a segunda hipótese

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 15/10/2006 07:06
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Cleber Corrêa
 

Joca, concordo e não concordo com o seu argumento. Permita-me:

Concordo quando diz que eu não cumpro o que prometo. Mas discordo de que isso seria inadequado. Título adequado ao conteúdo do texto me parece mais coisa de notícia do que de uma crônica sobre a propaganda de uma revista. E, definitivamente, não escrevi sobre um fato sobre o qual se possa falar objetivamente. O que eu quis – e perde um pouco a graça quando explicitamos as nossas intenções – era um título que chamasse a atenção para a leitura, e não que resumisse o conteúdo do texto. E, mesmo assim, essas são as minhas primeiras impressões sobre a revista.

Quanto a escrever sobre a publicação em si mesma, não acho isso interessante, na verdade. Que cada um compre a revista e avalie. É o que penso.

De qualquer forma, agradeço as opiniões e sugestões dadas com gentileza.

Cleber Corrêa · Porto Alegre, RS 15/10/2006 16:06
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Cleber:
Não entendi o que você quis dizer com a frase:
"E, definitivamente, não escrevi sobre um fato sobre o qual se possa falar objetivamente." Francamente, ou ela é tão profunda que me escapa o significado ou... não quer dizer nada.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 15/10/2006 17:30
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Só mais uma coisinha, Cleber. Me parece que piauí assim escrito com letra minúscula não é um "preciosismo besta" mas o nome da revista, assim como o seu é Cleber Corrêa e não Cleber Correia nem Cleber Correa.
beijos e abraços
do Joca Oeiras,o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 15/10/2006 17:59
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Pedro Rocha
 

Sem entrar no mérito do título, só acho que é muito pouco ficar nessa de um parafuso a mais ou a menos sabe.

Não sei se é porque tô querendo muito ler essa revista e esperava trocar algumas idéias iniciais sobre a publicação, mas acho que o texto é uma crônica meio besta, que poderia se resolver em um ou dois parágrafos. Não querendo limitar a crônica a uma objetivida noticiosa, mas tem que ter algo a dizer né.

Ah! O texto tá bem escrito e um tanto engraçado. Se isso basta...

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 15/10/2006 21:37
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Cleber Corrêa
 

Joca:
Não vou me deter nessa questão do nome, mas imagine comigo se a revista se chamasse PiauÍ, ou piAUí, ou pIaUí. Entendeu? E isso para mim soa artificial, e esse é o ponto.

Pedro:
Valeu pela dica. Na próxima vez que eu publicar um texto aqui, vou caprichar em ativismo, edificação e pedagogia: muita "coisa para dizer , né?" e algumas "idéias para trocar". De qualquer forma, adianto para ti que os textos da revista são muito bem escritos, mas, talvez pelo tua inclinação política, tu vá se decepcionar com o fato de a revista 1) primar pela qualidade do texto em si, 2) não considerar a urgência de um assunto, isto é, você não vai encontrar nela nada sobre o cotidiano sofrido de uma favela em qualquer lugar do Brasil (o nosso fetiche sociológico), a não ser que a reportagem seja autoral e bem escrita, e 3) não encontrará aqueles truísmos esquerdistas que talvez façam a tua cabeça. "Relações de poder", "autogestão", "romper com estruturar hierarquicas de discussão e produção do conhecimento", "preconceito elitista"? Não, essas são expressões que você não vai ler em Piauí, definitivamente. Lamento.

Obrigado pelo elogio, embora tenha me feito sentir como um menino de seis anos que entrega um rabisco ao pai e recebe um sorriso de condescendência...

Abraços aos dois e obrigado pela gentileza das observações.

Cleber Corrêa · Porto Alegre, RS 16/10/2006 15:08
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Cleber:
Bom ter recebido a tua resposta a mim e ao Pedro no exato momento em que escrevia um texto para dizer que não votaria no seu porque ele é um texto, do começo ao fim, preconceituoso. A tua resposta me poupou uma longa digressão. É como dizia Boileau: " O estilo é o homem". Você é preconceituoso!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 16/10/2006 15:45
sua opinião: subir
Cleber Corrêa
 

Joca, obrigado pelo retorno e pela crítica.

Permita-me ainda fazer uma observação sobre o teu argumento, mas sem querer me comparar com quem quer que seja, ok? Tu não vai votar no meu texto por eu ser preconceituoso – embora o meu preconceito seja bobinho e inofensivo. Por esse raciocínio, escritores de idéias nitidamente preconceituosas sobre o mundo deveriam ser jogados na lata lixo, se estou certo. Hmmm, se tu fosses bibliotecário, então não teríamos lugar para Céline, para citar um exemplo célebre. Repito que a literatura é usada aqui como parte do argumento e não como parâmetro para me comparar...

Então, seja valente e use um bom motivo para não votar no meu texto – ele está mal escrito, repete palavras, é truncado – ou escolha simplesmente não votar. Ou, ainda, continue com a pecha de mal debatedor.

A propósito, você acha que Graciliano Ramos perdeu a grandeza e o brilho quando disse que o estado de Alagoas daria um lindo golfo? Você acha que ele foi preconceituoso? Ô Joca, você é capaz de rir de uma piada politicamente incorreta?

