Projeto Linha do Tucum

Nina Lys
Sementes da floresta
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Déborah Minardi · Teresópolis, RJ
1/5/2009 · 19 · 6
 

Na Vila Ecológica Céu do Juruá, em Ipixuna – AM, já é realidade a atividade do artesanato confeccionado a partir da extração de produtos florestais não madeireiros, que representa uma alternativa ambientalmente sustentável e economicamente viável de obtenção de renda para diversas famílias encravadas na floresta. Além disso, a atividade pode promover o resgate de antigas tradições aprendidas, seu patrimônio imaterial, a partir do contato com tribos indígenas, pelas primeiras gerações de seringueiros que começaram a habitar o território amazônico e que estão em vias de serem extintas.
A necessidade de se recuperar a linha do tucum foi detectada no momento em que o artesanato começou a depender da utilização de linhas de nylon e estruturas de metal que eram trazidas do sudeste num processo demorado e dispendioso, fora da proposta sustentável do artesanato amazônico. As próprias artesãs não gostavam de trabalhar com esse tipo de linha por não acharem o acabamento bonito. Apenas cinco mulheres antigas na comunidade conhecem o processo que envolve a fiação, ficando o artesanato comprometido com a dependência do fio de nylon vindo de São Paulo.
O objetivo do projeto Linha do Tucum é resgatar e valorizar o artesanato caboclo na arte da fiação da linha do tucum e de outras palmeiras nativas da floresta amazônica, viabilizando a sustentabilidade econômica da comunidade extrativista através da comercialização dos produtos artesanais, e do manejo adequado dos recursos naturais.

Durante o mês de fevereiro de 2009, integrantes do IECAM (Instituto de Estudos da Cultura Amazônica) juntamente com parceiros do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, acompanharam a viagem do líder comunitário Alfredo Gregório de Melo, até a Vila Ecológica Céu do Juruá, onde está sendo desenvolvido o projeto Linha do Tucum: Artesanato Amazônico, patrocinado pela Petrobras através da lei de incentivo à cultura do Ministério da Cultura. A comunidade situa-se no município de Ipixuna-AM. Descendo de barco pelo Juruá, segue-se até o seringal Adélia, aportando na colocação conhecida como Estorrões. No decorrer de abril dois instrutores estarão coordenando oficinas com novas técnicas de trançado com a linha do Tucum e confecção de painéis de sementes agregando valor e dando diferencial ao artesanato.

Pesquisadores do IECAM, afirmam que os objetivos do projeto já começaram a ser atingidos, como o de construir uma oficina-escola dentro da Floresta Amazônica, qualificando artesãos nas técnicas de beneficiamento da linha do Tucum e sementes nativas da região, melhorando a qualidade do artesanato. Novas alunas e visitantes da comunidade estão se integrando à essa prática cultural quase esquecida nos seringais. Paralelo a isso, acontecem os trabalhos de educação ambiental com aulas de ecologia na escola e oficinas de agrofloresta para jovens e adultos. Esse trabalho é considerado fundamental para estimular o manejo sustentável das espécies utilizadas no artesanato.
Segundo, Vera Fróes, historiadora e coordenadora do projeto: “Trabalhar em uma região tão remota da Floresta Amazônica para melhorar a qualidade de vida da população é um grande desafio e superá-lo nos mobiliza em todos os níveis; na capacidade técnica, disposição física, na harmonização com a natureza, integração com a comunidade, nos lembrando a cada momento que o uso dos recursos naturais aliado à conservação é a melhor forma de manter a floresta em pé com seus povos e tradições.”

Apesar das adversidades, a comunidade tem se tornado um exemplo de ocupação na região, que é muito carente de saneamento, transporte e educação. Mesmo, tendo a comunidade um maior nível de consciência ecológica se faz necessário um trabalho contínuo de educação ambiental com ênfase na preservação das nascentes, igarapés e o cuidado especial de atrelar sempre o uso à conservação da biodiversidade local, nesta região que se diferencia por sua megadiversidade.

Sobre o IECAM

O IECAM - Instituto de Estudos da Cultura Amazônica, com sede no bairro de Vargem Grande em Teresópolis, realiza desde de 1992 cursos, oficinas e projetos voltados para a preservação da flora brasileira e para o cultivo agroecológico das plantas medicinais. As pesquisas realizadas são voltadas para o diálogo entre o conhecimento popular e científico, buscando ressaltar a importância das comunidades tradicionais na preservação dos ecossistemas brasileiros.

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graça grauna
 

Um trabalho belíssimo. Parabens.

graça grauna · Recife, PE 1/5/2009 11:23
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Alexandre Eduardo Weiss
 

Viva o povo da Floresta!
Viva as comunidades do Céu de Juruá e do Céu do Mapiá!
Viva a Rainha da Floresta!
Salve a Amazônia!
Viva a liberdade de expressão!

Alexandre Eduardo Weiss · Rio de Janeiro, RJ 2/5/2009 22:11
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Hermano Vianna
 

fiquei curioso para saber mais sobre Ipixuna e encontrei pouca coisa via Google: coloco aqui o link para o mapa do município

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 3/5/2009 03:06
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Hermano Vianna
 

nosso guia de Ipixuna está vazio ainda: quem pode publicar a primeira dica?

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 3/5/2009 03:09
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Andre Pessego
 

É esperar pra ver. Mas é dificil romper ou permanecer em face a doutrina do consumismo. Mas vale a pena
abraço
andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 3/5/2009 04:26
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ayruman
 

Nobre Trabalho, Luz e Paz. jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 4/5/2009 23:35
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