Dançando para não dançar leva cultura para lares e palcos
Para 450 crianças de onze comunidades no Rio de Janeiro, dançar afasta do mau caminho. Essa é sem dúvida a maior conquista do Projeto Dançando para não Dançar, patrocinado pela Petrobras. Criado em 1995, com o intuito de “resgatar a criança através da música e da dança, levar cidadania”. O professor Paulo Rodrigues (51 anos) explica o outro resultado positivo “Dá tão certo que formou vários talentos e os encaminhou para grupos profissionais”. Ele sabe muito bem do que está falando, afinal, além de professor do Dançando é um dos poucos membros de um seleto time: o dos Primeiros Bailarinos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Somente alguns dançarinos detêm este cobiçado título.
Recentemente foi criada a Companhia Dançando para não Dançar e já em junho deste ano houve a primeira apresentação, em Brasília. A temporada continuou com apresentações pelo estado do Rio: Largo da Carioca, Teatro Municipal de Niterói e de Rio das Ostras, São Cristóvão, Paraty e Macaé; além de Bahia e São Paulo. O espetáculo de uma hora encerra a temporada nos dias 15 e 16 de novembro, no teatro João Caetano. Com a criação desta companhia de 20 membros foi possível resolver um grande problema no mundo da dança: a falta de mercado de trabalho. Segundo o professor Rodrigues, “sem a companhia vários talentos do grupo se voltariam para outras profissões por falta de mercado de trabalho. Com a Companhia podemos absorver os maiores talentos do projeto”.
Dançando com sucesso
O sucesso de Francisca José de Soares (20 anos) é um modelo para toda criança interessada em dançar profissionalmente. “Eu sempre gostei de dança, mas a partir do Dançando minha vida toda mudou” contou a bailarina enquanto fazia alongamentos de balé para uma aula que estava prestes a começar.
Essa bela história começou quando ela tinha apenas nove anos. Levada pela mãe para o projeto recém criado Dançando para não Dançar, na comunidade do Cantagalo, Francisca José começou a ter aulas de dança. Em apenas seis meses entrou para a escola estadual de dança Maria Eneleva, onde estudou por três anos. Passado este tempo a jovem bailarina conseguiu uma bolsa para estudar na Staatlische Ballett Schuele Berlin, na Alemanha. Foram três anos estudando Balé Clássico e alemão.
Atualmente, Francisca trabalha como monitora do projeto Dançando e dançarina na companhia de mesmo nome. Além disso, está cursando uma faculdade de dança. “Nunca pensei que eu fosse fazer universidade, achei que a dança seria um hobby” revelou com um sorriso de orgulho. O fato de ter vindo de uma família pobre não atrapalhou em nada sua carreira. Ao contrário, talvez tenha ajudado. É o que explica o professor Rodrigues: “As crianças mais pobres têm empenho, não faltam, repetem os exercícios. Talvez seja pela vida difícil. Já os ricos não têm garra ou gana”.
Mesmo quem não segue a dança como profissão fica beneficiado por participar do projeto Dançando para não Dançar. Além das aulas de dança, os alunos têm aulas de inglês e alemão e apoio de psicólogo, nutricionista, médico, dentista, fonoaudiólogo e assistente social. Tudo isso para levar cidadania a crianças necessitadas. Para quem não entendeu fica a explicação de Francisca José: “Dançando na arte para não dançar no mundo da marginalidade, das drogas, e do crime”.
muito legao a divulga;ao de um projeto que esta dando certo.
Mas temos que sermos realista , no meio de quantas criancas uma e escolhida!
a dificuldade nao esta somente na cor, na pobreza, esta no mundo... esta dentro de cada um de nos.
Mas fico bastante feliz que pelomenos uma crianca tenha sucesso nessa carreira de artista.
Renata, obrigado pelo comentário. Eu mostrei o sucesso de uma criança. Entretanto acho que o melhor destes programas é o desenvolvimento da alto-estima. Eu mesmo fiz muitos anos de teatro e isso me ajudou a ser quem eu sou. Além de mais feliz!
Abraço
Bruno,
legal. Muito bem pensado em divulgar. Acho mesmo que este tipo de ação deveria está presente para cada grupo de mil moradores. As casas não tem mais quintais. Nas ruas não sobra tempo vago pela passagem de carros. As praças estão cercadas e cercadas. Os espaços vazios .........
um abraço, andre.
Ótimo!!
Dançar para não "dançar"!!
Possibilidade de localizar e investir em talentos tantas vezes perdidos e distante das vistas do mundo!!
Parabéns!!
Bruno,
Estou muito satisfeito em encontrar matéria sobre o "dançando para não dançar" que é uma das iniciativas que tomo como referência quando cito exemplos bem sucedidos de ações de arte-cidadania que deram/dão certo. Entretanto, acho que pode ser escrito mais, como por exemplo: As origens do projeto; idéias e experiências que nortearam o principio, as dificuldades; o diálogo com o estado, escola, familia, empresas; outros caso de sucesso dentro do projeto; a metodologia; os intercâmbios etc...
Por coincidência fiz a citação do projeto em um comentário que fiz há poucos minutos a propósito do poema "contradança" de Rubenio Marcelo e recentemente publiquei um texto no overmundo, intitulado A dança da vida e que trata sobre aspectos semelhantes ao que você apresenta aqui no texto.
Abraço,
André, Xuca e zezito:
Agradeço os elogios. A divulgação desse tipo de empreendimento é inspiração para o mundo todo. Afinal, arte é essencial para uma sociedade verdadeiramente humana.
Abs
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