QUEM INVENTOU O... "GOLZINHO" ?

registro do "golzinho" na praia de Copacabana, Posto 3, em 1982/RJ.
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"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA
20/9/2007 · 120 · 8
 


Até prova (real e convincente) em contrário, foi o repórter que vos fala que inventou o... "golzinho", minitraves, golito ou "gol de plaquinha", como dizem lá nos pampas.
A afirmação no título admite contestações, embora reportagem na TV GLOBO por volta de 1996/97 informasse sobre a existência de "peladeiros" nas areias do Leblon que começaram a usar "minitraves" no início dos anos 80. Posso garantir que nosso "Golzinho" foi criado logo após eu servir o Exército, no azíago ano de 1976.
Aliás, o serviço militar (?!) daquela época daria um interessante e inacreditável artigo neste megaportal OVERMUNDO, não fosse o Brasil ainda hoje uma "democracia cubana", onde só os poderosos têm voz e vez.
Se eu contasse o que vi & vivi no quartel por quase dez meses o leitor teriauma pálida idéia do desperdício de tempo, juventude e dinheiro que era o "serviço" militar nos "anos de chumbo", durante o qual dei exatos TRÊS TIROS num alvo a 50 metros e aprendi... a "tomar banho" em menos de 3 minutos, debaixo de um cano d'água de 50 mm de boca e em meio a 91 outros paus e bundas ensaboados no "banheiro" de 5x8 metros de área.
"Peladas" sem goleiro nas praias do Rio usavam como "traves" 1) chinelos em pé sobre montinhos de areia; 2) copinhos de mate cheios de areia ou 3) simples embalagens de picolé sobre a areia. Resolvi inovar providenciando ripas com encaixe dentado que se quebraram com poucas boladas. Substituí então pelos canos de PVC apenas encaixados. Continuaram a soltarem-se com as boladas. Usar cola não era a solução! Daí, surgiu a idéia de unir as junções com pregos (depois, parafusos) amarrados com fios.
Nos fins-de-semanae feriados descia eu o Morro (1) parecendo um encanador. Adiante, o futuro oficial da Marinha Armando, que morava no prédio em frente ao Posto 3, passou a guardar os 6 canos na garagem do edifício, na esquina da Rua Siqueira Campos com a Av. Atlântica.
O primeiro campeonato "oficial" de "Golzinho" também é criação minha, de fins de 1981 ou meados de 1982. Foi filmado por um japonês que passava pelo local e assistiu a discussão do severo juiz da peleja (eu, no caso) com o exaltado jogador do "Panelinha FC", o botafoguense roxo Antônio "Gordo". O atleta foi suspenso por 1 minuto -- até isso eu "inventei", que o Futsal moderno incorporaria -- e o time ficou com apenas 3 jogadores em campo. Naquele dia participou do torneio DARREN DUNCAN, um inglesinho de 10 anos natural de Hants e que passava férias no Rio. Jogava futebol muito bem o "pestinha" !
No jogo não havia laterais mas, curiosamente, havia escanteio e até pênalty. Finas linhas de nylon, saindo dos "pés" de cada trave delimitavam o campo e, quanto ao pênalty, um jogador imóvel se fazia de "goleiro", com a cobrança a 7 passos do gol e valendo rebatidas.
Metódico e organizado, registrei tudo do primeiro torneio, que teve 2 chaves com 3 times cada, menos a data exata. Ficaram apenas os têrmos "sábado/domingo". Quem foi o campeão? Também não sei! A final aconteceu entre os 2 times... da quadra de voleibol, para vergonha dos fanáticos por futebol.
Nosso grupo de amigos, embora pequeno, se "dividia" em atletas que só jogavam voleibol, no minúsculo grupo (a "Panelinha") que só queria saber de "peladas" e uma meia dúzia -- eu, entre êles -- que iniciava no volley e, após às 13 horas, ia para o "racha" na areia escaldante usando "meiões" de lã quase sempre. Quem não tinha, cavava buracos na areia e "aguardava" (?!) a bola se aproximar dele.
Para fins de registro histórico, fizeram parte do torneio o time juvenil do EC Juventus (organizado por Carlos Tetéo), 2 quadros do Lança FC no qual eu tinha amigos, o "Panelinha FC" e 2 quadros do nosso volley. O pessoal do Juventus, devido a compromissos, abandonou a semifinal pela metade e acabou eliminado por WO.
"Tempo bom que não volta mais...", cantava o comediante "Lilico", na mesma época. Restou disso tudo a SAUDADE sem fim dos amigos que lá deixei.
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Graças ao técnico "Augusto" -- seu nome real era outro! -- herói injustiçado e incompreendido que dedicava todas as horas vagas ao futebol infantil (de praia) tornei-me "treinador" sem entender "chongas" de futebol, táticas, posicionamento, etc.
