Um cheiro de pipoca no ar. Milhares de balõezinhos multicores sacudidos por crianças sacudidas pelas mães e pais sacudidos pela multidão em procissão de fé e alegria pelo passeio na praça.
É um povo em festa na 53ª Feira do Livro de Porto Alegre.
E tem gente que até compra livro, além de pé-de-moleque, rapadura puxa, refri, ceva, um mate amargo servido da térmica que carregar chaleira é do milênio passado. Um que outro aparece de chapéu e bombachas.
Uma menininha toda feliz de laço de fita no cabelo, um vestido timão de prenda me atira um risinho cúmplice.
- Ai meu santo SPC! Valei-me Santa Serasa! Ajudai-me nessa hora grave todos os bancos e cartões santificados, piririm, piririm, pimpim...
Também, vê só: cheque para 20 de dezembro, 20% de desconto. Vou ao fundo...
Para aliviar a barra das pessoas mais aflitas com o angustiante passo de cágado da procissão, as bancas entupidas de leitor de orelha ávidos pelo brilho das capas, das ilustrações e mesmo dos autores, Gilmar Johan tira cada risão das crianças – e também de adultos – com o brinquedinho da técnica Kirigame, em papel crepom, palito de picolé e papelão, tudo multicor, faz o chapéu de mexicano: um grito de espanto. Faz um sorvete com três bolas, um ui de contentamento. Faz um bocão, lá vem o sorrisão acompanhado dos indefectíveis: compra, pai! Compra mãe! E lá se vão mais dois, três, quatro caraminguás. Um eterno palhaço enche, dobra balões-lingüiça e faz os mais espertos bichinhos em escultura efêmera de tirar risos e espanto das bochechas rosadas e bocas escancaradas do povinho miúdo (e de muito grandote empolgado também).
E ainda tem livro infantil que abre, toca música e fala, que só lendo para crer. Tem também o monstro roxo da CEF, que distribui filhotinhos de pano para quem é cliente (do banco oficial da feira, como diz a moça do rádio poste que divulga a programação das sessões de autógrafos, debates, colóquios, música...). Dá choradeira quando esvazia a sacola das divulgadoras ou, mais comum, quando o banco do pai ou da mãe não é aquele.
Hã, hã: nariz de cera é isso. Mas vai dizer que não ficou bonitão e gracioso, vai? Bem, a última semana da Feira do Livro de Porto Alegre está em meio, em marcha acelerada para o sucesso de público. Já, as vendas, dizem os comerciantes livreiros, não estão tão assim como sai por aí dizendo o merchandáisim. Reclamam que a multidão passeia muito e compra pouco. Consulte aqui a lista dos mais comprados .
No feriado de Finados, a feira quase explodiu de tanta gente nela, desde que abriu até que fechou, da uma da tarde às nove da noite. No sábado e no domingo foi igual também, pouco menos no domingo que dia seguinte era de São Pega e teve gente que foi pra casa com o cair do sol, ante das 20 horas.
Teve uma breve conversa amistosa do Adroaldo Bauer com o Jacob Klintowitz. Eles se conheceram pessoalmente num debate que a Feira promoveu sobre Crítica de Arte, quando os demais debatedores e Jacob foram unânimes em confirmar a necessidade desse retorno básico aos autores e fruidores de arte, em qualquer referência que ela se expresse. A opinião de Jacob Klintowitz é ainda de que se faça a crítica para que se possa reler a sociedade em qualquer tempo, pela pesquisa que se proceda sobre os trabalhos autorais e as peças críticas publicadas de modo regular na imprensa ou mesmo em publicações específicas. Para Jacob, a generosidade deve presidir o comportamento do crítico.
A conversa sobre a crítica foi das melhores que pude acompanhar, e não acompanhei muitas porque são simultâneas e sou uma só, embora haja quem não creia. O debate ocorreu entre o patrono da Feira, Antônio Hohlfeldt; o crítico de música Juarez Fonseca e o artista plástico Danúbio Gonçalves, que escreve para o Jornal de Cultura de Porto Alegre Fala Brasil. Uma oportunidade rara de concentração de conteúdo de qualidade que se realizou na Sala dos Jacarandás do Memorial do Rio Grande do Sul, que engrandeceu ainda mais esta 53ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre.
