Um país vivendo intensa turbulência política, este era o Brasil no início de 1980. A ditadura militar começava a sofrer suas primeiras quedas. Importantes personalidades, intelectuais e artistas lutaram para por fim a aquele regime conservador. Embora tudo que estava sendo feito não despertava o sentido de mudança nos mandatários, aquele momento pedia urgência. É no despertar desta necessidade de mudança, que a atitude de um clube brasileiro, por meio da ação seus atletas, então, decide alterar as regras do jogo.
Tive conhecimento sobre o documentário Ser campeão é detalhe no Blog do Juca. Mesclando o interesse próprio de um corinthiano com a experiência da faculdade de jornalismo, resolvi saber quem eram os produtores do filme. Para minha surpresa os autores nem se quer eram nascidos na época da Democracia Corinthiana e, é ai que desencadeia em mim o grande mistério de entender os motivos que os levaram a creditar tal assunto e resgatar uma parte importante da nossa história - não só futebolística, mas com toda certeza, bem política.
A entrevista foi idealizada por algumas trocas de e-mails e bastante conversa. Segue abaixo algumas perguntas ao diretor Gustavo Forti Leitão, sobre o documentário e suas próprias curiosidades.
Higor Assis - Como foi os primeiros contatos com os personagens do filme e qual foi a sua aceitação por parte deles ?
Gustavo Forti Leitão - Os 11 entrevistados do filme foram super receptivos. Durante as gravações dos depoimentos o clima era bem informal, com cara de bate papo.
Higor Assis - A ideia de falar sobre a democracia corinthiana e sobre o corinthians como foi que tudo isso aconteceu ?
Gustavo Forti Leitão - Quando a Democracia Corinthiana foi implantada (1981/1982), nenhum integrante do grupo que fez o filme era nascido. No entanto, todos já conheciam, ou ao menos tinham ouvido falar, da Democracia Corinthiana. Foi na disciplina Projeto de Cinema, do curso de Midialogia da Unicamp, que houve a proposta para que um dos filmes a ser realizado fosse um documentário sobre esse período do Timão.
A partir de então, a parte de pesquisa foi intensficada através de revistas da época, sobretudo a Placar, livros ligados direta e indiretamente ao tema, como também teses acadêmicas que abordavam o assunto. Assim, pudemos levantar os personagens e dar continuidade ao projeto.
Higor Assis - O documentário pode ser considerado de ideal político ou trata apenas sobre uma equipe de futebol ?
Gustavo Forti Leitão - Acredito que seja impossível separar as duas coisas. Aquele Corinthians da Democracia Corinthiana só deu certo e é lembrado até hoje graças a postura política que adotou. Em meio a uma ditadura militar que se abrandava, mas ainda presente, o clube se baseou no diálogo, respeito, liberdade e responsabilidade para alcançar resultados tanto dentro como fora dos gramados. Dentro de campo, podemos lembrar da entrada do time em uma final de campeonato Paulista com uma faixa que dizia “Ganhar ou perder mas sempre com Democracia”.
Fora dele, algumas cenas marcaram, como Sócrates, Wladimir e Casagrande subindo nos palanques pelas Diretas Já!, ou ainda cantando a música Vote em Mim ao lado da cantora Rita Lee. Discutir o país sob a ótica do futebol foi um dos grandes trunfos da Democracia Corinthiana.
Higor Assis - Este filme pode ser considerado e/ou assistido por torcedores de outras equipes ?
Gustavo Forti Leitão - Sim, tanto que o núcleo de nossa equipe eram 5 pessoas: 1 corinthiano, 3 palmeirenses e 1 neutro, que se tornou corinthiano após o filme. Apesar de implantada no Corinthians, as causas da Democracia Corinthiana transcendiam o próprio clube. Eram baseadas em valores universais como diálogo, respeito, liberdade e responsabilidade.
Acredito que a Democracia Corinthiana só funcionou por ter sido implantada em um time de massa e de grande visibilidade político-nacional que é o Corinthians. No entanto, a luta era por uma causa que transbordava o futebol. Suas causas iam além do futebol. A causa da Democracia Corinthiana era conhecida por ir além do futebol, já que a causa do movimento independia do time que cada um torce.
Higor Assis - Qual é a grande dificuldade de trabalhar um tema como este: futebol e política ?
Gustavo Forti Leitão - Não é tão difícil quanto parece. No Brasil, futebol e política se misturam o tempo todo, ainda que não claramente. No caso da Democracia Corinthiana, a fusão era visível. Pregavam que discutir política através do futebol era uma forma mais didática e acessível a todos. O futebol tantas vezes taxado de alienante tinha uma chance de ser visto como mobilizador social.
Higor Assis - Fale das espectativas da divulgação até quando vier a estréia do filme ?
Gustavo Forti Leitão - É um pouco difícil ainda falar de divulgação, porque o filme ainda não está pronto. Apesar de já formatado e montado, precisamos dos direitos de utilização das imagens de arquivo, sem os quais o filme não pode ser veiculado. Para isso, estamos em busca de apoiadores e patrocinadores. Assim que conseguirmos os direitos de imagens, pretendemos lançar o filme em festivais de cinema, exibí-lo na TV, e quem sabe também uma distribuição em DVD. No entanto, momentaneamente o foco do grupo é obter apoiadores.
Direção
Gustavo Forti e Caetano Biasi
Direção de produção
Rubens Passaro
Direção de fotografia e pós-produção:
Douglas Lambert
Direção de som e pós-produção
Alexandre Nakahara
Edição
Gustavo Forti
Pesquisa
Caetano Biasi, Gustavo Forti e Rubens Passaro
Roteiro
Gustavo Forti e Rubens Passaro
Assistentes de produção
Fernando Senaha e Nathalia Salgado
Coordenação e supervisão de produção
Prof. Adilson Ruiz
Assistente de coordenação e supervisão de produção
Stefanie Hesse Alves
Que venham os patrocinadores, me pareceu importante para a estória e Higor fez um texto e entrevista dez. abs
Cintia Thome · São Paulo, SP 18/5/2009 11:29
Higor Assis · São Paulo (SP
Quando ser campeão vira apenas um detalhe.
Um Trabalho admirável e muito inspirado que lembra essa Experiência do Time Corinthians, com a sua Democracia Corinthiana.
Um Acontecimento muito Especial devido o Governo Militar que envolvia coragem determinação e muita dignidade por fazer um ato tão cheio de heroísmo e cidadania.
Aquela turma admirável do Sócrates, Wladimir e Casagrande.
Muito bom o seu trabalho.
Temos sempre de lembrar e louvar.
Parabéns.
Abração Amigo.
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