Abraços.

Cleber Corrêa · Porto Alegre, RS 16/10/2006 16:28
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Cleber:
Não gostei do teu texto porque ele não tem quase nada a dizer, e quando diz, o faz de maneira cabotina e preconceituosa. Então, trata-se de um texto com um mínimo de conteúdo. Quanto à forma, não está mal redigido. mas isto não basta para eu dizer que está bom.
Mas não se preocupe, porque eu tenho dezoito parafusos a menos do lado esquerdo do cérebro e oito a mais do lado direito sendo que vários outros estão espanados.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
PS Paira, portanto, uma questão no ar: Será que eu vou gostar de piauí?

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 16/10/2006 17:37
sua opinião: subir
Hermano Vianna
 

calma pessoal! o Cleber quis apenas fazer um comentário curto - o que permitido aqui no Overmundo... muitas vezes textos curtinhos, geram boas conversas, que vão sendo aprofundadas a cada comentário - mas agora parece que os ânimos estão exaltados e todo mundo passou para o ataque... vamos voltar ao que interessa? talvez o assunto mais interessante seja o panorama das revistas brasileiras hoje e o lugar que a piauí tenta ocupar - ainda não li a revista: quando ler coloco aqui outro comentário...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 16/10/2006 20:38
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

De Queridos Hermano,Pedro e Kleber:
Hermano, a questão é bem esta: nem eu, nem você, nem o Pedro tivemos acesso a Piauí. Foi isto o que motivou a mim e ao Pedro o acesso a uma matéria denominada "Primeiras impressões sobre Piauí". Voce acaba de postar um comentário administrativo, eu diria, para acalmar os ânimos usando as suas próprrias palavras tudo muito justo e correto. Mas não me venha com esta de que "vai comentar depois de ler" porque isto é conversa mole pra boi dormir. Para comentar o texto de Cleber como eu e o Pedro fizemos não é necessária, evidentemente, a leitura de Piauí. Por outro lado, sinceramente, estou tranqüilo no sentido de que só me exaltou a razão, não há nenhuma paixão envolvida nos meus comentários.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 16/10/2006 21:09
sua opinião: subir
Hermano Vianna
 

oi Joca: não era conversa para boi dormir não - é que para responder minha questão (sobre o lugar da piauí no panorama das revistas brasileiras) eu tenho sim que ler a revista - estou considerando o texto do Cleber apenas o ponta-pé inicial para a conversa...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 16/10/2006 21:13
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Apenas uma correção em proveito da verdade: a frase "O estilo é o homem" não é do francês Boileau mas do Buffon, também francês.
+ beijos e + abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 16/10/2006 21:16
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Hermano:
Desculpe, vc tem razão, fiz uma leitura apressada do seu texto!
beijos e abraços
do Joca Oeiras,o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 16/10/2006 21:21
sua opinião: subir
Sátiro Rozzado
 

Também esperava, a partir do título, que o texto nos trouxesse qualquer opinião sobre a revista, seu conteúdo, forma de distribuição, qualidade dos textos, enfim – algo mais palpável. Afinal, um título serve mesmo pra quê? Confesso, entretanto, ter aceito os argumentos do Cleber. Afinal , o que foi exposto não deixa de constituir as primeiras impressões do cara sobre a revista – mesmo que essas impressões não se centrem na revista em si, mas no bundão que a concebeu. Outro ponto.

No mais, Cleber, acho que, mesmo que a revista esteja voltada para a qualidade do texto em si mesmo – o que, convenhamos, é muito questionável. Me faz lembrar o tal beletrismo do século retrasado; mesmo que a revista não nutra tanta preocupação em retratar o cotidiano sofrido e urgente das metrópoles brasileiras (afinal, isso não passa de um fetiche mesmo); e mesmo que a revista não contemple os nossos truísmo de esquerda – mas truísmos de outra natureza; apesar de tudo isso, e de tantas outras coisas, talvez, somente talvez, devamos gostar de alguma coisa. Afinal, e mesmo com certo nojo, você também gostou.

Sátiro Rozzado · Fortaleza, CE 17/10/2006 14:02
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Cleber Corrêa
 

Joca:
Quanto ao seu último argumento ("você não tem nada dizer"), ele é indefensável. Não tenho como rebater. E, como você disse, permanece a dúvida sobre a sua impressão sobre a revista. Tenho curiosidade em saber o que você achará dela.

Hermano:
Enquanto não começam os ataques ao homem, um pouquinho de hostilidade é bom. Esse site oferece a possibilidade da discussão do que é publicado, e que os debatedores se exaltem um pouquinho é natural. Sem palavrões e ofensas, obviamente.