Os debates e palestras para adultos estão bem freqüentados, os espetáculos de teatro, música, dança, circo, leituras compartilhadas, tudo lota os espaços reservados a cada programa diferente no Museus de Artes, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, no Santander Cultural, no mermorial do Rio Grande do Sul, na Casa de Cultura Mário Quintana, no Saguão dos Correios, em dois enormes armazéns do Cais do Porto, entrando pelo portão central com aquele pórtico recuperado lindão e um teatro improvisado chamado Sancho pança. Até mesmo nas barracas da feira, criadas para programação. E em qualquer horário que ocorra.
As sessões de autógrafos estão meia-boca, queixam-se os comerciantes livreiros, uma que outra dá fila grande (que para eles é mais de 50, tipo uma hora de dedicatórias, fotos e salamaleques entre leitores e autores).
Acho que todo mundo já percebeu aqui que o calendário oficial da feira, a programação de eventos, que irá até domingo 11 de novembro, aberta que foi em 26 de outubro, e a rotina de cobertura dos mais vendidos não será falada nessa matéria, certo?
É só clicar no linque aí em cima e fazer a visita virtual para saber muito, muito, mais dessa outras partes mais formalizadas.
Lá não constou, no entanto, o Movimento Fala Brasil, que fez um Sarau Artístico na Feira do Livro, com o lançamento mais público de quatro títulos de edição de autor. O animado programa foi na quarta-feira dia 7 de novembro no Caffè di Trento do Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo. Autógrafos de Adroaldo Bauer – O dia do Descanso de Deus, Álvaro Santi - A aposta dos Deuses, Rosane Scherer – Brasil Esse País de Bocas Amestradas, volumes 1 e 2, e de Zé Augustho Marques, Verso e Inverso da Paixão. E apresentações artísticas de Jairo Klein e Magaly Leite, como Lampião e Maria Bonita; Joca Vergo e Marilice Bastos, dançando lindament; Elinka Matusiaki cantando, acompanhada ao celo por Thiago, além de Marcos do Sax e Cristiano ao violão.
O mestre Danúbio Gonçalves registrou o Sarau em traços de arte. Uma prosa prosa poética das boas, no estilo zeroitocentos do Fala Brasil.
O Jornal Fala Brasil! de novembro circulou a partir da terça-feira, 6/11, com a já tradicional cobertura da Feira do Livro e dos espaços culturais de Porto Alegre.
Juli
Nossa li tudinho...Jornal fala Brasil é um musta, já salvei.
Agradeço tua chegadin lá na Solidão Algos, aquilo já tá fazendo um ano de falecida...hehehe
O telefone não toca, mas com certeza o celular vai, rs
Já te falei que queria um libro de Adroaldo Bauer, mas não mandei e mail ainda...está na agenda...espero lembrar antes que passe o ano, rs É que estou envolvida com a feitura de meu livro pro ano 2008 (capa, revisão, cd com minha voz (linda, heheh),$$$ para lançamento, vinhozinho e canapés , rs)
Ah, como queria estar aí para vender os livros de nosostros, adoro feiras, para vender, já fiz muito stand , decoração até vender o produto final do mesmo, rs...Só ainda não vendi tesourinha, alicate e lixa na vida, rs (neste parcos tempos, acho que tive uma brilhante idéia, na próxima feira aí, vou de sacoleira de produtos essenciais para as moçinhas que amam as BBB, e kit-pink pra criançada, pois hoje 10% da indústria de cosmeticos e afins é da consumidora-criançada...afinal jornalista e arte depende de CNPJ para as leirouanets da vida...)Bobagens...deleta da cabeça, rs
Bom...Parabens pela colaboração, que voce tenha sucesso na cobertura jornalística, na venda dos livros de Adroaldo e mande pra cá, pro Over tudo que teus zoin
registrar...
Bom mesmo, competência é com vc Juli...
O Jornal Fala Brasil é um MUST! Não revisei, estava a pensar nas sacolinhas dos kits-pink, rs beijin.
Cintia Thome · São Paulo, SP 7/11/2007 14:23
Juli,
Quero te agradecer publicamente aqui e onde seja, o inestimável apoio que me tens dado.
E o Zé Augustho Marques, poeta nosso aqui, pediu que te repasse também os agradecimentos dele, o que fez nos seguintes versos:
Gostei da Juliaura - VIP
Poeta que atravessa
O mar da Redenção
Verde de azul-céu
Que quando a viu
No campo como sereia
Creio que da cintura pra baixo,
pensa então:
Não tá sem poesia quem peleia
---
Como dizes, beijin pra tu.
