Quem critica a crítica?

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dj-dolores · Propriá, SE
12/11/2006 · 264 · 51
 

Junto com os primeiros discos de punk rock – e tudo o mais que caía nas mãos, naqueles verdes anos – vieram as histórias por detrás da música. Informação que ia além das faixas e me fazia torrar meu parco dinheiro com revistas e jornais – na verdade o caderno cultural de algumas publicações. O objetivo: sentir o mundo que aquela música representava.

Quase tanto quanto os poetas e romancistas, os críticos de música me faziam sonhar. Lendo as revistas da época eu me instalava na Oxford Street, em Londres, e me imaginava atirando pedras na polícia, me sentia parte das orgias de sexo e drogas – inventadas, diga-se de passagem – pelo maluco Ezequiel Neves ou me indignava com o conservadorismo americano como Ana Maria Bahiana fez numa memorável resenha para The Bells, de Lou Reed.

O tempo passou e conheci Bia Abramo, colaboradora da Bizz e Folha de São Paulo no auge das minhas descobertas adolescentes. Logo depois dos cumprimentos de praxe, disparei: você sabia que grande parte da minha coleção de discos foi influenciada por sua opinião? Ela ficou séria e respondeu que já havia pensado sobre isso, sobre a responsabilidade que se tem ao opinar sobre um livro ou um disco.

Fui educado por alguns bons jornalistas imersos na cultura de massa. Não quero parecer nostálgico - apenas tratava-se de uma boa safra – mas quando leio alguns artigos nos cadernos de cultura penso no estrago que um texto, do alto de sua arrogância – todo ignorante tem certeza que é um sábio – pode fazer numa cena.

A lei obriga os jornalistas a terem diploma. O que é um diploma? Um pedaço de papel que diz que você teve paciência - ou astúcia para driblar os professores – e concluiu seu curso. Você sabe escrever uma sentença mas de onde vem sua opinião? Viajou? Gastou horas se informando? Acompanha a obra do autor? Conhece a origem daquela música? Tem parâmetros comparativos para julgar o objeto de crítica?

Tantas vezes percebemos que é puro “achismo”, o pão com manteiga do lar que se leva até a redação.

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Não deveria acontecer mas acontece com muita freqüência. O jornalista vem me entrevistar e não sabe absolutamente nada sobre o meu trabalho. É incapaz de me questionar e se torna um mero porta-voz das besteiras que esse DJ é capaz de falar.

Há alguns dias atrás uma moça irritou-se porque sugeri que ela desse uma olhada no Google antes de prosseguirmos, visto estava que ela não sabia nada a respeito do meu trabalho ou mesmo de música eletrônica. Indignada ela retrucou: “sou jornalista e não preciso conhecer o assunto pra escrever sobre ele.”
........................................................................................

As relações entre as assessorias e os jornalistas são tão viciadas que as notas já vêm prontinhas para serem publicadas! Bom para quem está na redação, são algumas linhas a menos para se dar ao trabalho de pensar; bom para quem envia pois está lá sua publicidade com o aval do jornal.
Ruim mesmo é para nós, leitores.

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Helena Aragão
 

Muito pertinente seu texto. Acho que há uma diferença aí no que você cita. Nem todo jornalista (a maioria absolutamente não) é crítico. Sobre críticos, observo uma outra questão. Com a coisa do blog, todo mundo se acha crítico. Aí a arrogância que você cita deixa de se limitar às páginas de jornais... E a importância do que diz o crítico daquele ou deste jornal parece cada vez mais desimportante, afinal agora todo mundo "pode" dar opinião (sem querer discutir se isso é bom ou ruim).
A frase lamentável da menina, que encerra o texto, mostra muito do problemaço que o jornalismo cultural enfrenta hoje. Assim duas classes vão se desenhando mais nitidamente: críticos cada vez mais pretensiosos e jornalistas de cadernos culturais cada vez mais deslocados, sem saber do que estão falando nem fazendo questão de saber.
Por outro lado... Queria também dar a visão de quem é jornalista e já trabalhou em redação de jornal. Há situações indefensáveis, como essa que você descreveu. Mas muitas vezes não há nem caderno cultural. Então botam um fulano do caderno de economia, sei lá, pra entrevistar o DJ Dolores, e avisam pra ele 15 minutos antes... É um exemplo, claro, mas posso dizer, acontece MUITO. A preguiça é imperdoável, mas num caso como esse eu me solidarizo. Se me botassem para cobrir taxa de juros eu ia sofrer.
Enfim, só quis dar um pouco uma outra visão da coisa, mas esse é um assunto é complexo e tende ao infinito! Que sigam os comentários!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 10/11/2006 19:38
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Carlos Gomes
 

Não sou jornalista, mas estou publicando (somente no overmundo) textos críticos sobre música, mas não são resenhas ou sobre bandas ou artistas específicos... Concordo com os pontos colocados por Helena Aragão mas também penso que o jornalista não pode se sujeitar a fazer matérias desinformados e ainda arrogantes... (com o seu diploma nos braços, como disse dj dolores)

Carlos Gomes · Recife, PE 11/11/2006 01:41
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Roberto Maxwell
 

Dolores, que tal links sobre os nomes que vc citou?