Sátiro:
Gostei muito do modo como você deu sua opinião. Mas eu divirjo de você em alguns detalhes. Quanto à revista valorizar o texto em si, eu não acho questionável. Na minha opinião, isso é o que realmente vale. Que se leia algo porque é belo me parece ser o melhor motivo. Às vezes, me canso com as revistas e os jornais que consideram a utilidade do que dizem, principalmente naquelas reportagens de cunho social. E isso não é preconceito. É que ler um texto é uma fruição estética, e estou muito longe de me tornar aquele que analisa o que lê, ouve e vê sempre a partir do prisma das relações de poder. A mim, parece que chegar nesse ponto é perder qualquer possibilidade de sentir prazer com arte. Quanto aos truísmos, a revista não contempla nem os de um lado nem os de outro. A proposta, como eles dizem e cumprem, é originalidade. Vamos ver se a mantém no segundo número.

Cleber Corrêa · Porto Alegre, RS 17/10/2006 15:38
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Cleber:
Se eu pudesse votar no seu último comentário você teria o meu voto! Finalmente vi o que esperava ver no momento em que fui seduzido para ler seu texto! Me sinto como se tivesse reclamado ao Procom de um defeito de fabricação e recebido, finalmente, depois de muita reclamação, não só minha mas com o concurso de outros consumidores que se julgaram lesados, um novo produto que atende às especificações do manual de instruções. Valeu Cleber! Vc é bem melhor quando fala sobre alguma coisa do que discorrendo sobre o nada!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 17/10/2006 16:45
sua opinião: subir
alina prochmann
 

Fiz minha assinatura da revista, mas ainda não recebi. O que me chamou a atenção foram justamente as propostas de originalidade (não ter editorial, não ter pauta do momento, primar pela qualidade dos textos, etc.), e confesso que estou ansiosíssima para ler. No entanto, sinto um pouco de "nariz empinado" em uma certa revolta contra o modelo tradicional de se fazer revista, ou ainda de se fazer jornalismo - o p minúsculo não seria uma tentativa de parecer humilde? Não sou defensora de tradicionalismos, muito menos do radical. É bacana fazer diferente, mas acho que não precisamos levantar bandeira exclusivamente underground.
Outro motivo que me atraiu é ter um material que apresente jornalismo literário, ao "estilo New Yorker" (hummm, citar New Yorker é bem cult, não?, do tipo "para quem tem um parafuso a mais"...), afinal, não temos muitos exemplares brasileiros que se dediquem a esse estilo, temos?

Enfim, por ser algo que se promete diferente, acho que vale a pena ler e tirar suas conclusões.

alina prochmann · Curitiba, PR 17/10/2006 19:05
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Queridos amigos:
Este comentário apesar de ser uma crítca não o é para ninguém específicamente mas para um tipo de comportamento demasiado humano. Se as pessoas fossem sinceras consigo mesmas diriam o que querem parecer ser, verbalizando na intimidade ou publicamente em vez de ficarem com esta história de não querer parecer-se com certo outro tipo de gente. Por que para a gente ser autêntico mesmo, genuino mesmo a gente tem que querer parecer o que é.
Volto a insistir em discutir os conteúdos e não as denotações socio-mercadológicas. Ou a gente almeja a integridade, a autenticidade, parecer-nos com o que realmente somos ou nós queremos disfarçar quem somos tentando fingir ser o que não somos.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 17/10/2006 19:59
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Cleber e demais queridos amigos: Acaba de entrar na fila de edição um texto meu sobre piauí. É um texto que escrevi sob o impacto da novidade grata que foi para mim a notícia de que uma boa revista ia se chamar piauí. Confesso, viu Cleber, que em funçâo da nossa discussão me vi obrigado a editar o texto e botar minúscula em quase tudo, rsrsrs
Espero que gostem...ou pelo menos deixem comentários
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 17/10/2006 21:33
sua opinião: subir
alina prochmann
 

Essa discussão pode não ser sobre o conteúdo interno da revista - afinal, acho que de nós só o Cleber leu -, mas é totalmente válida, inclusive sob o título que recebeu, pois discutirmos a grafia do nome ou o slogan já pode ser considerado "primeiras impressões", ao meu ver.

Particularmente, acho que a revista deve ser boa, tanto que, como disse, estou ansiosa para ler. Mas acho que a escolha pelo "para quem tem um parafuso a mais" é um pouco preconceituosa, mesmo que marketeira (caso seja essa a intenção), e até mesmo elitista. Pode ser interpretado da seguinte maneira: piauí não é para qualquer um, mas para quem tem um parafuso a mais. Ou seja, nem todas as pessoas tem um parafuso a mais. Vou mais além: por piauí se orgulhar bastante de fugir das "regras editoriais", pode-se interpretar como uma crítica às revistas tradicionais, aí então, os leitores dessas revistas não tem o seu parafuso extra. Enfim, acho uma escolha bem delicada...

Assim como as referências à New Yorker ou ao jornalismo literário podem parecer pretensiosas, afinal, a literatura (e a reconhecida revista americana) tem a sua aura intelectual.

