Psychobilly Fest: é diversão a dar c'o pé

divulgação
Ovos Presley toca na primeira noite do festival. Wallace é o primeiro da direita
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Adriane · Curitiba, PR
13/10/2006 · 79 · 2
 

Curitiba já foi conhecida por causa dos topetes que parte de suas moçoilas decidiram usar quase que como um uniforme, há alguns anos. Já o topete que está em voga por esses dias na cidade vai estar na cabeça de rapazes que costumam chegar à capital paranaense em determinadas épocas do ano. Na verdade, dependendo do bar ou show onde você estiver em Curitiba, em qualquer época do ano vai dar de cara com esses rapazes com seus topetes em plena forma, ligados numa música inspirada no rockabilly e que também empresta elementos do punk. Eles são psychobilly – fãs de um estilo musical que existe da fusão do rockabilly com punk, letras inspiradas em filmes trash de terror e ficção científica.

Uma turma espalhada pelo Brasil que aproveita o feriadão de outubro para dar um pulo em Curitiba e curtir o show de suas bandas preferidas no Psychobilly Fest, festival cuja décima segunda edição acontece agora, nos dias 13 e 14 de outubro, com as bandas Ovos Presley, Kães Vadius, Sick Sick Sinners, Chernobillies, Capotones (DF) e Big Nitrons (SP), The Brown Vampire Catz (Londrina-PR), The Rising Scum, Voodoo Stompers (SP) e Freak Phantoms (Londrina-PR).

Vem gente de todo canto do Brasil encontrar os psycho curitibanos. Na capital paranaense estão alguns dos principais grupos brasileiros do estilo, além de dois festivais muito importantes – o Psycho Carnival é o outro.

Na festa de outubro, este ano não tem convidado estrangeiro. "Se a gente fosse depender de banda gringa a cena de psychobilly hoje tinha morrido", argumenta Vlad Urban, um dos produtores. "Psychobilly é muito mais que banda gringa, e ir num festival de psychobilly significa muito mais que ir ver shows. É encontrar uma galera que tem os mesmos interesses, que gosta do mesmo tipo de música e que geralmente vive numa realidade diferente. Fiz inúmeros amigos graças aos festivais de psychobilly", complementa.

O perfil este ano é de um encontro de gerações, diz o outro produtor, Wallace Barreto, que criou a mostra em 1996 - desde a quinta edição Vlad subiu na barca e foi ele quem deu uma internacionalizada nas duas produções, por conta dos contatos feitos nos shows de sua antiga banda Os Catalépticos, referência nesse circuito, que encerrou as atividades este ano.

A previsão para 2006 dá conta só de “estrangeiros de outros lugares do Brasil": são esperadas umas 300 pessoas. O pessoal vem num pique que não sofreu o menor abalo com o susto do ano passado, quando, no show da segunda banda, o bar foi tomado por fiscais e policiais e embargado. "Fomos para outro bar e deu tudo certo. O pessoal ainda se divertiu", lembra Wallace. "O legal é que é uma grande família, independente do porte do festival, tem uma identidade da cena, o que era também uma das nossas intenções." Para facilitar a produção, em breve os produtores vão também tentar leis de incentivo. "Queremos fazer algo mais legal ainda. Ano que vem é edição 13, número bem emblemático para o rock'n'roll", adianta ele, que este ano tem apoio da rádio 91 Rock, Chinaski Bar, Livrarias Curitiba, Dr Rock, Hotel Brasília, Olsen e da produtora Pavement.

O começo
O primeiro Psychobilly Fest foi no Bar do Meio, um desses lendários bares "podrera" freqüentado principalmente pelos punks em meados da década de 90 – depois foi o Beatnik, já como palco pras bandas locais. "Na época era tudo na base da carta, fanzinão, e a gente já tinha o Transilvânia Express (N.R um programa de rádio pros fãs do estilo) e Os Catalépticos. A intenção era fazer algo com perenidade", conta Wallace, lembrando que os festivais não passavam da terceira edição e ele queria um que fosse além da décima. "Fazer algo não só pra gente, mas pras outras gerações, e que unisse a cena." Wallace é acostumado a essa vida. Toca em outras duas bandas importantes, a Ovos Presley e a Mecanotremata, além de ainda fazer parte da Psycho Classics. Ele conta que mesmo sem as facilidades da internet, quando o festival nasceu já havia uma intensa troca de informações. “A galera entrou no clima. Foi algo bem mais do punk. Tinha um pessoal descolado e o topete era a diferença, as afinidades sonoras eram grandes. Era mais apolítico, mas bem cultural”.

