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"Quem acha besta, não compra cavalo"

Quinhonez
Prof. José Pedro Frazão
1
Frazao my brother · Anastácio, MS
23/7/2007 · 32 · 6
 


Martin Luther King certa vez desabafou: “O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter e dos sem ética; o que mais me preocupa é o silêncio dos bons.”
Santo Agostinho costumava dizer: “prefiro os que me criticam, porque me ajudam, aos que me bajulam, porque me corrompem”.
Some-se a estas frases feitas o esdrúxulo clichê do título “Quem acha besta, não compra cavalo”, ditado popular cearense bem adequado ao assunto em pauta. E para fechar o intróito de lugar-comum, também fiz uma frase no afã de ajudar a diminuir a sensibilidade de quem não aceita crítica: “Quem teus defeitos enaltece, te engana e te enlouquece” (JPF). Tudo isto para dizer que o silêncio omisso e o conformismo são tão imundos quanto o lixo que se esconde sob o tapete de dirigentes, e tão inúteis quanto a peneira com que dirigidos tentam tapar o sol.
Deste modo, a simples divulgação dos números do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que mostra a degradação do ensino-aprendizagem no país, deveria atingir mais a consciência do que o orgulho dos educadores e educandos, mesmo porque esse vergonhoso quadro estatístico mostra um problema estrutural da educação, catástrofe da qual é vítima, também, o professor (enquanto agente transformador desamparado pelo sistema).
A preocupação com a falsa aparência escolar pode ser um erro nesse árduo desafio de se melhorar a educação. Os feitos positivos devem ser divulgados, pois servem como incentivo, recompensa e até marketing, mas a consciência crítica do educador, do aluno e também da sociedade, não pode abster-se da verdade, dos gargalos e dos tropeços, pois estes servem de parâmetro para reflexão e planejamento de ações pedagógicas. Ademais, as escolas vivem envoltas em promoções e arroubos para auto-afirmar-se, como a publicação de projetos extraclasses, números de aprovados em vestibular, etc.; e só não têm sido felizes na propaganda da informatização inclusiva, porque esta não passa de um engodo compartilhado que cria na sociedade a ilusão de que os alunos (e professores) têm o acesso que deveriam ter à informática.
Enquanto a divulgação dos índices medíocres de uma educação pública em sua grande parte falida pode mexer com o brio de heróicos educadores (ou com a fraqueza de mestres incompetentes), tais números servem para dar visibilidade à sociedade, que tem direito à informação, e aos governos, que detêm a responsabilidade e a maioria dos recursos necessários para promover um ensino de qualidade e não o fazem.
A velha mania ainda confirma que há muito professor fingindo que ensina, coordenador fingindo que coordena e aluno fingindo que aprende e, claro, muitos pais fingindo que participam e agentes públicos fingindo que investem em educação. É verdade, também, que a escola pública tem sobrevivido mais pelo sacerdócio de abnegados educadores e menos pela ação de uma boa política educacional do governo.
Mas, se o lado positivo continuar a esconder o negativo, para não ferir sensibilidades “pedabobas”, a escola só estará alimentando a ilusão pedagógica e favorecendo a recorrente negligência do poder público. Portanto, assim como não se pode perder a esperança e o entusiasmo docente e discente, é preciso quebrar o silêncio dos bons e tirar proveito da crítica, pois este é um dos caminhos por onde poderemos juntos, imprensa, escola e comunidade, acabar com a farsa que está transformando a escola em “estábulo” e o professor em “burro de carga”, pelos maus governantes habituados ao estilo “quem não tem cão, caça com gato”.
Enfim, para fazermos o governo investir na qualidade do ensino, é preciso mexer na ferida – na nossa e na dele – e fazê-lo “dar com os burros n’água”. Pois é como o nosso deselegante título bem adverte: Quem acha besta, não compra cavalo.


José Pedro Frazão


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Andre Pessego
 

Meu caro professor, esta é mais uma jornada a que o professor se dedica, e esta aqui sim, sem dinheiro.
Mas o que eu queria lhe pedi (como pedir é de graça, pode-se) é para voce dar um espaço entre parágrafos. Deixando mais fácil de se seguir o texto. Muito junto assim, é ruim pra danar.
- Depois vou dar uma pitada, claro, voce merece.
um abraço andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 22/7/2007 19:37
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Frazao my brother
 

André, desculpe pelo texto aglomerado. O original tem outra formatação, que se modificou na postagem. Vou tentar modificar.
Obrigado pelo comentário.
Abraços.

Frazao my brother · Anastácio, MS 23/7/2007 10:29
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JUVENAL PAYAYA
 

Parabéns professor André, o tema educação me atrai, gostei, no entanto, em minha opinião, defendo o combater ao desvio de função do professor para o sacerdócio. Escola pública funcionará mediante custeio público e a ação civil de professoras e professores profissionais.
Acredito na consciência dos objetivos, na criatividade, nas responsabilidades, como um controlador de vôo, como o gari, como o cirurgião, um guia de cavernas, somos um daqueles profissionais cuja inabilidade poderá produzir conseqüências inimagináveis em suas vitimas, por isso carecemos de remuneração condizente. Deixa o sacerdote em sua fé...
Abraço, Payayá

JUVENAL PAYAYA · Salvador, BA 24/7/2007 10:31
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Frazao my brother
 

Juvenal, a sua luta pelo reconhecimento e valorização dos Payayás é um grito de guerra contra a injustiça étnica brasileira.
Aqui, na pequena Anastácio (MS) convivemos com a valorosa comunidade Terena, nossos irmãos pantaneiros, sul-mato-grossenses de um mato só.

Frazao my brother · Anastácio, MS 24/7/2007 12:35
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Saramar
 

Professor, parabéns pelo texto!
Como educadora que já fui, sempre me preocupo com a educação, principalmete das crianças. E o cenário é atroz.
Os educadores sabem bem que a educação pública brasileira, há tempos, transformou-se em uma espécie de barco furado com alguns abnegados e uns baldinhos.
A grandiloquência dos planos e projetos governamentais, porém, mascara tal realidade, com objetivos políticos. Então, é um tal de cursos pra cá e planejamentos pra lá sem que isso se traduza em aprendizagem na perfeita acepção da palavra.
Você está certo. Precisamos deixar de fingir e atacar o problema com humildade e coragem para que a configuração do "apagão" educativo caia em nossas cabeças (perdão pela infelicidade do trocadilho), em aluns poucos anos.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 25/7/2007 16:13
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Frazao my brother
 

Gostei, Sara...
do seu "apagão escolar".
Estão passando o "apagador" na memória do País, nos valores éticos e sociais, na infância e na educação de modo geral. É preciso que apaguemos o nosso silêncio.
Um abraço.

Frazao my brother · Anastácio, MS 25/7/2007 23:49
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