Com o codinome de "GENERAL" (ou Celso, nome de batismo) eu mandava muito mas ninguém me obedecia em nada. Dirigi o mirim/infantil do EC Juventus, depois os garotos do Fôrça Jovem, adiante os do Lança FC por pouco tempo e voltei ao Juventus, já com o "Augusto" sendo espezinhado por "marmanjos" do temido time. Guardo carta ao presidente da época, sr. Alfredo, em 22/10/83, mostrando minha atuação junto ao time (30 camisas do Banco Econômico/torneios em outros bairros/incentivo para amistosos na praia, etc) e pedindo... "à Diretoria que procure controlar um grupo que tem nos ameaçado e agredido seguidamente (...)".Mas cartas não faltaram em minha trajetória "praieira", a primeira delas de 08/fev./1981 para ONZE boutiques do shopping Rio Sul, onde eu era fiscal de loja da Mesbla (com o salário de Cr$ 9.300,00) desde fins do ano anterior.
Em geral minhas cartas tinham um leve tom de estelionato, eu pedia "rios de dinheiro" para realizar meus projetos. No caso em pauta, eu sugeria a criação da "primeira quadra de voleibol FEMININO das praias cariocas", é claro que com as belas atendentes das lojas do Shopping e muito marketing adjacente. Eu só queria uma "ajuda" mensal para cuidar do material (rede/barraca/fitas, etc).
Foram, sem nenhum exagêro, centenas de cartas, boa parte manuscritas e eu passava horas nas empresas (após o expediente) datilografando-as. (OBS.: leia o artigo www.overmundo.com.br/banco/a-mulher-maravilha) Trago no meu arquivo carta sem data nem destinatário -- era para poder fazer cópias diversas -- na qual peço Cr$ 130 MIL cruzeiros para oficializar na FEPERJ - Fed. de Esportes de Praia do RJ três times, suponho que do Juventus.
O presidente da Federação era Jorge Emiliano, o famoso juiz "Margarida", gay assumido que "peitava" nas partidas os machões locais. (Comeu uma "maniçoba" aqui no Pará e morreu logo depois... a culinária daqui é "fogo"!) Como o endereço para contatos era o Jornal BALCÃO -- que merece um capítulo à parte -- onde entrei em março de 1982 (com registro em agosto na CTPS) fica fácil calcular o período da carta.
Em 01/março/1983 dirigi carta ao Depto de Marketing do Banco Econômico (sr. Petrúcio) pedindo patrocínio para material esportivo e mais a oficialização de 3 times na federação , Cr$ 350 MIL cruzeiros no total. Em 03/out./83 ofício a Cupim Minas Restaurante (espécie de "fastfood" recém-inaugurado em Copacabana) pedindo Cr$ 150 MIL para comprar 3 jogos de uniformes completos para os times de base do EC Juventus.
O texto mais interessante, de 22/set.83, mereceria uma reprodução total. Nele, eu dava parabéns ao dr. Hélio Andrade, da Bradesco-Atlântica Boavista de Seguros, pela realização da IV Maratona, no dia 2/julho, um sábado, 15 horas. Participei da Corrida, depois de jogar "pelada" por mais de duas horas na praia. Ainda assim fiz 28 quilômetros, tive febre e suores frios a noite toda, urinei sangue durante 3 dias e senti dores nas pernas por dez dias.
A carta continha 4 sugestões, todas referentes ao futebol de praia, e mais 3 sub-itens, um deles o "ANO-NÔVO BRADESCO". num palco desmontável próprio para shows musicais e... teatrais (?!), para ser utilizado todas as noites por dezenas de colégios da Zona Sul carioca.
No item 3, eu propunha um convênio com o time do "Bairro Peixoto" -- dirigido pelo humorista "Tião Macalé", da TV Globo -- para uso do campo deles na praia... d"para todo tipo de evento promocional, como por exemplo: a) jogos de voleibol, futebol de salão e basquete, que só exigirão a montagem de um tablado desmontável de madeira (de rápida construção) e pago pelos próprios times.
Quem diria... também fui eu que "inventei" as superquadras de praia atuais!*********************************************************************************************
AVISO AOS "NAVEGANTES" !
Antes que alguém conclua que fiquei rico com as tais cartas, declaro que só consegui mesmo as 30 camisas do Banco Econômico e mais 15 camisetas da UNIJOVEM para o infantil do EC JUVENTUS (vide foto ao lado).
A empresa me doou enorme barraca de praia com sua logomarca, mas não fui buscar e deixei a critério da Diretoria do Juventus fazê-lo, pois eu estava de viagem marcada para Belém e também muito aborrecido com acontecimentos anteriores junto aos rapazes do infanto-juvenil.

