Todo mundo fala demais de sustentabilidade por aí. E quando essa tendência (mais que uma tendência) contamina a propaganda, é uma enxurrada incontrolável.
De duas maneiras a propaganda trabalha esse tema. E dessas mesmas duas maneiras, a indústria da propaganda se considera em certa medida sustentável ou pelo menos sensível ao tema.
A primeira já é antiga: rebatizar as suas ações filantrópicas de sustentáveis. Nada de errado, claro, fazer propaganda de causas, pequenas ou grandes, abrangentes ou localizadas, ideológicas ou presenciais. É bom para todos: para as causas, para quem as defende, para a sociedade e para as agências de propaganda que, de quebra, ainda têm a chance de criar peças premiáveis. Mas não são ações de sustentabilidade.
A segunda é mais recente: simplesmente responder aos briefings das ações sustentáveis de seus clientes. Isso justifica essa quantidade incrível de mensagens publicitárias que coloca as marcas sob a perspectiva de "salvar o planeta e a humanidade". Podemos até debater se de fato as tais marcas e empresas que se anunciam sustentáveis fazem isso da boca pra fora ou de verdade. Mas uma coisa é certa: isso não é uma atitude sustentável por parte da indústria da propaganda.
Mas se sustentabilidade for "compensar os impactos que uma atividade humana tem sobre a sociedade e o planeta que pode comprometer o futuro", vale aqui analisar primeiro os tais dos impactos e depois pensar nas soluções. Infelizmente o inverso é mais frequente e é por isso que vemos tantas empresas se acorrentando às árvores, ainda que a atividade delas não tenha qualquer impacto no meio ambiente (afinal, sabemos que sustentabilidade não é só ambientalismo).
Ainda, tem que se levar em consideração as reais intenções das ações. Trocar lâmpadas e equipamentos eletrônicos por outros mais "verdes" é simplesmente economizar dinheiro. Tudo bem, não sejamos xiitas: ações sustentáveis podem e devem ser boas e úteis para o planeta e para as pessoas que as praticam. É o tal do ganha-ganha.
Mas qual seria o impacto que a indústria da propaganda causa? O real impacto? Porque vou ter a ousadia de tagear esse artigo em "cultura", que me parece que a mais séria de todas as ações de sustentabilidade que a indústria da propaganda pode adotar, é perceber e compensar o impacto cultural que suas mensagens provocam na sociedade e nas pessoas.
Nessa perspectiva, propaganda deixa de ser apenas um diligente e criativo serviçal dos objetivos mercadológicos de uma marca e insere no seu compromisso uma responsabilidade cultural.
E os cuidados, as mudanças de ponto de vista, são muitas vezes simples e não se opõem aos tais objetivos de mercado.
Porque afinal de contas, a propaganda mobilia uma enorme parte da nossa vida e do nosso tempo. E se ela ocupa tanto espaço, é evidente que ela também altera atitudes e visões de mundo.
Quando a propaganda reconhece seu compromisso com o nosso futuro, ela vira cultura. E quando ela vira cultura, ela é melhor.
Quando a propaganda reconhece seu compromisso com o nosso futuro, ela vira cultura. E quando ela vira cultura, ela é melhor.
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Não seria este o real objetivo da propaganda numa sociedade equilibrada ? Bom texto. Boas reflexões.
Aguardo para votar . Abraços
Porque afinal de contas, a propaganda mobilia uma enorme parte da nossa vida e do nosso tempo. E se ela ocupa tanto espaço, é evidente que ela também altera atitudes e visões de mundo.
Quando a propaganda reconhece seu compromisso com o nosso futuro, ela vira cultura. E quando ela vira cultura, ela é melhor.
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Não seria este o real objetivo da propaganda numa sociedade equilibrada ? Bom texto. Boas reflexões.
Voto confirmado. Abraços. jbconrado
vakeu, jb. só precisamos vencer o real objetivo da propaganda numa sociedade imediatista: vencer seus concorrentes.
Fernand Alphen · São Paulo, SP 23/6/2008 16:46
É verdade. muitas vezes a sustentabilidade gasta tanto dinheiro na propaganda que só sustenta os seus mentores e apaninguados,]
abraços
andre.
Trata-se de fazer propaganda de forma mais crítica (o que pressupõe assumir alguns valores como melhores do que outros). Sair da roda viva. Parar de resolver o problema do cliente apenas e pensar em como as mensagens e os meios constroem hábitos, cognições. Conscientizar-se a respeito do próprio poder, que vai muito além de influenciar decisões de compra. Vejo algumas barreiras: primeiro o gap cultural entre os departamentos de Marketing das empresas e os departamentos de Criação das agências. Depois, o mundinho ao qual vive colado o publicitário e os estereótipos, atalhos culturais de que a propaganda se vale diariamente. Essa postura sustentável exigiria também muita auto-análise e dedicação por parte dos criadores. O jogo fica mais difícil, mas mais interessante.
Ricardo Pirani · São Paulo, SP 24/6/2008 11:53Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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