Juli
Estou sem tempo para comentar , mas acredito que esta colaboração seja de grande valia para chegar ao conhecimento dos Overmanos que apreciam boas colaborações e informações do que anda rolando de "cultura" no RS...e esta listagem dos mais comprados é importantíssima pra saber onde está direcionado o foco dos bons autores...
Mas é ficar crtl v para poucos lerem ....Mas traga mais...eu leio , rs
beijos.
Juli, acho que o evento não poderia ter representante melhor.
A matéria está otimamente casada com as belíssimas fotos.
Estive no salão do livro de Belo Horizonte e, pra ser sincero, não notei aquele entusiasmo. Acredito que aí no Sul, as pessoas possuam o hábito cultural da leitura mais profundamente enraizado.
Um dia chegamos lá!
Beijin.
Desde já, sinta-se eleita a repórter do ano.
Um texto gostoso de ler com essa "outra visão", menos burocrática da feira é algo que procurei e só aqui pude ler.
Gsote demais desse lado infantil da feira porque é puro gosto ver a meninada de olhos arregalados diante de um livro.
Obrigada.
beijos
Queridas pessoas amadas minhas que até aqui vieram e me fazem tão generosas apreciações, muito agradecida de coração cheinho de amor por todas.
Eu também quero dizer que Overmundo tem sido uma grande oportunidade para poder falar das coisas que vejo e sinto da cultura desse meu lugarzinho bem especial aqui que é essa cidade que já se chamou sorriso, alegre e é um porto também.
É porque eu vou começar uma jornada diferente pro ano de 2008 (três toquinhos na madeira e figa e muita reza pras deusas das escribas) agora que já me deformei na Comunicação pra Jornalismo Gráfico e Audivisual e tô com um medão enorme de não dar no coro, de ficar só de curumim chepando e focando frilas que me pelo.
E o que me dizem todas as santas alminhas me digam, pelamor das santas todas, sempre como têm sido e quando haja erro, que deve haver, digam com carinho pra eu não sofrer muito que sou dengosinha, como diz minha vovó querida.
Tô cansada, esfolada, de jornada de 12 horas todo dia há duas semanas e meia, mas muito feliz de poder estar também entre o povo que busca leitura, sim, e busca preço também.
Os sebos principalmente vendem muito, mutíssimo, e o pessoal sai contente de poder ter comprado nesse festerê um livro, por exemplo, Toda a Crônica, de Lima Barreto, por dérreal. Tem outros bem bons também por até cinco pilas, basta procurar, depois de varar a multidão.
Conversei muito com o André, da Livraria Nova Roma, na banca meia nove, metida a sebo que é ela, e o moço disse que o movimento de novos e lançamentos já foi melhor em outros anos, mas de usados não dá pra se queixar.
Os mais comprados são pesquisados do jeito que tá no linque.
As moças param apessoa, olham tudo na sacola que carregue e fazem por amostragem.
O que vai vender de tudo e ao cabo das finalidades todas sempre será um grande mistério, embora divulgue, a Câmara Rio-grandense do Livro, uma cifra oficial, no finzinho da feira.
Bem, bom, bom...
Tô numa lanrrausi, num tempo emprestado e muito feliz de poder conversar com vocês entre uma mordida e outra no cachorro-quente com lingüiça, ervilha, milho-verde, pimenta, queijo, maionese, quetichupi e mostarda das brabas, daquela das bem clarinhas e picantes e muita água, que tá fazendo agora 33 graus e as florinhas dos jacarandás e ipês tão de boquinhas abertas pedindo água que só chuviscou um pouquinho pela manhã e nada mais.
Perdão pelo aluguel das cabecinhas, mas tô mesmo muito feliz por tudo.
Beijin.
Uma FESTA juli! Bem documentada! Parabéns!
Cris
Ficou sensacional o texto, adoroooo as feiras de livro, sempre que estou em Brasília vou à Feira de Brasília, e quando estou em Belém vou à Pan-Amazônica.
Beijos e flores @>-
Oi Juli,
passei por lá e ganhei uma dedicatória do seu pai no único livro que comprei na feira, "O dia do descanso de Deus".
Beijos
Juli, gostei muito da sua matéria!
É o tipo de colaboração que gosto de ler aqui no over.
Abraços!
Querida Ju:
Tua "Procissão de Fé no Livro em Porto Alegre" está impecável...
Essa é uma brasileira que faz o Brasil acontecer.
PARABÉNS!
Beijos_Meus*,
*
Está nos meus favoritos e VOTADÍSSIMO.
