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prostituição e sociedade : poesia de Cora Coralina

1
moça Carolina · Londrina, PR
26/11/2008 · 66 · 2
 

Considerações iniciais:

Neste trabalho analisaremos o poema “Mulher da vida” de Cora Coralina. O foco do poema é a prostituição e conseqüentemente também será o foco do trabalho.
Por meio deste objetivamos ampliar a visão sobre o assunto, a prostituição, usando o poema de Coralina, e mostrar que a poesia é uma forma de compreender melhor a sociedade na qual vivemos, pois a poesia, como uma forma da arte, é uma grande arma de expressão e deve ser considerada como tal, não apenas como algo belo para ser somente apreciado, mas algo para ser estudado a fundo tendo assim uma visão mais crítica de vários assuntos presentes em nosso meio.
Em primeiro lugar consideraremos o motivo da grande discriminação que as prostitutas sofrem,e adiante falaremos um pouco da profissão e o que faz da mulher uma prostituta. No tópico três será abordado algo que no poema de Coralina é muito enfatizado, a má vida das meretrizes e a indestrutibilidade das mesmas. Mostrando sua religiosidade Coralina põe em seu poema normas e promessas bíblicas a respeito das prostitutas, isso encontraremos no tópico quatro, e para finalizar um assunto muito polemico nos nossos dias, a legalização dos serviços sexuais, os prós e os contras da formalização de tal profissão.

1-A discriminação

Consideraremos primeiro, para melhor analisar adiante a prostituição, o porquê do tabu sexual vivido no Brasil. A respeito deste podemos dizer que é devido a nossa formação cristã que prega a monogamia, o sexo apenas após o casamento e faz a ligação sexo-concepção, tornando assim o sexo apenas por prazer e o ato sexual fora do casamento algo extremamente abominado. Talvez diga alguém que estes padrões não são mais respeitados hoje, e estará parcialmente certo afinal nem todos ainda seguem o cristianismo, mas então porque este tabu ainda permanece mesmo o nosso país em parte desvinculado da cristandade?Como dito, estamos pouco desvinculados do padrão cristão, pois este ainda tem um número muito grande de fiéis pelo Brasil. Mas e os que dizem estar fora desta crença?Digamos que ocorreu uma “cristalização dêste (sic) tabu sexual” (FREITAS, 1966, pág. 9) e isto faz romper as barreiras religiosas para tornar este tabu, o sexual, algo “nato” em nossa cultura “cristã-ocidental”. Apesar disso sabemos que estas “leis” não são devidamente cumpridas por boa parte de nosso país, afinal o que explicaria existir a prostituição em uma cultura que diz abominar a promiscuidade?E de acordo com Simone de Beauvoir:
“na verdade, em um mundo atormentado pela miséria e pela falta de trabalho, desde que se ofereça uma profissão, há quem siga; enquanto houver [...] prostituição haverá [...] prostitutas.” (apud. FREITAS, 1966, pág. 21).
Ou seja, se há prostitutas é porque muitos dos que vão contra a promiscuidade sexual vão a procura dos serviços das meretrizes, que se existem é pelo simples fato desta procura. Nota-se esse preconceito dos próprios abusadores no poema de Coralina no verso em que conta brevemente uma parábola da bíblia “essa mulher [uma prostituta] corria perseguida pelos homens que a tinham maculado”.

2-A prostituta:

