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Publicidade Educativa: os anúncios que incomodam

Oliviero Toscani.
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Esther Gonçalves · São Paulo, SP
28/2/2008 · 59 · 11
 

Olá. Meu nome é Esther Gonçalves, sou publicitária, mas confesso que não estou nem um pouco contente com a propaganda que tenho visto na tevê, revistas, jornais, rádios e também na Internet brasileira. A certeza que tenho é a de que a nossa propaganda está muito distante do dia-a-dia da maioria da população do Brasil.

Por isso estou aqui, para defender um outro tipo de comunicação, a Publicidade Educativa. É um nome que dei para a tendência de campanhas impactantes, com largas doses de “vida real”.

É um apelido ainda, pois não se tem registro nomeado para campanhas que utilizem esse recurso como ferramenta de aproximação com o público-alvo.

Fala-se muito da ausência de “vida real” na comunicação brasileira, e é um dos assuntos muito comentados por consumidores que não se refletem na mídia atual.

O nome Publicidade Educativa foi inventado por mim. Tenho esse hábito de dar nomes às coisas, apelidos para amigos e também para fenômenos invisíveis, em fase de ebulição.

Essa modalidade de propaganda vem se manifestando com freqüência cada vez maior, mas ainda se desenvolve timidamente. Só pude perceber que ela existia e que também se fazia necessária quando lia ou ouvia declarações de líderes de comunidades que representam a maioria social e também os que falam pelo bloco dos excluídos. Gente, porém, que não tem a oportunidade de falar para quem realmente faz e decide a publicidade brasileira.

A Publicidade Educativa, além de cumprir o dever da propagação de idéias e conceitos, tem embutido, também, o vírus do debate de temas contemporâneos polêmicos e viscerais. Assume posturas que suscita debates, propagando uma atitude permanente de conversação.

Oliviero Toscani, fotógrafo italiano, é o pioneiro da suposta Publicidade Educativa.

Há anos, os outdoors da Benetton, empresa italiana de moda, vêm se destacando mundialmente e gerando polêmicas internacionais com temas sobre guerra, AIDS, racismo e religião.

Por um período de 18 anos, Toscani liderou as campanhas publicitárias da Benetton que utilizaram uma bela estratégia de mídia. Pois, nestes anos, a marca capitalizou espaço gratuito em diversas mídias.

As imagens de choque anunciadas geraram a propaganda boca a boca.

Dessa forma, a propaganda tirou o consumidor do estado-massa, para provocá-lo a pensar e questionar como público ou cidadão maduro.

Faltam esforços para o redescobrimento do outro lado, o lado de quem consome, dos que querem se refletir na mídia. Ainda pouco se ouviu ou se observou o lado da vida real, que insiste em ficar do lado de fora das agências de propaganda e dos escritórios das empresas anunciantes. A vida real está nas ruas.

Posso citar alguns exemplos nacionais de manifestos daqueles que pedem por “uma outra comunicação”, como o Movimento dos Sem-Mídia, o Sarau da Cooperifa (Coperativa Cultural da Periferia), o CMI (Centro de Mídia Independente) e tantos outros grupos com grande presença e atuação social. Esses diversos grupos independentes surgem da necessidade de se refletir nas telas e nos palcos.

Crescendo cada dia mais, os grupos se organizam e produzem os seus meios, veículos e formas de comunicação.

Cansados da comunicação que anula grupos sociais, essas comunidades criam os seus produtos de consumo: revistas, sites, literatura, gastronomia, filmes, roupas e outros, todos estes produzidos e consumidos por protagonistas “reais” dessas comunidades.

Acontece que a vida se manifesta dentro ou fora da tevê, da revista, do rádio ou de qualquer outro veículo de entretenimento e informação. Mas como essa “vida” vai ser mostrada para os novos brasileiros é uma questão arterial: entre a escolha de um olhar sem profundidade, oferecido pela maior fatia de comunicação, ou a construção de um caminho diferente, que interfere nesta nova sociedade.

O primeiro debate realizado pelo Jornalirismo, “Brasil: Qual Identidade?” (www.jornalirismo.com.br), tocou na ferida mais frágil e pouco discutida da mídia no Brasil. Chegou-se à conclusão de que a ascensão do povo brasileiro não é somente econômica, mas também, e principalmente, cultural. Incrivelmente, esse avanço parece não ter sido notado, ou foi até mesmo ignorado pela maioria dos colegas dos meios de comunicação.

A mídia e a realidade estão caminhando cada vez mais distantes.

Uma propaganda aditivada, com pitadas de realidade: esta é a proposta da Publicidade Educativa que aqui contei. É a comunicação que estimula o debate e a reflexão. Não é uma comunicação imperativa, e, sim, uma comunicação que promove o diálogo.

E incomoda, porque é a realidade de todos.

