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Quinteto Violado e Elba Ramalho

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Waleska Barbosa · Brasília, DF
13/11/2006 · 85 · 1
 

Era a entrega de um prêmio pelo Ministério da Cultura. E, enquanto esperava o que viria, dormi.

Desculpem-me os premiados. Mas fui à Sala Villa-Lobos ver Quinteto Violado e Elba Ramalho.

Tão logo o início do show foi anunciado dei, como diria na minha terra, um pinote na cadeira e acordei prontamente.

Acordei para ver um momento belo, que me encheu de alegria e inspiração.

Quuinteto Violado – perfeito. Tocando frevos com a roupagem deles. Eu fui viajando nos instrumentos. Prestei muita atenção na bateria. Baseada em Mauro que toca este instrumento, tem uma batera em casa e ensaia numa banda e depois me faz ouvir a gravação dos ensaios. Fiquei pensando que seria bom que ele acompanhasse um disco do Quinteto.

Aí, entra Elba Ramalho.

Deixei tudo o mais de lado. Não conseguia tirar os olhos dela. Admirá-la. Amá-la. Tietá-la.

Ela errou a letra da primeira música. Esqueceu outras partes.

Mas que nada.

A mulher é, para mim, o maior talento da música brasileira. Pela beleza que conseguiu construir em si, pela voz, pela potência da voz e a capacidade, que parece tão fácil, de fazer graves e agudos, gritos e calmaria...Tem uma energia, um jeito de menina pulando de lá pra cá. Nossa... E eu só arrepios... Ela gravou a música que começou a fazer sucesso com Santana – o cantador. É daquelas que a gente nunca sabe o nome... “Se avexe não...que amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada...”

Aí, sobe ao palco Gilberto Gil. Cantando Esperando na janela e Procissão. Outra figura cativante. Com sua dança bonita, seu corpo fininho, esbelto...

Voltam Elba e Quinteto.

A essas alturas as pessoas já invadiam o palco, fazendo uma fila dançante puxada por quem? Gil. Gil e Elba. Os fotógrafos devem ter captado uma bela imagem. Única. Ímpar. Os flashes outrora proibidos espocaram afoitos. O momento. Não se pode deixar escapar o momento.

Elba falou em Campina Grande, na Paraíba. E me deu imenso prazer ouvir os nomes das minhas terras.

Falou do seu início no Rio de Janeiro para onde foi acompanhando o quinteto, que a descobrira em 1974. “Eu era apenas uma atriz bem simples”, disse.

Eles partiam para o Nordeste, de volta. Ela e sua mala resolveram ficar. “Mas você conhece alguém aqui?” “Não. Mas vou ficar”.

Era sua predestinação, sua convicção, sua disposição de encarar sofrimentos e as glórias que viriam e vieram.

Uma noite mágica. Banhada por chuva. Encontrada por amigos.

Fez-me muito bem.

E o fim desta história não podia ser outro. Está virando meu bordão.

A arte como redenção.

A arte.

A minha redenção.

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Rocky Rocker
 

Quando foi isso? Não fiquei sabendo. Que pena.

Rocky Rocker · Brasília, DF 13/11/2006 12:49
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