Feita uma busca em dois dicionários sobre a significação da prostituição foi achado os seguintes resultados:
Silveira Bueno, 1987; prostituição é o ato ou o efeito de prostituir-se, a prostituta é uma mulher pública, meretriz, e a meretriz por sua vez uma mulher decaída moralmente.
Aurélio Buarque de Holanda, 2°ed. 1986; prostituição é o ato ou efeito de prostituir-se e /ou o comércio habitual ou profissional do amor sexual, prostituta uma meretriz e a meretriz é uma mulher que pratica o ato sexual por dinheiro; mulher pública.
Estes significados não são nada além do que já sabemos, que a prostituição-feminina- é uma profissão na qual uma mulher, prostituta, recebe por seus serviços sexuais , assim como disse Otávio de Freitas Junior , 1966 “a prostituição é uma atividade profissional, cujo trabalho consiste em fornecer prazer sexual, pago, e realizado de modo sistemático”.
Convenhamo-nos que essas definições de nada interessam afinal a partir do momento que viemos a saber da existência da prostituta, junto desta já vem uma imagem pré-formada – ninguém precisa de um dicionário para entender do que se trata uma prostituta-. Temos em mente que a prostituta é uma mulher que existe para destruir casamentos, uma “tarada sexual” e que se está nesta vida, imaginada por nós uma “vida fácil” é porque tem preguiça de trabalhar. E de grande importância é esta imagem da prostituta, pois enquanto for preservada será preservada também a boa imagem da pura e santa a “imaculada” mãe. Mas o que não sabemos é da utilidade das prostitutas na sociedade, talvez hoje nem tanto, pois a castidade não é mais tão valorizada como antes, já antigamente esta o era, tanto que mesmo a igreja tolerou a prostituição, pois:

“era necessário preservar a honra e a castidade das mocinhas dos castelos e das mulheres dos barões, todas mui devotas e piedosas, mas quem garante? o cinturão de carne humana das prostitutas parecia garantia maior contra a lubricidade dos castelões que os cintos de castidade ou os fossos e pontes levadiças” (FREITAS, 1966 pag. 10)

Até mesmo Santo Agostinho (apud Freitas 1966. pag.11), disse sobre a importância dessas na sociedade “... as prostitutas e outras pestes desta natureza? tirem da sociedade humana as prostitutas e tereis manchado tudo de volúpia”. Exatamente por isso diz Coralina que “nem a sociedade dispensa” estas meretrizes “para que na sociedade possam coexistir a inocência, e castidade e a virtude” e também “para que a família humana possa subsistir sempre, estrutura sólida e indestrutível da sociedade”.

3-“indestrutíveis”

O que muito Coralina enfatiza neste poema é a má vida das prostitutas, e que mesmo assim estas não deixam de existir, “indestrutíveis”, como ela mesma diz.
Há vários caminhos que podem levar uma mulher às portas do meretrício, mas o mais comum é a miséria em que estas vivem que as impedem de ter uma boa educação e uma boa saúde e, sem isso, conseguir empregos, considerados dignos pela sociedade, se torna praticamente impossível. Muitas são abandonadas por seus pais, tendo que partir desde pequenas para a prostituição, e até mesmo muitas tem famílias, mas estas também se vêem em abandono - do governo – sendo assim são impedidas de dar boa educação e boa saúde aos seus filhos. Coralina, 1985 pag.123, sabia disso e o mostra em seu poema:
“gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono”
E diz também que elas são “necessárias fisiologicamente”, ou seja, como já dito a existência dessas meretrizes é devida a procura do homem pelo sexo, o que é triste, pois isso faz da relação sexual apenas uma necessidade física deixando de lado qualquer outro sentimento. Então enquanto houver a miséria e enquanto o sexo for pensado apenas como um ato de sentir prazer físico e nada além a prostituição existirá, e enquanto houver prostituição essas miseráveis mulheres serão “pisadas, maltratadas e renascidas” (grifo nosso)- (Coralina, Cora) e também sofrerão, pois:
“na fragilidade de sua carne maculada [das prostitutas]
Esbarra a impiedosa do macho exigência” (Coralina, Cora. )



4-A posição do manual cristão – a bíblia

No primeiro tópico, em que se considerou o tabu sexual, foi dito que nossa atitude inicial perante o fazer sexo, certos preconceitos “natos”, é devida nossa cultura crista, mas em contraposição a isso, por meio do poema aqui estudado de cora coralina lê-se palavras da própria bíblia – o manual dos cristãos – em que deixa claro que perante Deus as prostitutas têm perdão:
“declarou-lhe Jesus: em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no Reino de Deus” (Evangelho de São Mateus 21, ver. 31)
É no mínimo estranho que o mesmo livro que condena a imoralidade sexual conceda perdão as que mais violam esta lei, as prostitutas. Talvez cora quisera ter passado que Deus, apesar de não aprovar a prostituição, entende que se isso ocorre é porque não houve outra opção para essas mulheres que se tornaram meretrizes, e que são estas que, em parte, colaboram para que ainda exista um pouco de “inocência [...] e castidade” no mundo em que vivemos e que por isso essas são as vítimas da situação, assim como enfatiza Coralina :
“pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
[...] vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada, [...]
Imprescindível, pisoteada, explorada,”