Em breve volto com exemplos de Publicidade Educativa já veiculadas e feitas no Brasil.

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Xuca Munhoz

Esther!! Parabéns pela publicação!! Ótimo tema!! Realmente deixamos de perceber, com a vida que levamos, tantas informações óbvias e inúteis que invadem nossa mente e permitimos, pois não temos outra opção!! Opção, não, mas temos a liberdade e iniciativa, como a sua, de acrescentar, de fazer mais, revidar,...
beijos e sucesso!!

Xuca Munhoz · São Paulo, SP 28/2/2008 12:14
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Andre Pessego

Esther,
Adorei, comecei ha algum tempo imaginar que o Prefeito Kassab, de S. Paulo, tem razao. A publicidade precisa ter noções de que precisa ser feita com cuidados para ser vista mais não machucar o grau de percepção das pessoas.
Sempre detestei publicidade sobre AIDS.
vou reler,
um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 29/2/2008 06:48
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Pssil

Boa, Ester! Também já fui publicitária e concordo plenamente quando vc diz que a publicidade está longe da vida real. Sempre admirei o Toscani e acho que aqui no Brasil pouco se faz de "Propaganda Educativa", como vc diz. E, a propósito deste outdoor dele que vc postou aqui, cabe lembrar que é das anoréxicas que vive grande parte do mundo da moda e da publicidade. Volte trazendo os exemplos brasileiros!

Pssil · Porto Alegre, RS 29/2/2008 15:48
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Paulo Esdras

Ester, também sou publicitário e fiquei fascinado quando vi pela primeira vez as camapanhas da Benetton de Oliviero Toscani. Realmente são de uma plasticidade e crítica impressionantes.

Porém, como ouvi de um professor de Teoria da Comunicação: "Propaganda não é arte, propaganda é venda".

Por isso é interessante refletirmos até que ponto as empresas irão querer gastar seus milhões em veiculação com temas sociais. Geram publicidade - propaganda gratuita? Geram. Mas até que ponto vão querer gastar milhões para verem sua marca vinculada a uma polêmica como o beijo do padre e da freira da Benetton? Ou as camisinhas voadoras? Ou o prisioneiro negro/branco? É algo para se refletir...

Paulo Esdras · Brumado, BA 29/2/2008 16:09
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Esther Gonçalves

Oi Paulo! Realmente, é sim.
Sou colunista mensal do site www.jornalirismo.com.br
O grande pedido do site é "por uma outra comunicação", pois só assim (infelizmente) se inicia o mote para a mudança de nossa nação.

Em breve escrevo por lá sobre porpagandas brasileiras que utilizaram este recurso para se comunicar com o público e ao mesmo tempo fixar a marca + produto. É possível sim. Porém não tão chocante como Toscani.

A publicidade é reflexo da "bela" filosofia das empresas. Rensponsabilidade social, meio ambiente e sustentabilidade ficaram restritas ao site com descrições de doações para projetos.

As marcas realmente íntegras e comprometidas com "sutentabilidade" compreendem que isso ainda é muito pouco, logo, estendem sua filosofia para a propaganda ao universo de seus consumidores.

Esther Gonçalves · São Paulo, SP 29/2/2008 16:35
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anamineira

Esther,
Passei por aqui e deixo meus votos.
Seu texto está excelente, de suma importancia.
Parabéns.
Um abraço mineiro.

anamineira · Alvinópolis, MG 1/3/2008 07:22
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Walesson Gomes

Ester, gostei muito. Parabéns!!!
abs.,,

Walesson Gomes · Belo Horizonte, MG 1/3/2008 09:29
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Natália Amorim

Olá Esther,
Bela abordagem, lí recentemente uma matéria dizendo que a natureza necessitava de um publicitário...quem sabe vc? Aguardo um próximo texto.
Abraços

Natália Amorim · São Gonçalo, RJ 8/3/2008 18:38
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Edilaine

Gostei da sua abordagem, leciono ARTE em escola pública há quase vinte anos no ensino fundamental e médio, sempre utilizei a criação de propaganda educativa como ferramenta de motivação e os alunos adoram. A utilização desta matéria foi 10.
Abçs

Edilaine · Bauru, SP 21/6/2009 19:07
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Edilaine

Edilaine · Bauru, SP 21/6/2009 19:09
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Esther Gonçalves

Edilaine,
Fico muito feliz quando professores integram a tão presente propaganda no universo pedagógico. São poucos que fazem esta ponte, viu. Parabéns!

Como o universo do consumo e da beleza plástica invade as telinhas que a população tanto gosta, creio que seja muito pertinente ensinar esse olhar crítico sobre nós mesmos e sobre o que selecionamos para assistir.
1 abraço

Esther Gonçalves · São Paulo, SP 23/6/2009 14:32
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