No mais, que em sao os loucos de entrevista-lo sem te ouvir? Deus, eu que nao tenho uma oportunidade dessas... Hahahahaha

Abracos.

Roberto Maxwell · Japão , WW 11/11/2006 02:14
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Roberto Maxwell
 

Pois eh, Helena, eu nao sou jornalista, mas tenho trabalhado em veiculos ha alguns anos. Comecei fazendo resenhas de filmes (sou cineasta), um trabalho que me da um prazer enorme ja que envolve as duas coisas que eu mais gosto de fazer: cinema e escrita.

Quando estava em veiculo de internet, tinha que ver os filmes e preparar as resenhas com alguns dias, porque as cabines eram com alguma antecedencia das estreias. Dai, fui convidado para fazer cobertura de um festival de cinema. Eu tinha que produzir noticia e resenha. Era assistir 3 ou 4 filmes, voltar pra casa, produzir os textos e dormir para o dia seguinte fazer tudo. Obvio que tinha a programacao com alguma antecendencia. E acabava nos os sites dos filmes antes de escrever ou depois, para produzir textos bons de serem lidos e informativos, que instigassem o leitor a sair de casa e ver os filmes.

Lembro-me de ter pedido para entrevistar um diretor argentino. Eu nao conhecia nada da obra dele, mas queria conversar com um diretor do pais, o qual eu acabara de visitar e onde assistira zilhoes de filmes um melhor que o outro. Confirmaram a entrevista com dois dias, no meio da loucura do festival e me deram meia hora. Ficamos 3 horas falando de cinema. Numa entrevista que foi maravilhosa.

Penso que para um cara do caderno de esportes entrevistar o DJ Dolores pode ser um saco. E penso que na rotina dos veiculos, no trabalho do profissional de jornalismo, isso ocorre muito. Uma pena. Eu iria adorar entrevistar o Dolores.

Roberto Maxwell · Japão , WW 11/11/2006 02:23
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dj-dolores
 

olá!
minha intenção é questionar o jornalismo cultural.
apenas isso, sem denuncias...
esse texto foi publicado originalmente no diário de pernambuco, quando eu lá tinha uma coluna semanal.
na época gerou uma confusão grande - interna e, nas ruas, mais de uma vez fui abordado por gente que vestia a pele descrita no texto - que achei oporturno postar aqui no overmundo.
é uma possível extensão do texto do bruno sobre o recife, já que penso que um dos males maiores da cena local está na falta de uma crítica esclarecida na cidade.

dj-dolores · Propriá, SE 11/11/2006 04:34
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Roberto Maxwell
 

Entao, Dolores, eu escrevi um texto inspirado no seu mostrando no que se norteia o meu trabalho como "jornalista cultural". (Entre aspas ja que, bem lembrado por vc, eu nao possuo diploma.) Esta na sala de edicao tb.

Roberto Maxwell · Japão , WW 11/11/2006 06:47
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Dolores:
Seu texto é, no meu entender, de uma perninência absoluta. Poucas vezes vi um artista ser tão lúcido em relação à importância da crítica, da qual, aliás, falei no comentário que fiz, há pouco, no texto do Roberto Maxwell. Acho mesmo que o seu texto deveria ser leitura obrigatória nos cursos de jornalismo. Mas acho que não será pois há outros interesses em jogo, sendo o menor deles a qualidade do jornalismo praticado neste país.
beijos e abraços do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Ps Me deu vontade de conhecer o teu som
PSS Conheci a Bia na USP. Bons tempos, apesar da ditadura.