Mas, e se realmente estivermos com um produto em mãos que corresponda a essas expectativas? Eu realmente torço por isso!

alina prochmann · Curitiba, PR 17/10/2006 21:42
sua opinião: subir
alina prochmann
 

É mesmo, o Joca é do Piauí.

alina prochmann · Curitiba, PR 17/10/2006 21:48
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Alina:
Não tive a graça de nascer no Piauí, terra que não conhecia até completar 55 anos. Sou paulistano radicado nesta Terra Querida há pouco mais de um ano e me defino como um Piauiasta (do Piauí entusiasta). Mas não é sobre isto que quero falar!
É que acho legítimo ser pretencioso, isto é, que a pretensão é uma atitude vital positiva que deve ser socialmente valorizada. O problema não é pretender mas o que pretender. Se você tiver a pretensão de fazer o seu melhor e agir de acordo com esta pretensão, puxa, não tem coisa melhor do que a gente, pelo esforço, superar as próprias limitações. Tenho a pretensão de ser a melhor pessoa possível e isto também quer dizer que eu pretendo ser melhor que a absoluta maioria das pessoas. Você vai achar isto o cúmulo do "tá se achando" mas eu não tou não.
Tou procurando ser uma pessoa mais compreensiva (entender as razões do outro), mais amiga, mais solidária, mais humana. Tou lutando contra todo e qualquer sentimento de ciúmes e inveja do outro, tou procurando afastar de mim os sentimento do ódio e da vingança. Afinal. se eu pretendo ser a melhor pessoa possível como posso pautar o meu comportamento pelo de pessoas que tem completamente outras pretensões? Sei o quanto é difícil ser íntegro numa sociedade como a nossa, mas tenho a pretensão de manter a minha integridade.
Mudando um pouquinho de assunto...quem foi que pos nas cabecinhas de vcs que ter "um parafuso a mais na cabeça" denota um status social (e mental) diferenciado?
berjos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 18/10/2006 08:57
sua opinião: subir
alina prochmann
 

Repito o que disse (ou escrevi, como queiram): torço para que piauí corresponda às expectativas, inclusive quanto à suposta pretensão de ser de mesma qualidade ou reconhecimento quanto New Yorker. Tanto que fiz minha assinatura, por sinal, de dois anos.

Joca: "ciúmes, inveja, ódio e vingança"? Está falando de piauí ainda?
Acho que, caso tenha sido nesse sentido a sua colocação, sugerir certa pretensão dos editores está longe de transmitir "ciúme, inveja, ódio ou vingança", mas sim de transmitir as "primeiras impressões" da revista. Aliás, acho que esse título é mais que perfeito para o que estamos falando, afinal, já há milhares de caracteres sobre as intenções dos editores, a escolha do nome, do slogan etc., tudo antes mesmo de lermos a publicação, não é interessante? A revista conseguiu suscitar discussões somente com sua proposta e propaganda.

Sobre o tal "para quem quem tem um parafuso a mais": ninguém colocou na minha cabeça nada, acredito, e ainda acho que enfatizar o intelectualismo de uma camada de pessoas (apenas as que compram piauí, afinal, como dito, quem não compra não é realmente inteligente) é uma atitude elitista, ou melhor, discriminatória, pois realmete é complicado afirmar algo em âmbito social.

Abraços,
Alina.

alina prochmann · Curitiba, PR 18/10/2006 11:30
sua opinião: subir
Pedro Rocha
 

Eita, deu discussão mesmo.

Eu não sei foi donde saiu esse estereótipo esquerdista que você traçou de mim Cléber. Realmente tudo que você apontou é uma total distorção do que penso. Agora da onde vem essa distorção, ai não sei, porque não me lembro de ter discutido com você mais profundamente alguma coisa, nem aqui, nem em outro lugar.

Bem, retiro meu comentário. Cada um escreve o que quiser aqui, acho justíssimo, e envia comentários quem tiver algo a contribuir. Acho que não tenho dessa vez.

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 18/10/2006 12:20
sua opinião: subir
Viktor Chagas
 

Também sem ler a revista, e também sem saber o que esperar dela, quero lembrar de uma coisa que talvez tenha passado despercebida aos debatedores:
Muito embora não se trate assim no miolo da publicação, e muito embora já tenhamos nos acostumado a capitalizar sua primeira letra, a revista veja também não tem um logotipo "maiúsculo". Questões de estilo à parte, o que falamos aqui, quando tratamos de letras maiores ou menores, é de um projeto gráfico e não de um projeto editorial.
O lembrete fica apenas aos que têm debatido a importância ou desimportância da maiúscula, sobre a qual ainda não formei minha opinião, portanto, não me coloco nem de um lado nem de outro. Apenas lembro. E essas são também minhas primeiras impressões...

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 18/10/2006 13:26
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Queridos amigos:
Acabei de receber a revista piauí, oferta, vejam que chic, dos editores. Confesso que fiquei um pouco decepcionado pela primeira impressão, esperava mais da revista>mas vou le-la entre hoje e amanhã e comentá-la.
Queria pedir a todos que dêem uma chegada no meu texto http://www.overmundo.com.br/overblog/sala_edicao.php?em_edicao=2176 que se encontra na fila de edição.Trata do mesmo assunto
beijos e abraços do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 18/10/2006 14:34
sua opinião: subir
alina prochmann
 

Viktor, pode parecer muito perfeccionismo ou insistência em discutir a grafia do nome da revista (se bem que, para mim, a escolha gráfica faz parte da escolha editorial), mas acho que o que fez vir à tona é que o próprio editorial de piauí destaca a escolha pelo p minúsculo - provavelmente isso tenha feito ficar em evidência.

