Se você já precisou fazer buscas de conteúdos na internet, muitas vezes sobre assuntos específicos, sabe da dificuldade que é de ser bem sucedido na busca. Um dos grandes problemas que envolvem a pesquisa de dados são as poucas informações ou os dados desencontrados sobre o conteúdo buscado. Mas, no caso das pesquisas envolvendo Conteúdos Audiovisuais, esse quadro está dando seus primeiros passos para uma mudança que vai simplificar as buscas desses conteúdos e vai unificar as informações.
A TV Experimental, que integra o projeto GIGA, cuja proposta é a facilitação dessas buscas, já está em seu segundo ano de trabalho. O Lab Cultura Viva conversou com Alexandre Freire, um dos representantes da Diretoria de Tecnologias de Serviços do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento), que explicou a importância do projeto e da integração com os Pontos de Cultura.
LAB CULTURA VIVA: O quê é o GIGA? Qual o objetivo desse projeto?
ALEXANDRE FREIRE: O Projeto GIGA é um projeto coordenado e executado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), financiado pelo Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (FUNTTEL), e administrado pela agência Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
O GIGA é um projeto mobilizador, que tem como missão promover a inovação tecnológica das redes e dos serviços de telecomunicações orientadas à Internet por meio da pesquisa aplicada, do desenvolvimento e da experimentação e validação.
LAB CULTURA VIVA: E qual o papel da TV Experimental?
ALEXANDRE FREIRE: A TV Experimental está inserida no projeto GIGA como uma das metas. O objetivo da TV é a pesquisa de mecanismos tecnológicos inovadores para armazenamento, catalogação, anotação colaborativa, busca e recuperação de conteúdos audiovisuais (AV).
Do lado da tecnologia, a nossa questão básica é "como a busca de conteúdos AV na Internet pode ser melhorada, de forma a produzir resultados mais relevantes?" Para isso, apostamos no uso de técnicas semânticas, por meio das quais os buscadores passarão a considerar os significados dos termos de busca que, assim, deixariam de ser considerados como palavras isoladas: os relacionamentos entre eles e entre eles e outros possíveis termos relacionados seriam considerados.
LAB CULTURA VIVA: Pode nos dar um exemplo prático de como isso aconteceria?
ALEXANDRE FREIRE: Por exemplo, dentro de assuntos sobre cultura popular, se você deseja pesquisar vídeos sobre "Congada", um buscador semântico poderia retornar também vídeos sobre "Moçambique" - manifestação que possui estreita relação com a Congada - mesmo se o termo "Congada" não seja mencionado nos descritores do vídeo sobre Moçambique. Poderia também retornar vídeos sobre "Candombe", pela proximidade geográfica e similaridades culturais entre os grupos que possuem essas tradições, apesar do relacionamento menos estreito deste com a Congada. Isso é possível porque num determinado documento - uma ontologia - a relação entre Congada, Moçambique e Candombe estará estabelecida. Um trabalho necessário é que os vídeos sejam descritos em seus vários aspectos (título, assunto, diretor, fontes, etc.), mas essa pode ser uma tarefa um tanto enfadonha, principalmente se o repositório de conteúdos for grande. Aí entramos na nossa segunda grande aposta, que é a colaboração entre os usuários da nossa ferramenta para produzir descrições (chamadas de metadados) cada vez mais ricas e precisas, o que contribuirá muito para aumentar a relevância dos resultados de busca.
LAB CULTURA VIVA: Tecnicamente, como isso funciona?
ALEXANDRE FREIRE: A ferramenta de software que está sendo desenvolvida pela equipe da TV Experimental do CPqD, denominada CatBus, implementa um serviço de armazenamento, busca e catalogação colaborativa de conteúdos audiovisuais, que são armazenados em um repositório localizado nas dependências do CPqD. Este serviço permite o compartilhamento de conteúdos entre os
usuários, envolvidos tanto com a produção, quanto com a veiculação e consumo de conteúdos audiovisuais. As entidades parceiras são TVs Comunitárias, que poderão exibir os conteúdos compartilhados, enriquecendo suas grades de programação, ao mesmo tempo em que
contribuem para a divulgação desses conteúdos.
LAB CULTURA VIVA: E qual é o diferencial e a importância do uso do CatBus?
ALEXANDRE FREIRE:
O serviço CatBus tem na colaboração um dos seus princípios fundamentais. A formação de uma rede colaborativa de usuários irá contribuir tanto para o enriquecimento do acervo do
repositório e aprimoramento das descrições dos conteúdos, quanto para o aperfeiçoamento da própria ferramenta e dos processos que ela implementa.
LAB CULTURA VIVA: A TV Experimental já possui parceiros?
ALEXANDRE FREIRE: Como um dos objetivos da TV Experimental é contribuir para a valorização de culturas locais, elegemos TVs Comunitárias como parceiras e gostaríamos muito de ter Pontos de Cultura como usuários. Assim, em 2010 firmamos parcerias com duas TVs Comunitárias, de Campinas e de Taubaté, que estão nos fornecendo conteúdos e também irão colaborar no processo de descrição (criação dos metadados). A ideia é realizar uma prova de conceito que permita o intercâmbio de acervo entre as TVs, para serem exibidos em suas grades de programação. Nesse sentido, os Pontos de Cultura teriam um papel importante, pois sabemos que muitos deles produzem conteúdos AV e eventualmente possuem interesse de aumentar os canais de divulgação desses conteúdos.
LAB CULTURA VIVA: Como os Pontos de Cultura participarão? Qual será o papel deles?
ALEXANDRE FREIRE: Queremos que os Pontos de Cultura participem desse processo de construção colaborativa,
tornando-se usuários da ferramenta e fazendo sugestões para sua contínua melhoria. Sabemos da importância dessas entidades na afirmação e reinvenção da cultura brasileira. A participação dos Pontos de Cultura na prova de conceito das pesquisas realizadas dentro da TV Experimental, além de valorizar os resultados, poderá contribuir com o fortalecimento do Programa Cultura Viva e do programa de Economia Criativa.
LAB CULTURA VIVA: Como esta o andamento do projeto?
ALEXANDRE FREIRE: Já possuímos uma primeira versão da ferramenta disponível para usuários, em que é possível fazer upload de conteúdos, descrevê-los (gerar seus metadados) e buscá-los. Uma segunda versão está a caminho, incorporando técnicas semânticas. É importante salientar que esse é um projeto experimental, portanto não temos compromisso com um produto acabado, e sim com uma prova de conceito.
LAB CULTURA VIVA: O projeto tem prazo para acabar?
ALEXANDRE FREIRE: O prazo inicial para término é maio de 2012. A continuidade dos trabalhos é possível, mas depende de uma série de fatores, e nesse sentido uma boa prova de conceito bem sucedida é fundamental. Como projeto de pesquisa financiado com recursos públicos, temos o dever de publicar nossos resultados e uma boa prova de conceito seria interessante para divulgarmos a solução e eventualmente expandirmos seu escopo, num possível futuro projeto.
Saiba mais:
O que é o CPqD?
CPqD é uma fundação independente, sem fins lucrativos, focada na inovação com base nas
tecnologias da informação e comunicação (TICs), tendo como objetivo contribuir para a
competitividade do País e para a inclusão digital da sociedade. Desenvolve amplo programa de
pesquisa e desenvolvimento, o maior da América Latina em sua área de atuação, gerando
soluções em TICs que são utilizadas em diversos setores: telecomunicações, financeiro, energia
elétrica, industrial, corporativo e administração pública.
Acesse: http://www.cpqd.com.br/
Conheça o projeto GIGA e participe: http://www.giga.org.br/
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