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 11/11/2006 10:29
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dj-dolores
 

oi, roberto, vou conferir seu texto...
joca, obrigado.
sou novato no overmundo e tenho uma dúvida:
o que devo fazer agora? há uma votação interna para definir se o texto será ou não publicado?
se alguem puder me responder, agradeço.

dj-dolores · Propriá, SE 11/11/2006 12:27
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Caçapa
 

Dolores:
Passei grante parte da minha adolescência a ler e refletir sobre textos publicados por críticos de música em revistas como a antiga Bizz. Sei o quanto esses textos (e seus autores) foram importantes na formação da minha personalidade, colaborando na construção do meu senso crítico e estético. Posteriormente, pude me libertar de uma certa arrogância e preconceito que uma boa parte desses críticos demonstravam quando tratavam de música brasileira, por vezes simplesmente ignorando o seu valor (existiam as louváveis exceções, é bom lembrar).
Sei da enorme responsabilidade desses profissionais e sinto que hoje a situação é mais complexa e preocupante. Tenho a impressão de que os críticos das gerações passadas possuíam um cultura mais abrangente, menos segmentada.
E aí caímos na questão da formação. Concordo e entendo quando você questiona o que significa um diploma, mas não deixo de observar o outro lado: o que significa não ter diploma nenhum? O fato de um curso universitário não preparar adequadamente um iniciante não significa que ele seja desnecessário! Devemos criar maneiras de tornar esses cursos mais eficientes e mais atentos às necessidades atuais, embora o talento, a seriedade e a paixão pela profissão talvez nunca venham a ser ensinadas em sala de aula.
No caso da crítica musical: quantos jornalistas formados tem uma boa noção de história da música; das técnicas de composição; de interpretação; da importância de funções menos evidentes como a de um arranjador ???? Sinto, por experiência própria, que são pouquíssimos, infelizmente!
E por que não se instituir nos currículos universitários disciplinas específicas como requisito para a o exercício da profissão de crítico ou de "jornalista cultural"? Seria uma forma de elevar o nível, embora eu admita que isso não garanta a competência de ninguém (mas esse já é um outro problema, ainda mais amplo).

Lembro sempre das consequências do movimento punk. Reconheço e admiro a atidude do faça-você-mesmo que considero a maior contribuição do movimento; mas não vou aceitar nunca um desdobramento (equivocado) dessa postura: uma situação em que muitos profissionais se colocam contra o estudo musical e o aprimoramento técnico do profissional, chegando-se ao absurdo de afirmar (já ouvi isso) que é melhor o cara não estudar nunca!!
No mais, "assino embaixo" do seu texto!

Caçapa · Recife, PE 11/11/2006 17:00
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Dolores
Passadas estas 25h seu texto será submetido a voto e precisa receber vinte votos nas próximas 48 h para deixar a fila de votação e ser incorporado ao patrimonio comum dos textos do overmundo. Mas não se preocupe que ele sai rapidinho.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 11/11/2006 17:07
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Caçapa
 

Onde eu escrevi "o aprimoramento técnico do profissional", leia-se apenas "o aprimoramento técnico". Desculpem o erro..

Caçapa · Recife, PE 11/11/2006 17:30
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dj-dolores
 

ainda não entendi ...
o comentário do caçapa não seria mais adequado a um texto já publicado?
quero dizer, ele desenvolveu questões que vão alem do meu texto, temas que gerariam uma bom debatae do coletivo ...
qual extamente seria o papel da edição?

corrigir erros de ortografia, sugerir objetividade, cortar argumentos sem consistência, adicionar informações, barrar preconceitos ...
acho que seria mais por aí.
de qualquer modo, caçapa, minha posição sobre o diploma - apenas um detalhe do texto - é que, sendo obrigatório, o torna um gatilho anti democrático já que se expressar através de palavras não mata ninguem.
uma analogia rápida: quem tem que ter diploma é o engenheiro, responsável pela segurança de uma obra e não o arquiteto que tem mais que "viajar" na criação ...
obrigar as pessoas a se submeterem a faculdades de jornalismo - nem sempre sérias - é errado pois com um curso técnico de redação e reportagem tudo estaria resolvido, sem tanto investimento financeiro, sem a farsa do diploma universitário.

a universidade tem que ser um espaço de aprofundamento, é o que acho.

dj-dolores · Propriá, SE 11/11/2006 22:29
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Caçapa
 

Dolores:
Sou quase tão novo quanto você no Overmundo. Acho que você tem razão: meu comentário talvez devesse ser feito apenas com o texto já publicado. De qualquer modo, os nossos comentários irão continuar acompanhando o seu texto, mesmo quando ele estiver sendo votado e publicado. Estamos todos aprendendo a usar o Overmundo, não?
Sobre a nossa divergência sobre a necessidade de um curso universitário: realmente é uma questão que merece uma discussão mais ampla, mas acho que vale a pena dizer aqui que, para mim, um jornalista, ou um artista, podem não matar ninguém, mas são tão responsáveis pelo equilíbrio social quanto um engenheiro.
E como eu já havia dito, seu texto está ótimo!! Parabéns.