alina prochmann · Curitiba, PR 18/10/2006 16:12
sua opinião: subir
Cleber Corrêa
 

Pedro, sem querer soar belicoso, permita-me apontar como construí essa imagem. É simples: quando você comentou o meu texto eu procurei os seus outros comentários, porque o overmundo permite isso. Se você não achar muito cansativo, é só clicar nos links e lembrar. E, para que não me chame de desonesto, o contexto das suas declarações estão todos aí. Eu não destorci suas palavras.
Relações de poder
autogestão
romper com estruturar hierarquicas de discussão e produção do conhecimento
preconceito elitista
guerrilha cultural silenciosa
Só discordo que isso se legimite por dados de mercado. Aliás,tudo se legitima a partir disso agora né. Essa última aqui é originalíssima...

E, Alina, por questões de coerência, permita-me discordar de um ponto que você apontou. Por que enfatizar o intelectualismo de uma camada seria elitista? Você tem a opção teórica de achar que as gradações intelectuais se devem a uma "sociedade opressora", ou alguma coisa do tipo. Mas que algumas pessoas sejam intelectualmente mais ricas é um fato. Discordo de você: a revista pode (e deve, se quer ser bem sucedida) ter com alvo um publico bem definido. Se a publicação optasse pelos intelectualmente mais pobres, você acharia isso ruim? Seria um elitismo às avessas, mas, da mesma forma que o elitismo da Piauí que você deplora, ele também privilegiaria uma parcela em detrimento de outra. De qualquer modo, gostei muito da brandura com que você apontou o que pensa. É uma qualidade que me falta... : )

Cleber Corrêa · Porto Alegre, RS 18/10/2006 16:57
sua opinião: subir
Pedro Rocha
 

Eu sei Cleber que as palavras que você tirou foi de comentários meus. Vi as aspas. Não quero sinceramente discutir o sentido delas - as palavras -, muito menos prolongar esse debate em torno disso, só digo que esses termos, pinçados como foram, não permitem você concluir que não gosto de textos bem construídos em si ou que primo por "assuntos urgentes" (depende desse "urgente")) ou mesmo pelo que você chama truísmos esquerdistas (eu sinceramente acho que não tem nada a ver com truísmo). Se tiver tempo, dê uma olhada nos meus textos publicados ou mesmo no blog que edito com outros amigos. Dá pra achar isso no meu perfil - não vai nenhuma ironia aqui.

Vamos com calma então, sem muito suposições. Eu retirei sinceramente meu primeiro comentário por achá-lo um tanto arrogante, talvez, como tinha previsto, pela decepção do texto, que ainda acho meio sem graça, mas agora de forma respeitosa...

Realmente o comentário do sátiro é o mais razoável e concordo com tudo que ele disse.

Sim... Comecei a ler. Li aquelas reportagens que se enfileiram como os artigos da Bravo!. Inclusive, comecei a ler esperando artigos. Levei uma boa de uma surpresa. Interessante elas virem também sem assinatura. Não li a revista toda ainda, mas começo a constatar algo que já vinha pensando, a grande sacada da piauí talvez não seja os textos - bons, mas nada de excepcional -, mas sim as pautas. Eis o que faz uma diferença fundamental no jornalismo. É isso que faz a Trip se destacar, quando aborda temáticas generalisticas, mas sem cair no óbvio, é isso que faz os melhores textos desse próprio overmundo.

Voltando a minhas compreensões "políticas" da realidade. Eu acho que toda essa história de parafuso a mais ou a menos é recorrente das mais diferentes formas em quase todos os produtos em larga escala hoje em dia. É uma estratégia de marketing que não poderia se esperar muito diferente de uma revista do porte da piauí, comercializada pela Abril e tudo mais... Mesmo assim não me angustio muito com isso ao ler piauí, por saber ao que ela se propõe como publicação. Infelizmente não sou o editor dela. Sou apenas um leitor que não vai ler apenas piauí, assim como também não lerei apenas a Trip com sua garotas de biquini e suas dezenas de publicidades... Tá mais pra entretenimento, prazer estético mesmo que o Cléber falou e para um apredizado. Nesse sentido, não vou nem entrar no "elitismo às avessas". Mas que fiquei curioso como você explica "as gradações intelectuais" Cleber, eu fiquei.

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 18/10/2006 20:13
sua opinião: subir
alina prochmann
 

Cleber: não acho ruim a revista dirigir-se ao seu público definido, no caso de piauí, os mais inteligentes. Óbvio que existem gradações de conhecimento na sociedade, em momento algum defendi que todas as pessoas pensam ou devem pensar igual, algo assim. Apenas acho gratuita essa afirmação de que é uma revista inteligente para pessoas inteligentes, isso é massagem no ego de quem a compra e de quem a faz (você não afirmou algo parecido lá em cima?). E, para mim, essa massagem no ego é preconceituosa e ainda prepotente.
Quem é inteligente não precisa dizê-lo. Mesmo assim, isso não afetou meu interesse em ler piauí, é apenas uma colocação que nessa discussão tive a oportunidade de compartilhar.