Se espalhando
E Londrina, que desde o começo teve representantes ativos nessa conversa, agora vai ter seu festival também – ele já ganhou a divulgação de Wallace, que se mostra orgulhoso ao perceber as crias surgindo, fazendo valer toda trabalheira. "É o Hellvelion, para aproveitar outro período de festas". É o psycho avançando. "Tem uma cena muito forte, com festivais também em São Paulo e Belo Horizonte. E tem o Psycho Carnival, filho direto do Psychobilly Fest que nasceu em 2000. Ele é até mais fácil pro pessoal de fora vir, por causa do feriadão", comenta o músico-produtor.

Agora Wallace está também com um estúdio e uma produtora, a UndeRockCwb, que já tem parcerias com vários bares e no domingo, promove uma mostra competitiva de bandas, no Porão Rock Club, mesmo lugar do festival. Ao final de cinco eliminatórias, um grupo ganha a gravação de um disco, e os demais, horas de ensaio no estúdio. Wallace também está sossegado quando o assunto é espaço. "Eu não tenho do que reclamar, desde o Lino's sempre tive lugar pra tocar. É só se adequar à situação: se tem boa vontade não tem equipamento, se tem equipamento falta boa vontade, é assim e a gente vai levando. Mas o pessoal das bandas também é meio acomodado, quer só chegar e tocar. Não, tem que panfletar, tem que se empenhar", ensina. E tem outra coisa: "Se está rolando no Faustão ou sei lá onde, não é a questão. Não importa se tá bombando na imprensa, isso é psicológico. Nesse sentido sou bem punk."


P.S.: Bom, então, só pra lembrar: dias 13 e 14 de outubro, tem Psychobilly Fest XII. No Porão Rock Club (Rua Carlos Cavalcanti, 1188), em Curitiba.

Na sexta-feira, além do Ovos Presley, tocam Sick Sick Sinners, Chernobillies, Capotones (DF) e Big Nitrons (SP). No sábado tem The Brown Vampire Catz (Londrina-PR), The Rising Scum, Voodoo Stompers (SP) e Freak Phantoms (Londrina-PR) e Kães Vadius.

Telefones para informações: (41) 9951-0289, 9202-2410, 9156-7573 e 3324-8678.

Entrada: antecipado a R$ 15 ou pacote para os dois dias a R$ 25. À venda nas lojas Plan 9 (Omar Shopping) e Dr. Rock (Shopping Metropolitan). Na hora é outro preço. E pessoas de outras cidades podem adquirir ingressos através de depósito em conta corrente. Informações sobre hotéis podem ser adquiridas na sessão últimas notícias do site http://www.underockcwb.mus.br/.

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OAEOZ
 

o que o Wallace falou tá muito certo, as bandas muitas vezes também são acomodadas. mesmo nos eventos independentes, neguinho só quer chegar, tocar, muitos nem ficam pra ver as outras bandas. se você não puder contar nem com quem tá na cena, vai esperar o que do público em geral? E também acho legal a autonomia dos caras, de não ficar com aquele velho discurso coitadista. é isso aí, quem sabe faz, que não sabe, fica choramingando. parabéns aos billys, que dão uma lição pra muito indie que "se acha" por aí.

OAEOZ · Curitiba, PR 12/10/2006 13:56
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Leopoldo Furtado
 

O Pyschofest é realmente um dos mais legais festivais independentes do Brasil e não se limita aos shows. Rola também ao encontro de gente do Brasil todo com interesse no estilo, o que engrandece o evento.

Leopoldo Furtado · Itabira, MG 26/10/2006 21:14
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