Ao que tudo indica, as fotos aqui expostas são todas de junho ou julho/1982, embora uma delas, revelada no laboratório da Kodak traga impressa a data de set.1982. É que eu revelava em laboratórios comuns, daí a cor vermelha de algumas fotos.

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Rynaldo Papoy
 

Nato, como vai? Difícil dizer quando começou o golzinho. Fazíamos golzinhos de pedras, quando eu era criança, nos anos 70.
Sobre o poema, compreendo o que você diz. Até mesmo eu acho que ele é meio de mau-gosto mesmo. ahahahah. Mas convido-o a ler os outros poemas. Tom já me conhece há uns dez anos ou mais.
Detalhe: não fui eu quem escolheu este poema para fazer parte da coletânea, mas a Leila Míccolis e Urhacy Faustino.
Abração!

Rynaldo Papoy · Guarulhos, SP 20/9/2007 01:14
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FILIPE MAMEDE
 

Nato, meu amigo, se foi você quem inventou o golzinho, não sei. Mas que jogar uma pelada com eles sempre foi uma maravilha. Quanto às tuas cartas, verdadeiro chistes...engraçadíssimas... Li teu texto com um sorriso nos lábios. Em se tratando de futebol, aproveite para fazer um convite. Só clicar aqui.

Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 20/9/2007 10:33
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RYNALDO, meu poeta suicida... te passo o bastão de inventor do golzinho sem o menor drama, desde que voce tenha FOTOS da época, porque testemunhas estão meio desacreditadas no Brasil moderno, vide o caso do Renan "Calhorda".
Mas o de inventor de CAMPEONATO de golzinho ninguém me tira, porque dessa modalidade fui certamente o primeiro, talvez o único.

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 20/9/2007 15:10
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Enfim, um fã declarado e satisfeito de meus escritos. Escrevo desde 1967, estes textos agora publicados têm entre 7 e 16 anos de "idade" e estavam na gaveta há séculos.
FILIPE, meu caro... vou já clicar e você tem razão: o golzinho é melhor do que futebol de salão, que é extenuante jogado sob muita pressão. No golzinho ainda há espaço para a descontração e o lazer, porque todos sabem que FAZER GOL É QUASE IMPOSSÍVEL!
Aguarde um texto um tanto ou quanto hilário... entra hoje ainda!
AQUELA... "VACABUNDA" !

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 20/9/2007 15:16
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baduh
 

Nato.
Gostei muito do texto! E como você consegue lembrar-se de cifras, nomes, coisas que geralmente são esquecidas! Divertidíssimo texto.
Carioca cinquentão que sou, ao lê-lo mencionar o Tião Macalé (futebolista fanáticos), me lembrei de duas situações que presenciei, nas areias de Copacabana...
- Tião apitava o jogo. Juiz. Passou uma dona boa e ele ficou olhando... acabou indo atrás! Daí a uns dez minutos, volta e pergunta: "Tá quanto o jogo?"...
- Tião estava de técnico. Rigorosíssimo. O goleiro engoliu um frango... Tião, putíssimo da vida, se vira para um turista argentino gordo - que estava sentado, assistindo à partida, e diz: "Quer agarrar no gol?" hahahahahaahah
Ótimas lembranças, texto de profissional dos bons!
Votado!
Grande abraço,
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 20/9/2007 16:39
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C.fishing
 

oi nato...brigado pelo recado,
conto com sua sim!
ai está o meu voto!
gostei...
beijos no ♥;♥;

C.fishing · Mesquita, RJ 20/9/2007 17:45
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baduh
 

... E que fotos preciosas! Valeu, Nato! Meu deu muita saudade....

baduh · Rio de Janeiro, RJ 20/9/2007 18:01
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Rynaldo Papoy
 

Nato, nem fui eu quem inventou o golzinho. Quando cheguei no Jardim Aliança, São Paulo, já era tradição dizem que desde os tempos das tribos indígenas que haviam no local e faziam golzinhos com crânios humanos.

Rynaldo Papoy · Guarulhos, SP 20/9/2007 18:17
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Aspectos do "golzinho", no Posto 3. Uma das fotos traz a data de 01/98/1982

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