"Você tem a opção teórica de achar que as gradações intelectuais se devem a uma `sociedade opressora`, ou alguma coisa do tipo." - você realmente é um cara que se liga em "primeiras impressões".

alina prochmann · Curitiba, PR 19/10/2006 11:27
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Queridos Aline e Cleber:
Aline, você tá querendo saber o que afinal a levou a assinar a porra da revista piauí por dois anos. E, pelo jeito, não está convencida, se é que as leu, de que foi pelas declarações de intenção dos editores,para mim, até agora, um dos mais lúcidos textos auto-críticos que a imprensa brasileira já produziu.Você acha que assinou piauí porque disseram que era para pessoas inteligentes como você, isto é, jogaram o anzol pro peixe certo,justamente a pessoa que estava precisando ouvir esta baboseira, você!
Agora fica intolerável que algúem contexte isto, que não foi por isto que vocvê assinou, por dois anos, a revista, que ela não é para pessoas inteligentes como você, mas para pessoas que tem a pretensão de sereem inteligentes como você.
Seja como for, inteligente o quando você se considere, o fato é que a tal propaganda revista te induziu a acreditar nela sem precisar ver para crer.
Agora eu li a revista e tenho uma opinião formada sobre o seu número um:
As matérias são bem escritas, é verdade
mas nenhuma delas torna a revista imperdível, inesquecível, Nenhuma delas me faz ficar aguardando o número dois> Não diria que não pode melhorar, ao contrário: pode, e muito! Mas não concordo absolutamente com quem elogio a pauta da revista: platitudes sem nenhuma culminância. O tanto que me fiz esperar o primeiro número, não me disponho em um vigézimo a fazê-lo no segundo. Para mim piauí, infelizmente, ainda nã disse a que veio. Mas é assim mesmo: quanto maior é o galho, maior é o tombo, e eu esperava muito de piauí!
Paciência!
beijos eabraços
do joca Oeiras, o anjo andailho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 19/10/2006 14:28
sua opinião: subir
alina prochmann
 

Joca:

Olha só, eu realmente espero que piauí seja uma revista boa e inteligente, afinal, eu quero ganhar algo com minha leitura, seja informação, seja prazer estético, seja rir de uma piada, etc. Acho que todo mundo quer isso, vocês não estavam reclamando que o texto de Cleber não dizia nada? É sinal de que queriam ganhar alguma coisa com sua leitura.

Acho a proposta de piauí genial, oras, como você disse "um dos mais lúcidos textos auto-críticos que a imprensa brasileira já produziu".

Mas se quero ser reconhecida pela minha suposta inteligência, quero que seja pelo meu desempenho, discernimento, trabalho, sei lá, o que diz respeito a mim, e não porque leio uma revista para pessoas inteligentes.

É uma maneira de taxar as pessoas, que acredito ser preconceituosa ou até geradora de preconteitos, pois se eu vir alguém lendo piauí, pensarei: "humm, ele quer parecer inteligente". É uma atitude preconceituosa, que não gostaria de ter.

Levando em consideração o texto de Cleber, eu não lerei piauí em público, pois não quero aumentar minha auto-estima de mulher ultra-mega-super-extra-inteligente dessa maneira.

alina prochmann · Curitiba, PR 19/10/2006 18:13
sua opinião: subir
alina prochmann
 

Por sinal, Joca, meu nome é Alina, com "a" no final.

alina prochmann · Curitiba, PR 19/10/2006 18:14
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Alina:
Sei que é mais fácil perdoar quem escreve ipócrita com i do que quem erra o nosso nome.Ouso, no entanto, de joelhos, pedir o seu perdão sem qualquer hipocrisia, do fundo do meu coração.
Quanto a ler a revista em público ou na privada este é um direito seu, e o direito dos outros não se discute, respeita-se!
Agora sua alegada motivação para não ler Piauí em público, me desculpe querida, mas é totalmente equivocada.
Peço que você abstraia esta história da revista e me diga,ou melhor, diga a si mesma o que você faz habitualmente em público e se estas coisas, que habitualmente faz, as faz com alguma motivação do tipo "para que pensem que" ou "para que não pensem que". Se é assim que você se comporta no seu dia a dia, Alina, fico muito preocupado com você, sinceramente. Por que vc não está se determinando na sua integridade mas uma suposta alteridade é o que te determina o comportamento social.
Bom, a vida é sua, mas abra o olho, é uma só e passa muito rápido.
A matéria da Danuza Leão sobre o costureiro Guilherme Guimarães está muito bem dosada nos temperos. As fotos dos políticos angustiados dão um show à parte, valorizando a revista.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 19/10/2006 19:44
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Queridos amigos:
Quero encarecidamente pedir-lhes que deem uma olada no meu texto "piauí só podia chamar-se piauí" que acaba de entrar na fila de votação
http://www.overmundo.com.br/overblog/piaui-so-podia-chamar-piaui
espero poder contar com vocês lá
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 19/10/2006 21:25
sua opinião: subir
alina prochmann
 

Joca:

Mas será o Benedito, hein? Você está realmente preocupado se me esforço em ser íntegra?