Caçapa · Recife, PE 11/11/2006 22:45
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Dolores:
Temos uma identidade perfeita de opinião quanto a isto. Parece que o Caçapa, bem na hora do click consegue desfocar o problema. Não se trata de desqualificar o ensino universitário ou qualquer ensino trata-se de desqualificar a exigência de um diploma para quem trabalha com a veiculação de pensamentos e conceitos. A existência, ou não, de faculdades de jornalismo é uma outra discussão.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 11/11/2006 22:47
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Caçapa
 

Caro Joca:
Sou músico e não tenho diploma! E não me sinto menos músico por isso!!
O que quero dizer é: não é o diploma (o documento de papel) e a burocracia que importam, mas o aprimoramento do espaço universitário promovendo a troca de experiências tão importante e útil para se elevar o nível do jornalismo cultural. E que esse nível precisa melhorar nós estamos de acordo! Ou não?
Eu acredito, sim, que essa questão tem completa relação com o que o Dolores colocou: são desdobramentos, e, sinceramente, não creio que deixar de exigir diploma vai resolver problema algum.

Caçapa · Recife, PE 12/11/2006 00:09
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Caçapa:
Há uma distorção grave no seu raciocinio. Ninguém disse que exigir a não exigêrncia de diploma é uma solução para nada. O que se está dizendo claramente é que:
1 A criação e proliferação de cursos de jornalismo não melhorou a qualidade dos jornalistas. E que a exigêcia do diploma é o recdonhecimento disto pois, já que o diploma não confere maior competência ao profissional então vamos restringir aos diplomados o mercado.
2 Então, Caçapa, não se trata de resolver problema algum, apenas de entender que o único critério para contratar um jornalista, mormente um jornalista especializado em cultura deveria ser a sua competência enquanto tal.
A solução dos problemas passa longe do aprimoramento das escolas de comunicação pura e simplesmente. Trata-se de revolucionar a política educacional como um todo desde a pré escola até a universidade, e se a gente for ver bem é possível até questionar a necessidade das escolas de comunicação enquanto tais. Mas isto é uma outra história, um desdobramento que, repito, não cabe aqui discutir.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 12/11/2006 00:54
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

QAuanto ao momento apropriado para comentários, Dolores, não há censura o que faz com que a gente não precise necessariamente respeitar a sala onde o texto se encontra.
Beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 12/11/2006 01:04
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Caçapa
 

Caro Joca:
Concordamos e discordamos....
Eu acredito que distorção grave é a sua agressividade.
Paciência, meu amigo!!

Caçapa · Recife, PE 12/11/2006 01:22
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Caçapa:
Me desculpe, mas não entendi. Não fui agressivo em nenhum momento. Mas, se você assim interpretou, é como você diz, paciência!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
PS mas não pense que não fico chateado por ser tão mal interpretado. ""Distorção no raciocínio" é alguma acusação agressiva? Ou o problema está no adjetivo "grave"? Onde mais eu posso ter sido agressivo? Vou ter que dormir com este barulho... fazer o que?

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 12/11/2006 01:40
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André Dib
 

Dolores,

Às vezes, quando o assunto é bom demais, os comentários vem na edição mesmo... :-) vamos lá.

Mesmo com todo o rebuliço causado desde quando este texto saiu no Diário (2005), supus que ele não tinha um alvo específico, a não ser este comportamento muitas vezes encontrado nas redações.

Não sei. Cada caso é um caso, né? Lembro-me do choque que foi ler a celebração que a Bizz promoveu para a chegada do Zooropa, do U2, enquanto eu achava o disco uma merda. Depois mudei de idéia, e hoje acho um dos melhores discos da banda. Ou então quando vi o Let It Be na lista dos piores discos da história.

Mesmo assim, não creio que o crítico precisa de crítica. É melhor amá-los quando traduzem a obra quase como poesia, é melhor aceitar quando ele desmistifica com propriedade. Quanto aos achistas, é só identificar e não dar bola. Por estes últimos, entre outros motivos, sou contra a obrigatoriedade desta hipócrita reserva de mercado, o diploma pra jornalista (e olha que acabei de pegar o meu).

Ah sim, a minha sugestão de edição é: que tal mexer no texto, já que aqui você tem mais espaço do que as vinte linhas do papel-jornal? Senti que, por exemplo, o parágrafo do "achismo" poderia ser mais desenvolvido.

Outra sugestão: o que acha de republicar outras colunas tão boas quanto esta, e que não merecem ficar apenas no arquivo?

Um abraço, e bem vindo à Overmundosfera...!

André Dib · Recife, PE 12/11/2006 07:33
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André Dib
 

Helena, obrigado pela defesa dos repórteres de jornal. O caso que você usou de exemplo é a coisa mais normal que acontece lá. Por estes, e outros motivos, é que jornalismo diário é máquina de fazer doido!