5--“desprotegidas e exploradas”

Quando cora escreveu este poema, por volta de 1975, as prostitutas não tinham o apoio do governo, e ainda hoje não o tem apesar de muitos serem a favor da legalização. As prostitutas não possuem direitos trabalhistas tais como o seguro desemprego, o décimo terceiro, aposentadoria, licença a maternidade, etc. estas são exploradas por sues caftens, o empresário, já que aquelas não têm direitos estes as e usam e pagam como bem querem “possuídas e infamadas sempre por aqueles que um dia a lançaram na vida”. (Coralina. Cora)
Antes de mostrar os problemas da formalização da profissão, explicaremos a situação desta no Brasil.
Ser prostituta não é algo ilegal, mas o é empreender tal profissão, o que não faz sentido algum, assim como compara o jornal Globo on-line (apud. GABEIRA.com , 2007):
“a incongruência seria a mesma para o caso de qualquer outra atividade licita: um médico, por exemplo, que pudesse clinicar, mas estivesse impedido de ter um patrão, seja da iniciativa privada ou publica”
e com isso, mesmo a prostituição não sendo ilícita , as prostitutas não podem desfrutar qualquer direito trabalhista.
Uns dizem que sim, já outros discordam plenamente de que legalizar a prostituição seria uma solução. Para os favoráveis o argumento mais forte seria o de que com isso o abuso contra essas mulheres acabaria. Um forte aliado da legalização Fernando Gabeira, o criador do projeto que regulamenta a prostituição, diz a respeito que “legalizar é a única forma de retirar a profissão da marginalidade. não é que vamos recomendar esta profissão. nós só queremos reduzir os danos causados pela ilegalidade”. Coralina reconhece a situação difícil das moças dizendo que: “nem a sociedade a dispensa, nem lhe reconhece direitos, nem lhe dá proteção” e foi bem isso que Gabeira disse: “a sociedade busca as prostitutas quando precisa delas, mas quando é legalizar para ampará-las, não estamos preparados?”.
Realmente pensando assim é fácil acreditar que legalizar é mesmo bom, mas o problema é bem mais complexo, como enfatizam os opositores ao projeto de Gabeira, o fato como diz Janice Raymond é que com a legalização eles estão não dignificando e profissionalizando a vida das prostitutas, mas sim facilitando a vida da indústria sexual e também propiciando o aumento da prostituição no país. Argumentar que legalizar tal profissão para proteger as profissionais do sexo é muito pequeno perante os argumentos contrários, pois o objetivo principal deveria ser não proteger as mulheres já prostituídas, mas sim evitar a entrada de mulheres nesse ramo, ou seja, acabar com a prostituição por que ao contrário de que muitos pensam prostituta não gosta de ser prostituta, afinal quando algumas destas conseguem subir na vida “alugando o corpo” logo param de fazê-lo tornando-se muitas vezes empresárias de outras prostitutas, ou até mesmo as que saem desta vida para se casar e ficar apenas com um só homem, com o qual tem relação sexual por amor e prazer, e a vontade de toda mulher, seja prostituta ou não, é essa. Coralina que em partes parece ser favorável a prostituição, mostra que apenas compreende esta, mas que não concorda, pois toda mulher deve ser realmente amada e não tida como um objeto sexual, isso se mostra quando diz “e quem já alcançou o ideal desta mulher, que um homem a tome pela mão, a levante e diga: minha companheira”.
Mas infelizmente não é tão fácil assim acabar com a prostituição, isso nunca vai depender de leis sejam morais ou oficiais, pois como bem disse marise choisy apud Freitas 1966:
“não há panfletos morais, não há leis severas nem organizações sociais, nem enganosas receitas, nem discursos da UNESCO que possam fazer desaparecer a prostituição, enquanto não se transforme nossa atitude intima para com o amor.”