Vou lhe dar uma enxada para carpir.

alina prochmann · Curitiba, PR 19/10/2006 21:57
sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Queridos amigos:
Como a maioria não chegou a ver o texto de apresentação de piauí passo a transcrevê-lo abaixo, na íntegra:

piauí vem aí


piauí será uma revista para quem gosta de ler.Para quem gosta de histórias com começo, meio e fim. Como ainda não se inventou nada melhor do que gente (apesar de inúmeras exceções vide...deixa pra lá) a revista contará histórias de pessoas. De mulheres e homens de verdade. Ela pretende relatar como pessoas vivem, amam e trabalham, sofrem ou se divertem, como enfrentam problemas e como sonham. piauí partirá sempre da vida concreta.
A revista será mensal e terá um tamanho maior que o habitual.A periodicidade de quatro semanas permitirá que ela aprofunde os assuntos, em vez de resumí-los. E também que o acabamento,tanto na escrita como na apresentação gráfica , seja caprichado.O formato grande fará com que se encontre bastante coisa para ler e ver em piauí. Para que ele dure um mês na mão dos leitores.Para que as reportagens e narrativas terminem quando o assunto terminar, em vez de serem esprimidas porque o espaço acabou. O tamanho maior favorecerá a inventividade, possibilitará a publicação de imagens reveladoras sem perda de nuances e detalhes.
piauí não perderá de vista os temas atuais, mas não terá pressa em chegar primeiro às últimas notícias. Levará em conta, sempre, que a informação vem antes do comentário,que os fatos são mais importantes que as opiniões. Apurará com rigor e escreverá com clareza. Fugirá dos clichês e envidará todos os esforços para evitar expressões como “envidar todos os esforços”. Não terá restrições temáticas, políticas ou ideológicas. Preferirá a serenidade ao histrionismo. Cobrirá qualquer assunto que uma reportagem tornar interessante.Vale tudo, esporte,medicina,política, cultura, religião, urbanismo, televisão,turismo etc. Só não valem reportagens sobre celebridades instantâneas e déficit público.
Tentará explicar o que teima em ser obscuro (com uma exceção, a razão de piauí se chamar piauí, até porque não sabemos direito).Mostrará o enredo do que parecia ser desconexo e fragmentário. Fugirá do academicismo, da vulgaridade e do beletrismo.Tanto que, desde já, está proibido o uso das expressões “governança corporativa”.”tá ligado”, “home-theater”, “recursos não contabilizados”, “Roberto Justus” e “galera” a não ser como sobrenome. Ela dará importância ao que, por ignorado, é tido como insignificante. Tratará de achar novidades no que, por esquecido,parece velho ou ultrapassado. A revista não será sisuda nem chata. Sisudez não é sinônimo de seriedade.Uma coisa não tem nada a ver com a outra. piauí terá humor, graça.
Para dar conta das situações que estão além do poder da narrativa jornalística piauí publicará ficção. Na forma de contos, trechos de romances e histórias em quadrinhos.E também poemas.
Jornalistas, escritores, artistas gráficos, ensaistasa, críticos e humoristasde toas as idasdes buscarão expressar em piauí diferentes aspectos da vida nacional. A matéria prima será a bagunça brasileira.Ela terá comopano de fundo um período histórico de perplexidade geral. Numa situação como esta é melhor ser curioso e ir atrás do real, do que prescrever receitas infalíveis de salvação.Um pouco de dúvida e ceticismo não faz mal a ninguém – e a nenhumarevista.piauí não tem resposta para nada. Nem para quem pergunta por que ela se chama piauí.
piauí veio para ficar. Esta é a aposta."

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 20/10/2006 18:20
sua opinião: subir
Natacha Maranhão
 

Ainda não li a piaui, apenas folheei, mas já sabia do que se tratava...Acessei o texto do Cleber por curiosidade por causa do título e qual não foi minha surpresa ao ver essa discussão enoooorme aqui!
Tenho uma impressão de que a revista não vai ser um sucesso aqui no Piauí. Simplesmente porque muitos piauienses estavam esperando uma revista que rendesse homenagens ou desse grandes destaques ao Estado do Piauí. Não é nada disso e ninguém nunca prometeu isso. É a história do texto de apresentação: a piaui nao tem resposta para quem pergunta porque ela se chama piaui.
O que eu tenho visto é gente não entendendo nada, comprando a revista esperando ver um especial sobre o Estado e ficando frustrada porque não há nada disso.
E não to falando do Joca, mas de piauienses que estão irritados, chateados e zangados com a revista porque idealizaram uma coisa que não vai acontecer.
Desde o início eu sempre vi piaui como um substantivo, uma palavra como qualquer outra, e que dá nome a um Estado. Nada que obrigue a só ser usada para falar desse pedaço de chão.
PS: não sou piauiense, sou maranhense mas moro aqui e amo de paixão essa terra.

