(Na foto acima, DJ Patife, que tocou na tenda “Marky & Friends”: drum´n´bass em crise?)
O texto que segue depois deste longo parágrafo era para ter sido publicado em tempo real, logo depois do término do Skol Beats, que rolou em São Paulo dia 13 de maio. Escrevi o trecho que segue em negrito abaixo assim que voltei da balada, já com o dia claro, por volta das 7 da manhã do domingo, Dia das Mães, quando alguns atentados do PCC já rolavam e poucos tinham a dimensão do perigo naquele momento.
Por "n" motivos não consegui postá-lo antes, o que foi até bom para eu refletir um pouco mais sobre o evento. Não mexi no conteúdo do trecho original, mas acrescentei outras reflexões numa espécie de nota de roda-pé*. Espero que vocês se divirtam assim eu me diverti fazendo isso. Eis:
Acabo de chegar do Skol Beats no hotel onde estou hospedado, ao lado do Sambódromo do Anhembi. Subi até o quarto, mas as batidas ainda ecoam vindas das tendas. O frio é cortante, o cansaço, irritante. Só deu tempo de tirar os sapatos, porque haja pés e pernas para agüentar essa maratona a que qualquer atleta se renderia. Resolvi fazer esse texto para o Overmundo, na urgência, na correria. Um relógio aqui me avisa que em 24 minutos minha senha expira e posso nem conseguir enviá-lo.
São 7h49 da manhã. Cheguei aqui ontem, às duas da tarde, vindo de Bauru e não foi possível parar antes, mesmo com as pedras das tendas chutando os pés, mesmo com a falta de um assento - ou de um "chill out" como costumam dizer - e mesmo com o frio, frio mesmo, daqueles paulistanos, não foi possível parar. Ora pelo ofício, ora pelo lazer (ou será que, nesse caso, os dois são um só?).
Agora, faltam 14 minutos e meus pés latejam. Corpos e mais corpos estendidos pelo caminho à espera de uma pneumonia. Comprei uma toca para não entrar na lista. Marky, novamente, inconteste. O drum'n'bass está em crise?
Prodigy, o inferno! A impressão é que todos (até os DJs das outras tendas) pararam para ir ver. Formigueiro humano. Ache um atalho para fugir. Os caos parece tomar conta, tudo sob descontrole.
Agora, faltam 7 minutos. Ainda tem gente lá, em pé, deitada, de ponta-cabeça. O dia amanheceu cinza, como mandam a marginal e o Tietê (que é bem diferente do Tietê lá das bandas do interior) aqui ao lado.
Cinco minutos. Encontrei o Patife junto com o Azambuja, vulgo Márcio Negri, um camarada de Bauru, saxofonista de primeira linha, que iria acompanhá-lo no show junto com Bocato e cia. Demais ver o Azambuja voando por aí. Quantas e quantas baladas com o Sindicato do Jazz, em Bauru. Agora, ferrou! Começou a piscar um relógio maior na tela. Faltam dois minutos, falta 1 e 57. Tenho que enviar. Espera!
*Nota de roda-pé:
Bem, o “Espera!” era eu falando comigo mesmo e com o computador, mas não teve jeito, a senha expirou mesmo antes que eu concluísse. Cubro o Skol Beats desde 2004 e este ano, ao entrevistar o produtor-mor da festa, Bazinho Ferraz, uma frase dele me fez refletir sobre o assunto. "Quando acaba o evento, já começamos a trabalhar para o ano seguinte. E o mais difícil é saber o que VAI SER tendência no ano que vem", disse ele explicando a escolha de atrações de cada edição.
Nesses três anos que acompanho o festival, ouço reclamações dos iniciados na música eletrônica dizendo que o festival não contempla todos os estilos (que aliás são incontáveis). A principal “rixa” que percebi – mas que aos poucos vem se desfazendo e as escalações deste ano ajudaram nisso – é entre os fãs de drum’n’bass e os de psytrance. Afinal, um evento que tem uma tenda para DJ Marky (papa do d’n’b) e amigos já mostra, nessa disputa, para que lado tende.
O estranho é que nos últimos anos ouço falar da crise do drum’n´bass, do fim do sucesso de Marky e cia. Mas sua tenda foi, novamente, das mais disputadas o tempo todo. Afinal, Marky é pop, não se trata mais de uma tendência e sim de um fato: está no topo.
Fico imaginando a dificuldade da produção para fazer a escalação das atrações a cada ano. Afinal, o que é tendência aqui no interior de São Paulo agora, muitas vezes, já passou pela capital. Por sua vez, o que é tendência agora na capital já passou pela Europa etc. Como então agradar quase 60 mil pessoas? Só mesmo com um leque gigantesco de atrações. Ainda assim há o risco de errar. Afinal, quem determina o que é uma tendência? Para mim, eu mesmo digo. E para você quem diz?
Fela, td jóia? O debate sobre tendências e a oposição entre underground x mainstream, acho q faziam sentido quando a cultura dominante ainda dominava. Nesse caos digital em q está imersa hoje a cultura do mundo, a tentativa de falar em tendência acaba tendo o mesmo efeito q usar algritmo p/ explicar uma escolha q é absolutamente pessoal e/ou comercial. abçs
andre stangl · São Paulo, SP 1/6/2006 21:51Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!