Considerações finais

Como disse Dilthey (apud. Carpeaux. 1966 pag. 110): “os poetas são nossos órgãos para compreender a vida” e com eficácia compreendem até a prostituição, assim provado por Cora no poema “mulher da vida” o qual analisamos. Por meio deste viemos, a saber, quão sofridas são as vidas das prostitutas e que a miséria é a principal causa para que mulheres entrem nessa profissão, pois existe a procura e assim a possibilidade de ganho financeiro. Entendemos o porquê de tanto preconceito a certas atitudes sexuais, que é devido nossa cultura cristã e que mesmo o cristianismo pregando contra a imoralidade sexual concede perdão às prostitutas, talvez imaginássemos que a legalização era algo justo e uma solução aos problemas que a prostituição traz, mas partindo do ponto que o objetivo principal deveria esgotar tal profissão percebemos que a solução não seria essa e nem fácil. Agora provado, a poesia nos possibilita sim uma visão crítica sobre vários assuntos que nos rodeiam.


Referências:




BUENO, Silveira 1987. Dicionário.

HOLANDA de, Aurélio Buarque 2°ed.1986. Dicionário.

RAYMOND, Janice. Coalizão contra o tráfico internacional de mulheres (25 de março de 2003) Não à legalização da prostituição. Disponível em:
http://action.web.ca/home/catw/readingroom.shtml?x=30543&AA_EX_Session=6bada2ebb25a6642542fb3a9fd923085

GABEIRA, Fernando. Disponível em:
http://www.gabeira.com.br/noticias/noticia.asp?id=5131

CORALINA, Cora. 1985.18 ° Ed. Poema dos becos de Goiás e estórias mais.


FREITAS de, Otávio J. et al .1966 .A prostituição é necessária?









Anexos:


Cora Coralina
Mulher da Vida, minha Irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.
Mulher da Vida, minha irmã.
Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.
Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.
Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.
Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.
A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
�;Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra�;.
As pedras caíram
e os cobradores deram s costas.
O Justo falou então a palavra de eqüidade:
�;Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno�;.
A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.
Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.
Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.
Mulher da Vida, minha irmã.
No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.
E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrutível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.
Mulher da Vida, minha irmã.

Declarou-lhe Jesus: �;Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no Reino de Deus�;.
Evangelho de São Mateus 21, ver.31.
Poesia dedicada, por Coralina, ao Ano Internacional da Mulher em 1975.

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comentários feed

+ comentar
Ivette G.M.
 

Cora Coralina não pode, nunca, deixar de ser lida. Ela é fantástica, principalmente se atinarmos para a sua origem, sofrimento e simplicidade.
Quanto ao conteúdo da poesia e quanto a análise feita por você, acho que alguma coisa mudou. Os tempos de Cora Coralina eram outros onde, tudo o que ela escreveu era muito verdadeiro. Hoje, é verdade que ainda temos muita prostituta que se inicia menina, nesta vida, por absoluta falta de opção, de educação e de comida. Mas é verdade também que já encontramos muitas mulheres que chegam à prostituição por pura opção, não tendo sido levadas pela miséria e tendo inclusive curso superior. E são elas que buscam resguardar direitos da classe, via sindicato. Orgulham-se de se dizerem prostitutas, tê-la como profissão e batalhar pelo direito à boa saúde e a busca de uma aposentadoria para seu repouso após deixar o trabalho.
Muito bom texto, trazendo muitas informações importantes.
Ivette G M

Ivette G.M. · Cotia, SP 27/11/2008 13:33
sua opinião: subir
MARIA  SILVA
 

Sou fã de Cora Carolina!
Ela, na sua época, fez a diferença. Batalhou para deixar suas idéias registradas; mesmo sem ter estudado em bancos de escolas.
Parabéns por comentar o livro, assim nos faz pensar melhor.

MARIA SILVA · Curitiba, PR 26/2/2010 17:29
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