Natacha Maranhão · Teresina, PI 22/10/2006 12:38
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
walrus
 

Cleber, se me permite cometer o crime de julgar a pessoa de um autor pelo conteúdo de seu texto, achei você um cara muito envergonhado, constrangido, se importando demais com o que pensam os outros.
E daí ler a revista para quem tem um parafuso a mais em público? eu li a primeira e hoje sou assinante, leio em público e recomendo para todos a revista. Não me preocupa esta questão do slogan, não me preocupa o que vão pensar de mim porque estou lendo uma revista que eu genuinamente gosto.
Não sou de vestir a camiseta por baixo.
Se eu precisar resumir a piauí, digo que ela é uma revista cult. Genuinamente cult, porque publica o que é interessante sem qualquer compromisso de "parecer" cult.
O parafuso a mais brinca com a história de ser "louco" e ter um parafuso a menos, mas sugere um pouco de "loucura positiva". Um pouco de poética e lirismo e tanto faz falta nas publicações brasileiras.
Sobre a letra minúscula, bem, sou designer gráfico e puxo a sardinha pro meu lado tipográfico, mas a revista tem um posicionamento artístico. A forma do p e do P são diferentes. O som pode ser o mesmo, mas o desenho não. E o signficado também não.
Esteticamente, me agrada mais o piauí do que o Piauí. Bobagem botar o P simplesmente porque é o nome da revista, e o nome obrigatoriamente tenha de ter o início maiúsculo. Priorizaram a forma da palavra, e ainda diferenciaram do nome do estado do Piauí.
As pessoas estão muito fixadas na explicação, na razão lógica, na necessidade explícita. A regra do P maiusculo, o motivo do nome "piauí", "mas sobre o que fala a revista?", mas está faltando uma explicação mais clara, mas porque piauí????
As pessoas com falta de apelo artístico, apelo não, deixe-me corrigir: as pessoas que não permitem a arte na suas vidas, a arte aqui como o que é interessante e bonito e agrada por si só, sem muita explicação, devem sentir-se agredidas por publicações como a piauí. Devem ler matérias e ficar em dúvida se é tudo uma grande brincadeira ou não.
Mas a piauí nesse sentido ainda pega leve, se considerarmos o que existe pelo mundo em termos de ousadia lírica editorial. O problema não é aqui a revista, mas mais uma vez, o povo. Ê povinho difícil esse brasileiro.
Sobre o comentário da Natacha, desculpe colega mas discordo completamente de você. Se a revista não fizer sucesso no brasil será pela escassez de interesse lírico e cultural do povo em geral, e não por causa da frustração piauiense.
Para mim que sou gaúcho, piauí é só uma palavrinha engraçada. Pode ser que a revista não tenha sucesso no estado do Piauí pelo seu motivo. Mas pelo Brasil, não vai ser tanta gente assim querendo ler um especial sobre o estado. E esses poucos, de fato, já se excluem porque não são o público-alvo da revista.

walrus · Pelotas, RS 4/4/2007 14:22
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Qureido Cleber:

Francamente nunca vi um texto tão hilário e, ao mesmo tempo, desatinado quanto o seu a respeito de um outro, escrito pelo menos um semestre atrás, falando sobre uma resvista que ningém conhecia, na época. Isto é o que eu diria de leitor "com um parafuso a mais". daí...
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
PS Vc conhece o Piauí?

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 4/4/2007 15:29
sua opinião: subir
Andre Pessego
 

Gente do céu, diriam as lavadeiras de Gilbués,
Fiquei feliz pelo empenho de cada um, eu nao teria lido o texto se tivesse lido o titulo direito, mas não vi que faltava o artigo "O".
Fui lendo e esperando esse admirável, talentoso Cleber dá uma paulada com P, no estrelismo dos Moreira Sales. Estrelismos nas custas de verbas de incentivo a isto ou aquilo, verbas conseguidas nas costas da fortuna dos dois, tudo por falta de coragem de serem empreendores privados. No mais, gostar de um períodico é um troço meio vago, acho -~poderá ter edições boas e outras nem tanto. De qualquer sorte valeu a forma meio que... (fica para os entendidos) moveu a todos voces.
Para nós que não temos as rédeas de fazer o Brasil, estamos na garupa, é um contentamento, Abraço, mesmo Joca obrigado pela letra do "Forró em Gilbués".

Andre Pessego · São Paulo, SP 14/5/2007 11:21
sua opinião: subir
André Gonçalves
 

meeeeeeeeeesesw depois...
eu assinei piauí com p minúsculo...
eu gosto, publicitariamente, de "para quem tem um parafuso a mais" porquê é leve e descontraído, e funciona como propaganda...
eu gosto dos textos, salvo algumas exceções...
eu gosto do formato, do tamanho e do p minúsculo...
leio na vida, "privada" ou nem tanto, porque o que vale, mesmo, é ler e tentar entender/contrapor/argumentar/discutir/aceitar/modificar...
e hoje, meeeeeeeeeeeeses, depois? alguém pode dizer realmente o que pensa da piauí?
(natacha, você não pode: é "suspeita"! rs rs

André Gonçalves · Teresina, PI 19/5/2007 10:36
sua opinião: subir
Natacha Maranhão
 

hahahahahaha. Assim não vale, André!
beijo

Natacha Maranhão · Teresina, PI 19/5/2007 11:56
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados