Segundo uma pesquisa publicada nos Cadernos de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 70% dos brasileiros nunca foram a um museu.
Eu podia terminar esse texto aqui, que já seria provocação suficiente.
Falam da Internet, mas poucos prestaram atenção de que estamos muito próximos de ter mais pessoas online no país (hoje são cerca de 25%), que visitantes de exposições de arte. Com a divertida diferença de que a maioria dos museus são instituições públicas e, portanto, cobram apenas valores simbólicos para o acesso. Ou seja, é mais barato ver um quadro que comprar um computador e fazer a assinatura de um provedor, mesmo do link mais fuleiro.
Vamos ser intuitivos na questão, algo que um instituto de pesquisa – por puro bom senso estatístico – jamais pode ser. Esses 30% certamente devem estar representados pelos próprios artistas plásticos, curadores, jornalistas dessa área, funcionários do museu e, por fim, o eventual turista que também procura esse tipo de atração em uma nova cidade. Em termos práticos, o número de brasileiros que visitam museus é muito menor que essa estatística.
De quem é a culpa? A curadora do Museu de Arte Moderna Aluíso Magalhães (Mamam), Cristiana Tejo, diz que a formação de público existe. “As escolas trazem crianças aqui todos os dias”. Ela aponta ainda o fato de que os pais, depois, não voltam com os filhos. O brasileiro gosta de por a culpa – com razão – na situação da educação do país. Mas, desta vez, a escola está fazendo sua parte como deve.
Também existe a interlocução. Os principais veículos de mídia do país têm um repórter específico para noticiar, articular e circular a produção de artes visuais e plásticas. A estatística do Ipea tira qualquer atmosfera de polêmica de que, sim, eles estão falando apenas para outros artistas e curadores. Mas existe esse papel, mesmo numa visão industrializada do processo da arte, com guias de obras e artistas sendo vendidos, por exemplo, pelo jornal Folha de S. Paulo.
Os museus são os maiores representantes hoje da noção equivocada de cultura como algo inatingível. A divertida imagem código-davinciana de que são lugares secretos, restritos e dignos de uma conspiração secular. Sem a sorte do cinema, seriam, talvez, os melhores representantes de um tedioso depósito de velharias. Durante duas semanas de conversas com produtores, curadores e jornalistas, essa imagem monolítica da “instituição museu” parece ser o principal fator contra a visita às exposições.
Dessas conversas, o mais delicado foi perceber um constante jogo da bomba, onde um passava a culpa para o próximo personagem da cadeia de circulação das artes plásticas. Pelo bem da paz, suprimi as aspas e as condensei nessas rápidas considerações. Incluo na salada, a contradição de – até o momento – o Overmundo ter cadastrado 980 obras de artes visuais. Todos somando mais de mil votos de “gostei”. Não temos visitantes, mas temos interessados.
Então você, que chegou até aqui, responde ai embaixo: por que você não vai para o museu?
Oi, Bruno. Só um retoque quase desnecessário: o Overmundo tem 980 obras marcadas com a tag "artes visuais", sim, é verdade. Mas não podemos deixar de considerar que os museus não são feitos de públicos apenas de artes visuais. Museus de Belas Artes e Pinacotecas são minoria e, embora sigam como museus de grande porte recebendo grande apoio do MinC, a política do Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan tem sido a de apoiar e fomentar o surgimento de museus locais, que elevem a carga de identificação entre o museu e a comunidade, daí o forte apoio que o Demu tem dado a casos exemplares como o do Museu da Maré.
Abraço.
Mas isso só reforça a contradição de que existe ainda mais interesse, e muito mais sendo feito =)
Bruno Nogueira · Recife, PE 2/7/2007 16:18
É. No fundo, eu acho válida a sua provocação, mas acho que ela precisa ser um pouco relativizada. A mesma pesquisa do Ipea que falava que 70% dos brasileiros nunca foram ao museu, afirmava também que 60% dos brasileiros nunca foram a um cinema.
Quando você diz que "Os museus são os maiores representantes hoje da noção equivocada de cultura como algo inatingível" esquece de averiguar a mudança em direção oposta e galopante que o MinC vem dando através da propagada Política Nacional de Museus, que, como eu disse, tem buscado favorecer essa aproximação entre o público e o museu.
Mas acho que a culpa do distanciamento não é apenas da imagem monolítica, como você diz, do museu como ferramenta das elites. Basta ver que um dos mais visitados museus (senão o mais visitado) do país é o Museu Imperial, em Petrópolis, entre outros motivos, pela pompa e luxuosidade da exposição que inclui o grande momento da Coroa do Imperador. A culpa é mais, a meu ver, da competição inglória com os patrocínios e a publicidade gerada por outros setores da cultura, como o cinema, a televisão etc. - note que esses patrocínios e essa publicidade não são só advindos da indústria nacional. O cinema hollywoodiano consegue atrair muito mais gente para a exibição de uma sessão de "Uma noite no museu" do que um museu de comunidade, fartamente voltado para o público popular. Por quê?
Mas a diferença é que um ingresso de cinema custa, em média, R$ 17. A grande maioria dos museus tem entrada gratuita. Essa é a provocação. O museu da lingua portuguesa, que coloquei na foto, é um exemplo de que mesmo quando é cobrado, é um por um preço muito mais acessível.
