A companhia Ballet Stagium há 40 anos revoluciona o cenário da dança no Brasil. Fundada em 1971 por Décio Otero e Márika Gigali, a companhia foi uma das primeiras do país e é considerada até hoje umas das mais importantes. O Ballet Stagium possui uma trajetória de sucesso, percorreu diversas vezes o território brasileiro de norte a sul, realizou turnê nos EUA, apresentou-se em vários países da América Latina e da Europa. Criou mais de 80 coreografias e realizou quase 3400 espetáculos, que foram vistos por 1,9 milhões de pessoas. Mas suas conquistas não vieram somente dos palcos, a companhia mantém como filosofia difundir a arte e a cultura por meio de ações sociais.
Atualmente, é desenvolvido o projeto Joaninha em parceria com a Seads (Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social). Criado em 2000, oferece, gratuitamente, aulas de dança para crianças de sete a onze anos, que estejam matriculadas em escolas da rede pública e que provenham de famílias de baixa renda. São oferecidas 300 vagas e as aulas acontecem no Centro de Esporte, Cultura e Lazer do Parque Estadual Fontes do Ipiranga.
Desde dezembro de 2005, início da parceria, já passaram pelo projeto mais de 1,5 mil meninas e meninos. Aqueles que se destacam recebem bolsa e podem dar continuidade à formação. “Na companhia profissional do Stagium já passaram cinco garotos formados pelo projeto Joaninha”, declara Décio Otero, fundador e diretor do Ballet Stagium. E ainda completa: “É uma escola de vida, as crianças que passam por ali podem ser bailarinas, professoras, e, mesmo que não sigam essas carreiras, ganham mais conhecimento e cultura”.
O primeiro encontro da companhia com comunidades carentes ocorreu em 1974, na Barca da Cultura. O projeto, idealizado pelo teatrólogo e diplomata Paschoal Carlos Magno, consistia em levar diversos artistas, entre eles os bailarinos do Stagium, até as comunidades ribeirinhas, percorrendo o Rio São Francisco de Pirapora (MG) a Juazeiro (BA). “Durante a viagem, começamos a nos indagar sobre o que fazer com a nossa dança”, relembra Otero. “Nós queríamos dançar para todos, mas começamos a perceber que apesar de as pessoas acharem bonito nosso trabalho, muitas vezes não o entendiam.”
Anos mais tarde, a Stagium levou a arte à FEBEM, atual Fundação Casa (instituição que cuida de menores infratores). Esse foi o embrião de todos os outros projetos seguintes realizados pela companhia, inclusive o Joaninha.
PLANOS FUTUROS
Em 2012, será retomado outro projeto com alunos das escolas das periferias de São Paulo, o Professor Criativo. A FEDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação) inscreve um grupo de 30 a 40 professores do ensino fundamental que passam a ter aulas regulares durante três semanas na companhia. No curso, são exploradas a sensibilização e a criatividade dos professores, para que busquem formas menos rígidas de se relacionar com os estudantes.
A companhia também retomará o espetáculo Coisas do Brasil, no qual retrata a história do nosso país, desde a descoberta até a formação da elite da sociedade, no período da política do café com leite. Tudo isso será contado por meio da dança, de uma forma muito criativa e divertida para as crianças. “O mais importante desses trabalhos é a possibilidade de integração entre eles. Quando vamos às escolas, recebemos pedidos para que entrem em outros projetos nossos, gerando um ciclo”, enfatiza Otero.
Site: http://stagium.com.br
Local: Rua Augusta, 2985.
Tel: (11)3085-0151/
(11) 99636628
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