Juli, que espetáculo a cobertura que vc fez da Feira do Livro, digna de calar a boca dos profetas que alardeiam a morte do livro. Claro que tem de tudo lá, inclusive leitores de orelha, gente que vai pra desfilar e arranjar programa pra criançada, gente que vai pra comprar auto-ajuda, mas fazer tudo isso naquele climão que vc descreveu, que transborda de cultura e coletividade, já é alimentar o espírito, né Juli?
Como eu queria estar lá pra pedir um autógrafo pro Adro (fico daqui imaginando a participação dele no tal debate sobre a crítica; pede a ele pra postar algo aqui sobre isso).
Caraca, e o "Toda a crônica" do meu Lima por dez pilas.
E a beleza do Pinóquio, no original de Colodi?!?!, entre os infantis mais comprados!!!! De encher os olhos e a alma.
Já dei três toquinhos na madeira e dependurei uma figuinha no pescoço pra vc não correr o risco, de depois de deformada, ficar só de curumim chepando e focando frilas...kakakakaka Mas só fiz pq vc pediu. Pq num carecia não: vc é das grandes: o que vc escreve é leitura na certa, pra orgulho da santa avozinha, mas não só dela, não é????
Encumpridando essa conversa (que qdo encontro vc não tenho mais vontade de fechar a torneirinha), estou me inscrevendo prum congresso que vai acontecer aí nas plagas riograndenses em março (veja XIV ENDIPE no google), só pra conhecer vc e o Adro. Pensa que é mentira? Não ia mandar trabalho não pq tô cheia de coisa pra fazer, mas qdo li que o congresso era aí não hesitei: tenho até o dia 28/11 pra mandar trabalho e estou me esmerando. E tb vou apressar a editora pra terminar o "Infância e Juventude: narrativas contemporãneas" (livro que organizei com a Rita, uma gaúcha que faz de tudo preu gostar de chimarrão, em vão) pra vc poder fazer a cobertura do lançamento.
Viu menina, como vc, apesar de tão curumim, é estimulante?
Agora vou ter que fechar a torneirinha senão o artigo não sai e eu perco a suprema oprtunidade de conhecer vc e o Adro ao vivo e a cores.
Tchau um beijinho pra vc e outro pra vovó da
admiradora que vai desvendar o mistério que existe por trás do avatar da JULIAURA
Ai Ize, superquerida mestra e amiga, miles de perdones por ser assim tão estabanadinha (mais danadinha que di banda).
É que não queria pôr tudo que é faculdade no mesmo saco, mas tem horas que a gente atira tudo pra cima e faz o bota-fora, como foi meu caso de em estar acabando o curso falar em deformada.
Não foi tudo assim, desculpe.
Aprendi um monte de coisas com muita professora e até professor que permitiu a gente se aproximar do saber deles, que têm, por óbvio
Estou até envergonhada, juro, de generalizar como fiz aí na corrida no comento de riba, perdão, perdão, perdão.
...
Também agredeço o quanto me estimulas Ize.
Eu fico mais que gratinada, sque é agradecida e baratinada com tua dedicação asim, tão,, tão delicada e amável pra comigo.
És das mais lindas bonitezas que têm acontecido pra mim nesse ano todo.
Beijãozin!
Tô contando osdias pra poder estar aqui no meu portinho com tu.
Infância e juventude é mais que aguardado, já está dentro do peito, em baticum frenético.
Victor, Lili, Roberta, Kais (o Bauer é só quem me cria, mas é mais que pai pra eu), Adriana, Cris, são tão generosos os comentários e tanto me estumulam que...
- que coisa, tchê: esqueci das palavrinhas mágicas de dizer amor, poesia, querência, amizade, prazer, gostosura, frenesi, cheice, gabolice que é o que despertam em mim vossas alminhas santas e benditas.
Brigadim,
Beijin.
Mas menina, se há uma coisa que gostei, que me fez rir de montão, foi da sua deformação, e vc vem cheia de desculpas...
É bem verdade que só ri depois de tirar o meu da reta me assegurando lá no orkut que mais formo que deformo srsrsrsrsrs
Beijinhos
Pois então Ize,
Viste que tava eu com uma pontinha de razão de suspeitar ter feito general de cabo a rabo de tutti quatti, né fato?
És das que permitem a formação, no sentido do que Paulo Freire disse: trocam saberes em ambiente democrático. Por isso as escusas. Mas já passou e nem doeu muito.
Beijin.
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