Bruno Nogueira · Recife, PE 3/7/2007 13:37
O que você prefere comprar: um blusa da Nike de R$40 que é a mesma que o Ronaldinho Gaúcho usa no comercial da tevê ou uma das Malharias Azevedo, de R$3, que é vendida na feira livre e você nunca ouviu falar? Vai do gosto, mas vai também do apelo.
E por "apelo" leia também "mídia".
Vale lembrar que as exposições do CCBB costumam ter bom público. As grandes exposições do Museu Nacional de Belas Artes (Rodin, por exemplo) tiveram filas de atravessar o quarteirão para visitar o espaço.
Mas uma exposição com bom público não invalida a estatística. É como dizer que todo mundo tem Internet porque todos seus amigos estão no msn.
Bruno Nogueira · Recife, PE 3/7/2007 14:21
Também, num pais em que se cobra ingresso - para fazer concurso público e ingresso para entrar no museu...?
- Mas é assim, vamos nos insurgir com as armas que temos,
Museu... provocacao foi feita, o 'jogo' ativado, a 'chamada' ta aih pra quem quer 'gingar'... a Vida.
Porque nao vou ao museu, mas vou ao cinema, e vice-versa? Eis a questao... To BR... to Be>..?!
A resposta, se resume em uma palavra, composta: EDUCACAO! pro povo!!
Museu... da pra Cezar o de... : ACM, Lula, FHC, Renan... Gugu, Xuxa, Faustao... Edir M... Garotinho... artista que compoe pra quem nao vai ao museu... etc.... = pois, todos, cobram ingre$$o.
*O que seria do "museu nacional" (patria amada!?) sem essas.. tb, pesquisa do Ipea, e outros "500" (?).
Iee... Viva a Historia camara!
Sarava!
Mes. jeronimo
www.myspace.com/mestrejeronimo
Não vou ao museu porque o Museu vem até mim. Pago o provedor de internet e ecnonomizo as passagens aéreas, as estadias em hotel e sei lá que mais eu teria que gastar para ir aos museus (e bibliotecas, não esqueçamos as bibliotecas) que amaria poder conhecer no mundo real: o Prado, o Louvre, a Biblioteca de NY, só para citar alguns exemplos.
Pude ir a Bahia somente 3 vezes na vida. Pena que não posso ir mais vezes, pelo alto custo. A visita ao forte compensa a viagem, que coisa maravilhosa. A Bahia é um museu vivo.
Graças a fotografia e a impressão em papel, pude ver a Mona Lisae outras obras de arte desde crianças. Essas obras nunca vieram para cá e nunca virão.
Viva a internet! Posso ler o acervo de documentos da Biblioteca de NY sem precisar ir até NY. Pude ver a linda exposição de Camile Claudel na Gare de Paris.
Tentei ir ver a exposição do Rodin em SP: IMPOSSÍVEL. A fila dava voltas no quarteirão em todos os dias. A mesma coisa na exposição de Picasso na OCA. Fui à essa mais recente Bienal, porque graças a organização tinha muitos dias e foi gratuita.
Por que não vamos aos Museus? Porque são longe, porque a cidade tem um trânsito caótico, porque a maioria dos museus apenas exibe acervo, porque precisamos ficar 14 horas por dia fora de casa para trabalhar 8 horas - as outras horas são desperdiçadas no péssimo transporte coletivo - e porque viajar é caro. Pena.
Ainda bem que as escolas cumprem sua função, porque as novas gerações precisam aprender o que são museus e como funcionam. E os museus precisam aprender que o mundo mudou muito nos últimos 40 anos.
Os museus espertos que estão online, preparam exposições especiais, fazem intercâmbio de exposições com variados países são muito visitados. Veja o MASP, por exemplo.
É isso.
Axe' Baba...
Podes crer Dani.. disse tudo... e ainda, levou ao presente, "museu" A SITUACAO KAOS-oTICA do que se recume, se tiver que voar pra ir ate um museu... por ex. Inclusive, da pra ir a peh pra Minas Gerais, do Planalto Central, mass... quem vai pra museu, desse jeito, se tiver que considerar o tempo e espaco.
Brilhante, o museu do ano 2007/8//... eh por aqui mesmo, porque nao, se tem tudo organizado, e pronto pra acesso. Sem querer desfazer de uma visita, asistir ( e-u fazer) inteh um show num museu... acho que tem "museu" e MUSEU.
Gosto nao se discute... atitude, e acao, sim, isso faz a diferenca = pro voto!? Educacao!
Mes. JC
Sem entrar no mérito; só falando da ilustração do texto. Quem tiver oportunidade de conhecer esse Museu, que o faça. Ele fica na ESTAÇÃO DA LUZ, que por si só, já vale uma visita. Salvo engano, no mesmo local, funciona o Museu do Transportes... e ali perto, fica também a PINACOTECA DO ESTADO, e pra completar, basta atravessar a avenida e tem uma igreja muito bonita. E pra completar mais uma vez, estique um pouco mais e adentre o Vale do Anhagabaú, conheça o centro velho de Sampa... etc etc etc....
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 6/7/2007 10:46Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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