André Dib · Recife, PE 12/11/2006 07:37
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dj-dolores
 

andré,
é difícil não dar bola aos "achistas" pq o efeito de uma opinião publicada num grande meio impresso pode ser devastador.

vou acrescentar mais uma explicação sobre o próprio texto de modo que vc vai entender sobre o que estou falando...

olha, eu não sou contra jornalistas e seria capaz de citar rapidinho, de cabeça, os nomes de uma dúzia de pessoas sérias e comprometidas com sua profissão. gente curiosa que gasta tempo para ver o mundo e trazê-lo aos seus leitores.

mas tbm, de cabeça, penso numas três duzias de nomes que simplesmente empurram com a barriga sua função.
mas aí ñ precissa citar... sabe, não é mau caratismo, nem sempre é presunção nem soberba... são coisas simples e humanas como preguiça, preconceito e obscurantismo, males para os quais não inventaram vacina.

dj-dolores · Propriá, SE 12/11/2006 12:59
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Bruno Nogueira
 

eita, massa que vc tá participando, Dolores.

Fiquei curioso em saber se me encaixo no que foi dito no texto :P

Bruno Nogueira · Recife, PE 12/11/2006 15:04
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dj-dolores
 

sou juiza não, bruno!
só um provocador .....

dj-dolores · Propriá, SE 12/11/2006 15:33
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dj-dolores
 

humm,
alguém entrou no meu perfil e alterou a imagem e o texto de apresentação ...
alguém do suporte do overmundo: como evitar que isso aconteça?

dj-dolores · Propriá, SE 12/11/2006 15:37
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Caçapa
 

Recomendo a todos a leitura de dois textos muito lúcidos e interessantes sobre o assunto: "ACERCA DE"escrito por Roberto Maxwell (e já recomendado aqui pelo próprio) e "A VELHA DECADÊNCIA DA CRÍTICA MUSICAL" escrito por Carlos Gomes.

Caçapa · Recife, PE 12/11/2006 18:23
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Marcelo Torca
 

Fiquei impressionado quando uma jornalista lhe disse: "eu sou jornalista e não preciso pesquisar sobre o que escrevo". Então como poderá escrever, sem saber do que se trata? Isso é complicado. Ainda mais, como no começo deste texto, há uma real influência do que se escreve para quem lê, é onde a próprio leitor vai conhecer determindo assunto ou tema, o que faz de quem escreve, não somente jornalistas, mas escritores, compositores, quem tem acesso a mídia(internet), precisa ter noção da responsabilidade que é escrever sobre algum tema.
Esse texto é muito bom para debater sobre as responsabilidades da Mídia, e sempre.

Marcelo Torca · Paulicéia, SP 12/11/2006 21:15
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Fábio Fernandes
 

Nem sei se acrescentar alguma coisa a essa altura do campeonato é pertinente, mas pego o primeiro comentário, da Helena, e assino embaixo. Sou jornalista diplomado, mas comecei antes mesmo da faculdade (trabalhei no PASQUIM em 1985/1986, finzinho da sua primeira, longa e nem sempre áurea fase, e escrevia para zines). Sempre fui da área cultural, mas no final do milênio acabei cobrindo por um tempo a área de tecnologia, o que me levou também, meio no susto, a economia e finanças.
Não discuto diploma, porque todos os meus grandes ídolos do jornalismo não cursaram faculdade de Comunicação e não tinham diploma, portanto (como Claudio Abramo, por exemplo), mas não sou contra porque na minha época tinha que ter diploma e pronto (no PASQUIM não, claro, mas ele sempre foi exceção). Mas ocorre no jornalismo (e mais particularmente de uns 10 anos pra cá) um fenômeno muito bizarro: estudantes que entram na faculdade achando que não precisam de conhecimentos gerais para serem bons profissionais. Daí acontecer essa grave distorção, essa coisa horrível que é um jornalista chegar para um entrevistado e não ter postura, não fazer seu "dever de casa" (tem que fazer mesmo, tem que pesquisar no Google e no cacete a quatro) e se achar mais realista que o rei, ou seja, achar que é mais poderoso que o entrevistado. Em jornalismo (tanto na faculdade quanto na prática) se aprendi bem uma coisa foi exatamente isso: o fato inconteste de que o bom jornalista precisa, antes de tudo, ser uma pessoa muito bem informada. Sobre o quanto puder, o mais que puder. E se não gostar de ler e de se informar, desculpem: não é jornalista, mesmo que tenha diploma.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 12/11/2006 23:15
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Helena Aragão
 

Meu primeiro comentário foi mais uma tentativa de trazer um elemento novo para engrossar o caldo da conversa do que uma "defesa dos jornalistas". Citei aquele exemplo para tentar mostrar que a coisa pode ser complexa na estrutura do jornal, mas a verdade é que há quem se submeta e se "acostume" com essas coisas, infelizmente (ou vá além, como a menina que disse que não precisa saber de tudo). O componente de revolta e de tentativa de mudança dessa situação sempre esteve presente em jornalistas que eu admirava dentro da redação.
Dolores, vi que você incluiu um parágrafo no fim que diz respeito às assessorias. Esse é outro ponto fundamental na discussão, que mostra que você está por dentro das mazelas nas redações. A vida de repórter de cultura no jornal - pelo que vivi - é dividir o tempo entre escrever matérias e atender ligações de mil assessores. Sair na rua, buscar pautas pelo que se vê e não pelo que é filtrado e oferecido é cada vez mais raro. Mas te garanto que boa parte dos jornalistas se incomoda com isso. E vive discutindo sobre maneiras de sair desse círculo vicioso... Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 13/11/2006 09:08
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dj-dolores
 

oi, cleo,
claro que sim.
fortaleza sempre rendeu grandes festas, muita diversão e conversa boa com os amigos ...

dj-dolores · Propriá, SE 13/11/2006 15:17
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Caçapa
 

Uma correção: o texto de Roberto Maxwell foi alterado (ou corrigido) e chama-se ACERCA DA CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA.

Caçapa · Recife, PE 13/11/2006 15:45
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Makely Ka
 

Dolores, recentemente aconteceu aqui em BH um evento onde foram convidados para uma mesa de debate os editores de cultura dos quatro principais jornais de circulação diária. Fomos pra lá armados e prontos pra manifestar toda nossa indignação encostando os caras na parede. Compareceram dois. Os pontos nevrálgicos eram: porque dar mais espaço pra grupos vinculados ao grande mercado e/ou pras bandas gringas do que pros independentes locais? porque publicar releases indiscriminadamente? porque não há mais críticas, principalmente pós-show? Pra primeira pergunta sabíamos de antemão uma parte da resposta, afinal não temos a mesma organização estrutural das majors, nossa assessoria de imprensa não tem o mesmo alcance, enfim, mas nada justifica a desproporção com que vemos grandes vendedores de disco ou bandas estouradas em Londres na última semana estampando capas sequênciais dos nossos jornais. Continuamos no ataque e nas questões seguintes constatamos que os editores dos cadernos de cultura tem uma percepção muito parecida com a nossa (pelo menos os que estavam lá), ou seja, acham que falta mais crítica sim, mais interesse, mais curiosidade dos repórteres (deles mesmos?). Por outro lado se ressentem melancolicamente (se justificando) da falta de importância que os cadernos culturais (e eles próprios) assumiram dentro das redações. Segundo disseram falta material humano. O comum é no final de semana o réporter de cultura fazer cobertura policial ou esportiva, ao invés de cobrir uma apresentação. Dos dez a doze jornalistas da área de cultura dentro de uma redação a duas décadas atrás sobraram três ou quatro. Claro que isso não justifica a publicação ipsis litteris de releases, mas dá pra entender um pouco a agonia desses profissionais que cada vez têm menos prestígio e poder de decisão no seu local de trabalho. (Será que essa perda de espaço é culpa exclusiva deles? Será que tem alguma coisa a ver com ou reflete o desinteresse pela cultura de uma forma geral?). Afinal, quem está afim de discutir arte e cultura?

Makely Ka · Belo Horizonte, MG 13/11/2006 16:24
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dj-dolores
 

rapaz, acho q hermano é melhor do que eu para teorizar sobre isso...
ou, quem sabe, alexandre mathias, cabra sério e bem informado, tão sujeito as pressões do dia a dia como qualquer outro mas mais eficiente em sua opção que a maioria.

eu, que trabalho mais no exterior que no brasil, conheço gringos que sabem TUDO sobre música brasileira, melhor que nós.

esse conhecimento é fruto de dedicação, de tempo e pesquisa, talvez da própria cultura européia que tem políticas públicas muito mais esclarecidas do que o que nos oferecem no brasil.
as rádios estatais são incríveis em alguns países, com estrutura que permite aos caras viajarem, consumirem, levar gente para seus shows ... a visão de cultura enquanto bem público, enquanto algo que vale e vai além do que o que se paga por um cd é fundamental, penso eu.

mais uma historinha: em 1997 lançamos um disco que se chamava “enjaulado”. pra grande parte da cena (eddie, faces do subúrbio, otto, stela campos e eu também) era a primeira vez num cd e reunia muita gente da tal cena “efervescente” do recife, portanto um disco histórico mesmo que meio tosco. com exceção de mim, completo estreante, todas as bandas já tinham seu público. sabe o que aconteceu? mereceu algumas linhas numa coluna tímida enquanto na mesma edição a grande matéria era sobre uma das spice girls que tinha se desligado do grupo e estava no rio bancando hospedagem e transporte para jornalista de todo o brasil participarem de sua coletiva.

para isso eu tenho um nome: deslumbramento, palavra que combina com cegueira.
mesmo pensando em termos de consumo de público era evidente que os leitores se interessavam mais por aquele disco do que pela tal carreira solo da ex-spice girl que rapidamente despontou para o anonimato ...

dj-dolores · Propriá, SE 13/11/2006 17:13
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toinho.castro
 

minha discografia foi construída em meio à textos maravilhosos de pessoas que amavam música. outro dia mesmo isso aconteceu via arthur dapieve, que me trouxe, num dos seus textos recentes, "susanna and the magical orchestra".

toinho.castro · Rio de Janeiro, RJ 14/11/2006 12:38
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dMart
 

legal o artigo, Dolores.

citando Alan Moore: "Who Watches the Watchmen?"

eu trabalho numa redação de televisão (num programa de cultura da TVErs) e vejo dois viéses (não exatamente em relação aos "críticos" mas à forma de contato entre artistas e jornalistas).

um. sim. existe um ciclo vicioso entre jornalistas e assessorias de imprensa (ou melhor, os ditos "formadores de opinião", porque, muitas vezes, os profissionais migram de um veículo para outro). é nocivo pois os canais tornam-se sempre os mesmos mas, em certas ocasiões, são "a salvação da lavoura" na necessidade diária de veicular conteúdo. mas, pelo menos aqui, não são o único canal e abrimos espaço para todo o tipo de evento e artista.

dois. por parte dos artistas, há uma dificuldade neste diálogo com a imprensa. muitas vezes, não enviam o material (por achar que não terão espaço) ou, se mandam, não fazem um material decente (pelo menos, o bê-a-bá: um texto com todas informações de serviço do evento que estão realizando e tal).

mas o assunto é fértil. e não se estanca por aqui.

baita abraço!

dMart · Porto Alegre, RS 14/11/2006 12:52
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dMart
 

ah... mas não há desculpa para a falta de preparo e o "salto alto" desta menina citada aí no artigo.

dMart · Porto Alegre, RS 14/11/2006 12:54
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Guilherme Mattoso
 

isso é o que mais acontece nas redações: os releases mastigados são editados quase na íntegra pelos cadernos de cultura. aqui em niterói, os artistas independentes que conseguem se organizar melhor (e tem um trabalho de assessoria) sofrem pra conseguir destaque nos jornais (em sua maioria jornalecos de bairro recheados de jabá e publicidade).

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 14/11/2006 14:35
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toinho.castro
 

como já comentei num artigo irmão desse aqui no overmundo, acho que a crítica não pode ser um monopólio dos jornalistas e que mais pessoas devem participar desse processo para torná-lo mais rico. quero jornalistas criticando filmes, mas também filósofos, professores... acho que cada vez mais a crítica perdeu seus fndamentos para tornar-se a emissão de uma opinião muito pessoal, que não deixa de ser válida, mas que precisa ser caracterizada, de maneira clara, como tal. não como crítica.

toinho.castro · Rio de Janeiro, RJ 14/11/2006 14:59
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Toinho:
Vc está coberto de razão!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 14/11/2006 15:02
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dj-dolores
 

humm
eu tenho a impressão q o jornalismo cultural cada vez mais se torna uma simples ferramenta de publicidade, quero dizer que acaba servindo aos propósitos de quem vende e não de quem consume

sim, o título foi surrupiado do alan moore

dj-dolores · Propriá, SE 14/11/2006 15:26
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toinho.castro
 

certamente. e não há nada de muito estranho nisso.
há um grande comprometimento comercial entre jornais e estúdios e demais corporações. estão entre amigos.
sobre cinema só leio nos jornais o horário dos filmes... acho que em publicações como o overmundo é que conseguiremos o diálogo necessário para se construir uma crítica. uma crítica que passa a ter, sobretudo, auto-crítica.

toinho.castro · Rio de Janeiro, RJ 14/11/2006 16:04
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Caçapa
 

Toinho: concordo com você! A crítica (reflexão e não apenas julgamento) deve ser exercida por outros agentes da cultura além dos jornalistas.
O Overmundo abre essa possibilidade, e não precisamos de diploma para usufruir das possibilidades deste espaço.

Caçapa · Recife, PE 14/11/2006 16:10
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toinho.castro
 

caríssimo dolores... pois que nos conhecemos.
não sei se lembras mas eu sou toinho, amigo de kleber mendonça... lá de recife.
bom te encontrar por aqui.

toinho.castro · Rio de Janeiro, RJ 14/11/2006 16:43
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Claudiocareca
 

Excelente a discussão especialmente pra mim que sou recem formado em jornalismo e trabalho com cultura e vivo disso. Sempre questionei a necessidade de um diploma de jornalismo para se fazer critica mesmo pq ninguém melhor q um músico para avaliar os caminhos de outro músico. Sensibilidade e respeito às múltiplas manifestações é algo que toda família devia ensinar e que na faculdade e no trabalho deveríamos apenas colocar em prática.
Na escola da comunicação aprendemos(nem todos) a explodir os preconceitos e isso é fundamental para se fazer uma critica.
Contudo, o problema da falta de RH, do descaso nas redações com a cultura e o problema dos releases enlatados ready-made é sentido em todo o país, e eu que achava q aqui era o fim do mundo por isso. kkkkkk
Q bom poder discutir e aprender com tudo o que vem sendo falado por aqui.
Parabéns Dolores e a todo o pessoal aí de cima que brilhantemente avança com bem falou o Dolores, vai além do próprio conteúdo do txt.
Abraços pantaneiros,
Claudio

Claudiocareca · Cuiabá, MT 14/11/2006 18:49
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Rodrigo Teixeira
 

Dolores, na verdade, crítica musical em vários pontos do país é algo que não ocorre. Aqui em Campo Grande, por exemplo, não existe esta figura e nem um veículo que dê espaço para isso. Então no Brasil vivemos sempre dois mundos: o mais avançado e o atrasado em compassos acelerados. Não existe crítica de shows, resenhas de discos, livros... e o sitema 'control c' 'control v' é amplamente usado. isso sim uma epidemia naciaonal! entaum lanço a pergunta: 'existe crítica musical em sua cidade?' vamos escutar o brasil! abs rodtex

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 15/11/2006 13:50
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Hermano Vianna
 

a conversa está interessantíssima, e toca em muitos temas que nos levaram a colocar o Overmundo no ar - tenho encontrado também cada vez mais jornalistas insatisfeitos com essa situação, também procurando saídas nas suas redações

tenho muita coisa a dizer sobre o assunto - mas é melhor escrever com calma, produzindo um outro texto - quando publicar no Overmundo, volto aqui para colocar um aviso nos comentários

mas gostei da sugestão do Rodrigo: para criarmos aqui um panorama da situação do jornalismo cultural pelo Brasil afora: na sua cidade há quantos jornais e quantas revistas? quais deles publicam artigos/críticas sobre cultura? quantos publicam conteúdo local e não apenas material comprado de agências nacionais? quais os melhores locais para encontrarmos notícias sobre as cenas culturais locais?

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 15/11/2006 22:15
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Hermano Vianna
 

outra pergunta: cada um desses jornais/revistas emprega quantos jornalistas que se dedicam exclusivamente para a cultura?

o legal era começar apenas com a imprensa "de papel" - depois poderemos ver como anda a situação na internet

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 15/11/2006 22:21
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cleo do vale
 

hermano e rodrigo, vcs agora me pegaram e tenho certeza que pegaram muitas pessoas...boa ideia, vou correr atraz das respostas para essas perguntas...espero que outras pessoas façam o mesmo!!!

cleo do vale · Crato, CE 16/11/2006 18:00
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Jr. Black
 

Algo parecido aconteceu conosco em certa capital nordestina: após o show, um jornalista de um determinado site veio nos entrevistar, e logo começou com a lenga-lenga do "mangue", dizendo que as bandas de Pernambuco eram rapidamente reconhecidas pelo uso do tambor e talz... :P
Isso aconteceu ainda este ano.
Alea jacta est.

Jr. Black · Garanhuns, PE 16/11/2006 20:34
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Fernando Júnior
 

É uma discussão que está longe de encontrar o seu fim. As escolas de jornalismo apenas fazem o ensino das técnicas. Porém, a grade curricular é extremamente deficitária em transmitir conhecimento humano e, por isso, os jornalistas acabam se transformando em puros reprodutores da técnica jornalística e se achando superiores e "acima da realidade" por tal qualidade...
Enquanto os jornalistas continuarem sendo formados em um misto de ceticismo e vaidade, a situação deve continuar a mesma.

Fernando Júnior · Aracaju, SE 20/11/2006 13:32
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